Quando falamos de arquitetura argentina, surge a pergunta: existe um estilo autóctone? A resposta é complexa, já que a Argentina reúne em seu DNA uma mistura de contribuições de diferentes lugares — desde os povos originários até a chegada de imigrantes de diversas regiões do mundo. O país é tão rico quanto diverso.
No âmbito da gestão urbano-habitacional de Montevidéu, a intendência local, em conjunto com o Ministério de Habitação, Ordenamento Territorial e Meio Ambiente, convocou a participação no concurso público nacional de ideias para o desenvolvimento de um programa habitacional e de espaço público no terreno do bairro La Unión, onde funcionava a empresa Raincoop.
O objetivo era que as equipes participantes projetassem, em um lote de quase 3 hectares, o desenvolvimento de habitações dentro de um espaço de caráter público que promovesse a localização de atividades e serviços compatíveis, garantindo assim a diversidade de usos do solo e a inclusão. Conheça em detalhes os projetos nas palavras de seus/suas autores/as.
Na cidade de Olímpia, realizavam-se a cada quatro anos competições de caráter atlético em honra ao deus Zeus. Durante esse período, o tempo parava, as pólis declaravam trégua e as guerras eram suspensas. Essas festividades eram conhecidas como os Jogos Olímpicos. As novas atividades exigiam novas tipologias edilícias; a arquitetura colocou-se a serviço do esporte, e essa tradição se manteve até os dias de hoje.
Na terceira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, realizada em Buenos Aires, profissionais de arquitetura de todo o país puderam participar por meio da criação de diferentes espaços. A equipe multidisciplinar do Galpón Estudio, juntamente com o Gruba e o Hacelo Sonar, ao lado de outros/as profissionais, liderou a materialização do Espaço Infância, que convida a despertar os sentidos. Correr, escalar, caminhar, parar, observar, ouvir, imaginar. Conheça o projeto pelas palavras de seus/as autores/as.
Como bem sabiam os egípcios, astecas, gregos e incas, a natureza contém em si as respostas para os grandes mistérios da vida. É preciso apenas observá-la atentamente para decifrar o enigma. Muitas vezes movemos céus e terra em busca daquilo que esteve o tempo todo diante dos nossos olhos. Imersos em nossos celulares e cidades de concreto, quando foi a última vez que caminhamos sobre a grama ou contemplamos as estrelas?
As civilizações antigas faziam isso constantemente. Estudando a trajetória do sol, as estações e as chuvas, deixaram um legado de obras que sobreviveram a milênios e continuam de pé hoje em dia. Sem o Google ou computadores, conseguiram adquirir conhecimento por meio da observação e do estudo do que estava ao seu redor: a natureza.
Caminhar pelas salas de aula da Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires é como entrar em uma máquina do tempo: carteiras de madeira nobre, as rosáceas, o arco ogival. Lousas verdes escritas com giz. Nelas, teoremas e equações esperam ser resolvidos. Aqui se assentam as bases do conhecimento de mentes jovens que, mais tarde, calcularão pontes e represas, e otimizarão plantas e processos.
Ao subir pelos ateliês escalonados, a madeira range. Um som que evidencia a passagem do tempo.
Diz-se que quando Le Corbusier chegou à Grécia, ficou impressionado com sua arquitetura. Os templos helenísticos, o sistema de proporções que os regulava e sua monocromia. Muitos desses elementos influenciaram sua obra. No entanto, algo que teria surpreendido o arquiteto é que, na realidade, os templos gregos não eram monocromáticos; de fato, estavam longe disso. Azul, vermelho, verde e até dourado. Essas eram as cores vibrantes que envolviam as construções gregas. Frisos, frontões, colunatas e até esculturas. Cada centímetro era recoberto por cores geradas a partir de pigmentos. O passar do tempo, as guerras, a ação do sol, da chuva e do vento, somados à natureza perecível dos pigmentos, fizeram com que as superfícies desbotassem, deixando o mármore frio a descoberto.
Construir castelos de areia na praia: uma prática existente desde tempos remotos que nos permite mergulhar nas profundezas da nossa imaginação, ideias e sonhos. Possivelmente, para muitas pessoas, o primeiro contato com a construção. A água e a areia se fundem, transformando-se em espaço — algo mais do que a soma das partes. As fortalezas, pontes e fossos ficaram para trás para algumas pessoas, mas surgiu outra tipologia para construir: a casa.
Compartilhamos a seguinte seleção de casas argentinas construídas sobre médãos e dunas, projetadas por arquitetos e arquitetas que transformaram castelos em casas, areia em concreto e sonhos em realidade.
Cortesía de Archivo Wiliams, Director Claudio Williams
Os pavilhões têm sido uma tipologia fundamental na história da arquitetura. Sua flexibilidade e caráter efêmero permitiram dar asas à imaginação de arquitetos e arquitetas dispostos a romper com os cânones estabelecidos. Cada geração assumiu o bastão, levando-o a novas direções. De construções desmontáveis a espaços que fomentam o espírito democrático, fazemos uma retrospectiva da história dos pavilhões argentinos e refletimos sobre sua importância.
Você já teve a curiosidade de saber como os/as arquitetos/as trabalham em seus escritórios? Geralmente inacessíveis ao público, esses locais guardam em suas paredes histórias e sonhos de projetos realizados e edifícios a construir, de concursos vencidos com orgulho e de ideias não concretizadas. Felizmente, o novo livro “Ambientes de Arquitectura”, da Bisman Ediciones, abre as portas de 50 escritórios de arquitetura e nos permite percorrer seus cantos. Mesas de ping-pong, cuias de mate e maquetes: descubra como os/as arquitetos/as realmente trabalham!
Chegou o momento de fechar o AutoCAD e o Revit, desligar o computador e guardar o uniforme por excelência de arquitetos e arquitetas: as roupas pretas. O verão chegou e, com ele, as férias. Seja por algumas semanas ou apenas alguns dias, compartilhamos algumas atividades para arejar a mente sem deixar a disciplina de lado.
“Nesta casa estão os livros que me serviram para escrever a história da literatura argentina, que é a história da dor argentina; está a copiosa correspondência trocada ao longo de meio século com muitas mentes sábias; está meu arquivo, tudo o que não pude organizar nem classificar porque os trabalhos não me permitiram, mas tudo foi cuidado e organizado por minha esposa. Com seu consentimento, digo hoje que tudo isso já não me pertence: pertence à pátria, para que futuros/as pesquisadores/as encontrem aqui os elementos que lhes permitam saber como palpitava o coração do país…”
Com essas palavras se adentra o Museu Casa de Ricardo Rojas. O prólogo, por assim dizer. A casa de Ricardo Rojas é uma obra enigmática que reúne em si mesma várias camadas de cultura. Na biblioteca descansam os grandes nomes: Borges, Arlt, Walsh, Rojas. No pátio, fontes e sereias, sóis e estrelas. Símbolos que apelam à memória.
No coração de Palermo, encontra-se uma grande estrutura de ferro e vidro que abriga em seu interior espécies cujas origens remontam a épocas distantes, anteriores aos dinossauros. Trata-se da estufa principal do Jardim Botânico Carlos Thays, em Buenos Aires.
Tinta e papel bastaram para imortalizar o encanto e o fascínio de sacadas, pátios e casas. Construções icônicas e também as cotidianas. Os grandes nomes da literatura argentina empunham a caneta e encaram o concreto, lembrando-nos, mais uma vez, daquilo que comove e inquieta na arquitetura.
A apenas duas horas de Santiago, encontra-se a localidade de Los Vilos e, nela, um empreendimento que propõe uma reconexão com a natureza e a arquitetura. Trata-se do projeto Ochoquebradas. O Masterplan está inserido em um amplo terreno com vista para o mar, onde arquitetos/as renomados/as projetaram casas de veraneio. A nova casa que se incorpora ao plano foi projetada pelo escritório de arquitetura argentino Moarqs.
Fiel ao espírito do lugar, a equipe de arquitetura decidiu criar uma arquitetura de mínimo impacto no solo, incorporando as qualidades da paisagem por meio de pátios e grandes vãos.
A seguir, veja a descrição enviada pela equipe de projeto.
Nesta ocasião, as salas do Museo Nacional de Bellas Artes, em Buenos Aires, nos lembram a criatividade de Clorindo Testa. A nova exposição “Esta es mi casa”, com curadoria de María José Herrera e Mariana Marchesi, nos permite conhecer de perto o arquiteto-artista: o que pensava antes de dormir? O que via de sua janela? Como era a sua casa?
A agulha da Paróquia San Lucas ergue-se serena sobre um extenso manto verde florido de jacarandás e tipuanas. Atrás, a megalítica Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires e a massa de edifícios cinzentos contrastam com o pulmão permeável. Uma esplanada seca sobe a partir da rua, vencendo os diferentes níveis do terreno, com caminhos sinuosos, conexões subterrâneas, estacionamentos e um centro cultural: trata-se do novo projeto para a Plaza Houssay, atualmente em construção.
No contexto do programa de preservação patrimonial do município de Rosário, as autoridades provinciais de Santa Fe realizaram o concurso nacional de anteprojetos para o novo edifício da Escola Provincial de Artes Visuais Nº 3031 "General Manuel Belgrano". O lote selecionado abrigava as antigas oficinas ferroviárias do Central Argentino, onde os/as concorrentes deveriam adaptar as construções às necessidades da escola e da comunidade, preservando seu valor histórico. Conheça o projeto vencedor a seguir.
“Não é preciso chegar primeiro, mas sim saber chegar”, diz a canção. Na arquitetura, esse caminho muitas vezes é pensado como uma linha reta perfeita, mas na verdade é mais um ziguezague com a precisão de um eletrocardiograma.
Começar a faculdade, depois abandoná-la, mais tarde retomá-la; formar-se e depois viajar e explorar o mundo; participar de concursos até o cansaço; cruzar o oceano em busca de um mestre ou de trabalho; seguir o coração mesmo quando o mundo diz o contrário. Todas essas decisões foram o norte na bússola de grandes nomes da arquitetura argentina. Conheça, a seguir, os seus primeiros passos.