A partir dos primeiros experimentos realizados pelo francês Joseph Niépce em 1793, e de seu primeiro teste de maior sucesso em 1826, a fotografia tornou-se objeto de exploração e recurso de registro de momentos vividos e lugares do mundo. Dentro do amplo espectro da produção fotográfica ao longo da história, em vários casos a arquitetura desempenhou papel protagonista nos registros, seja pela perspectiva da fotografia enquanto arte, documento ou, como foi muitas vezes, instrumento de construção de cultural.
Com grande autonomia enquanto prática e debate particular dentro desse tema, a fotografia de arquitetura tem a capacidade de reiterar uma série de aspectos expressivos das obras retratadas, tensionar a relação das mesmas com seus entornos, propor leituras específicas ou genéricas dos edifícios, entre outras possibilidades de investigação.
A questão do déficit habitacional assola praticamente todos os países. Segundo um estudo da McKinsey Global Institute, 330 milhões de famílias urbanas em todo o mundo carecem de uma moradia decente ou os custos da moradia são tão pesados que elas precisam renunciar a outras necessidades básicas, incluindo alimentação, assistência médica e educação para os filhos. Segundo a WRI (World Resources Institute), estima-se que 1,6 bilhão de pessoas carecerão de habitação adequada até o ano de 2025.
Resolver esse problema é, compreensivelmente, complexo. Ter uma boa moradia significa muito mais do que simplesmente ter um teto sobre a cabeça. Uma boa moradia é essencial para a segurança física e financeira, a produtividade econômica e o bem-estar humano. Além do conforto adequado, é essencial que essas casas sejam integradas à cidade, empregos, infraestrutura e serviços urbanos. Para as pessoas que vivem na rua, essa questão é ainda mais delicada. Entre muitas outras necessidades, ter um lugar para estruturar uma vida é essencial para avançar e prosperar. Um projeto que enfrenta esse problema é o Emerald Village Eugene (EVE), uma comunidade de micro-habitações acessível com um modelo único de moradia estruturado para permitir que os moradores façam a transição das ruas.
Este artigo sobre habitação no México tem como objetivo compreender a cidade em que vivemos. A orientação dos/as especialistas foi crucial para entender um pouco de sua complexidade. Agradecimentos especiais a Josefina McGregor, Andrés Sañudo e Rosalba Loyde pelos conhecimentos compartilhados para a realização deste artigo.
Quando o confinamento chegou às nossas vidas no México, em março, devido à COVID-19, a hashtag #YoMeQuedoEnCasa nunca se tornara tão relevante. No entanto, com o passar dos dias, o lema foi substituído por #ParaQuedarseEnCasaHayQueTenerUna após alguns veículos de imprensa e coletivos cidadãos denunciarem a tentativa de despejo de um idoso de seu apartamento no Edifício Trevi em plena quarentena. Esses despejos vêm ocorrendo de maneira gradual, como o do repórter Carlos Acuña em agosto de 2019.
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Cena do Trailer de "Enter Through The Balcony". Imagem Cortesia de Minimal Movie
Aproveitando-se da falta de regulamentação e fiscalização no país, muitos ucranianos desenvolveram formas criativas —e não menos ilegais— para lidar com o problema da falta de espaço em seus apartamentos, estruturas majoritariamente construídas em tempos de união soviética. Este é o plano de fundo do curta metragem Enter Through The Balcony, um documentário dirigido pelo diretor ucraniano Roman Blazhan que explora um dos principais fenômenos da arquitetura ucraniana nos dias de hoje, apresentando um panorama completo do atual contexto econômico, social e cultural da Ucrânia pós-soviética.
Além de revelar uma postura singular em relação ao espaço privado versus espaço público, a forma com que os ucranianos se apropriam destes espaços improvisados denuncia também os antagonismos de um projeto universalizante e a liberdade individual e de expressão, uma contrariedade que ainda hoje permeia a vida de muitas pessoas que habitam em estruturas similares em países do antigo bloco soviético.
A forma de organizar um espaço reflete os princípios de uma cultura. Para entender a arquitetura japonesa, é necessário olhar para sua cultura, compreender seus princípios e explorar seus significados considerando as noções do visível e invisível.
https://www.archdaily.com.br/pt/941763/arquitetura-japonesa-nil-uma-analise-do-pavilhao-kohteiCatarina Calil e Inaê Negrão
"O que é mais difícil em arquitetura é construir um edifício no deserto. É terrível, não há referências", comentou uma vez Álvaro Siza. Embora pareça contraditório, a existência de condicionantes complexas em um contexto de projeto costuma ser o ponto de partida para o raciocínio de desenho em arquitetura. Pensar em como lidar com a presença de declividades intensas, preexistências significativas ou massas vegetais endêmicas pode parecer, a princípio, um impedimento para o livre fluxo criativo, mas em muitos casos é justamente esse confrontamento que torna os projetos únicos e estabelece o vínculo deles com os lugares onde estão implantados.
Profundamente enraizada em uma paisagem natural exuberante e diversa, a arquitetura tcheca pode ser caracterizada por sua busca incessante em construir novas relações entre o espaço construído e não construído. Habitando o coração do continente europeu, a República Tcheca é um país de vasta e rica história, carregando um legado enorme que chega até os tempos em que era conhecida como o Reino da Boêmia. Atualmente, arquitetos e designers tchecos buscam inspiração nesta paisagem montanhosa permeada por florestas e pontuada por lagos e cidades históricas, construído uma arquitetura intimamente conectada com a sua paisagem.
As Exposições Internacionais têm sua origem no século XIX, quando em Londres (1851), sob o título de Grande Exposição dos Trabalhos da Indústria de Todas as Nações, reuniu-se um conjunto de produtos manufaturados de diversas nações em um esforço de servir de vitrine para os avanços da técnica e, mais tarde, da indústria, em um momento de conjunção e compartilhamento das iniciativas das várias partes do mundo.
Após cinco anos de nossa primeira aproximação à recôndita subestrutura do viaduto nº 2 no Parque Albarregas, na cidade de Mérida – Venezuela, e mais de dez anos desde sua reapropriação impulsionada por uma crescente comunidade de skatistas e artistas urbanos, com o passar do tempo, o núcleo cultural resiste como um espaço endógeno no ritmo de sua própria efervescência.
A New Generations é uma plataforma dedicada a descobrir e promover o trabalho de arquitetos jovens e emergentes no cenário europeu, proporcionando um espaço de troca e aprendizado, voltado tanto aqueles que se dedicam a prática quanto a teoria na arquitetura. Desde a sua fundação em 2013, a New Generations trouxe à público mais de 300 escritórios promissores de arquitetura, apresentando um cenário diversificado de studios e ateliês dedicados às mais diferentes atividades culturais, promovendo festivais, exposições, chamadas abertas, entrevistas e oficinas.
A New Generationslançou recentemente uma nova plataforma na qual oferece um espaço único onde arquitetos de toda Europa podem se reunir para trocar idéias, e por que não, construir novas redes de trabalho colaborativo. Projetos de todo o tipo, oportunidades de emprego, idéias, notícias e perfis de escritórios serão publicados todos os dias na nova plataforma da NG. A seção 'perfis' é um convite àqueles indivíduos e coletivos que pretendem se juntar à esta rede de escritórios emergentes, proporcionando uma oportunidade única para que estes se engajem e fortaleçam a comunidade européia de jovens arquitetos.
Pensando nisso, o ArchDaily decidiu apoiar a causa da New Generations, publicando a cada duas semanas uma seleção dos principais perfis de escritórios emergentes de arquitetura da New Generations.
A arquitetura tradicional baseia-se na compreensão complexa do habitar, na produção e transmissão coletiva de saberes e na construção por meio de processos comunitários de ajuda mútua que fortalecen o tecido social, a identidade cultural e o vínculo territorial. Ou seja, trata-se de uma prática de autoprodução comunitária na qual os/as próprios/as habitantes, sem intermediários/as, gerem os múltiplos processos envolvidos na materialização de seu habitat, apoiando-se sempre na inteligência coletiva. Atualmente, a arquitetura passou de bem comum a uma linguagem exclusiva de poucos na qual, embora ainda necessite da participação organizada de diversos agentes, sua produção é atribuída a um/a autor/a: um ente individual que, sem possuir os múltiplos saberes necessários para concretizar uma obra do início ao fim, é reconhecido/a como a mente mestra por trás de todos os processos. A profissionalização da arquitetura não apenas individualizou o discurso e complexificou a transmissão de conhecimentos, mas também discriminou e rejeitou os saberes produzidos à margem das instituições acadêmicas, de classe e governamentais, rotulando-os como precários e abrindo, assim, as portas para o racismo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126611/arquitetura-e-racismo-quando-o-design-e-aplicado-como-ferramenta-colonialMariana Ordoñez y Jesica Amescua
Um ambiente monocromático é um espaço em que a maioria de seus elementos é de uma única cor. E, embora seja muito comum as cores escolhidas serem em preto e branco, devido à sua neutralidade, é possível usar qualquer paleta de cores, aproveitando seus infinitos tons, subtons ou matrizes.
A arquitetura se adapta continuamente às novas necessidades, que estão ligadas a mudanças sociais, econômicas, tecnológicas, políticas e demográficas. Nesse sentido, o envelhecimento da população é uma das mudanças mais marcantes do século XXI: o aumento da expectativa de vida e a diminuição das taxas de fertilidade significam que a população idosa é cada vez mais numerosa. Como a arquitetura pode proporcionar maior qualidade de vida, promover autonomia, dignidade e bem-estar dos idosos?
A constante busca do El Equipo Mazzanti por aprimorar a qualidade espacial e a experiência vivenciada nos espaços educativos é uma das premissas que caracterizam a prática colombiana. A seguir, eles compartilham em detalhes a exploração prática de seu projeto, o sistema modular de pré-escolas - CDI para o departamento do Atlántico, no norte da Colômbia.
https://www.archdaily.com.br/pt/1127020/sistema-pre-escolar-cdi-do-equipo-mazzanti-para-o-departamento-de-atlantico-na-colombiaEl Equipo Mazzanti
Por definição, “espaço público” é uma terminologia que aborda a noção de propriedade da terra, sugerindo que esse não pertence a ninguém em particular, mas ao próprio estado e portanto, a todos e cada um de nós. Isso significa que a manutenção destes espaços é uma obrigação que recai sobre as administrações públicas, seja em âmbito municipal, estadual ou federal. Abertos, gratuitos e acessíveis, espaços públicos encontram a sua relevância não apenas em suas definições legais, mas principalmente quando assumem um papel ativo em direção à mudança.
Espaços públicos são lugares de protestos e manifestações – poderosas ferramentas de expressão social e transformação política. Desde a marcha em Washington por melhores oportunidades e liberdade de expressão em 1963, passando pela Primavera Árabe em 2010 até a mais recente onda mundial de manifestações em defesa da vida e contra toda forma de discriminação racial, historicamente, espaços públicos operam como uma importante ferramenta de transformação social. Em momentos como esse, enquanto ainda precisamos “ir às ruas” para lutar por nossos direitos, para nos fazer ouvir e sermos vistos, os espaços públicos finalmente voltam à estar no centro das atenções – lançando uma nova luz sobre o seu importante papel na construção da identidade coletiva e como ferramenta de expressão social.
O desenho de interiores é uma parte fundamental na ambientação e complementação das virtudes arquitetônicas de um projeto residencial. Pode reiterar ou subverter aspectos das construções, criar narrativas próprias dentro dos ambientes e qualificar os espaços habitáveis de forma definitiva. Seja em reformas ou projetos começados do zero, pensar os interiores passa pela compreensão dos usos e dinâmicas daqueles que ocuparão os espaços e aproxima a abordagem da arquitetura à escala cotidiana em sua forma mais íntima no caso dos programas habitacionais.
Fazendinhando é um movimento de transformação física, cultural e social no Jardim Colombo, feito por e para os moradores, por meio da recuperação de espaços públicos e ações de arte e cultura visando a integração da comunidade.
A principal frente do Movimento é a transformação de uma área de 1000m2, a Fazendinha, em um parque. A construção deste espaço se baseia na transformação física do terreno em paralelo a uma programação cultural e artística constante que envolva a comunidade e aqueles que utilizam este espaço.
Muelle de Mimbre / Domingo Arancibia. Image Cortesia de Domingo Arancibia
A compreensão da arquitetura enquanto campo trata, entre outras coisas, de sua linguagem e representação como síntese de uma série de esforços variados - qualidades construtivas, compositivas, espaciais e técnicas - que se articulam para culminar na obra construída. Para tanto, pensar na representação gráfica que pressupõem todos esses esforços é essencial, uma vez que ela representa, simultaneamente, procedimento e produto do fazer arquitetônico.
Diz-se que o esporte une as pessoas. Historicamente, seja dentro ou fora de quadra, o esporte tem aproximado milhões de pessoas do mundo todo – de todas as origens e com pouco ou quase nada em comum – as quais se reunem em campo, em bares ou estádios. Pelo amor ao esporte, deixamos de lado nossas diferenças para celebrar uma paixão comum: o amor pelo esporte.
No Teatro do Sesc Pompéia, Lina Bo Bardi projeta um palco central com duas plateias, descortina a estrutura e todas as funções do programa e abre mão de mobiliários tradicionais para os assentos. Sua ideia era que as poltronas não tivessem um estofado, que fossem próximas entre si e que estimulassem uma mais postura altiva, atenta e consciente do público, que segundo ela, honrava a antiga arte do teatro.
Da mesma forma que temos ciência de que as características dos espaços alteram nosso humor, sentimentos, concentração e aprendizado, quando considera-se a experiência integral do usuário o design dos mobiliários deve ser levado em conta com seriedade. E quando falamos de escolas e ambientes de aprendizado, muitas vezes a mesma atenção dada à área pedagógica não é conferida aos espaços e à estrutura física.
Ao longo dos últimos anos, uma série de exposições, publicações e documentários têm revelado um crescente interesse à respeito da arquitetura modernista soviética, levando arquitetos do mundo todo a (re)descobrirem um dos principais e mais fascinante capítulos da história moderna da arquitetura. Recentemente publicado pela Zupagrafika, Concrete Siberia. Soviet Landscapes of the Far North é um livro fotográfico que vem ao encontro de tal interesse, lançando uma nova luz sobre um fenômeno ainda inexplorado ou até certo ponto desconhecido pela maioria dos nossos colegas arquitetos. Retratando alguns dos mais impressionantes edifícios construídos durante a segunda metade do século XX na então URSS, “Sibéria Concreta” apresenta uma perspectiva abrangente da atual situação do patrimônio soviético construído na região habitada mais fria e remota do planeta Terra. O livro apresenta um resumo completo não apenas das principais obras de arquitetura modernista construídas na Sibéria mas também da paisagem urbana de seis das mais importantes cidades da região: Novosibirsk, Omsk, Krasnoyarsk, Norilsk, Irkutsk e Yakutsk.
MASP e Avenida Paulista são importantes locais de encontro e manifestação em São Paulo. Foto de Sergio Souza, via Unsplash
Nos últimos anos, vários movimentos Brasil afora e em diversos países fizeram grande serviço à sociedade reiterando a necessidade de ocupar os espaços públicos das cidades de forma a reivindicar qualidade e liberdade de uso para os bens coletivos. Como exemplo, temos no Brasil o Movimento Ocupe Estelita no Recife que, por meio de uma luta frente à crescente especulação imobiliária na região, confrontou as intenções mercadológicas do desenho urbano agressivo nas margens do Capibaribe. Foi a partir de alguns casos como esse que, em entrevista à organização Fora, o professor, crítico e curador Guilherme Wisnik tratou da questão do espaço público enquanto espaço de conflito.
O cenário das cidades brasileiras se alterna em duas realidades marcantes: de um lado temos a cidade formal, onde a lei é vigente, onde o direito à cidade é exercido, onde existem infra-estruturas de qualidade e investimentos públicos e privados. É também a realidade usada como base para a formulação de leis e diretrizes de planejamento urbano, e onde podemos ver a presença do Estado.
Por outro, temos a cidade informal. Aquela que ocupa as periferias e favelas, com uma identidade marcada por blocos cerâmicos e um adensamento descomedido. Nela, o que domina são as autoconstruções, independentes da propriedade do terreno, a ocupação ilegal e a falta de políticas públicas e infra-estruturas básicas. Faltam espaços de lazer, de cultura e áreas verdes.