
“Sobre o crescimento e a forma”, obra escrita pelo biólogo e matemático D’Arcy Wentworth Thompson [1860-1948], é considerada a maior obra em prosa da ciência do século XX, destacando o papel da física e da mecânica na determinação da forma e da estrutura dos organismos. O livro tornou-se imediatamente uma obra clásica para a exploração de geometrias naturais na dinâmica do crescimento e dos processos físicos. Thompson se revela um grande cientista, sensível ao fascínio e à beleza do mundo natural, com um estilo que levou a imprensa especializada a qualificar sua obra como «tão boa literatura quanto ciência; um discurso sobre a ciência como se tratasse de uma questão da humanidade».
O livro abrange uma ampla gama de estudos morfológicos. Registra las leis que governam a dimensão dos organismos e seu crescimento, a estática e a dinâmica da configuração em células e tecidos, incluindo os fenômenos do empacotamento geométrico, as membranas sob tensão, as simetrias e a divisão celular; bem como a engenharia e os esqueletos geodésicos em organismos simples. Thompson nos revela a forma não como um fato dado, mas como um produto de forças dinâmicas formadas por fluxos de energia e etapas de crescimento. Muitos foram os arquitetos e arquitetas que, ansiosos por descobrir padrões formais que estruturassem o determinismo arquitetônico, recorreram à obra de Thompson para se aproximar de seu olhar. Buckminster Fuller, Pierre Teilhard de Chardin e Frei Otto formularam, cada um à sua maneira, questões significativas sobre nosso conhecimento da vida na Terra como fenômeno global.
