São 6:00 da manhã de uma terça-feira. Onde você está?
Geovana sai de casa já atrasada. Normalmente demora duas horas em três conduções para chegar no trabalho que fica no centro da cidade. Mas choveu durante toda a noite e sua casa inundou. Ela, a mãe e os irmãos tentaram salvar seus móveis e demais pertences. Às 2:00 da manhã quando a chuva acalmou, ela conseguiu descansar um pouco, para acordar na sequência. Depois da chuva de ontem sabe que as ruas do seu bairro estarão alagadas, e que o trajeto casa-trabalho levará mais uma hora do que o normal.
https://www.archdaily.com.br/pt/935134/mulheres-nas-cidadesGraciela Medina, Lara Ferreira, Tama Savaget e Debora Pill
Um dos cernes do pensamento urbanístico é, e foi historicamente, o planejamento dos grandes equipamentos e infraestruturas de transporte nas cidades. Esses são projetos que lidam com uma diversidade de aspectos de um programa que, em geral, responde a demandas coletivas no espaço público, e por isso costumam ser construções de grande escala para amparar grandes fluxos de circulação e funcionar como verdadeiros articuladores das formas de se deslocar no espaço urbano.
O uso do concreto como recurso construtivo costuma oferecer certas vantagens associadas à resistência e ao tempo de execução de uma obra. Elas, combinadas com a plasticidade, versatilidade e valor estético, fazem com que muitos arquitetos e arquitetas optem por este sistema para materializar seus projetos. A reivindicação das tendências ao redor da aplicação aparente do concreto - ou seja, sem revestimentos adicionais - gerou, por sua vez, diversas formas de exploração de suas qualidades expressivas, dando origem a novos projetos que experimentam com os acabamentos desse material em seus espaços internos.
Com o objetivo de evitar interrupções na temporada seguinte de futebol americano (e, consequentemente, qualquer frustração entre os/as torcedores/as apaixonados/as do University of Iowa Hawkeyes), o desafio enfrentado pelo escritório de arquitetura de Iowa City Neumann Monson consistia em fornecer e instalar rapidamente a nova fachada de vidro personalizada do Kinnick Stadium, tudo durante o recesso do time. Considerado um dos principais estádios da conferência Big 10, o Kinnick abriu a temporada de 2019 com uma North End Zone expandida, fruto de uma coordenação minuciosa entre as equipes de projeto, fabricação e construção ao longo de todo o processo.
A conquista de maior protagonismo das mulheres no mercado de trabalho é um processo em contínuo andamento, e reflexo de grandes esforços históricos ligados à luta por direitos comuns e situações de igualdade em relação aos homens. Embora seja objeto de constante discussão e revisão - sobretudo quando se leva em conta o fato de que o espectro de gênero não deve assumir a dualidade homem e mulher para uma compreensão coerente e complexa do quadro de disparidades -, a relação entre os tipos de ocupação, rentabilidade no trabalho e o gênero segue, de forma geral, apontando condições desfavoráveis às mulheres.
E se contratar um/a arquiteto/a internacional — com excelentes habilidades, qualificações e uma perspectiva única — fosse tão simples quanto recrutar alguém do norte do estado de Nova York ou de Indiana? Profissionais de arquitetura de todo o mundo sonham em ingressar no competitivo mercado americano, e, hoje, estudar ou trabalhar no exterior tornou-se um caminho natural para jovens designers. Ao mesmo tempo, muitos dos principais escritórios dos EUA buscam talentos novos e diversos, mas os custos, a papelada e os entraves burocráticos envolvidos na contratação internacional costumam inviabilizar esse processo. A Architect-US foi criada justamente para preencher essa lacuna.
A arquitetura, por sua própria definição, estabelece que é a arte e a técnica de projetar, desenhar, construir e modificar o habitat humano. No entanto, minha trajetória profissional tem me levado a enfrentar constantemente a mesma pergunta: se você é arquiteto/a e não projeta, continua sendo arquiteto/a?
A madeira é um dos materiais mais amplamente utilizados na construção civil no Chile, principalmente devido à sua superabundancia em território chileno. Além disso, a madeira pode ser um material extremamente sustentável quando produzido e processado sob certas condições – resultando em um baixíssima pegada de carbono. Como sistema construtivo, a arquitetura em madeira é caracterizada por sua calidez, resistência e durabilidade.
Vista aérea de São Paulo. Foto de Sergio Souza, via Unsplash
As aglomerações, do ponto de vista natural, representam uma nucleação semelhante ao “modelo gravitacional”, onde os fluxos de energia e matéria seriam “otimizados”, através da aproximação e articulação – o centro urbano. Etimologicamente, como sabemos, pólis, do grego, indica o caráter coletivo e político da formação do espaço urbano.
https://www.archdaily.com.br/pt/934846/complexidade-e-alta-entropia-em-que-medida-ainda-e-possivel-planejar-a-cidade-no-seculo-xxiJosé Augusto da Silveira
O dia 8 de março é uma data instituída pela ONU em 1975 para lembrar a luta pela igualdade de direitos e o sufrágio universal. Esta celebração reúne os esforços de mulheres que exigiam seu direito ao voto, ao trabalho, à formação profissional, a ocupar cargos públicos e a combater a discriminação laboral. Essa luta é fruto do trabalho de mulheres que se sacrificaram pela causa. Diversos acontecimentos do nosso dia a dia evidenciam que a situação social mudou. No entanto, é fundamental que tanto homens quanto mulheres nos comprometamos com o progresso e a justiça para fazer as coisas acontecerem.
Em 1773, James Cook navegou em torno da Antártica, registrando o primeiro encontro da humanidade com o continente. Desde então, exploradores e cientistas de diferentes países têm procurado compreender os 14 milhões de quilômetros quadrados do continente gelado. Dadas as duras condições climáticas, estética e criatividade tiveram pouca importância nas construções lá erguidas - pelo menos, até poucos anos atrás. Hoje, no entanto, a cena arquitetônica no remoto continente está em expansão.
"Onde estão as mulheres arquitetas?" Lamenta a professora e historiadora da arquitetura Despina Stratigakos em seu livro. O sentimento certamente ecoou e foi bem compreendido por muitas mulheres que trabalham na profissão e têm que romper diariamente algumas barreiras estabelecidas por uma disciplina, infelizmente, dominada por homens. Sabemos que o número de mulheres na prática da arquitetura é pequeno, e fica ainda menor quanto mais alto subirmos nas hierarquias da profissão.
Maioria em graduações de arquitetura em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, as mulheres superam os homens em número de profissionais em atividade, entretanto, sua representatividade vem, há décadas, sendo sistematicamente diminuída frente à atuação masculina.
Yvonne Farrell e Shelley McNamara fundaram a Grafton Architects em 1978, depois de se conhecerem na Escola de Arquitetura da University College Dublin. A prática, nomeada com a rua onde o primeiro escritório da dupla estava localizado, foi premiada com o prestigiado Prêmio Pritzker 2020 deste ano. O trabalho construído de Grafton reflete a busca contínua em excelência arquitetônica, em edifícios que variam de moradias de pequena escala a grandes edifícios públicos.
https://www.archdaily.com.br/pt/934753/grafton-architects-conheca-as-obras-das-ganhadoras-do-pritzker-2020AD Editorial Team
O delta do rio Mississippi, ao sul de Nova Orleans, visto dos aviões de pesquisa C-20A da NASA. Crédito de imagem: NASA. Image @ NASA
Cem anos de inundações. Calor antártico recorde. Incêndios florestais e seca. As histórias se repetem com regularidade entorpecente. E, embora as particularidades sejam diferentes, todas apontam para a mesma conclusão sombria, somos incapazes de lidar com as mudanças climáticas. Com as emissões de carbono aumentando, o que antes era descartado como pior cenário, agora parece o melhor que podemos esperar.
Se o Plano A deveria impedir, ou pelo menos mitigar, os impactos mais graves das mudanças climáticas, qual é o Plano B?
https://www.archdaily.com.br/pt/934813/se-o-plano-a-e-mitigar-as-mudancas-climaticas-qual-e-o-plano-bMartin C. Pedersen, Steven Bingler
O movimento moderno foi um ator-chave na construção cultural do Chile no século XX. Embora seus primeiros trabalhos surjam na esfera privada, seus princípios urbanos e paisagísticos foram adotados pelo projeto modernizador do Estado benfeitor que começou a ser construído após os conflitos sociais que explodiram nos anos vinte do século passado.
Em pleno processo de industrialização do país, a produção habitacional do Estado incorporou conceitos como habitabilidade, acesso universal à habitação e higiene, que foram testados precocemente na reconstrução de cidades como Chillán após o terremoto de 1939. Além disso, em um país familiarizado com terremotos, era necessário ajustar os conceitos de movimento moderno às exigências estruturais nacionais, ou seja, redimensionar seções de concreto armado, o que lhes dava uma expressão visual mais pesada do que no Brasil ou na Argentina.
Desde a ousadia de Sergio Larraín García-Moreno e Jorge Arteaga no edifício Oberpaur - o primeiro do movimento moderno - às visões urbanas do BVCH nas Villa Portales ou os primeiros exercícios de altura nos setores da classe média alta, o movimento moderno deixou sua marca em nossa sociedade e nossas cidades. No entanto, apenas um dos trabalhos aqui apresentados é declarado monumento histórico.
Nesta edição de guias de arquitetura, apresentamos vinte trabalhos organizados cronologicamente que refletem a evolução do movimento moderno em Santiago, Chile. Isto é complementado por fotografias exclusivas deste artigo, tiradas por María González e Manuel Albornoz.
Com mais de 40 anos de prática profissional, Yvonne Farrell e Shelley McNamara, sócias fundadoras do escritório Grafton Architects, de Dublin, Irlanda, são as primeiras mulheres a ganharem o Prêmio Pritzker conjuntamente. Além de um muito bem vindo sopro de esperança em direção à maior representatividade feminina na profissão, a premiação da dupla também lança luz sobre outro tema de urgência na disciplina: o reconhecimento da prática enquanto um esforço coletivo.
Com o objetivo de difundir a história da arquitetura popular com conteúdo de base social na Argentina, Moderna Buenos Aires - CPAU apresenta o documentário “Movimiento Nac&Pop”, um registro fílmico que reúne depoimentos de diversos/as arquitetos/as argentinos/as — como Jorge Moscato, Alfredo Garay, Rodolfo Sorondo, Jorge Hampton, Emilio Rivoira, Roberto Frangella e Mario Sabugo — que integraram o coletivo denominado Nac&Pop. Essa formação profissional surgiu no fim da ditadura militar, impulsionada pelo fervor democrático, e foi responsável, entre outras ações, por promover a transformação de Palermo Viejo e idealizar o planejamento de Puerto Madero.
A arquitetura da Albânia está associada ao mar e à herança cultural do país. Limitada por Montenegro, Kosovo, Macedônia do Norte e Grécia, a república abrange o Mar Adriático e o Mar Jônico, enquanto se conecta ao Mediterrâneo. Com o tempo, a Albânia sofreu uma confluência de diferentes civilizações e culturas, cada uma moldando o atual ambiente construído.
Rica em imóveis de alto valor histórico e cultural, Lisboa conta com uma vasta produção arquitetônica voltada para projetos de reabilitação. Sem espaço para novos edifícios - a não ser que se aceite pagar o alto preço do solo - a arquitetura contemporânea lisboeta prescinde da tabula rasa e enfrenta o desafio de intervir e interferir naquilo que já existe, muitas vezes se conformando em desenhar apenas os espaços interiores.
Este ano, a honraria máxima da arquitetura, o Prêmio Pritzker, foi concedida a Yvonne Farrell e Shelley McNamara, sócias do escritório irlandês Grafton Architects. Atuando tanto na prática profissional quanto no ensino, elas se destacam por uma abordagem prática e teórica vigorosa e minuciosa. Seus projetos, contemporâneos e profundamente conectados ao contexto local, estabelecem um diálogo estreito com a história, evidenciando a alta sensibilidade e o rigor técnico e artesanal das arquitetas. Em entrevista exclusiva ao ArchDaily, Martha Thorne, diretora executiva do Prêmio Pritzker de Arquitetura e decana da IE School of Architecture and Design, compartilha as razões que levaram o Grafton Architects a vencer a edição de 2020 do prêmio.
Hoje, a disponibilidade de informações e dados faz com que nossa capacidade de analisar, entender e compreender a vida nas cidades seja incrivelmente enorme. Em termos de urbanismo, um dos dados mais valiosos e cobiçados para analisar a dinâmica de mobilidade urbana são os que surgem do uso do sistema SUBE (Sistema Único de Boleto Electrónico, utilizado na Argentina para pagar os meios de transporte público). Ao compilar essas informações, milhões de pegadas digitais podem ser agrupadas e transformadas em dados gráficos, permitindo-nos interpretar e intuir os comportamentos das pessoas em relação ao transporte, colaborando para o entendimento e a compreensão das tendências urbanas de acordo com os horários e os dias da semana.
"Quando você lê Amor em tempos de Cólera você começa a perceber o realismo mágico da América do Sul." Yvonne Farrell, Shelley McNamara e eu estávamos aninhados num canto do átrio raso do Centro Barbican falando sobre o assunto de suas mais recentes honrarias, o prêmio inaugural do Royal Institute of British Architects, concedido na noite anterior. Naquela mesma noite, as duas arquitetas irlandesas, que fundaram sua prática em Dublin nos anos 1970, também deram uma palestra sobre a Universidade de Engenharia e Tecnologia (UTEC) -seu "Machu Picchu moderno" em Lima- para um público repleto em London Portland Place.
Embora este projeto tenha colocado um foco em seu trabalho, elas foram reveladas hoje como diretoras da Bienal de Arquitetura de Veneza de 2018 - o mais importante evento arquitetônico do calendário cultural.