A praça Castro Alves é do povo como o céu é do avião um frevo novo, eu peço um frevo novo todo mundo na praça e muita gente sem graça no salão (Um Frevo Novo - Caetano Veloso)
Para Caetano, a verdadeira alegria está na apropriação da praça e não no salão. Mas esta interpretação da maior manifestação cultural brasileira não é unânime.
https://www.archdaily.com.br/pt/934182/botar-seu-bloco-na-rua-e-direito-a-cidadeBeatriz de Paula e Danielle Klintowitz
Os quintais, áreas de lazer externas normalmente localizadas nos fundos do lote, são espaços dedicados ao descanso, entretenimento e convívio da família. Sua ambientação é fundamental para garantir o aconchego e o conforto que buscamos em nossas casas. Ao mesmo tempo, por serem áreas expostas às chuvas, sol intenso e, às vezes, neve, também precisam apresentar materiais resistentes, duráveis e de fácil manutenção.
Como ressignificar espaços públicos degradados? Cores vibrantes, um traçado geométrico e a ajuda comunitária. Ao menos esta poderia ser a resposta do artista carioca Antonio Ton. Inspirado pelas trocas que encontra na rua e a partir de um diálogo com as comunidades locais, suas obras vão além de revitalizar quadras esportivas e pistas de skate. Ton nos demonstra como a arte favorece a construção de um lugar de encontro e lazer. Conversamos com ele para entender como acontece todo o seu processo artístico e quais resultados suas pinturas oferecem.
Desde as primeiras civilizações, a natureza tem sido um pilar fundamental para servir de habitat natural para a humanidade, fornecendo abrigo, alimento e medicamentos. Nos tempos modernos, as revoluções industriais e tecnológicas tomaram conta da paisagem, remodelando a forma como os seres humanos interagem com a natureza. No entanto, hoje, devido aos desenvolvimentos que vivemos como sociedade, é necessário focar na criação de cidades e espaços que integrem a natureza à vida cotidiana.
“Vida, espaços, edifícios - nessa ordem”. Essa frase, do arquiteto urbanista dinamarquês Jan Gehl, resume bem as mudanças que Copenhague tem passado nos últimos 50 anos. Atualmente conhecida como uma das cidades com os habitantes mais satisfeitos com a qualidade de vida ali ofertada, a forma que seus espaços públicos e edifícios foram e são projetados tem inspirado arquitetos, governantes e planejadores por todo o mundo. O que vemos hoje em dia, no entanto, é fruto de decisões corajosas, muita observação e, sobretudo, designs que colocam as pessoas em primeiro lugar. Copenhague será a Capital Mundial da Arquitetura UNESCO-UIA en 2023, bem como sede do UIA World Congress of Architects por conta de seu forte legado na arquitetura e desenvolvimento urbano inovador, juntamente com suas altas ambições no clima, soluções de sustentabilidade e habitabilidade.
O projeto de interiores de estabelecimentos gastronômicos é uma área que tem ganhado importância haja vista a procura dos clientes por experiências que vão além do prato de comida. A capacidade de adaptação às tendências e necessidades atuais é um ponto que os profissionais de arquitetura e design de interiores argentinos têm enfrentado com inovação e flexibilidade, sobretudo no uso dos materiais, cores e texturas.
A arquitetura tem o poder de se envolver emocionalmente com seus ocupantes. Momentos elaborados a partor do tato estendem a arquitetura ao design de experiência — uma necessidade crescente na economia da experiência. Através do estímulo sensorial e intelectual, os espaços podem se conectar profundamente com seus ocupantes, resultando em momentos memoráveis. A orquestração de uma experiência requer não apenas a compreensão dos princípios espaciais, mas também como os serviços do espaço são projetados.
Ciclovia em São Paulo-SP. Imagem: Joana Oliveira/WRI Brasil
De meados do século XX até os dias de hoje, o tempo perdido no trânsito tornou-se uma das principais fontes de sofrimento da vida urbana. Historicamente, a fórmula clássica para combater esse problema foi adicionar cada vez mais faixas de carro e construir viadutos com a promessa nunca realizada de melhorar a fluidez.
A consequência já está bem documentada, cada nova faixa de carro adicionada representa uma barreira a outros meios de transporte e maiores distâncias a serem percorridas por todos. O resultado é a indução da demanda, um convite para que cada vez mais pessoas desejem se locomover por automóvel.
Espace Oscar Niemeyer é um centro cultural projetado por Oscar Niemeyer na cidade portuária de Le Havre, França. O projeto se encontra dentro da área de reconstrução urbana concebida pelo arquiteto racionalista Auguste Perret após destruição do centro da cidade na Segunda Guerra Mundial.
As cidades são inseparáveis do estilo de vida acelerado. Aluguéis em alta e apartamentos “não tão pequenos” caracterizam os ambientes urbanos, perpetuando a busca por “mais, maior e mais rápido”. À medida que as economias se desenvolvem e as necessidades humanas aumentam, edifícios são erguidos em taxas alarmantes para acelerar o progresso. Os riscos da vida urbana estão sendo gradualmente expostos, levantando questões sobre ações conduzidas de forma intencional. Uma maneira de retornar a estilos de vida mais lentos é retornar à arquitetura lenta.
Barco navega pela floresta amazônica entre Macapá e Belém, no Brasil. As florestas geridas pelas comunidades indígenas do Brasil sequestram grandes quantidades de carbono, desempenhando um papel crítico na contenção das mudanças climáticas. Foto: otorongo/Shutterstock
No mundo todo, florestas desempenham um papel fundamental combatendo ou contribuindo para conter as mudanças climáticas. Florestas em pé e saudáveis sequestram mais carbono da atmosfera do que emitem e funcionam como um sumidouro de carbono; por outro lado, áreas florestais degradadas e desmatadas liberam na atmosfera o carbono que armazenavam e se tornam uma fonte de carbono.
https://www.archdaily.com.br/pt/995153/florestas-em-terras-indigenas-estao-entre-os-ultimos-sumidouros-de-carbono-da-amazoniaPeter Veit, David Gibbs e Katie Reytar
Os subúrbios experimentaram uma espécie de renascimento na última década. Durante a pandemia de Covid-19, as pessoas fugiram dos núcleos urbanos em busca de espaços abertos e equipamentos descentralizados. Para algumas pessoas, a palavra “subúrbio” remete à imagens de gramados bem cuidados e fileiras de casas idênticas, mas o que torna um subúrbio bem-sucedido pode ter mais em comum com as cidades do que se imagina.
Uma planta faz toda a diferença. Sua cor e textura, seus movimentos, o celebrar de seu florescer. O verde no interior dos lares brinda diversos benefícios. No entanto, além de saber quais espécies são mais fáceis de cultivar, buscar por formas mais eficazes para compor elas com o ambiente pode aprimorar a experiência espacial. Por isso, apontamos aqui algumas dicas na hora de colocar os vasos e jardineiras espalhados (ou não) pela casa.
O setor da arquitetura, engenharia, construção e operação (AECO) tem uma participação bastante significativa no consumo de energia e na emissão de CO2 global, sendo responsável por aproximadamente 40% dela. No Brasil, as edificações (residenciais, comerciais e públicas) consomem aproximadamente 50% de toda a energia elétrica ofertada. Enquanto as indústrias de cimento, metais e de cerâmica representam cerca de 10% de todo o consumo final energético do país. Somado a isso há no país um grande déficit habitacional, chegando a mais de 6 milhões de domicílios, além do conhecido déficit de infraestrutura, que precisarão ser solucionados no futuro.
Há inúmeros exemplos positivos em centros urbanos nos EUA, mas eles estão raramente conectados a um tecido bom o suficiente para se tornarem vibrantes.
Este artigo apresenta 10 estratégias necessárias para fazer os centros urbanos prosperarem. Nenhum deles é uma ação habitual, de forma que omitimos alguns pontos que já são conhecidos por todos.
Os projetos de estrutura têm como premissa garantir a estabilidade da construção proposta a partir dos materiais e técnicas construtivas escolhidos. Para isso, eles devem levar em consideração em seus cálculos diferentes tipos de ações, como o peso do próprio material, o uso e a forma de ocupação da edificação, que podem ser classificados como variáveis ou permanentes.
Nova Orleans tem o efeito de ilha de calor urbano mais forte dos EUA, com temperaturas quase 5°C mais altas do que as áreas naturais próximas. A cidade perdeu mais de 200 mil árvores com o furacão Katrina, diminuindo a área sombreada para apenas 18,5%.
A ONG Sustaining Our Urban Landscape (SOUL) fez uma parceria com arquitetos paisagistas da Spackman Mossop Michaels (SMM) para criar um plano de reflorestamento acessível e focado na equidade. O plano fornece um roteiro para alcançar a marca de 24% de área coberta por árvores até 2040. Mais importante, o plano também busca igualar a área sombreada por árvores, de modo que pelo menos 10% de todos os 72 bairros estejam cobertos. Atualmente, mais da metade dos bairros está abaixo da marca de 10%.
Adicione folhas de repolho, cascas de laranja, cebola, banana e alguns pedaços de abóbora para obter... cimento. Isso mesmo, pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, desenvolveram uma técnica por meio da qual é possível produzir cimento a partir de resíduos alimentares. A iniciativa inovadora, além de ser utilizada na construção, é literalmente comestível. Ajustando sabores e utilizando alguns temperos, o cimento quebrado em pedaços e fervido pode se tornar uma bela refeição.
Recentemente muitas cidades brasileiras têm recorrido a recursos do Urbanismo Tático como forma de intervir no desenho urbano de suas vias de modo a torná-las mais seguras e atrativas. Tudo isso com baixo custo e curto prazo.
A quantidade e o tipo de intervenções têm se mostrado particularmente notáveis ao atender ao imediatismo imposto pela realidade pandêmica de nossas cidades, na busca de adequar o traçado urbano das vias às formas de deslocamento que não favoreçam o risco de contágio durante o processo de deslocamento cotidiano, mesmo com cenários de restrições das atividades.
Cidade futurista em Tomorrowland. Fonte: Wallpaper Abyss
O cinema revela por meio da cenografia uma vasta composição de cidades, tornando-se um meio interessante para discutir as suas transformações. Essa arte permite que diretores explorem ao máximo seus universos imaginativos, através de cenários montados, efeitos visuais e especiais e toda a composição da imagem. Em muitos filmes, diretores apresentam cidades futuristas, vivenciadas pelos personagens do enredo, que, por muitas vezes, se apresentam inteiramente novas aos nossos olhos. É através da busca do espectador de compreender e apropriar-se desses espaços cenográficos que a cidade se revela no cinema.
Os artistas são frequentemente inspirados pela terra — sejam as interpretações de paisagens americanas do pintor Robert S. Duncanson ou as subversões de William Kentridge das pinturas britânicas da era colonial retratando paisagens africanas. No entanto, alguns artistas preferiram trabalhar diretamente com a terra, criando estruturas que se assentam em paisagens ou esculpindo o próprio solo. Esse estilo de arte — formalmente denominado land art — ganhou destaque nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970 com a ascensão do movimento ambientalista em meio aos protestos pelos direitos civis e contra a guerra, quando os artistas buscavam se separar do mercado de arte.
Um dos fatores mais importantes ao projetar é o clima específico do local. Isso pode ser difícil quando se lida com climas extremos e é necessário usar materiais isolantes que se adaptem às condições variáveis. No entanto, quando se fala do México e de seu clima particular, isso se volta a favor dos arquitetos, permitindo-lhes criar microclimas e espaços que se confundem na transição entre o interior e o exterior.
Ora escultural e expressivo, ora monolítico e monótono, o estilo arquitetônico brutalista é igualmente diverso e polêmico. Desde suas origens como subproduto do movimento modernista na década de 1950 até hoje, os edifícios brutalistas continuam sendo um ponto de discussão popular no debate arquitetônico. Uma possível explicação para isso é que estes edifícios brutalistas geralmente são muito fotogênicos; suas texturas e sombras dramáticas criam imagens apelativas.
A large-area elemental map (Calcium: red, Silicon: blue, Aluminum: green) of a 2 cm fragment of ancient Roman concrete (right) collected from the archaeological site of Privernum, Italy (left). A calcium-rich lime clast (in red), which is responsible for the unique self-healing properties in this ancient material, is clearly visible in the lower region of the image. Image Cortesia de the researchers (MIT)
Há aquedutos romanos construídos há mais de 2 mil anos que seguem em funcionamento. O Panteão de Roma permanece sendo o maior domo feito de concreto não-armado no mundo, com um diâmetro de 43,3 metros. Ao mesmo tempo, não raramente, vemos estruturas com menos de uma década ruindo. Entender o porquê das estruturas romanas permanecerem de pé tem sido objeto de estudos de diversos pesquisadores pelo mundo. Por que, mesmo em ambientes hostis como a água do mar ou zonas sísmicas, essas estruturas permanecem intactas? Existe algum material milagroso ou método que se perdeu na história? Um grupo internacional de pesquisadores liderado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) trouxe luz a essas questões, descobrindo que essas estruturas tinham uma capacidade de autocura anteriormente negligenciada, e como isso pode ter um enorme impacto ambiental para criar estruturas de concreto mais duráveis no futuro.