
A vertente historicamente expressionista na arquitetura nasce após o desastre humano e social herdado da Primeira Guerra Mundial. Uma guerra enlameada, fétida, de ínfimo valor humano, que espalhou seus estragos por toda a Europa, parte da Ásia e EUA. No entanto, o território mais funestamente desolado foi, sem dúvida, o alemão, onde ela não apenas deixou uma crise econômica e de infraestrutura, mas também perturbou o pensamento de toda uma sociedade. Uma grande depressão emocional. Por essa razão, a luz do expressionismo era tão necessária. A cor, o retorno à natureza, a crueza da reta ao lado da delicadeza da curva, as arestas vivas, texturas, jogos formais... Uma nova linguagem. Uma nova dialética para expressar o olhar sobre o mundo.
Hans Scharoun [1893-1972] bebeu dessa linguagem. Ele, junto a muitos de seus contemporâneos —Mies, Taut, Mendelsohn ou o próprio Häring— formou-se no clima expressionista vivido na Alemanha do pós-guerra, sob a direção de Poelzig e sua Escola de Breslau. Esse expressionismo surge pela primeira vez em uma série de aquarelas que ele enviou para a “Gläserne Kette” (“Corrente de Cristal”), a famosa correspondência entre arquitetos/as e artistas da Alemanha da época. Idealizada originalmente por Bruno Taut, essa correspondência servia como meio de comunicação entre os membros do grupo. Nas cartas, libertos dos limites da viabilidade, os membros descreviam suas visões de uma sociedade ideal e de uma arquitetura benéfica.



























