No contexto do programa de preservação patrimonial do município de Rosário, as autoridades provinciais de Santa Fe realizaram o concurso nacional de anteprojetos para o novo edifício da Escola Provincial de Artes Visuais Nº 3031 "General Manuel Belgrano". O lote selecionado abrigava as antigas oficinas ferroviárias do Central Argentino, onde os/as concorrentes deveriam adaptar as construções às necessidades da escola e da comunidade, preservando seu valor histórico. Conheça o projeto vencedor a seguir.
Nesta ocasião, as salas do Museo Nacional de Bellas Artes, em Buenos Aires, nos lembram a criatividade de Clorindo Testa. A nova exposição “Esta es mi casa”, com curadoria de María José Herrera e Mariana Marchesi, nos permite conhecer de perto o arquiteto-artista: o que pensava antes de dormir? O que via de sua janela? Como era a sua casa?
A partir de um novo sistema tipológico, as obras preveem possíveis transformações futuras, sem alterar características intrínsecas do edifício como a circulação e a estrutura. Flexibilidade, sustentabilidade, uso racional de recursos e estudo do impacto ambiental são algumas das premissas no projeto desses hospitais evolutivos.
Conheça os projetos em detalhes nas palavras de seus autores.
A agulha da Paróquia San Lucas ergue-se serena sobre um extenso manto verde florido de jacarandás e tipuanas. Atrás, a megalítica Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires e a massa de edifícios cinzentos contrastam com o pulmão permeável. Uma esplanada seca sobe a partir da rua, vencendo os diferentes níveis do terreno, com caminhos sinuosos, conexões subterrâneas, estacionamentos e um centro cultural: trata-se do novo projeto para a Plaza Houssay, atualmente em construção.
Caminhar pelas salas de aula da Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires é como entrar em uma máquina do tempo: carteiras de madeira nobre, as rosáceas, o arco ogival. Lousas verdes escritas com giz. Nelas, teoremas e equações esperam ser resolvidos. Aqui se assentam as bases do conhecimento de mentes jovens que, mais tarde, calcularão pontes e represas, e otimizarão plantas e processos.
Ao subir pelos ateliês escalonados, a madeira range. Um som que evidencia a passagem do tempo.
Há pouco tempo descobri que a palavra 'testa', em italiano, significa 'cabeça'. Pensei em Clorindo Testa e no quão apropriado é o seu sobrenome.
Ontem completaram-se 95 anos de seu nascimento. Dono de uma criatividade e carisma infinitos, foi uma daquelas personalidades que surgem a cada 100 anos. Nele conviviam a inteligência do arquiteto com a sensibilidade do artista, a exatidão do profissional com a alegria da criança, a grandeza com a humildade. Sua mão não tremia na hora de curvar a linha ou de dar cor ao plano.
Por ocasião do seu aniversário, relembramos algumas de suas frases e anedotas.
Buenos Aires no futuro. Fonte: El Hogar, 1929. Nº 1021. Imagem via Ediciones Infinito e Dra. Arq. Margarita Gutman
Buenos Aires em 2018. Habitantes? Quase 3 milhões. Trens magnéticos de alta velocidade? Zero. Arranha-céus interconectados com vias férreas? Zero. DeLoreans voando pelos ares? Lamentavelmente, zero. Inovações no transporte? O metro-bus e a ciclovia. Em termos urbanísticos, a cidade parece não haver avançado no ritmo que se imaginava.
O que existia era uma fé cega no futuro. Um futuro onde tudo seria possível, onde o céu não era o limite e as pessoas poderiam circular livremente sobre as nuvens através de uma rede de caminhos que conectariam altas torres. O que ocorreu? Para isso, devemos viajar no tempo. Mais precisamente, ao passado.
A recuperação de um patrimônio em desuso, a sua revitalização e a sensibilidade ao entorno foram os conceitos-chave valorizados pelo júri para a definição deste ganhador na décima oitava edição do Prêmio Nacional Clarín-SCA para estudantes de arquitetura.
Agustín Ichuribehere, aluno da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Nacional de La Plata, conjuntamente com a orientação do professor Martín Villanueva, foi o autor do projeto vencedor. Trata-se de um edifício para o Departamento de Música e Lutheria da Universidade Nacional de Comahue e a intervenção em um bem patrimonial: os galpões da fábrica de sidra "La Reginense" em Villa Regina, Rio Negro, Argentina.
Conheça a proposta em detalhes com as palavras do autor, a seguir.
“Fechem os olhos e caminhem pela Faculdade de Arquitetura, percorram-na, sintam os ruídos, as texturas, tentem recompor o espaço mentalmente.” Caminhei vários metros de olhos vendados e ainda me lembro de como minha audição se aguçou, percebendo o murmúrio das pessoas ao meu redor.
Embora conhecesse a planta do edifício como a minha própria casa, devo confessar que esses foram talvez os passos mais longos e desconcertantes que já dei.
James Wright segue os passos de Walter Gropius no novo documentário Konstruktion Argentina. O filme percorre várias obras argentinas, revelando sua influência alemã.
Mar del Plata, Buenos Aires e Berlim são alguns dos cenários onde a viagem acontece.
Jorge e Andrés Kálnay iniciaram uma viagem por volta de 1920. Naquela época, a Argentina já havia construído a maior parte de seus edifícios públicos, Alejandro Bustillo estava viajando pela Europa, Mario Palanti erguia seu colossal Palacio Barolo e Le Corbusier teria que esperar nove anos para finalmente pisar em terras portenhas.
Pouco imaginavam os irmãos arquitetos, ao embarcarem em um navio com destino aos Estados Unidos, que acabariam nas águas do Rio da Prata, moldando parte da atual memória arquitetônica de Buenos Aires.
Quando perguntaram a Clorindo Testa o que sentia ao saber que uma de suas obras, a Casa Di Tella, seria demolida, ele respondeu: “Eu acredito que as obras não são feitas para durar. Pode-se dizer que o Coliseu de Roma vai perdurar. Não vão colocar abaixo a Catedral de Notre Dame, nem o Duomo de Milão. Mas, quando se faz uma obra, não se fica pensando que ela será memorável e durará para sempre. Obras com essas características têm proprietários/as, e os/as proprietários/as mudam de ideia. As pessoas e a sociedade também mudam: o que era válido vinte anos atrás, hoje não é mais. É inevitável que seja assim. Pessoalmente, não me incomoda em nada que demolam uma obra minha: não faço as coisas para que durem para sempre. Você faz as coisas para que funcionem quando são encomendadas, e elas duram o que têm que durar. A Casa Di Tella foi feita para Di Tella, e Di Tella morreu. Em certo sentido, já não é mais a casa dele... Passou a fazer parte de um instituto que a comprou. Portanto, as funções de que necessita agora são outras”. [1]
No discurso de Testa, nota-se uma notável humildade que parece pouco frequente no DNA do/a arquiteto/a que anseia pela eternidade de suas obras. Afinal, esse desejo de eternidade nos foi imposto quase como uma ordem, uma necessidade. Palladio bem sabia disso ao mencionar Vitrúvio: “utilidade, perpetuidade e beleza”.