
As tiras de quadrinhos, a bande dessinée, a graphic novel. Todas fazem parte de um meio com uma conexão intrínseca com a narrativa arquitetônica. Trata-se de um meio que há muito tempo é utilizado para fantasiar e especular sobre possíveis futuros arquitetônicos ou, em um contexto menos espetacular, usado simplesmente como um recurso para mostrar o percurso em perspectiva por um projeto de arquitetura. No entanto, quando os quadrinhos mesclam ficção e imaginação arquitetônica, não ocorre apenas a especulação sobre cenários futuros. Há também o registro e a crítica das condições urbanas de nossas cidades contemporâneas ou do passado.
Les Cités Obscures – a saga franco-belga de graphic novels – enquadra-se na primeira categoria de especulação arquitetônica. Trata-se de uma série de fantasia e ficção científica ambientada em um mundo onde os seres humanos vivem em cidades-estado independentes, cada uma caracterizada por um estilo arquitetônico próprio. Por outro lado, duas graphic novels especulam sobre passados arquitetônicos: Berlin, de Jason Lutes, e Aya: Life in Yop City, de Marguerite Abouet e Clément Oubrerie. A arquitetura nessas histórias está longe de ser o elemento mais importante de suas narrativas. Ainda assim, ela surge como um tema de destaque na maneira como as personagens navegam pelos mundos em que vivem e como, na posição de testemunhas, assistem à evolução de suas cidades ao longo do tempo.













