Pavilhões argentinos ao longo do tempo

Os pavilhões têm sido uma tipologia fundamental na história da arquitetura. Sua flexibilidade e caráter efêmero permitiram dar asas à imaginação de arquitetos e arquitetas dispostos a romper com os cânones estabelecidos. Cada geração assumiu o bastão, levando-o a novas direções. De construções desmontáveis a espaços que fomentam o espírito democrático, fazemos uma retrospectiva da história dos pavilhões argentinos e refletimos sobre sua importância.

Pavilhão Argentino em Paris

Em 1889, em comemoração ao centenário da queda da Bastilha, foi realizada na França a Grande Exposição Universal de Paris. O evento buscava apresentar os avanços tecnológicos, artísticos e culturais em escala mundial. As nações participantes exibiam suas conquistas em pavilhões inovadores.

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© Eugenio Avanzi [Wikipedia] sob domínio público

Anteriormente, as nações latino-americanas precisavam compartilhar pavilhões. Contudo, nessa oportunidade, a Argentina teve a possibilidade de apresentar um pavilhão autônomo. Por isso, o Estado Argentino encomendou ao arquiteto francês Albert Ballu o projeto de um pavilhão que representasse os progressos da jovem nação.

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© Archivo General de la Nación Argentina [Wikipedia] sob domínio público

O pavilhão foi premiado, assim como o projeto da cidade de La Plata, que ganhou duas medalhas de ouro nas categorias "Cidade do Futuro" e "Melhor realização construída".

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Vista do Pavilhão Argentino em frente à Plaza San Martín. Imagem © Eugenio Avanzi [Wikipedia] sob domínio público

Graças aos avanços da Revolução Industrial, a estrutura pôde ser feita de ferro e era desmontável. Por esse motivo, ao término da exposição, o pavilhão foi transferido sem inconvenientes para a Argentina.

Devido a uma crise econômica, o governo chegou a cogitar a possibilidade de desmontar a construção e leiloá-la em partes. Foi Francisco Seeber, então prefeito de Buenos Aires, quem evitou a catástrofe.

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© Desconhecido [Wikipedia] sob domínio público

Em 1893, o Pavilhão foi instalado em frente à Plaza San Martín e, ao longo dos anos, abrigou diversos usos devido à flexibilidade de sua estrutura. Funcionou como sede da Exposição Nacional de Buenos Aires e também como Museu Nacional de Belas Artes.

Infelizmente, em 1933, o pavilhão foi desmantelado por ordem do prefeito Guerrico para a ampliação da Plaza San Martín.

Pavilhão do Centenário

Na rua Cerviño e Avenida Bullrich encontra-se aquele que um dia foi o imponente pavilhão criado para representar o Serviço Postal da Exposição Ferroviária e de Transportes Terrestres, no marco das comemorações do Centenário da Revolução de Maio de 1910.

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© Desconhecido [Wikipedia] sob domínio público

Projetado pelo arquiteto Virginio Colombo e construído pelo arquiteto Pedro Vinent, o pavilhão foi premiado com uma medalha de ouro por sua excelência.

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© Roger Schultz [Flickr] sob licença CC BY 2.0

A glória do passado hoje encontra-se coberta de poeira, escombros e rachaduras. Preço do esquecimento ou reflexo do presente?

Ao longo dos anos, diversos cidadãos e cidadãs lutaram por sua valorização, compreendendo sua importância histórica. Felizmente, o pavilhão faz parte do nosso patrimônio histórico nacional e, há poucos meses, foi lançado um concurso para restaurá-lo. Esperamos que ele possa recuperar toda a sua grandeza.

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© Roger Schultz [Flickr] sob licença CC BY 2.0

Pavilhão de exposição em Palermo

Em 1966, Amancio Williams surpreendeu ao utilizar pela primeira vez suas abóbadas de casca, tipologia que seria um marco na história argentina. Tratava-se do pavilhão de exposição da corporação Bunge y Born, construído no espaço hoje conhecido como La Rural.

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Cortesía de Archivo Wiliams, Director Claudio Williams
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Cortesía de Archivo Wiliams, Director Claudio Williams

Sob as abóbadas, encontrava-se uma estrutura sem pilares nem vigas, onde ficavam as áreas de exposição. Williams desafiou os limites, criando uma arquitetura sem precedentes.

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Cortesía de Archivo Wiliams, Director Claudio Williams
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Cortesía de Archivo Wiliams, Director Claudio Williams

Os "guarda-chuvas" de Amancio não desapareceram após o término da exposição; pelo contrário, seu uso sobreviveu ao tempo e eles continuam sendo fonte de inspiração para arquitetos e arquitetas na atualidade.

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Cortesía de Archivo Wiliams, Director Claudio Williams

Pavilhão Temporário IX BIAU

Diego Avendaño, Juan Manuel Balsa, David Sebastián Coffio e Francisco Figueroa Astrain foram os autores da proposta vencedora para o pavilhão temporário da IX Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo 2014, em Rosário.

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Cortesía de Diego Avendaño, Juan Manuel Balsa, David Sebastián Coffio, Francisco Figueroa Astrain

Assim como no Pavilhão Argentino, o projeto previu uma estrutura desmontável (neste caso, feita de andaimes), possibilitando a flexibilidade de uso — um desafio que arquitetos e arquitetas enfrentam há mais de um século.

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Cortesía de Diego Avendaño, Juan Manuel Balsa, David Sebastián Coffio, Francisco Figueroa Astrain

Vértigo Horizontal

Na 16ª Bienal de Veneza, a equipe liderada por Pablo Anzilutti, Federico Cairoli, Francisco Garrido e Javier Mendiondo rompeu com os padrões estabelecidos ao representar o país com a proposta denominada Vértigo Horizontal.

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O pavilhão argentino mostrou, por meio da imensidão dos pampas, um horizonte que convida à reflexão, à democratização dos espaços públicos, à igualdade, à dignidade e à humanidade. Será que estamos caminhando nessa direção? Certamente, espero que sim.

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Sobre este autor
Cita: Etulain, Mariana. "Pavilhões argentinos ao longo do tempo" [Pabellones argentinos a través del tiempo] 05 Mai 2019. ArchDaily em Português. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/1120899/pavilhoes-argentinos-ao-longo-do-tempo> ISSN 0719-8906

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