In Out Office / Alfredo Häberli. Imagem cortesia de Andreu World
Profissionais de arquitetura de interiores e de design costumam afirmar que um espaço de escritório bem projetado se traduz em maior produtividade, criatividade e satisfação no trabalho — contudo, o impacto é ainda maior do que a maioria costuma imaginar. Estudos recentes sugerem que o bom design impacta positivamente a cultura da empresa, fomenta o senso de comunidade e cria um ambiente saudável, feliz e motivador. De fato, ele influencia diretamente o recrutamento e a retenção de talentos: “o design do espaço de trabalho aumenta significativamente a atratividade das empresas empregadoras para profissionais em potencial”. Iluminação adequada, um layout flexível e recursos biofílicos são fatores importantes a serem considerados na fase de planejamento. No entanto, para atender plenamente ao conforto e ao bem-estar de quem utiliza o espaço, esses elementos devem ser combinados com um excelente design de mobiliário. Afinal, integrar peças ergonômicas de alta qualidade é uma maneira simples de elevar o ânimo, além de aprimorar a funcionalidade e a estética ao criar ou redecorar o espaço de trabalho.
Em junho de 2020, a estátua do traficante de escravizados do século XVII Edward Colston foi derrubada na cidade de Bristol, no sudoeste da Inglaterra. Antes disso, o monumento ficava sobre um pedestal em um proeminente parque público, até ser arrastado e jogado no porto de Bristol por manifestantes do movimento Black Lives Matter. O ato desencadeou um confronto com o passado há muito esperado no Reino Unido e em outras nações ocidentais — um debate que exige uma análise mais profunda sobre os monumentos que ocupam nossas cidades e sobre quão profundamente o imperialismo pode estar interligado a elementos do ambiente construído. Diante disso, a eterna questão que se coloca é: o que fazemos com esses edifícios?
Jewel Changi Airport, projetado por Safdie Architects. Imagem cortesia de Jewel Changi Airport
O Safdie Architects é um escritório de arquitetura e desenho urbano focado em pesquisa, atuando em uma ampla variedade de tipologias, escalas e setores. A prática global do escritório é coordenada a partir de sua sede em Boston, Massachusetts, contando também com escritórios satélites em Jerusalém, Xangai e Singapura. Os projetos são concebidos, gerenciados e executados por uma equipe global de cerca de 65 pessoas! O escritório é estruturado como uma sociedade e opera sob o modelo de um estúdio de design intimista. A sociedade do escritório – na qual muitos membros ingressaram logo após a graduação – trabalha em conjunto há décadas.
O hotel de luxo, como tipologia arquitetônica, é singular. Com efeito, trata-se de uma comunidade autossuficiente, um edifício que submerge o/a visitante abastado/a em seu contexto local. Ainda que possam ser comunidades fechadas em si mesmas, esses hotéis também são receptáculos do caráter socioeconômico mais amplo de um lugar, onde a vida de luxo frequentemente convive lado a lado com assentamentos informais, nos exemplos mais extremos de desigualdade social.
Empresas de todos os portes, grandes ou pequenas, enfrentaram desafios sem precedentes nos últimos anos — no entanto, um dos desdobramentos positivos da pandemia global é a consolidação da ideia de que o trabalho pode ser realizado de qualquer lugar do mundo. Embora a dinâmica de trabalho tenha mudado, as expectativas continuam as mesmas. As equipes precisam atuar com a mesma rapidez, eficiência e segurança de quando compartilhavam o mesmo espaço físico. Cabe agora ao setor de TI responder a esse desafio com soluções adequadas para atender às novas demandas de uma força de trabalho híbrida. O trabalho remoto — e a colaboração remota — vieram para ficar.
Cortesía de Alejandro Merino Guerrero, Gianella S. Díaz Castañeda
No âmbito do projeto "Preparação inclusiva, resposta eficaz: Fortalecimento dos sistemas comunitários de preparação e proteção contra desastres por meio de uma abordagem inclusiva e de gênero, das comunidades da região de Cantagallo em Lima", desenvolvido pelo consórcio composto pela Plan International, COOPI - Cooperazione Internazionale e Humanity Inclusion, o escritório Arquitectura del Medio de Alejandro Merino e Gianella Díaz busca implementar uma obra demonstrativa na Comunidade Shipibo Konibo de Cantagallo, no distrito do Rímac, Lima, considerando aspectos ambientais e o potencial de replicabilidade.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135248/conibox-modulo-habitacional-em-contexto-de-emergencia-para-a-comunidade-shipibo-konibo-em-limaDiego Vivas
Qual é o estilo deste edifício? Esta é uma pergunta inicial comum que as pessoas fazem para saber mais sobre uma edificação. Para arquitetos e arquitetas, contudo, esse parece um ponto de partida inadequado, e a pergunta inicial pode soar ingênua e trivial. Essa disparidade de atenção dada ao estilo de uma edificação gera um impasse entre o público geral — que deseja compreender o ambiente construído — e os profissionais da arquitetura, ávidos por compartilhar as nuances de sua disciplina.
Profissionais de arquitetura buscam constantemente estratégias projetuais que visam selecionar os melhores produtos para criar atmosferas marcantes em seus projetos. As soluções adotadas nos projetos, especialmente em interiores, são fortemente influenciadas por tendências que refletem o que a sociedade mais valoriza em cada momento. Mas como os interiores estão sendo projetados hoje em dia? Com foco em ambientes naturais e na interação com seu contexto, a arquitetura prioriza materiais e texturas locais, luz natural e o uso de mobiliário minimalista que permite a continuidade espacial.
Abaixo, apresentamos uma seleção de projetos inspiradores que, utilizando produtos de marcas espanholas, demonstram essas tendências contemporâneas, desde o uso de materiais naturais até a maximização da luz natural.
Luminárias de teto pendentes Calla. Imagem cortesia de Cocoweb
Caracterizada por uma estrutura simples e telhado de duas águas, a tipologia tradicional de celeiro responde à sua função original: abrigar produtos agrícolas e gado. Nos últimos anos, no entanto, a estética dos celeiros evoluiu drasticamente, despertando o interesse de designers por seu charme rústico duradouro, forma minimalista, ornamentação refinada e modularidade — qualidades que há muito a tornam popular em refúgios de campo. Reinterpretada para se adequar a um estilo contemporâneo, essa tipologia vintage conquistou projetos modernos que buscam oferecer um refúgio da realidade densa e acelerada da vida urbana. Ao reformar fazendas históricas ou construir novas residências projetadas para se assemelharem a celeiros, arquitetos e arquitetas têm se inspirado nas origens industriais das instalações agrícolas tradicionais, mas com um toque moderno.
A seleção curada desta semana de Melhor Arquitetura Não Construída destaca projetos educacionais e culturais enviados pela comunidade do ArchDaily. A partir de exemplos de diversas partes do mundo, o artigo explora como esses espaços de conhecimento e descoberta são projetados para inspirar e informar.
Com um museu monolítico em Portugal, um centro de patrimônio digital com fachada de mídia na Coreia e um centro de pesquisa em mobilidade na Turquia, esta seleção abrange vários tipos de espaços educacionais e culturais, bem como diferentes abordagens em relação ao ambiente construído ou natural. Os projetos a seguir revelam as ideias que moldam os espaços de conhecimento em diferentes contextos, ilustrando diversas abordagens sobre o que constitui uma instituição cultural.
Casa Moderna - De Aya: Life in Yop City por Marguerite Abouet e Clément Oubrerie, traduzido por Helge Dasche. Imagem cortesia de Drawn & Quarterly
As tiras de quadrinhos, a bande dessinée, a graphic novel. Todas fazem parte de um meio com uma conexão intrínseca com a narrativa arquitetônica. Trata-se de um meio que há muito tempo é utilizado para fantasiar e especular sobre possíveis futuros arquitetônicos ou, em um contexto menos espetacular, usado simplesmente como um recurso para mostrar o percurso em perspectiva por um projeto de arquitetura. No entanto, quando os quadrinhos mesclam ficção e imaginação arquitetônica, não ocorre apenas a especulação sobre cenários futuros. Há também o registro e a crítica das condições urbanas de nossas cidades contemporâneas ou do passado.
As escadas costumam ser um elemento inevitável no DNA de uma edificação. Hoje em dia, elas não apenas cumprem uma função prática, mas também se tornaram verdadeiros elementos de destaque, especialmente quando combinadas com uma cor que certamente atrairá olhares. Entre as cores quentes, o vermelho é considerado a mais poderosa. Se, por um lado, evoca sensações de alegria e energia, por outro, remete a alerta e perigo. O vermelho é capaz de estimular uma ampla gama de emoções e, por isso, seu uso deve ser cuidadoso, delicado e bem planejado.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily que dialogam diretamente com seus contextos locais, oferecendo espaços seguros para grupos vulneráveis e em situação de risco. De um santuário para meninas desabrigadas no Iraque a um projeto de habitação social no primeiro arranha-céu de Praga, esta seleção reúne propostas focadas nas pessoas, em suas necessidades e aspirações. Muitos desses projetos utilizam materiais locais, como tijolos de argila, para reduzir os custos de construção. Além disso, propõem a reutilização de edifícios existentes e buscam engajar a comunidade local tanto na construção quanto na apropriação dos espaços propostos.
Continue lendo para conhecer 10 projetos com engajamento social, acompanhados de suas descrições enviadas pelas equipes de arquitetura.
Com base em três eixos principais — "a cidade europeia: um modelo de cidade inteligente e sustentável", "a definição de uma cultura europeia comum que reflita a diversidade de expressão" e "uma arquitetura que gere impacto social e transmita uma mensagem cultural" —, agrupamos os projetos selecionados pelo júri (composto por Tatiana Bilbao, Francesca Ferguson, Mia Hägg, Triin Ojari, Georg Pendl, Spiros Pengas e Marcel Smets) para oferecer um panorama mais claro dos critérios de seleção e do cenário arquitetônico na Europa.
“Historia de las villas en la ciudad de Buenos Aires. De los orígenes hasta nuestros días” é o livro de Valeria Snitcofsky que reconstrói os antecedentes históricos das villas na cidade de Buenos Aires. Fruto de uma pesquisa iniciada em 2003, cujos avanços se materializaram em uma monografia de graduação e em uma tese de doutorado, a obra propõe um percurso que se inicia no final do século XIX. O trabalho se alinha ao objetivo da Fundación Tejido Urbano, focado em promover a pesquisa e a produção de conhecimento sobre a problemática do hábitat e da habitação.
Movimentos artísticos históricos e suas características visuais pavimentaram consideravelmente o caminho para a arquitetura moderna. Ao longo dos anos, arquitetos e arquitetas vêm adotando técnicas e abordagens estilísticas para criar suas próprias composições, fundindo ambas as disciplinas. O cubismo, um dos estilos mais influentes do século XX, e bastante criticado por sua experimentação com uma abordagem artística não representacional, é talvez a inspiração arquitetônica mais significativa. Assim como esse movimento artístico radical rejeitou o conceito então enraizado de que a arte deveria imitar a natureza, profissionais da arquitetura também seguiram essa tendência, projetando estruturas que se apropriaram das características vanguardistas do cubismo para criar edifícios que, até hoje, permanecem como marcos icônicos da profissão.
Mobiliário interno nos escritórios da Coromandel | Andreu World. Imagem cortesia de Andreu World
Contar com um espaço físico de trabalho traz inúmeros benefícios intrínsecos, como reunir as equipes em um ambiente colaborativo e oferecer às empresas a oportunidade de consolidar sua cultura e identidade. No entanto, com a ascensão do trabalho híbrido e remoto no início da pandemia, muitos se questionaram se isso significaria o fim do escritório físico. Hoje, decorridos dois anos, a tendência se mostra evidente: em vez de serem completamente substituídos pelo modelo remoto, os escritórios físicos foram adaptados por muitas empresas para atender às novas necessidades de seus colaboradores e colaboradoras. A opção tem sido por espaços integrados, confortáveis e flexíveis que estimulam a criatividade, a colaboração e a produtividade.
Trata-se de um componente essencial do processo de projeto, no qual as ideações espaciais são traduzidas em forma construída – o desenvolvimento do protótipo. Projetos de arquitetura, ao longo da história e na prática contemporânea, recorrem a protótipos para realizar testes técnicos e estéticos, permitindo compreender melhor a integridade da proposta. É a fronteira difusa entre o experimental e o prático.
Em março de 2021, a ACO e a AIT-Dialog lançaram com sucesso um tour virtual pelos sete continentes do mundo, convidando arquitetos/as, urbanistas, engenheiros/as e arquitetos/as paisagistas a fazerem parte do "beyond.aco | architecture across continents". Agora, a jornada continua: participe do próximo evento ao vivo em 8 de novembro de 2022 e assista a palestras inspiradoras de palestrantes internacionais.
Jim Polshek, que faleceu aos 92 anos na semana passada, foi um premiado arquiteto (Medalha de Ouro do AIA, 2018), designer, defensor público e educador (diretor da faculdade de arquitetura de Columbia de 1973 a 1987). Nascido em Akron, Ohio, no Meio-Oeste americano, ele abriu seu próprio escritório em 1963, fundando o James Stewart Polshek Architects. Com o tempo, o escritório ganhou reconhecimento internacional como Polshek Partnership Architects. Em 2010, os sócios rebatizaram a empresa como Ennead Architects, na qual ele continuou atuando como consultor de projeto.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135301/james-stewart-polshek-reflexoes-sobre-uma-vida-na-arquiteturaMichael J. Crosbie
Realidades Alternativas | AR 2022. Imagem cortesia de Charette _ Por Lau Yee Mu, Ang Hui Yi, Melissa Ho Er Shwen _ Chia Hui Yen - Primeiro Prêmio
Além de diversos outros fatores fundamentais, o sucesso de um projeto de arquitetura depende muito de como ele é comunicado a seus/suas usuários/as e construtores/as. A maioria dos/as arquitetos/as opta por renderizações realistas geradas por computador para apresentar seus projetos, enquanto outros/as preferem explorar diferentes técnicas, traduzindo suas narrativas arquitetônicas por meio de colagens de fotos, esboços, animações, modelos em miniatura hiper-realistas, passeios virtuais, diagramas e, ocasionalmente, roteiros.
A seleção com curadoria desta semana de Melhor Arquitetura Não Construída destaca projetos enviados pela comunidade do ArchDaily que são apresentados por meio de diferentes mídias. De um esboço feito à mão para uma requalificação costeira na Noruega a uma composição abstrata de fotografia e desenhos arquitetônicos na Polônia, esta seleção de projetos não construídos apresenta diversas tipologias arquitetônicas e suas visualizações singulares. O artigo também inclui projetos dos Países Baixos, Hungria, Polônia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão.
No início dos anos 1980, quando assisti pela primeira vez ao filme The Social Life of Small Urban Spaces e, logo depois, li o livro, ambos de autoria de William H. Whyte, aquilo me fascinou. Eu já conhecia Holly — como era carinhosamente chamado — desde a minha época de repórter no New York Post nos anos 1970, e costumávamos ter ótimas conversas sobre a cidade de Nova York, os erros cometidos por planejadores/as urbanos/as e o descaso de incorporadores/as imobiliários/as. Nos anos 1980, eu já trabalhava em meu primeiro livro, The Living City: Thinking Small in a Big Way, e conversava frequentemente com Jane Jacobs, que viria a se tornar uma grande amiga e mentora. Jacobs validava os pequenos esforços comunitários de base (de baixo para cima) em Nova York que eu vinha observando e que seriam os estopins — tantas vezes ignorados — para impulsionar o lento e constante renascimento da cidade. Minhas observações eram categoricamente rejeitadas — e até ridicularizadas — por profissionais de planejamento e de desenho urbano, mas foram celebradas e incentivadas tanto por Whyte quanto por Jacobs, e hoje fazem parte do consenso geral.
Finanças bem gerenciadas podem ser o caminho para o sucesso de um escritório, mas, se não forem mantidas sob controle, rapidamente se transformam em um assassino silencioso. Por quê? Como nós, arquitetos/as, não recebemos muita formação em negócios na faculdade, um dos problemas mais comuns acaba sendo a má gestão financeira.