Maquetes a serviço de todos

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© Carolina Castagna e Daniela Bernini

“Fechem os olhos e caminhem pela Faculdade de Arquitetura, percorram-na, sintam os ruídos, as texturas, tentem recompor o espaço mentalmente.” Caminhei vários metros de olhos vendados e ainda me lembro de como minha audição se aguçou, percebendo o murmúrio das pessoas ao meu redor.

Embora conhecesse a planta do edifício como a minha própria casa, devo confessar que esses foram talvez os passos mais longos e desconcertantes que já dei.

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O tempo parou. Não me lembro da quantidade exata de metros que percorri, mas recordo-me de me sentir desorientada e perdida. Dei passos curtos por medo de trombar com algum estudante sonâmbulo — daqueles que correm de pijama a toda velocidade para a entrega de projetos. E quem conhece a faculdade sabe que as chances de isso acontecer são altas, mesmo sem a venda nos olhos.

Pouco tempo depois, voltamos à sala de aula e minha percepção do espaço havia mudado por completo.

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Com os olhos cobertos, las medidas pareciam intangíveis e os espaços, imensuráveis. Quantos metros faltam para chegar à sala? Será que posso caminhar para a esquerda ou vou trombar com alguém? Já caminhei por vários minutos; onde estou exatamente?

Embora caminhar sem poder contar com a visão seja uma tarefa difícil, não é impossível. Muitas pessoas fazem isso hoje em dia. Mas, como nos disse a professora naquela tarde nas salas de aula da faculdade, temos um compromisso social, como arquitetos/as e cidadãos/ãs, de ajudar. Naquele momento, pensei nas leis de acessibilidade criadas para proteger e melhorar a qualidade de vida de pessoas em situação de vulnerabilidade, mas nunca havia me ocorrido que uma maquete pudesse contribuir para esse fim.

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© Carolina Castagna e Daniela Bernini

O e M significa orientação e mobilidade. É um jogo de estimulação para crianças com deficiência visual. Por meio de uma maquete tridimensional, elas podem ter uma percepção de como é o espaço antes de estarem lá. A maquete oferece à criança detalhes concretos sobre as características do espaço pelo qual ela irá se deslocar, fornecendo informações sobre localização, direção e distância para facilitar o seu trajeto.

O sistema de peças transportáveis, interconectáveis e desmontáveis possibilita a montagem de maquetes de diferentes espaços, como a própria casa, a casa dos avós, estabelecimentos de ensino, áreas de lazer, entre outros. As peças contam com quatro tipos de texturas e cores diferentes, tudo voltado para crianças com baixa visão.

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© Carolina Castagna e Daniela Bernini

Assim que a criança reconhece o espaço por meio do tato e consegue formular uma imagem mental do ambiente, a maquete pode ser totalmente desmontada.

As argentinas Carolina Castagna e Daniela Bernini desenvolveram o jogo O e M não apenas para ajudar as crianças com deficiência visual a explorar os espaços, mas também para integrá-las, promovendo a inclusão no momento do aprendizado.

A maquete, eterna aliada de arquitetos e arquitetas desde tempos imemoriais, amada por uns, odiada por outros. Mais uma vez, a serviço de todos. 

Este artigo foi escrito por . A tradução é gerada por IA.

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Sobre este autor
Cita: Etulain, Mariana. "Maquetes a serviço de todos" [Maquetas al servicio de todos] 04 Jul 2026. ArchDaily em Português. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/1117939/maquetes-a-servico-de-todos> ISSN 0719-8906

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