Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. Foto de Murilo Abreu, via Flickr. Licença CC-BY-2.0
O objetivo deste texto é ampliar o relevante debate proposto no artigo de Marília Matoso, com o título É preciso repensar os cursos de arquitetura, publicado no ArchDaily em janeiro de 2023. De fato, repensar os cursos de arquitetura é uma tarefa não só necessária como também urgente. Contudo, acredito que essa discussão é indissociável dos debates sobre a profissão e o modo como formamos. Para além de tentar construir respostas, considero importante trazer mais perguntas que contribuam com a reflexão coletiva.
Nas últimas duas décadas, o alcance do transporte público e a quantidade de passageiros em uma das maiores cidades do mundo, São Paulo, aumentaram, diminuindo a porcentagem de viagens realizadas por automóvel. Apesar disso, e apesar das restrições excepcionalmente rígidas a certos carros e caminhões durante o horário comercial, o congestionamento, conforme entendido convencionalmente, continua quase inabalável.
https://www.archdaily.com.br/pt/995702/sao-paulo-precisa-de-uma-taxa-de-congestionamentoStephen H. Graham
“Não sou arquiteto”, diz com brilho nos olhos, “sou apenas uma pessoa em busca de seu destino”. Para o falecido pioneiro do modernismo indiano, Balkrishna Vithaldas Doshi, a arquitetura é uma prática de autodescoberta. As obras brilhantes de funcionalidade poética do veterano resultaram de uma filosofia humanista com influência dos princípios modernistas, de Mahatma Gandhi e textos espirituais indianos. Doshi acreditava que arquitetura era sinônimo de vida — um veículo para celebração constante; um meio para experiências intensificadas. Sua maior contribuição para a comunidade arquitetônica foram suas poderosas palavras que ecoam a atemporalidade de suas estruturas.
No dia 24 de janeiro foi celebrada a quinta edição do Dia Internacional da Educação com o lema “Invista nas pessoas, priorize a educação”. Proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a celebração promove forte mobilização política buscando traçar o caminho e acelerar o progresso rumo ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4: Educação de Qualidade.
Um tópico amplamente discutido, a economia circular abrange todo o sistema de produção e consumo que busca a reutilização dos materiais existentes o maior tempo possível. No entanto, como esse conceito abrange arquitetura, design e sua estética? Juntando-se à mudança em direção a um futuro circular, a arquitetura está descobrindo como as operações circulares e a reutilização de materiais podem resultar em novas estéticas, bem como em uma melhoria geral de seu impacto ambiental.
Aprendendo como a circularidade (e a reutilização dos materiais) cria uma estética distinta, o artigo a seguir analisa a maneira como os projetos estão reinterpretando seu processo de design ao longo de três estratégias: arquitetura destacável, rusticidade e maleabilidade.
Tecnólogos ambiciosos afirmam há décadas que os carros autônomos são o futuro. No entanto, nos últimos anos, a maior revolução veio dos veículos de duas rodas, não de quatro. Alimentados pela pandemia, aumento dos preços do petróleo, mudanças climáticas e o desejo de estilos de vida mais saudáveis, vivemos agora no meio de um renascimento da bicicleta. Mas para entender como chegamos até aqui, é fundamental olhar para trás. Quando o automóvel foi difundido no início dos anos 1900, rapidamente se tornou um símbolo de progresso com tudo o que ele implicava: velocidade, privatização e segregação. Adotando uma abordagem centrada no carro, os urbanistas tiveram que reorganizar cidades inteiras para separar o tráfego. Os carros ocuparam os espaços públicos que costumavam abrigar a vida dinâmica da cidade e estacionamentos, rodovias e postos de gasolina tornaram-se paisagens comuns. Os pedestres que antes dominavam as ruas foram conduzidos para as calçadas e as crianças relegadas a playgrounds cercados. Ironicamente, as cidades estavam sendo projetadas para carros em vez de seres humanos.
Laboratórios do ITA. Fonte Brasil Constrói: digitalizado pela Hemeroteca da Biblioteca Nacional (BN)
Embora pouco conhecido, o Centro Técnico de Aeronáutica (CTA, atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) em São José dos Campos, pode ser considerado uma das maiores e mais relevantes obras do arquiteto Oscar Niemeyer anteriores a Brasília. Notadamente, é seu primeiro projeto executado em solo paulista.
Embora o processo de moldar o vidro seja lento e árduo, a humanidade usa o material há milhares de anos. De acordo com evidências arqueológicas, as primeiras ferramentas e joias de vidro feitas pelo homem foram produzidas na Mesopotâmia oriental e no Egito por volta de 3.500 a.C. Além disso, após a invenção do tubo de sopro, na Síria, no século I a.C., e a Revolução Industrial ocidental, que facilitaram sua produção em massa, traços característicos de transparência e durabilidade puderam finalmente ser aplicados em larga escala na arquitetura e no design.
Avançando para os dias atuais, o uso de vidro para fachadas e janelas de edifícios está bem documentado. Mas e quando estamos do lado de dentro? Ao tratar o vidro para diferentes níveis de transparência, posicionando-o de forma inteligente dentro de uma sala ou utilizando sua superfície reflexiva, os interiores podem se beneficiar do material tanto quanto os exteriores.
Cerca de 50 anos atrás, o renomado arquiteto, educador e autor Charles Moore foi contratado por Frederick e Dorothy Rudolph para projetar uma casa de veraneio em Captiva Island, Flórida, e cerca de uma década depois, no final dos anos 1970, eles o contrataram novamente para projetar sua residência permanente em Williamstown, Massachusetts.
Moore era chamado de pai do pós-modernismo e foi um proponente prolífico em livros como The Place of Houses. No entanto, exceto por suas pequenas casas, nunca fui um grande fã de seu trabalho. Mas ainda tenho uma cópia surrada desse livro, porque quando o li, foi a primeira vez que alguém articulou o processo de projetar uma casa, incluindo uma lista de verificação do programa a ser seguida.
As casas que Moore projetou para os Rudolphs eram exemplos clássicos do pós-modernismo, com referências históricas, detalhes caprichosos, cores vivas, espaços altos com clarabóia e locais de conexão.
No-Fines Concrete with Steel Slag Samples by L.Korat et al. (2015). Image via ResearchGate. Licensed Under CC BY-SA 3.0
A indústria da construção é uma das maiores do mundo, e o cimento e o concreto são literalmente os blocos de construção de seu sucesso. Evoluindo de cavernas pré-históricas para os arranha-céus de hoje, as estruturas de concreto têm e continuarão sendo componentes vitais da civilização moderna, fornecendo apoio confiável e duradouro a edifícios, estradas, pontes, túneis e barragens. É tanto que o concreto é o material mais consumido da Terra, perdendo apenas para a água, enquanto o aço usado para reforçar é de longe o metal mais usado. Mas isso não ocorre sem altos custos ambientais: o concreto é responsável por 8% das emissões globais de CO2, muitas das quais vêm da extração e transporte de materiais agregados, como areia, cascalho e pedra triturada.
A seleção de materiais para um projeto de arquitetura é uma forma de arte em si mesma. Da robustez da pedra à transparência do vidro, os materiais e suas qualidades únicas podem definir o tom, influenciar o humor e ditar a atmosfera de qualquer espaço interno. Eles têm o poder de transformar um cômodo frio e estéril em um santuário caloroso e acolhedor ou em um ambiente moderno e sofisticado. A funcionalidade e o conforto também estão intimamente ligados à escolha dos materiais; por exemplo, opções duráveis e de baixa manutenção, como o terrazzo, são ideais para áreas de tráfego intenso, enquanto a suavidade de um carpete ou tecido pode proporcionar uma sensação de aconchego em espaços de hotelaria.
No dia de hoje, 17 de fevereiro, é inaugurada a exposição "Transformación urbana. Sordo Madaleno Arquitectos" no Palacio de Cultura Citibanamex - Palacio de Iturbide, na Cidade do México, como parte de uma colaboração do Banco Nacional de México, por meio do Fomento Cultural Citibanamex, A. C., e da Fundación Sordo Madaleno A. C. A mostra é uma retrospectiva dos 85 anos do escritório que propõe uma narrativa composta por mais de 450 projetos, apresentando uma seleção de 62 obras arquitetônicas realizadas no México e no exterior, construídas para desempenhar diferentes funções.
Com 55% da população mundial vivendo em cidades, o conceito de economia circular está cada vez mais presente nas discussões sobre arquitetura e urbanismo. O objetivo da circularidade é reduzir o impacto ambiental do atual modelo de produção e consumo por meio do uso eficiente de recursos materiais e da redução de desperdícios. Mas, como essa ideia pode realmente ser aplicada às cidades?
Em setembro de 2022, Ricardo Carvalho e Leonardo Monastério publicaram o artigo FAR Regulations and the Spatial Size of Brazilian Cities. O trabalho, disponível no link acima, avalia a influência das restrições ao aproveitamento de terrenos sobre o crescimento da mancha urbana.
O termo FAR, ou floor area ratio, é conhecido no Brasil como coeficiente de aproveitamento máximo (CA máximo). Essa medida é a razão entre a área total que a lei permite construir em um terreno urbano e a área desse terreno. Assim, se um terreno de 200 m² tiver um CA máximo igual a 3, o edifício permitido para aquele local não poderá ter mais do que 600 m² de área construída.
O filósofo e sociólogo Henri Lefebvre cunhou a noção de "produção do espaço" em 1974, rompendo com a visão do espaço como um recipiente ou cenário de objetos e relações sociais, para avançar em direção ao espaço compreendido como processo. A partir dessa visão fundamentada na tradição marxista, o espaço é um produto e um produtor de relações e processos sociais.
Um dos objetos de decoração mais comuns nos projetos, os espelhos existem na humanidade desde a civilização Badariana, de cerca de 4.000 a.C. Com diversas transformações em seu material e forma de fabricação, hoje o espelho é um objeto de decoração e pode também servir à estratégia de projeto.
Com mais de 900 projetos em mais de 40 países, cada projeto projetado e construído pelo Zaha Hadid Architects impacta a narrativa da arquitetura contemporânea. No ArchDaily, sabemos que por trás de cada projeto de arquitetura existe uma equipe de profissionais que o torna realidade. Nesta edição do ArchDaily ProfessionalsEntrevistas em Vídeo, conversamos com Johannes Schafelner, que atua na diretoria associada do Zaha Hadid Architects, e Enrique Peiniger, que fundou o OVI-Office for Visual Interaction, sobre sua longeva colaboração em projetos que unem design e iluminação.
Dentro do escopo da construção, o orçamento, que é uma peça técnica utilizada para planejamento, prevê as despesas que ocorrerão na obra, unindo material, mão de obra, gastos mensais e custos indiretos. Ainda assim, muitos se arriscam a começar a construir sem um orçamento detalhado, caindo muitas vezes nos riscos de uma obra sem planejamento que sempre é mais cara e mais demorada do que o imaginado.
Para a construção civil, o orçamento é um documento que demonstra todos os serviços que serão executados durante a obra, somando os materiais que serão necessários com a mão de obra requerida. Além disso, o orçamento pode também considerar os custos mensais fixos da obra, como luz e energia ou ainda prever uma porcentagem extra para possíveis imponderáveis.
O escritório Verse Design (建言建筑) foi fundado em 2002 por um grupo de arquitetos/as com formação acadêmica nacional e internacional. Há mais de duas décadas, o Verse Design dedica-se a explorar e aprofundar-se em diversas escalas, desde o desenho urbano e projeto arquitetônico até o desenvolvimento comunitário e sistemas habitacionais. Com base em anos de prática, desenvolvemos uma lógica e um método de projeto sistemáticos e contínuos. Do planejamento estratégico ao desenho urbano, da concepção arquitetônica ao controle de detalhes, o "espírito artesanal" permeia todas as etapas de projeto do Verse Design. Somos obcecados pelo processo de identificar problemas, refinar soluções e executá-las, com um compromisso rigoroso em relação à viabilidade e ao nível de detalhamento e acabamento das obras. Vilas turísticas e de lazer, hotéis de veraneio, bem como infraestruturas culturais e de serviços comunitários, constituem os principais tipos de projetos desenvolvidos pelo escritório.
O Verse Design mantém uma estrutura de equipe enxuta e altamente qualificada, adotando um modelo de gestão horizontal que proporciona um ambiente de trabalho com grande autonomia para os/as profissionais. Aqui, você terá a oportunidade de participar de projetos multidimensionais em todas as suas etapas — desde o planejamento preliminar e desenho urbano até o projeto arquitetônico e o detalhamento executivo. Buscamos arquitetos/as talentosos/as e alinhados/as com a nossa visão para crescerem profissionalmente junto com o Verse Design.
Nosso escritório está localizado em um casarão histórico com jardim no cruzamento da Zhaojiabang Road com a Urumqi Road, em Xangai, a apenas 50 metros a pé da estação Zhaojiabang Road (linhas 7 e 9 do metrô), oferecendo excelente acessibilidade e um ambiente de trabalho confortável.
O laboratório multidisciplinar mexicano dérive LAB apresenta Calles compartidas (Ruas compartilhadas), um projeto com uma foco no desenho urbano que procura transformar espacialmente a rua de modo que ela seja regida por relações humanas para além do uso de dispositivos de controle de tráfego. Isto sugere que a rua não é apenas um espaço destinado ao transporte e à mobilidade, mas um espaço onde muitas outras atividades sociais, econômicas e culturais acontecem.
Como acontece todos os anos na Cidade do México, durante o mês de fevereiro é celebra a "Semana del Arte" com um programa que inclui uma série de eventos que procuram oferecer experiências em diferentes espaços, principalmente museus, centros culturais e galerias de arte. Este evento é importante porque tanto a cidade quanto estes locais se tornam palco para diferentes artistas contemporâneos que se reúnem para expor seus trabalhos e enriquecer o diálogo em torno da arte. É também um destino turístico que atrai colecionadores de todo o mundo.
Rutas Naturbanas (San José, Costa Rica. 2015 – 2020). Créditos: Fundación Rutas Naturbanas - Federico Cartín. Imagem Cortesia de Jeannette Sordi
Os corredores ecológicos, ou corredores de biodiversidade, são grandes porções de terra que recebem ações coordenadas, cujo objetivo é a proteção da diversidade biológica. Segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), eles envolvem o fortalecimento e a conexão de áreas protegidas dentro do corredor, incentivando usos de baixo impacto ao implementar uma alternativa mais abrangente, decentralizada e participativa de conservação.
Idealizado pela equipe pioneira de arquitetura do escritório Woods Bagot, o Sculptform Design Studio foi o vencedor do prestigiado prêmio Best Small Workplace Award no recente World Architecture Festival 2022. O espaço propõe uma experiência tátil imersiva e se tornou um ponto de encontro para o setor de arquitetura em geral. O projeto evoca os produtos sob medida em madeira e alumínio, o trabalho artesanal e o detalhamento personalizado pelos quais a marca é conhecida.
A Sculptform e o escritório Woods Bagot estabelecem um novo padrão para a reciprocidade que pode existir entre cliente e profissional de arquitetura, revelando o potencial ilimitado de uma equipe de projeto verdadeiramente imersa na materialidade. Ao diluir as fronteiras entre espaço comercial e instalação, o projeto constitui um excelente estudo de caso de "showroom funcional" (working showroom), demonstrando quão impactante o design pode ser quando a fabricação local e o trabalho artesanal de qualidade se unem.
“Bienvenidas las flores y los polinizadores” | Puerta de Leones del Bosque de Chapultepec | Primer Festival Flores y Jardines | 10 abril al 1 mayo 2017. Image Cortesía de coolhuntermx
Se há algo que caracteriza a flora mexicana é a sua beleza e as suas cores únicas, tão vivas e emblemáticas. A cultura mexicana e a dos povos originários são conhecidas mundialmente por sua maestria e pelo talento notável de artistas e comunidades artesanais.