Sediado na Cidade do México, Enrique Tovar traz uma abordagem multidisciplinar à arquitetura e ao trabalho editorial, moldada por seu interesse em história, sociedade, arte e artesanato. Suas primeiras experiências em um contexto onde a arquitetura é frequentemente autoconstruída ou negociada lhe proporcionaram uma compreensão refinada do ambiente construído como algo fluido e em constante evolução com o uso. Essa perspectiva o levou naturalmente ao trabalho editorial, que ele vê como uma extensão da prática arquitetônica — capaz de capturar complexidades e tensões que talvez não sejam visíveis nos processos tradicionais de projeto.
Como editor de conteúdo patrocinado no ArchDaily, Enrique explora as interseções críticas entre materiais, sistemas construtivos, tecnologia e softwares. Ele se interessa especialmente por como esses elementos influenciam as práticas arquitetônicas contemporâneas e pelas maneiras como os princípios do desenho universal e inclusivo podem expandir o alcance do campo profissional. Seu foco editorial incentiva ambientes que respondam a diversos corpos, experiências e modos de habitar o espaço, promovendo uma arquitetura que desafia as normas convencionais e abraça preocupações sociais mais amplas.
Apesar dos grandes avanços em outros setores, com ferramentas como o Cursor remodelando a forma como softwares são desenvolvidos, ou o AlphaFold revolucionando a previsão de estruturas de proteínas, o setor de AEC ainda espera por seu momento divisor de águas na IA. De fato, muitas ferramentas de visualização causaram grande impacto, especialmente na geração de imagens belas. No entanto, elas se mostram insuficientes quando se trata de compreender o processo de projeto real. Elas não assimilam as restrições, a lógica e as decisões que transformam essas imagens em uma arquitetura real e viável.
E é exatamente aí que reside o caso de uso mais valioso da IA no setor de AEC: não na aparência de um edifício, mas em como ele se articula.
Nicolás Valencia conversa em Lima com o arquiteto mexicano Jesús López sobre ATEA10, publicação vencedora da BIAU 2024 que celebra os dez primeiros anos da Atea, uma plataforma multidisciplinar de produção e experimentação no bairro de La Merced, na Cidade do México.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142731/atea-10-anos-de-insistencia-cultural-na-cidade-do-mexicoArchDaily Team
A inteligência artificial está se tornando uma presença inegável em nosso cotidiano. Ela ensina, gera conteúdo e rompe as frágeis fronteiras—tanto visuais quanto imaginativas—que antes governavam nossas interações nas redes sociais. Em plataformas como o Instagram, testemunhamos uma enxurrada de imagens onde todo tipo de exercício especulativo é compartilhado livremente, recalibrando nossa compreensão da relação entre arquitetura e imagem. Em meio a essa transformação, profissões inteiras se veem em terreno incerto, à medida que a IA passa a desafiar áreas antes definidas pela expertise humana.
No entanto, sob essa aparente abundância reside o núcleo opaco da IA de código fechado: uma caixa-preta algorítmica que sistematicamente oculta as origens dos dados que consome. Como resultado, suas produções estão inevitavelmente sujeitas a distorções fatuais, anacronismos e vieses sutis ou manifestos. Esse mesmo mecanismo pode esvaziar o significado por trás das linguagens e assinaturas estilísticas de nomes canônicos da arquitetura—manifestando-se, por exemplo, em visões geradas por IA que especulam como projetistas renomados, vivos ou falecidos, poderiam ter reimaginado a Torre Eiffel. Compartilhamos uma dessas imagens para observar e compreender melhor como as pessoas—especialmente arquitetos e arquitetas—respondem às possibilidades e limitações atuais da IA, e às maneiras como ela mimetiza a intenção arquitetônica. A reação foi fascinante, revelando uma mistura de curiosidade, preocupação e reflexão crítica.
E se imaginássemos os edifícios como sistemas vivos, projetados para montagem e desmontagem com o mínimo de impacto? Uma forma de arquitetura aberta, modular e adaptável, concebida para evoluir junto com o seu entorno, respondendo às mudanças sazonais e às demandas pontuais em vez de permanecer estática. À primeira vista, a ideia parece paradoxal, já que muitos edifícios foram construídos para durar, projetados para resistir à passagem do tempo e evitar a demolição. Por conta disso, reverter ou desfazer uma construção poderia ser visto como um retrocesso. Mas e se essa forma de pensar já não se aplicar a todos os cenários?
https://www.archdaily.com.br/pt/1142804/feito-para-nao-durar-como-a-arquitetura-reversivel-esta-redefinindo-a-forma-como-construimosEnrique Tovar
Combinando talentos emergentes e marcas consagradas, a edição deste ano da International Contemporary Furniture Fair promoveu conexões significativas, dinamismo comercial e debates aprofundados em toda a comunidade global de design.
De volta ao Javits Center em maio deste ano, a edição de 2025 da International Contemporary Furniture Fair (ICFF) reuniu mais de 400 marcas de design de 35 países, consolidando seu papel como ponto de encontro central para o design contemporâneo na América do Norte. Abrangendo os setores residencial, comercial e hoteleiro, a feira atraiu mais de 13 mil visitantes e manteve um forte engajamento em todas as frentes — mesmo diante da contínua volatilidade do mercado e das pressões tarifárias.
Vista da réplica do Castelo Animado dentro da área do Vale das Bruxas. Imagem via ghibli-park.jp, sob política de uso justo
Studio Ghibli e seu cofundador Hayao Miyazaki tornaram-se nomes amplamente conhecidos no Ocidente, graças a um impressionante corpo de trabalho que inclui mais de 10 longas-metragens, dois Oscars e mais de 100 prêmios em todo o mundo. Filmes como "A Viagem de Chihiro" e "O Castelo Animado" demonstram sua maestria na construção de mundos, narrativa e apelo visual marcante, o que lhes rendeu aclamação global. Com isso, consolidou-se uma base de fãs dedicada que, até então, contava apenas com o Museu do Studio Ghibli em Tóquio para vivenciar esses universos no mundo real. À medida que a popularidade do estúdio e seu catálogo de filmes cresciam, a expansão para um espaço físico maior tornou-se inevitável. Assim, novembro de 2022 marcou o início de uma nova fase, com a abertura do Ghibli Park em Nagoya, no Japão.
Residência Privada em Varese / Franzetti Primi Architetti Associati
A matemática nos mostra como, a partir de apenas alguns elementos, podemos gerar combinações quase infinitas e como cada novo arranjo pode transformar completamente o conjunto original. Teorias como as do caos e da complexidade apontam na mesma direção: pequenas variações iniciais, como uma escolha, um desvio ou um novo elemento, podem desencadear mudanças profundas e inesperadas. Na arquitetura, isso se manifesta de forma concreta no cotidiano de profissionais de projeto. A escolha dos materiais e a forma como são combinados pode parecer uma decisão meramente estética ou funcional, mas tem o poder de redefinir a linguagem de um edifício, o rumo do projeto e sua relação com o entorno e seus habitantes.
Na Índia, o tijolo como material de construção carrega memória, significado e modernidade. Dos tijolos cozidos e alinhados da Civilização do Vale do Indo aos intrincados jaalis de tijolo que decoram residências, edifícios públicos e marcos urbanos, o legado do material está profundamente enraizado na identidade arquitetônica do subcontinente. No entanto, ninguém moldou a narrativa do tijolo na arquitetura indiana moderna com tanta eloquência quanto Laurie Baker.
A trajetória diversificada de Hana Abdel conecta arquitetura de interiores, arte e um profundo apreço pelo patrimônio cultural, moldando sua abordagem singular na curadoria de conteúdo de arquitetura no ArchDaily. De origem libanesa e atualmente baseada no Canadá, Hana passou mais de uma década explorando a arquitetura de interiores em paralelo com práticas artísticas como escultura, cerâmica e desenho. Embora não atue mais diretamente na arquitetura de interiores, essas experiências continuam a enriquecer sua compreensão das narrativas espaciais e da relação entre materialidade e lugar.
Como gestora da equipe de curadoria de projetos, Hana concentra-se em identificar uma arquitetura que conte histórias instigantes para além da estética. Sua visão editorial prioriza projetos que dialogam de forma reflexiva com o contexto cultural, técnicas tradicionais e vozes emergentes, garantindo uma representação diversa e inclusiva. Ela se empenha em dar visibilidade a comunidades sub-representadas e a práticas inovadoras que expandem os limites da arquitetura.
Pelo terceiro ano consecutivo, Melbourne foi eleita uma das cinco cidades mais habitáveis do mundo. A cidade é amplamente considerada o principal polo arquitetônico da Austrália por sua cultura urbana única e pela diversidade de suas expressões de design, repletas de camadas e de uma mistura ousada de estilos. Dos edifícios da era vitoriana minuciosamente restaurados, com sua ornamentação e detalhamento complexos, aos marcos contemporâneos vizinhos, a cidade parece alcançar um equilíbrio harmonioso entre todas as tipologias e movimentos de design, mantendo-se acolhedora e atraente para seus cidadãos.
A vida coletiva continua a ser um tema central no discurso habitacional contemporâneo, estendendo-se para além das questões de densidade ou tipologia para abranger preocupações mais amplas sobre o uso do solo, a coesão social e a identidade espacial. Esta seleção de projetos conceituais não construídos, enviada pela comunidade do ArchDaily, explora o potencial dos ambientes de vida compartilhada, não apenas como soluções habitacionais funcionais, mas como estruturas para interação, integração ambiental e continuidade cultural. Seja em contextos urbanos ou remotos, as propostas refletem um interesse crescente em repensar como o espaço doméstico pode apoiar tanto a privacidade individual quanto a vida comunitária.
O espaço público há muito tempo ocupa o centro do pensamento arquitetônico, sendo frequentemente estruturado sob a ótica do planejamento, da infraestrutura e da regulamentação. De Paris de Haussmann aos masterplans contemporâneos, arquitetos e arquitetas têm trabalhado para definir e formalizar a vida coletiva por meio de ferramentas espaciais. No entanto, fora dessas estruturas, artistas têm oferecido continuamente formas alternativas de compreender e habitar o espaço público — abordagens que não dependem da construção ou da permanência, mas sim da presença, da percepção e da participação. Por meio de ações, objetos ou atmosferas, artistas abordam a cidade como um território de fricção e imaginação. Esses gestos desafiam as convenções arquitetônicas e convidam a reconsiderar o espaço público não como uma forma resolvida, mas como um processo contingente e aberto.
O SketchUp 2025 introduz novas ferramentas e aprimoramentos voltados para melhorar a forma como arquitetos/as e designers visualizam, colaboram e comunicam seus trabalhos.
Esta versão traz materiais mais realistas e ambientes imersivos, facilitando a criação de representações visuais impactantes de modelos arquitetônicos. Essas atualizações de visualização estão disponíveis no SketchUp para Desktop, Web e iPad, bem como no LayOut e no 3D Warehouse, proporcionando uma experiência consistente entre as plataformas.
O Juneteenth, celebrado anualmente em 19 de junho, comemora a emancipação dos afro-americanos escravizados nos Estados Unidos, marcando um momento de libertação e reflexão sobre uma história complexa e frequentemente negligenciada. Originalmente celebrado no Texas, o Juneteenth passou a simbolizar temas mais amplos de liberdade, resiliência e identidade cultural, promovendo debates sobre justiça e representatividade. Este dia também se apresenta como uma oportunidade para destacar as formas pelas quais a arquitetura pode servir como um meio de preservar e apresentar a história e os valores culturais afro-americanos.
Para além de suas qualidades funcionais e estéticas, a arquitetura pode refletir e reunir narrativas, valores e histórias ocultas, conferindo uma presença tangível e visual a comunidades que costumam ser sub-representadas nas paisagens urbanas. Edifícios dedicados à história e cultura afro-americanas tornam-se marcos físicos que ancoram essas narrativas no cotidiano das cidades. Funcionam como locais de aprendizado, reflexão e celebração, gerando espaços significativos que engajam o público e fortalecem o sentido de identidade comunitária.
Os tijolos de vidro têm sido amplamente utilizados na arquitetura, tornando-se, com o tempo, uma marca registrada dos estilos arquitetônicos da década de 1980. Entre os exemplos clássicos de construção com este material estão a célebre "Maison de Verre", de Pierre Chareau e Bernard Bijvoet em Paris, e a releitura mais moderna de Hiroshi Nakamura & NAP com a Optical Glasshouse no Japão. Nos últimos anos, os tijolos de vidro vêm ganhando cada vez mais popularidade, deixando de ser associados apenas a uma estética do passado. Em vez disso, eles evoluíram para elementos de design versáteis que trazem luz, textura e personalidade aos interiores contemporâneos. Sua capacidade de difundir a luz natural e artificial mantendo a privacidade reacendeu o interesse de profissionais de design que buscam maneiras inovadoras de valorizar os espaços internos, aproveitando ao máximo a iluminação natural.
Encontrar o emprego ideal — ou o/a candidato/a certo/a — na indústria de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) pode ser um verdadeiro desafio. À medida que o setor evolui, tanto profissionais quanto empresas buscam formas mais eficazes de se conectar, colaborar e crescer. A AECO Space é uma plataforma de empregos e networking desenvolvida especificamente para profissionais de AEC. Ela oferece um espaço para que contratantes e talentos participem de um processo de recrutamento e conexão mais eficiente e focado no setor.
Nicolás Valencia conversa em Lima com os arquitetos peruanos Mariana Jochamowitz e Nicolás Rivera sobre a Revista A da Pontificia Universidad Católica del Perú e sua participação na Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Urbanismo 2024 com a oficina "Clímax, Fanzine para uma comunidade em crisis".
https://www.archdaily.com.br/pt/1142678/mariana-jochamowitz-e-nicolas-rivera-por-que-fazer-fanzines-de-arquiteturaArchDaily Team
No coração de um tecido urbano histórico e comprimido, onde o tempo parece sedimentar-se nas paredes de granito, nas coberturas de cerâmica e nos mosaicos que pintam as fachadas com memória, uma casa estreita e profunda ressurge com um novo fôlego. A Casa do Carriçal, uma reabilitação implantada num típico lote geminado do Porto do século XIX, propõe mais do que uma simples atualização espacial: é um exercício de escuta, uma tentativa de conciliar passado e presente sem hierarquias rígidas, revelando a potência transformadora da arquitetura cotidiana.
Como o design de interiores contemporâneo cria experiências diferentes de acordo com seus materiais? Como a adaptabilidade e a reutilização de certos materiais permitem gerar atmosferas contrapostas e/ou complementares dentro de um mesmo espaço? Alinhada às texturas, proporções, cores ou propriedades de cada material, a arquitetura de interiores compreende atualmente a oportunidade de criar ambientes onde a materialidade desempenha mais do que um papel estético. Prestando atenção especial à experiência final de seus usuários e usuárias, o El Equipo Creativo se propõe a combinar projetos em que a paisagem, a natureza, a cultura e a arte se destacam em composições de interiores que acolhem amplos programas e públicos.
O diagrama esquemático para desenvolver uma seção de parede baseada em tectônica eco-resiliente.
É consenso que o surgimento de musgo ou vegetação na superfície de um edifício é sinal de negligência, deterioração ou falta de manutenção. E essa premissa não é totalmente infundada: pequenas fissuras em materiais tradicionais podem levar a infiltrações de água, pontes térmicas ou até mesmo patologias estruturais. Mas e se essa presença orgânica não fosse uma falha, mas sim o resultado de uma coevolução entre a arquitetura e o ambiente? Essa inversão de perspectiva foi magistralmente antecipada por Lina Bo Bardi na Casa Cirell, em São Paulo, onde musgos, orquídeas e vegetação espontânea faziam parte da intenção arquitetônica desde os primeiros esboços. O uso de revestimento de pedra bruta e superfícies expostas permitiu que a casa se integrasse ao terreno. Projetos mais recentes aprofundaram ainda mais essa relação entre a matéria construída e a vida vegetal, como os jardins verticais de Patrick Blanc e o Bosco Verticale de Stefano Boeri, que transformam fachadas em ecossistemas verticais, redefinindo o envelope arquitetônico como uma infraestrutura viva capaz de filtrar poluentes, absorver calor e promover a biodiversidade.
O calor extremo é uma das consequências mais urgentes e de crescimento mais rápido das mudanças climáticas, especialmente nas cidades. As áreas urbanas são particularmente vulneráveis porque retêm o calor nos materiais de construção e nas vias urbanas, criando condições perigosas para a população. À medida que as temperaturas continuam a subir e as ondas de calor se prolongam, as cidades enfrentam o desafio de se manterem habitáveis diante dessa ameaça intensificada.
Localizada no sul da chamada "Land Down Under", Melbourne é uma cidade que resiste a definições simplistas. Enquanto refinadas fachadas vitorianas confrontam ruelas cobertas de grafite, jardins públicos meticulosamente cuidados coexistem com antigos galpões industriais transformados em cafés, estúdios e espaços culturais. É justamente nesse contraste entre o planejamento deliberado e a apropriação espontânea que reside a essência arquitetônica da metrópole.
Sua história começa com o povo aborígene Kulin, que por milênios habitou as margens do Rio Yarra, desenvolvendo complexos sistemas de gestão da terra, espiritualidade e organização social. Com a chegada dos colonizadores britânicos em 1835, iniciou-se o capítulo da cidade moderna — um processo marcado não apenas pelo crescimento e desenvolvimento urbano, mas também por violência, deslocamento forçado e apagamento cultural. Os efeitos desse legado ainda são sentidos hoje, mesmo diante dos esforços contemporâneos de reconhecimento e reconciliação.