Arroio Cheonggyecheon, em Seul (Coreia do Sul), onde uma via expressa elevada foi demolida para a construção de um amplo espaço público de lazer. Foto de Ken Eckert, via Wikimedia Commons. Licença CC BY-SA 4.0
A construção de ruas ao longo do século XX foi baseada principalmente na premissa de que mais infraestrutura facilita o trânsito. Evidências mostram, porém, que, em vez de reduzir o congestionamento, construir mais ruas na verdade aumenta o tráfego. Quando se reduz o tempo dos deslocamentos feitos de carro, aumenta a conveniência – com isso, em paralelo ao apelo exercido pelo veículo particular como indicador de riqueza e posição social, as pessoas tendem a fazer mais viagens de carro. Um estudo recente de pesquisadores da Universidade de Barcelona analisou dados de 545 cidades europeias entre 1985 e 2005 e confirmou que os esforços empreendidos ao longo dessas duas décadas para ampliar a capacidade das ruas levaram ao aumento do tráfego de veículos, e não à redução, e os congestionamentos não foram amenizados.
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Preguiçosa manhã de domingo, renderizada no Lumion por Gui Felix (projeto de Marcio Kogan do MK27)
Há vida em cada projeto. Na maneira como as folhas de uma árvore se movem com o vento, na energia de um edifício público movimentado com seu fluxo incessante de pessoas interessantes e singulares, ou na sensação de uma noite aconchegante em um ambiente interno enquanto a chuva forte bate nas janelas.
Lembre-se da última vez que se reuniu com clientes para apresentar um projeto. Mesmo após preparar uma grande quantidade de documentos, diagramas, renderizações e desenhos técnicos, ainda parecia que algo faltava para uma apresentação verdadeiramente completa. Para piorar, os clientes às vezes se apegam a uma ou duas imagens renderizadas e não conseguem avançar.
Parece um sonho — a capacidade de projetar o que quer que venha à mente sem se preocupar com a execução. Parece bom demais para ser verdade e, talvez, em alguns casos, de fato seja. Há simplesmente regras demais — implícitas e explícitas — que a arquitetura e o design devem obedecer. No entanto, em certas situações, é possível recuperar a liberdade projetual utilizando soluções inteligentes que já existem, mas que talvez sejam pouco conhecidas. Isso se aplica especialmente à arquitetura e ao projeto de portas.
Centro de São Paulo. Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil, via Flickr. Licença CC BY-NC-SA 2.0
Medidas que reduzam a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos aos efeitos da mudança do clima são essenciais para o desenvolvimento sustentável. Nas cidades, o aumento de riscos climáticos devido ao processo de urbanização exige de governos locais ações de planejamento e investimentos para ampliar a adaptação climática. Este é um desafio que ultrapassa os limites geográficos das zonas urbanas e está relacionado à prosperidade de todo o planeta, afinal, é nas cidades que se concentram 55% da população mundial e 80% do PIB global.
https://www.archdaily.com.br/pt/959480/3-argumentos-economicos-para-ampliar-a-adaptacao-climatica-nas-cidades-brasileirasMarina Garcia e Luana Betti
A renderização em tempo real é o caminho mais rápido e simples para transformar modelos de edifícios em experiências 3D imersivas. Ela potencializa o processo criativo ao permitir que designers gerem, documentem e visualizem simultaneamente a partir de um único modelo.
Simples na forma, mas complexa em sua essência, "O que é arquitetura?" continua sendo uma questão existencial para estudantes de arquitetura e jovens profissionais. Na tentativa de definir essa interrogação em constante evolução e expor as diferentes visões existentes, a série de entrevistas : WIA – What is architecture? faz quatro perguntas diretas a designers e pensadores/as da arquitetura de destaque global. Buscando revelar suas opiniões sobre o que é a arquitetura e o que ela pode realizar, estes vídeos curtos apresentam respostas para as seguintes perguntas: “O que é arquitetura? O que a arquitetura pode fazer? Qual é o seu posicionamento arquitetônico? e Qual é o seu método de projeto?”.
Fundada em março de 2008, a RUF Architects (Shanghai) Co., Ltd. é a única filial na China da RUF Design Consulting Co., Ltd. (sediada em Boston, EUA). O escritório é especializado em projetos de alta qualidade para o setor residencial, complexos comerciais, parques industriais, hotéis e vilas temáticas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130448/vagas-em-xangai-ruifeng-design-diretor-a-de-design-arquiteto-a-lider-gerente-de-projeto-arquiteto-aMilly Mo
O The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos arquitetos David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais criativos em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para profissionais de design, análises de edifícios e projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina apresentam uma introdução ao que é a arquitetura, abordando as diferenças entre ela e a mera "construção"; os aspectos fundamentais de uma obra de arquitetura (e o que define uma boa arquitetura); por que ela é necessária, mas também desnecessária; a crença comum de que a arquitetura diz respeito apenas ao exterior dos edifícios; o foco recorrente em estilos; se a arquitetura é subjetiva ou não; entre outros temas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130170/o-podcast-the-second-studio-sobre-por-que-a-arquitetura-e-necessaria-mas-tambem-desnecessariaThe Second Studio Podcast
No atual cenário mundial, conciliar estudos de arquitetura com a saúde é sempre bem-vindo. O ano de 2020 parou o mundo e refletiu a importância de se voltar os olhares para as áreas mais vulneráveis. Como abranger, igualmente, serviços públicos de qualidade para toda uma população, se uma parcela dela está com seu espaço urbano fragilizado? É essencial buscar respostas à essa questão para planejar um futuro sustentável para a humanidade.
Nesse sentido, o objetivo deste artigo é proporcionar uma reflexão acerca da desigualdade socioeconômica espacial, promovendo a arquitetura como elemento para auxiliar a transformação desses espaços, apresentando dados que elucidem a situação urbana habitacional dos aglomerados subnormais e que realizem análises das doenças negligenciadas desses assentamentos.
https://www.archdaily.com.br/pt/959224/a-importancia-da-arquitetura-na-prevencao-e-no-controle-de-doencasWilliam dos Santos Vefago
Na semana passada, anunciamos os 15 finalistas do Obra do Ano de 2021, um prêmio que celebra o melhor da arquitetura lusófona, convidando nossos leitores a escolherem seus projetos favoritos construídos nos países de língua portuguesa. Chegou o dia de conhecer os vencedores do ODA 2021.
“Sem correr atrás da descoberta de formas forçosamente originais, sem a busca por efeitos estéticos inovadores, a adaptação estrita e consequente da habitação ao clima conduziu progressivamente a uma nova arquitetura, autóctone e autêntica.” (1)
Wladimiro Acosta nasceu em Odessa em 23 de junho de 1900. Lá, formou-se na Escola de Belas Artes com o título de Bacharel e Técnico em Construção no ano de 1917. Posteriormente, em 1919, mudou-se para a Itália com o objetivo de continuar seus estudos de arquitetura, ingressando na Escola Superior do Instituto de Belas Artes de Roma, onde se licenciou em Arquitetura e atuou como professor de Desenho Arquitetônico entre os anos de 1920 e 1921. Em 1922, mudou-se para a Alemanha, país onde viveu até 1928, ano em que deixou a Europa para viajar a Buenos Aires.
O conjunto do Unhão, cuja construção data do século XVII, constituía-se de um engenho de açúcar com casa-grande, capela e senzala, tombado no ano de 1943. Salvador era a principal cidade brasileira na época da construção, em que o Brasil era uma colônia portuguesa, com a mão-de-obra sobretudo de escravizados, e do seu porto saía grande parte da produção de açúcar para exportação. O conjunto chamou a atenção da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi desde sua primeira visita em 1958, na época que ela passou alguns anos trabalhando e dando aulas na capital baiana. Com participação decisiva de Lina na definição do programa e da própria implantação, as edificações foram restauradas para receberem o Museu de Arte Popular e a Universidade Popular. Mas em todo o conjunto, o elemento que chama a atenção por sua plasticidade, funcionalidade e simbolismo, é a escada helicoidal de madeira.
Fundado em 2001, o Lacime Architects (日清设计) acumulou, ao longo de quase duas décadas de trajetória, uma equipe de cerca de 800 arquitetos(as) e uma vasta experiência no projeto de grandes empreendimentos nacionais e internacionais, adotando um modelo de design integrado entre arquitetura e paisagismo. O estúdio foca no planejamento e projeto de diversos setores, como o imobiliário, comercial e cultural. Por sua vez, o Departamento IV da Lacime Architects valoriza, acima de tudo, o espírito criativo e inovador de sua equipe de projeto.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130928/vagas-em-xangai-lacime-architects-arquiteto-a-lider-arquiteto-a-recem-formado-a-estagiario-aMilly Mo
Shanghai Minsheng Wharf Waterfront Landscape and Reconnection / Atelier Liu Yuyang Architects . Image
Fred Kent, fundador da organização sem fins lucrativos Project for Public Spaces, declarou em certa ocasião que “Quando se planejam cidades com ênfase no trânsito e veículos automotores, o resultado é uma cidade repleta de carros e congestionamentos. Quando se planeja cidades para pessoas, por outro lado, o que se obtêm é uma cidade agradável de se viver e repleta de espaços públicos.” Isso tudo pode até parecer bastante óbvio, entretanto, nossa sociedade está passando hoje por uma mudança de paradigma, com mais e mais cidades abrindo mão de seus espaços e infraestruturas para veículos e privilegiando pedestres e espaços públicos.
Fundado em Pequim em 2005 por Zhu Pei, o Studio Zhu-Pei dedica-se à exploração e à prática da arquitetura cultural, sob uma postura criativa artística e experimental. Entre museus de arte e projetos culturais, o escritório conta com 18 obras construídas e 17 em fase de projeto ou construção. Filosofia de projeto: a "arquitetura natural" não se refere à arquitetura paisagística nem à arquitetura verde. Em outras palavras, não se trata da natureza em sentido estrito, mas de uma atitude natural. É uma investigação das leis de construção natural por trás da arquitetura, buscando encontrar as fontes de sensibilidade definidas pela própria cultura humana, estabelecendo uma espécie de relação de consanguinidade entre o edifício e a cultura local, a geografia e o clima.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130878/trabalho-em-pequim-studio-zhu-pei-arquiteto-a-arquiteto-a-paisagista-estagiario-aMilly Mo
Um dos principais gestos projetuais de Paulo Mendes da Rocha no projeto de reforma da Pinacoteca foi criar um novo eixo de circulação longitudinal na edificação existente, alterando o seu acesso principal. Passarelas metálicas, que atravessam pátios internos cobertos por claraboias, possibilitam novas dinâmicas e integração entre as salas, adequando um edifício neoclássico a um museu com um programa totalmente contemporâneo.
A habilidade de renovar um espaço completamente, às vezes demolindo partes ou fazendo adições pontuais, alterando sua funcionalidade e melhorando sua ambiência, é dos ofícios mais admirados dos arquitetos. Em habitações isso fica ainda mais evidente, uma vez que adequar uma habitação às demandas contemporâneas, através de uma planta bem pensada, pode melhorar a qualidade de vida dos ocupantes.
Poucos negócios nos Estados Unidos são vistos com tanto carinho quanto os pequenos comércios de bairro. Há uma sensação de que "está tudo bem com o mundo" nas lojas geridas pelos próprios proprietários que atendem às necessidades diárias de uma vizinhança e que, por meio de repetidas trocas presenciais, ajudam as pessoas a se sentirem parte de uma comunidade de apoio mútuo. No entanto, há muito tempo esses estabelecimentos familiares enfrentam grandes dificuldades. Na metade de século após 1950, a popularização dos automóveis deslocou grande parte do comércio varejista dos EUA para centros comerciais de beira de estrada, inacessíveis a pedestres, reduzindo drasticamente o número de comércios locais. Nas últimas duas décadas, a expansão da internet intensificou a pressão sobre o varejo físico, uma situação agravada pela pandemia.
Bence Hadju 2012 "Abandoned paintings" sobre "A última ceia" de Leonardo Da Vinci 1495. Imagem via Revista rita_
Este artigo de Felipe Samarán Salófue publicado originalmente na edição nº 11 de revista rita_ com o título "Renders habitados y arquitectura desierta. El mensaje oculto de la arquitectura revelado por la fotografía" e faz parte de uma colaboração conjunta de divulgação. A seguir, apresentamos um estudo sobre como o foco de interesse da arquitetura se deslocou de “servir à pessoa, atendendo-a em todas as suas dimensões” para “gerar um universo de formas e espaços surpreendentes, belos e fotogênicos”, relegando quem os utilizará a um segundo plano ou ao esquecimento.
No último dia 9 de março, como parte das celebrações do 119º aniversário de nascimento do arquiteto mexicano Luis Barragán, a Barragan Foundation anunciou através de seu perfil oficial no Instagram o lançamento de seu reformulado website. A iniciativa tem dois propósitos, por um lado ela representa um esforço para aglutinar todas as informações disponíveis no Arquivo Barragán em um só lugar, facilitando a promoção e divulgação da trajetória de um dos mais importantes arquitetos mexicanos de todos os tempos e, por outro lado, ela redireciona o nosso olhar, revelando uma outra faceta de Barragán, até então desconhecida pela maioria dos arquitetos e arquitetas.
Talvez nenhum personagem moderno da TV ou do cinema seja mais fascinado por arquitetos/as do que George Costanza, de Seinfeld. E, convenhamos, quantos/as arquitetos/as escolheram a profissão apenas para poder dizer: “Eu sou arquiteto/a”? Mas e se George fosse, de fato, arquiteto? Que tipo de arquiteto ele seria? Neste episódio, Stewart analisa cenas de Seinfeld para desvendar que tipo de arquiteto George realmente gostaria de ser. Apoiando-se em sete evidências e em uma argumentação digna de tribunal, ele constrói sua tese em torno desse instigante cenário hipotético. As evidências vão desde as referências explícitas de George — como sua afirmação de ter projetado a ampliação do Guggenheim — até uma avaliação mais psicológica de sua inclinação por espaços aconchegantes e revestidos de veludo, concluindo com seu fascínio pela própria farsa de fingir ser o que não é.
Palazzetto dello sport. Foto de Kerry O'Connor, via Flickr. Licença CC BY-NC 2.0
Pier Luigi Nervi é um caso curioso na história da arquitetura. Apresenta grandes edifícios de concreto armado – sendo inclusive responsável por desenvolvimentos técnicos ligados a esse material –, que se definem por seus ousados, expressivos e heroicos partidos estruturais. Projetava de forma semelhante a Corbusier na sua chamada ‘fase brutalista’, que “(...) abordava o programa de arquitetura partindo de princípios de ordem geral, adaptando-os em seguida à situação real. O projeto era definido pelo partido que se organizava do geral para o partícular” (Acayaba, 1985); observar-se isto nos edifícios do italiano que, em grande parte, são obras pavilhonares, nos quais uma grande cobertura estrutural recobre o programa em suas particularidades.
O tarot é frequentemente descrito como um espelho da alma. Assim como nos espaços que habitamos, podemos olhar para os símbolos contidos no baralho de 72 cartas e enxergar reflexos de nós mesmos e de nossos sistemas de crenças. O objeto e a própria prática contêm diversas associações arquitetônicas: não é incomum que termos como “estruturas”, “fundações” e “lar” surjam em uma leitura de tarot. Cartas tradicionais retratam torres, castelos e igrejas. Às vezes, as cartas são descritas como chaves; outras vezes, como portais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130743/a-arquitetura-fantastica-de-niki-de-saint-phalleLeilah Stone
Durante este mês, discutiremos sob uma perspectiva crítica o significado da renderização para a arquitetura. Quais são os modelos e quais são os limites da renderização no processo de projeto de uma edificação? E, sob essa ótica, cabe nos perguntar: o que é uma renderização? Seria apenas uma imagem para vencer concursos e atrair potenciais clientes, ou uma ferramenta de fato eficaz para o processo de construção?