No Teatro do Sesc Pompéia, Lina Bo Bardi projeta um palco central com duas plateias, descortina a estrutura e todas as funções do programa e abre mão de mobiliários tradicionais para os assentos. Sua ideia era que as poltronas não tivessem um estofado, que fossem próximas entre si e que estimulassem uma mais postura altiva, atenta e consciente do público, que segundo ela, honrava a antiga arte do teatro.
Da mesma forma que temos ciência de que as características dos espaços alteram nosso humor, sentimentos, concentração e aprendizado, quando considera-se a experiência integral do usuário o design dos mobiliários deve ser levado em conta com seriedade. E quando falamos de escolas e ambientes de aprendizado, muitas vezes a mesma atenção dada à área pedagógica não é conferida aos espaços e à estrutura física.
O que acontece quando a cidade repleta de sensores adquire a capacidade de ver – quase como se tivesse olhos? Durante a Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen (UABB) de 2019, intitulada "Interações Urbanas" (Urban Interactions), o ArchDaily colabora com os curadores da seção "Eyes of the City" para estimular o debate sobre como as novas tecnologias – e a Inteligência Artificial em particular – podem impactar a arquitetura e a vida urbana. Aquivocê encontra todas as informações sobre a seção “Eyes of the City”, que tem curadoria de Carlo Ratti, Politecnico di Torino e SCUT - incluindo exposições, eventos e os desenhos técnicos dos projetos.
Dos bondes de tração animal às ferrovias e ao automóvel, as inovações nos transportes moldaram não apenas o desenvolvimento de nossas cidades, mas também a forma como as pessoas vivenciam as paisagens ao seu redor enquanto se deslocam. Quando, no quinto milênio a.C. (5o milênio a.C.), os sumérios desenvolveram a primeira roda de rotação livre com mecanismo de eixo, essa invenção não apenas trouxe uma vantagem militar significativa durante as guerras entre cidades-estado na Mesopotâmia, mas também impulsionou o desenvolvimento urbano.
https://www.archdaily.com.br/pt/1127127/as-paisagens-e-mocionais-do-extraurbano-como-a-percepcao-do-entorno-evolui-atraves-da-inovacao-em-mobilidadeCarmelo Ignaccolo, Tiziano Cattaneo and MIC
Ao longo dos últimos anos, uma série de exposições, publicações e documentários têm revelado um crescente interesse à respeito da arquitetura modernista soviética, levando arquitetos do mundo todo a (re)descobrirem um dos principais e mais fascinante capítulos da história moderna da arquitetura. Recentemente publicado pela Zupagrafika, Concrete Siberia. Soviet Landscapes of the Far North é um livro fotográfico que vem ao encontro de tal interesse, lançando uma nova luz sobre um fenômeno ainda inexplorado ou até certo ponto desconhecido pela maioria dos nossos colegas arquitetos. Retratando alguns dos mais impressionantes edifícios construídos durante a segunda metade do século XX na então URSS, “Sibéria Concreta” apresenta uma perspectiva abrangente da atual situação do patrimônio soviético construído na região habitada mais fria e remota do planeta Terra. O livro apresenta um resumo completo não apenas das principais obras de arquitetura modernista construídas na Sibéria mas também da paisagem urbana de seis das mais importantes cidades da região: Novosibirsk, Omsk, Krasnoyarsk, Norilsk, Irkutsk e Yakutsk.
Nos últimos anos, vários movimentos Brasil afora e em diversos países fizeram grande serviço à sociedade reiterando a necessidade de ocupar os espaços públicos das cidades de forma a reivindicar qualidade e liberdade de uso para os bens coletivos. Como exemplo, temos no Brasil o Movimento Ocupe Estelita no Recife que, por meio de uma luta frente à crescente especulação imobiliária na região, confrontou as intenções mercadológicas do desenho urbano agressivo nas margens do Capibaribe. Foi a partir de alguns casos como esse que, em entrevista à organização Fora, o professor, crítico e curador Guilherme Wisnik tratou da questão do espaço público enquanto espaço de conflito.
O cenário das cidades brasileiras se alterna em duas realidades marcantes: de um lado temos a cidade formal, onde a lei é vigente, onde o direito à cidade é exercido, onde existem infra-estruturas de qualidade e investimentos públicos e privados. É também a realidade usada como base para a formulação de leis e diretrizes de planejamento urbano, e onde podemos ver a presença do Estado.
Por outro, temos a cidade informal. Aquela que ocupa as periferias e favelas, com uma identidade marcada por blocos cerâmicos e um adensamento descomedido. Nela, o que domina são as autoconstruções, independentes da propriedade do terreno, a ocupação ilegal e a falta de políticas públicas e infra-estruturas básicas. Faltam espaços de lazer, de cultura e áreas verdes.
Atualmente, os materiais mais comuns utilizados na construção de edifícios em altura – o aço e o concreto –, são materiais não renováveis, cuja produção emprega alto consumo energético. Neste cenário, a madeira representa uma alternativa mais sustentável na estrutura de edifícios em altura, apresentando vantagens já muito difundidas, como renovabilidade, absorção de carbono, baixo consumo energético na sua extração e rapidez de construção. Além disso, ao contrário do que ainda se imagina, a madeira pode apresentar bom desempenho na resistência ao fogo, como apresentamos em um artigo publicado anteriormente.
A Power Station of Art (PSA) anunciou a equipe de curadores e o tema da 13ª Bienal de Xangai, proposta por seu Curador-Chefe, o arquiteto e escritor Andrés Jaque (Escritório de Inovação Política).
https://www.archdaily.com.br/pt/941224/corpos-dagua-sera-o-tema-da-13a-bienal-de-xangai韩爽 - HAN Shuang
O TEN Arquitectos é um escritório com sedes na Cidade do México, Nova York e Miami, fundado pelo arquiteto mexicano Enrique Norten, que conta com 33 anos de experiência projetando sob uma perspectiva global que revela uma constante sensibilidade internacional ao erguer novos espaços. Esta trajetória foi laureada com diversos reconhecimentos nacionais e internacionais, como o Prêmio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana, prêmios do American Institute of Architects nacional e de vários estados dos EUA, Architectural Record, Architect Magazine, Architizer, Bienais no México, Argentina e Equador, o Royal Institute of British Architects, entre outros.
A arquitetura pode funcionar tanto como cura quanto como bem estar. Seja como um espaço capaz de minimizar a transmissão de doenças, ou simplesmente proporcionando um espaço tranquilo para o consolo, as construções do nosso dia-a-dia moldam diretamente a nossa experiência. Em situações de emergência, a arquitetura opera como um espaço da saúde e abrigo. À medida que os arquitetos continuam a repensar os projetos de habitação e necessidades humanas básicas, eles também estenderam seu foco para o bem-estar mental, físico e espiritual.
A Usina Hidrelétrica Belo Monte, quarta maior hidrelétrica do mundo e 100% brasileira foi inaugurada em novembro de 2019 na bacia do Rio Xingu, no norte do Pará. O projeto da obra, operado pelo Consórcio Norte Energia S.A. estava inserido no PAC (Plano de Aceleração de Crescimento) – programa do governo federal estabelecido em 2007 que visa à implementação de grandes obras de infraestrutura a fim de alavancar o desenvolvimento nacional analogamente a planos anteriores existentes.
https://www.archdaily.com.br/pt/941563/usina-hidreletrica-de-belo-monte-a-desterritorializacao-dos-ribeirinhos-do-rio-xinguBruna Ribeiro Alves e Maytê Tosta Coelho
A família de cadeiras giratórias D1, projetada por Stefan Diez para a Wagner, mantém as pessoas em movimento graças ao seu inovador mecanismo de articulação, ao mesmo tempo em que transforma profundamente nossa concepção visual das cadeiras de escritório.
O Midnight Charette é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e cotidiano. Conduzido pela dupla de designers de arquitetura David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diversos profissionais criativos para conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais. Uma ampla gama de temas é abordada com honestidade e bom humor: enquanto alguns episódios oferecem dicas práticas para profissionais de design, outros trazem análises de projetos, entrevistas ou explorações sobre a vida cotidiana e o design. O Midnight Charette também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Nesta semana, David e Marina recebem Michael Pyatok — arquiteto membro do FAIA, educador e diretor do escritório Pyatok Architecture and Urban Design — para discutir sua proposta de densidade urbana, sua infância no Brooklyn, o projeto de habitação de interesse social, o trabalho com comunidades e outros temas. Este episódio faz parte de uma série produzida com o apoio do SF Urban Program, do Departamento de Arquitetura da Cal Poly. Em 2012, Pyatok passou a integrar o Marvin Design Hall of Fame e, em 2013, o AIA concedeu-lhe o prêmio anual Thomas Jefferson Award for Public Architecture, em reconhecimento à sua contribuição ao projeto de habitação de interesse social.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126880/comunidades-compactas-em-conversa-com-michael-pyatokThe Second Studio Podcast
Desenho de Clara He. Hospital de Campanha. Wuhan, China.
O trabalho apresentado neste artigo é o resultado de desenhos realizados por estudantes da Graduate School of Design da Universidade de Harvard em seu ateliê do segundo semestre, conduzido por Alfredo Thiermann (ThiermannCruz). O trabalho foi produzido ao longo de um período de seis semanas de ensino à distância, após o fechamento da faculdade no início de março.
Sendo uma das cidades e centros de negócios mais importantes do México, Monterrey está inserida no território de Nuevo León, estado localizado na Região Noroeste do país que faz fronteira com o Texas, delimitando uma parte importante da fronteira entre o México e os Estados Unidos. Com uma área de pouco mais de 451,30 km² e altitude média de 500 metros acima do nível do mar, o município limita-se ao norte com as cidades de San Nicolás de los Garza e General Escobedo; ao sul com San Pedro Garza García e Santiago; a leste com Guadalupe, Juárez e Cadereyta; e a oeste com Santa Catarina e García.
Durante a etapa inicial de projeto em Arquitetura, é fundamental que arquitetos encontrem a melhor forma de transmitir suas ideias à seus clientes, de modo que independentemente de seu conhecimento técnico, estes sejam capazes de entender suas propostas com clareza. Nesse sentido, é comum que profissionais apoiem-se sobre uma determinada ferramenta ou conjunto delas para representar o que a priori idealizaram mentalmente, seja através de desenhos bidimensionais, modelos físicos ou imagens perspectivadas, de forma que é justamente nessa última que leigos parecem melhor compreender os conceitos ali expressos, de tal maneira que arquitetos tem buscado constantemente adicionar um conjunto de novas abordagens artísticas amparadas pelos recursos da tecnologia.
A arquitetura pode ser vista como um dos principais elementos de mediação entre os seres humanos e o espaço. Atravessando uma das mais importantes crises sanitárias do último século e em meio a uma onda de protestos em defesa dos direitos humanos, arquitetos e urbanistas têm a obrigação de pedir a palavra, de assumir a sua parcela de culpa e a sua responsabilidade. Ao conceber os espaços públicos de nossas cidades, é preciso combater as injustiças e promover espaços que promovam a empatia e compreensão entre as pessoas. Ao dar voz as histórias reprimidas e espaço às comunidades subjugadas, o desenho de um espaço público mais inclusivo é a chave para prover um lugar de reflexão sobre o nosso passado, que por sua vez, nos ajuda a construir um mundo mais justo e equitativo.
Embora as imagens estáticas ainda sejam o meio mais difundido para apresentar projetos de arquitetura, alguns/as profissionais da área preferem transportar o público para o interior da própria obra, proporcionando uma experiência imersiva no edifício e em seu entorno. Desde 2006, o estúdio de cinema de arquitetura Spirit of Space já produziu mais de 200 curtas-metragens. Seus filmes retratam projetos de destaque global, abrangendo obras de arquitetos e arquitetas como Peter Zumthor, Steven Holl, Daniel Libeskind e Jeanne Gang. A equipe multidisciplinar do estúdio combina recursos visuais a trilhas sonoras exclusivas, potencializando a narrativa e transformando cada vídeo em uma verdadeira experiência multissensorial.
Os "cinco pontos da nova arquitetura" de Le Corbusier funcionaram no século XX como o grande norte da produção arquitetônica em diversos países e são fundamentais para a compreensão do que foi o legado moderno nesse campo. Janelas em fita, fachada livre, pilotis, terraço jardim e, talvez o ponto mais expressivo, o conceito de planta livre, constituem o manifesto do arquiteto franco-suíço. Em termos de prática projetual, este último ponto significa distinguir estrutura e envoltória, permitindo a livre disposição de paredes divisórias que deixam, então, de cumprir uma função estrutural.
A Pesquisa de Impacto na Indústria revelou que os projetos de espaços de trabalho foram, em geral, colocados em espera, pois os clientes consideram redimensionar seus escritórios. Na imagem: os escritórios em Nova York da start-up de cuidados masculinos Harry's. Cortesia de Geordie Wood
Na ThinkLab, nossa paixão está na intersecção entre especificação e design, área em que utilizamos pesquisas para aprimorar a comunicação entre profissionais de design e fabricantes. Hoje, essa investigação tem ajudado empresas do setor de interiores a tomar decisões de negócios cruciais em um momento de incerteza econômica. Compartilhamos aqui alguns dados e análises recentes de nossa Pesquisa de Impacto no Setor — uma iniciativa contínua da qual convidamos você a participar.
O artigo a seguir propõe repensar a arquitetura de objeto a sujeito. Carlos Medellín e María Victoria Londoño aprofundam-se no tema, questionando os princípios de Vitrúvio e a adaptabilidade do objeto arquitetônico em relação aos seus diferentes usos por meio do exemplo do Teatro Metro Riviera / Theatron em Bogotá.
https://www.archdaily.com.br/pt/1127023/theatron-espacos-que-aprendem-na-colombiaCarlos Medellín y María Victoria Londoño
Operar em entornos urbanos faz com que, na maioria dos casos, precisemos tomar decisões a respeito das preexistências materiais. O aumento na densidade das cidades afetou diretamente na porcentagem de espaço livre remanescente para desenvolver construções novas e independentes, dando lugar a debates a respeito de qual posição devemos tomar frente ao patrimônio edificado que ficou obsoleto - por detrimento ou incapacidade de satisfazer as necessidades funcionais da população contemporânea. Em situações em que os edifícios estão demasiado deteriorados ou os novos projetos estão longe das possibilidades espaciais que um edifício antigo pode oferecer, preservando apenas a fachada - como um envelope exterior, quase como um elemento epidérmico - pode ser apresentado como uma solução parcial que permite preservar, em parte, o caráter urbano de uma obra se esta tiver algum valor público ou cultural. A controvérsia surge, evidentemente, da falta de relação ou de ligação entre o interior -transformado - e o exterior -preservado.
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Análises estruturais. Image Cortesia de Oliver Krieg
Quando falamos em visualização de arquitetura, logo imaginamos croquis, renderizações computacionais e desenhos. Isso porque quase sempre associamos o termo à graficação de ideias, a mostrar um projeto que ainda não está construído, seja para a validação de decisões estéticas e funcionais ou para entendimento do próprio cliente, muitas vezes não familiarizado com desenhos técnicos. Mas além além das camadas superficiais de materiais, planos, texturas e cores, ao concretizar um projeto o arquiteto precisa estar ciente de questões técnicas e invisíveis a olho nu, que poderão influenciar diretamente no projeto ou no uso futuro da edificação ocupada.
A arquitetura tem um papel intrínseco a desempenhar na crise climática global. Os edifícios e a sua construção representam, juntos, 36% do uso global de energia e 39% das emissões de dióxido de carbono relacionadas à energia anualmente. Brad Jacobson é sócio-diretor na EHDD e um líder que trabalha para implementar o design responsivo ao clima. Projetando para o futuro, Brad sintetiza diversas perspectivas para criar soluções de alto desempenho.
Em 1991, o American Institute of Architects o chamou de nada menos que "o maior arquiteto americano de todos os tempos". Mas ele não foi apenas um arquiteto – também foi designer de interiores, escritor e educador. Há mais de um século e meio, em 1867, nascia o prodigioso Frank Lloyd Wright. Resistindo ao tempo, continua a inspirar as atuais gerações de arquitetos.