A 18ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, inaugurada em 20 de maio, está sendo uma verdadeira materialização do tema O laboratório do futuro, definido por Lesley Lokko. A curadora convidou "arquitetos e profissionais de um campo ampliado de disciplinas criativas a buscarem exemplos nas práticas contemporâneas que apresentem um caminho para que o público avance, imaginando eles mesmos o que o futuro pode trazer".
O Pavilhão do Chile, com a curadoria de Gonzalo Carrasco, Alejandro Beals e Loreto Lyon (Beals Lyon Arquitectos), explorou o tema Ecologias em Movimento. A exposição apresenta os desafios atuais acerca da reparação e restauração ecológica com o estudo dos processos de recuperação do solo com sementes endêmicas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1003257/ecologias-em-movimento-o-futuro-nao-sera-apenas-construido-sera-semeado-e-plantadoArchDaily Team
Por mais que eu seja crítico ao impacto dos shopping centers na vida urbana paulistana, ainda não consigo evitá-los completamente. Seja porque tenho pouco tempo, mas preciso passar no supermercado e também comprar um presente de aniversário; seja porque o filme que quero ver só está sendo exibido naquele horário e naquele shopping; seja porque meus filhos adoram o espaço de brincar no terraço do Shopping Pátio Higienópolis e, como preciso mesmo comprar um tênis novo, acabamos indo lá.
https://www.archdaily.com.br/pt/1003394/quanta-gente-quanta-alegria-o-papel-dos-shopping-centers-na-vida-urbanaVitor Meira França
Solução de Material com Baixo Carbono - ECOPlanet. Imagem Cortesia de Holcim
Cidades são definidas como áreas geográficas densamente povoadas, caracterizadas pelo desenvolvimento urbano. Elas funcionam como centros econômicos, políticos e culturais, oferecendo diversos serviços, infraestrutura e oportunidades. No entanto, o adensamento urbano frequentemente é associado a aspectos negativos, tais como problemas de saúde, poluição e desigualdades sociais. Países como a Índia e a China, com suas populações massivas que ultrapassam a marca dos bilhões, enfrentam uma demanda significativa por serviços e moradia.
Pesquisas recentes, incluindo estudos de instituições como a Berkeley Cool Climate Network, trouxeram uma mudança de paradigma na percepção do adensamento urbano. Essa mudança visa reduzir a pegada de carbono das cidades e apoiar esforços colaborativos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O adensamento é proposto como uma estratégia crucial para promover a prosperidade social, o bem-estar e o combate às mudanças climáticas. Diante disso, surge uma questão relevante: como podemos viabilizar o adensamento de forma eficaz e, ao mesmo tempo, enfrentar o aquecimento global? Empresas como a Holcim têm respondido a esse desafio desenvolvendo soluções construtivas sustentáveis e promovendo discussões produtivas com profissionais de arquitetura, como Shajay Bhooshan, diretor associado na Zaha Hadid Architects. Essas colaborações trazem reflexões valiosas sobre o conceito de adensamento urbano como um catalisador para a ação climática.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138527/repensando-o-desenvolvimento-urbano-adensando-as-cidades-para-uma-acao-climatica-aceleradaEnrique Tovar
Imagem de termovisão infravermelha que mostra a falta de isolamento térmico. Imagem via Ivan Smuk / Shutterstock
Como tem sido amplamente divulgado, o setor de edificações em escala global é responsável por 36% do consumo de energia final (Global ABC, 2022) — em seu ciclo completo, isto é, desde a extração de materiais até o fim de sua vida útil. No entanto, o mais relevante é que a energia consumida na operação desses edifícios equivale a mais de 80% do total do ciclo de vida da edificação. Além disso, sabe-se que 66% dessa energia é consumida principalmente em climatização [1].
Nesse contexto, uma série de medidas tem sido promovida globalmente para reduzir o consumo de energia na operação de edifícios, tais como a melhoria do isolamento térmico das envoltórias, as proteções solares, a incorporação de energias renováveis, a substituição de equipamentos por outros mais eficientes, entre outras.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138248/relevancia-e-calculo-da-demanda-energetica-de-edificiosPaola Valencia M.
A sensibilidade na escolha de novos escritórios e a atenção à acessibilidade e sustentabilidade por si só colocam as últimas edições da CASACOR na rota dos eventos de arquitetura que deveriam ser acompanhados com atenção. No entanto, o tema deste ano “Corpo & Morada” dá um passo além, e indica como o evento tem se mantido atento aos temas emergentes e instigantes da profissão.
Imagem criada no DALL-E por Lucas Reitz sob o prompt: "an illustration of shopping mall sitting and waiting areas with couches and arm chair only occupied by white middle class men"
O espaço como adjacência de gênero e a dimensão espacial da sexualidade são temas recentes no campo da arquitetura. O caso do banheiro como dispositivo regulador de gênero, tem sido uma temática constantemente discutida, tanto dentro das pautas LGBTQIA+, de uma forma mais ampla, quanto nas intersecções da teoria queer na arquitetura.
A água, e suas conotações religiosas enquanto símbolo de purificação e vida, tem um significado enorme em muitas culturas. Mas em nenhum outro lugar esse respeito pela água é mais evidente do que na Índia, um país que reverencia seus rios como sagrados. Os corpos d'água servem como testemunho da veneração e uso da água em rituais religiosos, incorporando o patrimônio cultural como espaços públicos, locais de rituais e locais de cremação. Central para a vida diária na Índia, a água e a arquitetura aquática entrelaçam a espiritualidade e as tradições culturais, oferecendo um vislumbre das ricas tradições das comunidades.
Quando se fala de arquitetura, inevitavelmente, fala-se em escala. Tanto para a representação gráfica e bidimensional, quanto para a área construída, tamanho do terreno, extensão da cidade. Normalmente, a arquitetura pretende-se uma disciplina grandiosa, construções robustas, metragens quadradas amplas. Mas amplo é o campo de atuação, que engloba as escalas "menores": a habitação essencial, o terreno restrito, a pequena cidade.
Gênova, Itália. Criado por @dailyoverview. Fonte da imagem: @maxartechnologies
A instalação de portos marítimos comerciais em diversos locais ao redor do mundo, sobretudo no início do processo que hoje chamamos de globalização, foi um fator preponderante e estruturador para a fundação de inúmeras cidades. Assim, abordar a relação entre certas cidades e seus portos é também discutir sobre sua própria história, conformação e desenvolvimento ao longo do tempo, uma vez que essas áreas desempenharam um papel fundamental para o crescimento do comércio, da economia e, inevitavelmente, da própria vida urbana, fazendo dessas cidades centros vitais e estratégicos de intercâmbio cultural, comercial e social.
O Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais do campo criativo em conversas espontâneas que dão espaço a análises profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e projetos, ou explorações informais sobre a vida cotidiana e o design. O Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Nesta semana, David e Marina, da FAME Architecture & Design, recebem Denise Scott Brown — arquiteta, urbanista, teórica, escritora e educadora — para conversar sobre sua trajetória e criação na África do Sul; seus primeiros passos na arquitetura; suas viagens pelo mundo; o impacto da docência em sua vida e carreira; as reformas na National Gallery e em outros de seus projetos; e muito mais!
A água e a arquitetura estão intimamente relacionadas no projeto de residências, desde o aspecto funcional até o estético. A melhor opção é levar isso em conta desde o início do processo de projeto, pois a implementação de tecnologias e sistemas adequados definirá o consumo desse recurso. Hoje em dia, é nossa responsabilidade como profissionais pensar em como podemos reduzir o consumo e reciclar a água em nossas próprias casas. Há várias maneiras de atender a essas necessidades, incluindo a instalação de dispositivos de baixo fluxo em torneiras e chuveiros, vasos sanitários com descarga de vazão baixa e alta, e sistemas de irrigação eficientes para o paisagismo. Além disso, sistemas de coleta e reutilização de água da chuva podem ser implementados para irrigação e limpeza.
Ainda que os experimentos e observações de Isaac Newton tenham levado ao desenvolvimento da roda de cores durante o século 17, sua revolução na compreensão e aplicação das cores continua a influenciar a criação de projetos de arquitetura e design até hoje. Arranjando-as em um formato circular, Newton mapeou o espectro de cores, que é uma representação visual de como cada uma se relaciona com as outras. A roda de cores tornou-se uma ferramenta fundamental para artistas, arquitetos e designers entenderem as relações e, portanto, criarem paletas atraentes para os projetos. Além de apenas "observar" as combinações de cores, aplicar a teoria da cor com base nas relações geométricas na roda de cores ajuda os designers a determinar quais cores são adequadas juntas. Cores têm a capacidade de brincar com a percepção espacial, criar um senso de atmosfera e evocar respostas emocionais, tornando-se essencial para o design.
Ao explorar as múltiplas possibilidades da roda de cores, criamos um guia para melhorar o design arquitetônico por meio de três combinações de cores: monocromáticos, análogos e complementares.
Hoje, passamos mais de 90% do nosso tempo dentro de edifícios. Agora também sabemos que nosso cérebro e corpo são influenciados pelo contato com a arquitetura, e o interesse em entender o impacto do meio ambiente no bem-estar humano é crescente. Há diversos novos estudos sobre este tema lançados a cada ano, e os escritórios de arquitetura estão empregando cada vez mais os serviços de pesquisadores e consultores de design da experiência humana.
Quando se pensa em espaços públicos, a imagem de uma piscina raramente vem à mente. Espaços públicos são o centro da vida cívica, lugares onde a maioria das interações, atividades e comportamentos seguem normas sociais e culturais estritas para garantir a segurança e o conforto de todos os usuários. Em contraste, nadar e tomar banho representam algo mais íntimo e primordial, uma experiência sensorial distinta de qualquer outra. Além dos benefícios para a saúde, o ato de flutuar no espaço cria uma ruptura com a vida cotidiana e suas restrições.
Como espaços sociais, banhos públicos e piscinas oferecem uma experiência ainda mais incomum. Aqui, regras e normas de conduta usuais não se aplicam mais. A nudez social se torna a nova norma e, à medida que as pessoas se despem, elas também perdem seus marcos de status, transformando a piscina em um oásis igualitário. Ao longo da história, esses espaços muitas vezes desacreditados ofereceram uma experiência social intensificada, fomentando conexões e trazendo um novo elemento a ambientes urbanos densos. Como uma tipologia presente desde a antiguidade, banhos públicos e piscinas também foram um espaço disputado, como uma manifestação de tópicos difíceis, como a segregação de gênero e raça, gentrificação e vigilância em contraste com a liberdade que prometem.
Proposal Comparison, Autodesk Forma. Image Courtesy of Autodesk
A profissão de arquiteto enfrenta cada vez mais as pressões de uma era em rápida mudança marcada pela urbanização, crescimento populacional e mudanças climáticas. Para navegar efetivamente nas complexidades que envolvem projetos arquitetônicos e urbanos, tem havido uma aceleração na adoção e integração de tecnologias orientadas por dados, como a Inteligência Artificial (IA) e o aprendizado de máquina. No entanto, surgiram preocupações válidas sobre a possível perda de controle criativo do designer, com medo de que seu papel possa ser reduzido a um mero "ajustador de parâmetros". Isso é uma possibilidade genuína ou apenas um reflexo de resistência à mudança?
Em uma conversa com Carl Christensen, Vice-Presidente de Produto da Autodesk, exploramos o impacto da IA sobre o papel tradicional do arquiteto e as oportunidades que surgem com esses avanços tecnológicos. À medida que os paradigmas mudam, os arquitetos e designers com visão de futuro podem se sentir especialmente capacitados para expandir sua influência e moldar um novo futuro para a disciplina.
A Yonge and Dundas Square de Toronto, repleta de painéis digitais, pertence ao município, mas é gerida por meio de uma parceria público-privada. Embora abrigue primordialmente conteúdos e atividades comerciais, os espaços e as telas da praça são frequentemente utilizados para eventos culturais e manifestações artísticas. À medida que cidades, organizações artísticas, governos e corporações buscam, cada vez mais, engajar as pessoas nos espaços públicos por meio da combinação de mídia e arquitetura, quais são as possibilidades e os riscos associados a essas abordagens, tanto individualmente quanto em conjunto? De que maneira a arquitetura de mídia articula interesses e impactos cívicos, criativos e comerciais?
Cairo, a vibrante capital do Egito, é uma síntese única de arquitetura histórica e contemporânea. Uma das cidades mais populosas da África, essa aglomeração urbana movimentada possui uma longa e rica história e abriga quase 20 milhões de pessoas. Além das famosas Pirâmides de Gizé e da Esfinge, que atraem turistas há séculos, a cidade tem sido um caldeirão de culturas, histórias e arquiteturas.
A cidade do Cairo passou por várias eras, cada uma caracterizada por estilos arquitetônicos únicos. Após os antigos egípcios, o período islâmico viu o surgimento de prédios icônicos, como a Mesquita de Ibn Tulun e a Mesquita do Sultão Hassan. Esses foram seguidos pelo período mameluco, durante o qual foram construídas estruturas como a Mesquita Al Rifai e a Mesquita Madraça do Sultão Barquq, com belíssimos entalhes em pedra, minaretes imponentes e motivos decorativos complexos. A era otomana trouxe seus próprios marcos, incluindo a Mesquita de Muhammad Ali e a Cidadela de AlQalaa. No final do século XIX e no século XX, Cairo testemunhou uma influência colonial que resultou na construção de estruturas notáveis, como a Ópera do Cairo e a Torre do Cairo.
O Plano de Implementação para a Construção do Sistema Nacional de Educação para o Desenvolvimento Verde e de Baixo Carbono na China estabelece claramente que o desenvolvimento verde e de baixo carbono deve ser integrado como uma meta na construção de campi. Produtos tecnológicos inovadores de economia de energia e redução de emissões têm prioridade nas obras escolares, a fim de orientar docentes e estudantes do sistema educacional a consolidarem o conceito de desenvolvimento verde e de baixo carbono, estabelecendo bases ideológicas e operacionais sólidas para atingir as metas de pico de emissões e neutralidade de carbono.
Ano após ano, organizações, autoridades governamentais e outras entidades em todo o mundo enfrentam o desafio de implementar regulamentações e medidas para lidar com a escassez de água: até o ano de 2017, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 3 em cada 10 pessoas não tinham acesso a água potável em casa, enquanto 6 em cada 10 também não tinham acesso a saneamento básico.
Rio Tietê, São Paulo. Foto de Ana Paula Hirama, via Flickr. Licença CC BY-SA 2.0
Nadar no Tietê. Embora muita gente tenha feito isso até os anos 1930 — quando o rio já estava poluído, mas muito menos que agora, e havia competições de natação e remo até no trecho dentro da capital paulista —, ninguém acredita que isso será possível nos próximos anos. Limpar o rio, porém, é uma ambição factível; desde que se entenda que há várias gradações dentro da categoria “limpo”.
https://www.archdaily.com.br/pt/1003270/limpar-o-rio-tiete-e-possivel-ou-uma-utopiaDavid A. Cohen
Sayulita é uma pequena praia de Nayarit, um estado situado na região oeste do México. Trata-se de uma localidade de cerca de 3.390 habitantes que tem crescido significativamente na última década devido ao grande fluxo de turistas, principalmente dos Estados Unidos e Canadá, que são atraídos pelas paisagens e pelo mar agitado que faz de Sayulita um dos principais destinos para surfistas no México.
A Índia testemunhou um aumento na urbanização e no crescimento populacional nas últimas décadas. Como resultado do crescimento natural da população e da migração, as megacidades da Índia experimentaram um aumento contínuo de seus habitantes. Sendo o país mais populoso do mundo, a Índia está em uma encruzilhada crítica, enfrentando oportunidades e desafios na formação de seu ambiente construído. O boom populacional, no entanto, não é um problema recente. Ele já dura mais de um século. Como as cidades indianas têm lidado com o crescimento populacional e as complexidades que ele traz?
Do ponto de vista projetual, a integração e a conexão dos diferentes espaços das moradias vêm protagonizando a cena arquitetônica contemporânea, impulsionadas pela necessidade de obter o máximo aproveitamento possível em ambientes cada vez mais reduzidos. Sem paredes divisórias ou fechamentos e aplicando diferentes materiais em pisos, equipamentos e instalações, os banheiros costumam se integrar aos dormitórios, proporcionando uma sensação de amplitude em harmonia com o design de interiores definido para esses espaços.
Standard, esboços de projeto. Francesco Binfaré, 2012. Imagem cortesia de Edra
Os primeiros vestígios de mobiliário na sociedade remontam à Quarta Dinastia do Egito, com a descoberta da poltrona da rainha Hetepheres I (cerca de 2600 a.C.). Esta peça representou um marco significativo na história do mobiliário. Não por acaso, portanto, a cronologia do mobiliário se entrelaça com as expressões arquitetônicas, pictóricas e escultóricas de cada época, nas quais esses elementos frequentemente atuam como testemunhas e, em casos excepcionais, como protagonistas na história da arte e do design.
O mobiliário é composto por objetos cotidianos projetados para atender a necessidades específicas do nosso dia a dia. No entanto, por vezes, essas peças transcendem sua função prática e assumem uma presença autônoma. Um móvel não tem propósito mais nobre do que sua interação com o ser humano; portanto, separar esses objetos de sua dimensão utilitária torna-se um ato de ruptura. Diante disso, designers como Francesco Binfaré descrevem os sofás como “o objeto mais misterioso entre os móveis que povoam o universo do design de interiores”. Nesse contexto, a Edra cria objetos únicos que fundem arte e produção industrial, refletindo paisagens domésticas contemporâneas e experimentando novas formas e materiais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138382/o-renascimento-do-sofa-inovacoes-formas-atipicas-e-antropometriaEnrique Tovar