Este ano marcou o 10.º aniversário do lançamento do primeiro episódio de Black Mirror. A série antológica de ficção científica distópica e onerosa, explora metaversos distorcidos de alta tecnologia, onde, segundo a IMDb, "as maiores inovações da humanidade e os instintos mais obscuros colidem". É por isso que esta série britânica, criada por Charlie Brooker para a Netflix, gerou reações diferentes entre os telespectadores. Embora apresentasse cenários futuros, a proximidade com os mesmos criava um certo sentimento de paranoia, medo e incerteza.
https://www.archdaily.com.br/pt/974500/metaversos-da-ficcao-cientifica-ao-presente-extremoBob J. Barraza
Fundado pelo arquiteto e professor Angelo Bucci, o spbr arquitetos atua em diferentes escalas de construção de edificações com uma linguagem distinta e particular em suas obras. Seus projetos são resultado de um intenso exercício de pensar arquitetônico somado ao uso do desenho como ferramenta de diálogo entre arquitetos e clientes.
Ouvimos dizer estamos vivendo uma era transapocalíptica. Não pré ou pós-apocalíptico, mas algo no meio: uma série de crises interconectadas que exigem ação, em um momento em que é tarde demais para impedir que o mundo mude, mas não tarde o suficiente para que toda a esperança tenha sido perdida. A arquitetura está profundamente envolvida nesse processo, pois a transformação do ambiente construído e da indústria da construção são fundamentais para a forma como vivemos.
Para ArchDaily, isso significa que nossa missão é mais urgente do que nunca. Tendo recebido mais de 22 milhões de visitas mensais em 2021, continuamos perguntando a nós mesmos e aos nossos leitores: como continuar a fornecer inspiração e ferramentas para uma nova geração de arquitetos, designers e – cada vez mais – entusiastas da arquitetura, pessoas interessadas no modo como vivemos, onde moramos e como seguir em frente? Uma das maneiras mais importantes que temos de fazer isso é através do Prêmio Building of the Year.
Pelo 13º ano consecutivo, vocês, nossos leitores e leitoras, escolherão as melhores obras do ano. É a sua vez de reconhecer e recompensar os projetos excepcionais, tornando-se parte de uma rede imparcial e geograficamente distribuída de jurados que tem eleito os projetos mais relevantes na última década. Nas próximas duas semanas, esta inteligência coletiva avaliará mais de 4.500 projetos, reduzindo este universo para apenas 15 em cada categoria no prêmio.
Como ocorreu em ocasiões anteriores, o Ministério das Culturas, Artes e Patrimônio do Chile organizou a montagem de Testimonial Spaces, o mais recente pavilhão nacional apresentado na Bienal de Veneza 2021, no hall do Museu de Arte Contemporânea do Parque Forestal (Santiago) para que possa ser visitado pelo público local.
Embora a chamada que o ministério costuma realizar para a convocatória de cada edição da bienal seja focada no projeto de um pavilhão, o edital especifica que o/a curador/a selecionado/a será responsável pela elaboração de um conceito curatorial e de uma proposta arquitetônica. Certamente, no contexto contemporâneo, a noção de pavilhão é uma categoria amplamente maleável, razão pela qual não deixa de ser interessante essa diferença estabelecida nas próprias bases da convocatória: embora seja evidente que o conceito curatorial deva estar associado a alguma instância arquitetônica relevante, ele não é, necessariamente por si só, uma proposta arquitetônica.
A arquitetura é uma das mais antigas carreiras do mundo, com sua origem, tal qual compreendemos hoje, datada dos primórdios da humanidade. O ensino de arquitetura, por outro lado, em um primeiro momento, era passado em coletivo a partir de habilidades que se aprendiam na prática e oralmente, de geração para geração. A partir das escolas de Belas Artes e das Universidades esse ensino foi se institucionalizando e se transformando até chegar no que temos hoje em dia.
Os espaços educativos são ambientes que evoluíram ao longo dos anos em resposta aos avanços tecnológicos e às novas formas de ensino que buscam se concentrar cada vez mais em métodos flexíveis, permitindo a cada estudante traçar seu próprio caminho com base em um sistema comum. A importância desses espaços reside no fato de serem pontos de encontro que atendem às nossas necessidades sociais de compartilhar ambientes físicos voltados para sistemas educacionais muito mais horizontais e inclusivos, como é o caso do Centro de Deficientes Visuais, projetado pelo Taller de Arquitectura Mauricio Rocha + Gabriela Carrillo, que busca gerar diferentes experiências sensoriais por meio dos materiais, da luz e das temperaturas geradas tanto dentro quanto fora dos espaços.
Ao redor do mundo, os zoológicos atraem centenas de milhões de visitantes a cada ano. Para algumas cidades, eles são grandes atrações turísticas e centros econômicos que geram dólares dos contribuintes e criam empregos a longo prazo para milhares de pessoas. Mas além destas estatísticas, muitos criticam o papel que os zoológicos desempenham em nossa sociedade e a maneira como os projetamos, de modo a criar um ambiente mais positivo e natural para os animais.
Maria Carlota de Macedo Soares nasceu em 1910 em Paris, onde o pai – responsável por um dos jornais mais influentes do Rio de Janeiro, o Diário Carioca – estava exilado. Criada em meio à elite, Lota chega ao Brasil em 1928, com 18 anos, e foi muitas vezes definida como uma figura controversa que gostava de carros de corrida, usava calça jeans e camisas masculinas e teve um discreto, porém duradouro, romance com a premiada poetisa americana Elizabeth Bishop.
No Brasil, os problemas urbanos associados ao crescimento urbano e à pobreza, gerados especialmente pela informalidade da ocupação urbana e da precariedade da infraestrutura e serviços urbanos, têm se mostrado um desafio insuperável para o poder público.
Em que pese os esforços já empreendidos, o acesso à moradia pela população de baixa renda tem sido possível, em grande parte, em função do auto empreendimento da habitação e da não aplicação estrita das normas urbanísticas de parcelamento, uso e ocupação do solo.
Alguns dos projetos mais pitorescos são aqueles construídos nas montanhas; a cabine rústica envolvida por um painel de vidro do piso ao teto com vista para as árvores cobertas de neve. Visualmente, a arquitetura transpira uma sensação encantadora, mas será que estes espaços são realmente habitáveis? Quando as casas são construídas em uma elevação de 3.000 metros, instalar uma lareira isolada não é eficiente ou sustentável. Ambientes em tais altitudes, ou locais geográficos particulares exigem um tratamento minucioso, a começar pela própria arquitetura. Seja por sistemas de aquecimento hidrônicos no piso ou chaminés inseridas em paredes, este artigo explora como mesmo as condições mais extremas de frio não impediram a garantia de um conforto térmico ideal.
Meios transparentes possibilitam a passagem de luz sem que haja dispersão da mesma. Os meios translúcidos, por sua vez, são aqueles que permitem a passagem da luz, mas de forma irregular, e parte dela se dispersa e não permite que enxergamos com total nitidez através deles.Superfícies translúcidas funcionam como véus, revelam sem devassar, e borram, literalmente, o contato entre interior e exterior. Na arquitetura, este é um efeito utilizado em muitos projetos. Das fachadas características de Steven Holl, ao IMS de São Paulo, passando por diversos outros exemplos pela arquitetura mundial, essa translucidez pode ser conseguida com vidros especiais, acrílicos ou outros plásticos. Mas um material que intrinsecamente entrega este efeito é o policarbonato, que pode ser utilizado em uma infinidade de casos, de paredes a claraboias, e nos mais diversos programas.
Vagão para mulheres em São Paulo. Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
“Nossas cidades são patriarcados escritos na pedra, no tijolo, no vidro e no concreto.” A frase da geógrafa feminista britânica Jane Darke escancara um fato incontestável: o desenvolvimento urbano em todo o globo sempre foi obra de homens. Nos postos executivos, “a maioria faz escolhas de política econômica ao planejamento de moradias, de localização das escolas aos assentos de ônibus, sem tomar conhecimento de como essas decisões afetam as mulheres, muito menos se preocupar com isso”, afirma a canadense Leslie Kern, geógrafa e doutora em estudos femininos pela Universidade de York.
Materiais inusitados, cores vibrantes e composições ousadas são alguns adjetivos que podem ser aplicados quando se fala sobre o trabalho do Superlimão. Tudo começou em 2002 quando Antonio Carlos Figueira de Mello, Lula Gouveia, Thiago Rodrigues e o antigo sócio Sergio Cabral fundaram o escritório batizando-o em homenagem a bala Super Lemon – “azeda no início e doce no final”. Desde então, essa pitada humor - presente até no próprio nome - permeia todas as criações da equipe insinuando novas experiências e despertando curiosidade assim como o saborear da bala.
Com o objetivo de gerar um impacto significativo no consumo responsável e sustentável de recursos e energia na indústria da construção, a ETH Zürich em colaboração com a FenX AG está usando a impressão 3D de espuma (F3DP) para fabricar formas geometricamente complexas para a construção de elementos em concreto.
Este artigo de Lucía de Molina Benavides e Elisa Valero Ramos foi publicado originalmente com o título "La vivienda colaborativa en la era digital como proceso sostenible" [1] na edição nº 31 da revista Dearq em 01 de setembro de 2021 (DOI: https://doi.org/10.18389/dearq31.2021.03).
O artigo investiga como a era digital representou uma revolução na vida de milhões de pessoas. Atualmente, observa-se como o desenvolvimento tecnológico está afetando a sustentabilidade social das cidades em questões como exclusão, individualismo ou gentrificação. Em contrapartida, essa mesma tecnologia, quando aplicada de maneira transversal, gera inclusão, diversidade e senso de comunidade. Este artigo aborda o tema da habitação colaborativa, entendida como um processo participativo que se estende para além das fases de projeto e construção, alcançando a gestão e o uso dos espaços, o que, graças às tecnologias digitais, favorece sua sustentabilidade social.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131043/a-habitacao-colaborativa-na-era-digital-como-processo-sustentavelLucía de Molina Benavides y Elisa Valero Ramos
Os escritórios evoluíram tremendamente nos últimos anos, tornando-se cada vez mais como um espaço doméstico, incorporando novas paletas de cores, mobiliários flexíveis, texturas aconchegantes e até mesmo vegetação como parte do design. Neste último caso, não é simplesmente um acréscimo estético, mas o verde é integrado de tal forma que transforma e valoriza completamente a experiência de trabalho de quem está dentro. Como as plantas podem se tornar protagonistas do espaço de trabalho? Vamos rever 7 casos que os integram de forma criativa em prol do bem-estar dos usuários.
Há muito mais a se descobrir sobre arquitetos/as e seus projetos quando começamos a conhecer as histórias por trás de suas obras. Compreender de onde e como vem sua inspiração, e de que forma uma ideia se transforma em uma realidade palpável, sensorial e vivenciável, nos permite entender melhor por que o projeto chegou ao seu resultado final.
Em parceria com o fotógrafo Marc Goodwin, como parte de seu projeto Atlas of Architectural Atmospheres — desta vez na cidade de Berlim —, tivemos a oportunidade de nos reunir com o arquiteto alemão Christoph Hesse, do escritório Christoph Hesse Architects, sediado em Korbach e Berlim, para conversar sobre os elementos que compõem sua visão de arquitetura e sua produção. Encontrar um profissional em seu próprio espaço de trabalho é também um diferencial; analisamos diferentes projetos enquanto observávamos maquetes físicas, e a narrativa de seu trabalho transformou-se em uma bela história sobre um lugar — uma cidade do interior da Alemanha —, suas pessoas, suas vidas e um futuro sustentável em harmonia com a natureza.
Uma frase de efeito, muito conhecida — "Do Cabo para o Cairo" — gerou inúmeros livros e despertou a imaginação de incontáveis viajantes do continente africano. As origens da frase são de natureza imperial, nascida de uma proposta de 1874 do jornalista inglês Edwin Arnold, que procurava descobrir as origens do rio Congo. Este projeto foi mais tarde retomado pelo imperialista Cecil Rhodes, que imaginou uma ferrovia contínua de territórios governados pela Inglaterra que se estendia do Norte ao Sul do continente.
“What's color? para arquitetos/as e designers” é uma exposição da artista Claudia Valsells. Com curadoria de Julia Ruiz-Cabello y Gonzalo de Benito, a mostra reúne depoimentos de escritórios de arquitetura sobre o uso da cor em seus projetos. O evento ocorreu de 10 a 14 de dezembro de 2021 no espaço Pavilion do escritório de arquitetura PLANTEA, em Madri. A montagem de um espaço expositivo, à semelhança do ateliê no qual a artista trabalhou por mais de duas décadas para criar sua própria cartela de cores, configura o espaço.
El colectivito - Cincuenta concursos. Image Cortesía de El colectivito
El colectivito nasceu como tal há cerca de cinco anos. Sem nome nem forma, reunia de maneira quase casual um grupo de estudantes interessados em refletir criticamente sobre a arquitetura e o território. Seu nome alude ironicamente ao momento histórico em que nasceu. Entende-se como um dos infinitos coletivos de arquitetos e se faz pequeno por reconhecer sua gestação incipiente. Hoje em dia, é um espaço de encontro no qual arquitetas, arquitetos e estudantes de arquitetura da província de Misiones, na Argentina, compartilham e discutem interesses e inquietações em relação à cultura arquitetônica do lugar particular que habitan.
Se a Natureza tivesse sido confortável, a humanidade nunca teria inventado a arquitetura. - Oscar Wilde
A arquitetura é humana. Apesar de sua beleza primorosa, tocas, colmeias, ninhos e formigueiros são criações do instinto. O projeto desenvolvido por seres humanos, por outro lado, avalia opções, meios e métodos de criação, solucionando anseios que vão muito além de meras adequações funcionais.
A síntese entre arte e arquitetura remonta à origem da própria disciplina. Das formas elaboradas do barroco à estrutura geométrica do modernismo, a arte tem sido historicamente uma determinante fonte de inspiração para muitos arquitetos, os quais se tornaram responsáveis por traduzir estilos, técnicas e conceitos em estruturas habitáveis. Pensando nisso, neste artigo procuramos explorar a influência de cinco dos principais movimentos da história da arte na arquitetura, observando a forma como os arquitetos se apropriaram de algumas de suas características mais elementares para criar as suas próprias composições arquitetônicas.
Buscando seu objetivo de registrar diversos escritórios de arquitetura e design, em sua passagem por Berlim, Goodwin capturou imagens de 13 escritórios: Hesse, LAVA, JWA, Tchoban Voss, Richter Musikowski, Barkow Leibinger, FAR frohn&rojas, studio Karhard, Jasper, Kleihues + Kleihues, Graft, Bundschuh Architekten e Sauerbruch Hutton.
Monte Rosa Hut by Berth Desplazez Architects. Image
Se “natureza” e “arquitetura” são comumente concebidas como entidades opostas, representantes da invasão humana no cenário primordialmente físico do mundo, em que condições esses dois fatores fundamentais formam uma forte ligação e qual é o subproduto resultante? Esse vínculo, muitas vezes ignorado, entre cultura e natureza pode ser desenterrado e esclarecido pelo uso da fotografia?