Congresso Nacional. Foto de Mario Duran-Ortiz, via Flickr. Licença CC BY-SA 2.0
A partir do século XIX, com sua Revolução Industrial e emergência dos novos tempos da máquina, a crescente população e as demandas pelo espaço urbano cada vez mais pungentes, na Europa, emergem as primeiras reflexões sobre a cidade e, mais do que isso, inicia-se o processo de estruturação disciplinar do urbanismo como teoria e prática inerentes ao novo momento histórico que se consolidava, e que teria seu produto, em relação às cidades, como apanágio do século XX. Dentro dessa lógica disciplinar que se configurava a partir de uma demanda social, ou muitas vezes, uma demanda política vinculada a pretensões militaristas de ordem e controle urbano, o século XX foi palco de todo o desenrolar dessa sociedade industrial, que tinha a cidade como seu horizonte.
Em nosso contexto atual de crise ecológica, aquecimento global, perda de biodiversidade, crescimento da população humana e expansão urbana, precisamos repensar a forma como construímos e vivemos em nossa cidade. Temos observado as consequências de um planejamento e construção urbana descontrolados, movidos apenas por uma visão capitalista e produtivista da cidade, empacotando o máximo de humanos possível nas construções mais baratas disponíveis, sem considerar o impacto em nosso planeta, em nossos semelhantes animais e plantas habitantes e nosso próprio bem-estar. As selvas de concreto que construímos no século passado provaram estar destruindo nosso clima (aquecimento global, ilhas de calor), nossos ecossistemas (perda de biodiversidade e redução da população de animais e plantas) e nossa economia (as indústrias de alimentos e produtos foram deslocadas para longe, substituídas apenas pela indústria de serviços e pela geração de grande quantidade de resíduos na cidade).
https://www.archdaily.com.br/pt/993861/repensando-as-relacoes-das-cidades-com-a-natureza-robos-agricultores-urbanosAlexandre Dubor and Cristian Rizzuti
Em uma era de globalização sem precedentes, nossas cadeias de abastecimento de alimentos – as instituições e mecanismos envolvidos na produção e distribuição de suprimentos – tornaram-se mais longas. Tanto que dificilmente são percebidas como cadeias ou sistemas. Elas foram integrados em nossas vidas e em nossas cidades e transformaram nossas relações com a comida. E, no entanto, essas longas cadeias de abastecimento de alimentos estão envolvidas em alguns dos nossos problemas globais mais prementes, desde a segurança alimentar e o desperdício até a biodiversidade e as mudanças climáticas. Essas cadeias de abastecimento chegaram ao seu estado atual, sua extensão atual, ao longo de décadas, ou talvez séculos, por meio de todos os tipos de processos políticos, sociais, culturais e econômicos, e carregam consigo uma série de fardos: relações vagas entre produtor e consumidor, e uma série de externalidades ambientais negativas, entre muitas outras.
Com o fim de mais um ano, a equipe do ArchDaily reúne os destaques da arquitetura em uma série de retrospectivas que buscam resgatar o conteúdo apresentado no período que se encerra. Como parte deste esforço, nossa equipe de projetos se volta para uma das categorias mais populares entre os leitores, a arquitetura residencial, com o objetivo de reunir aqueles que representam o melhor de uma vasta produção arquitetônica mundial a partir do olhar da nossa audiência.
A palavra comensalidade refere-se ao ato de comer junto, dividindo uma refeição. Muito mais que uma mera função de necessidade humana essencial, sentar-se à mesa é uma prática de comunhão e trocas. Um artigo de Cody C. Delistraty compila alguns estudos sobre a importância de alimentar-se em conjunto: alunos que não comem regularmente com os pais faltam mais à escola; crianças que não jantam diariamente com a família tendem a ser mais obesos e jovens em famílias sem essa tradição acabam tendo mais problemas com drogas e álcool, além de desempenho acadêmico mais fraco. Evidentemente que todas estas questões levantadas são complexas e não devem ser reduzidas a somente um fator. Mas ter um local adequado para fazer as refeições, livre de muitas distrações, é um bom ponto de partida para ao menos um momento focado na conversa e alimentação. Estamos falando das mesas de jantar. Revisamos aqui alguns projetos para classificar as formas mais comuns de se implantar estes importantes mobiliários.
Vontade Indômita (The Fountainhead em inglês), de 1949, baseado no romance A Nascente da escritora russa naturalizada nos Estados Unidos Ayn Rand, retrata a jornada de um jovem arquiteto vanguardista que se encontra dentro de um debate arquitetônico entre a “criação” e a industrialização da profissão. O romance de 1943 apresenta o Objetivismo de Rand, filosofia à qual se ateve por grande parte da carreira e que define o ser humano como um ser heróico, cuja atividade mais nobre é a realização produtiva, mesmo se só for alcançada através de renúncias e auto sacrifício.
https://www.archdaily.com.br/pt/993639/alegoria-e-arquitetura-moderna-uma-analise-do-filme-vontade-indomitaBruna Bonfim e Nara Albiero
Preparamos uma lista abrangente com 125 livros de arquitetura e temas relacionados que consideramos interessantes para ampliar seus conhecimentos sobre a disciplina.
Buscamos títulos de diferentes partes do mundo com o objetivo de apresentar visões que dizem respeito a contextos culturais distintos. De compilações de ensaios e teorias sobre o crescimento das cidades a romances que flertam com a arquitetura e séries de ilustrações e gravuras.
Veja, a seguir, nossas sugestões acompanhadas por uma breve descrição.
https://www.archdaily.com.br/pt/901773/os-116-melhores-livros-de-arquitetura-para-profissionais-e-estudantesArchDaily Team
Chegamos ao final de 2022 e é hora de rever os marcos mais importantes do ano no ArchDaily. Desta vez, apresentamos as dez fotos mais curtidas no Instagram do ArchDaily internacional.
https://www.archdaily.com.br/pt/994083/as-fotos-mais-curtidas-no-instagram-do-at-archdaily-em-2022ArchDaily Team
A Casa da Música da Hungria é um dos maiores investimentos culturais da União Europeia. Projetado pelo escritório Sou Fujimoto Architects, o edifício está se tornando um polo para os habitantes da cidade e visitantes de todo o mundo que desejam assistir a concertos, visitar a exposição ou gravar música em seus estúdios abertos.
A equipe editorial do ArchDaily entrou em contato com o Projeto Liget Budapeste pela primeira vez no verão de 2021, quando teve a oportunidade de realizar uma impressionante visita à obra da Casa da Música da Hungria. Estávamos entre os poucos convidados selecionados que puderam acompanhar de perto as fases de acabamento de um dos principais projetos da cidade, localizado em seu parque de 200 anos de história. Incorporadores e construtores corriam contra o tempo para compensar os atrasos causados pela pandemia — um desafio que certamente superaram, visto que o projeto foi concluído em menos de seis anos, abrindo suas portas ao público em dezembro de 2021.
Todos os anos, o ArchDaily apresenta milhares de novos projetos que compõem a maior biblioteca on-line de arquitetura do mundo. Nossa equipe de curadores analisa, pesquisa e se encarrega de explorar algumas das obras arquitetônicas mais inovadoras e relevantes do mundo. Assim como os projetos apresentados no primeiro livro do ArchDaily, nosso objetivo é abrir nossa plataforma e destacar (O que é) boa arquitetura. Para isso, nos debruçamos sobre intervenções de todos os tamanhos e formas, que refletem características sustentáveis, consciência local, avanço tecnológico e conforto e bem-estar. A lista dos 100 melhores projetos do ArchDaily, em particular, combina todos estes fatores com os dados que obtemos da nossa audiência, a partir dos projetos em que os leitores estão mais interessados.
https://www.archdaily.com.br/pt/994111/os-melhores-projetos-de-arquitetura-de-2022ArchDaily Team
2022 foi um ano agitado que, novamente, resultou em uma cobertura diversificada no ArchDaily, desde a especulação acerca dos materiais de construção do futuro até a análise do papel narrativo que a arquitetura desempenha na literatura. Uma seleção de artigos do ano que passou foi reunida abaixo, organizada em quatro tópicos.
figura 1. Taller Intervenciones Domésticas Profesores: Germán Valenzuela, Felipe Miño Proyecto estudiante Nicolás Acuña (Imagen cortesía del Autor). Image Cortesía de Revista rita_
Este artíco de Carmen Espegel foi publicado originalmente na edição nº 16 da revista rita com o título "Alegato pedagógico en Talca". A seguir, apresenta-se uma reflexão sobre a particular forma de ensino de Projetos na Escola de Arquitetura da Universidade de Talca (Chile), onde o território, o material e o social se unem em um pensamento e em uma ação construtiva realizada por estudantes em suas próprias casas, com o objetivo de reformular o habitar de modo crítico.
A marca mundialmente reconhecida AZULIK anuncia seu novo projeto em Tulum, Quintana Roo, o qual confirma sua expansão criativa e o crescimento de seu alcance arquitetônico: "Esculturas Habitáveis", seu primeiro conjunto residencial, descrito como "uma nova proposta de lifestyle e luxo sustentável". A iniciativa residencial nasce do escritório Roth Architecture, dando continuidade à estética característica que "coloca a natureza como protagonista e o/a usuário/a como prioridade".
Que tipo de cidade é uma cidade orientada para as pessoas? Esta é uma pergunta difícil de responder, pois as cidades humanistas avaliam o espaço urbano com foco nas "pessoas", e estas são extremamente diversas, gerando padrões de avaliação individuais e distintos. Por exemplo, uma cidade amigável para motoristas pode não ser tão acolhedora para pedestres.
Ainda assim, há uma percepção geral de que algumas cidades parecem ser mais acolhedoras para as pessoas do que outras. Por que isso acontece?
Qualquer avaliação de "Retrospectiva do Ano" é, ao mesmo tempo, míope e oportuna. Ainda assim, 2022 foi um período de "boom" para arquitetos/as (e para a indústria da construção civil em geral). Este panorama mudará em 2023, quando os aumentos artificiais das taxas de juros promovidos este ano sufocarem no berço esse boom tão curto quanto intenso.
No entanto, alguns acontecimentos carregam um significado que vai além do momento presente. O ano de 2022 provou que o modelo "Mad Men" na profissão — vista como um clube exclusivo de homens brancos — chegou ao fim. As desigualdades de gênero e raça persistem na arquitetura, mas hoje são reconhecidas como falhas que demandam correção urgente. Para além dessas evoluções e revoluções, uma nova geração de arquitetos/as está transformando a profissão.
As cidades evoluem ao longo de décadas ou séculos, cada momento de mudança se constrói em transições sociais e arquitetônicas ainda maiores. As metrópoles do mundo inteiro estão constantemente sujeitas a forças sociais, políticas, econômicas ou ambientais que alteram sua identidade fundamental — um caráter que deve ser dinâmico. À medida que as cidades se desenvolvem em tamanho e impacto, os avanços na compreensão das cidades e do urbanismo se tornam mais complexos.
As cidades são formadas a partir de uma sequência de narrativas, características, relações e valores socioespaciais que refletem a identidade do lugar. A subsistência da cidade também depende de seu povo e de uma relação mútua com ele. Junto com suas comunidades e suas circunstâncias, as cidades se transformam para refletir as necessidades e os valores de seus moradores.
Uma característica marcante da arquitetura da Costa Suaíli — além de seus edifícios de pedra coral — é, sem dúvida, a porta ornamentada tão comumente encontrada nesta área costeira. Ricamente decoradas, e muitas vezes repletas de significado, estas portas, além de servirem à função mais utilitária de uma entrada, também eram indicadores de status e riqueza. Da Costa Suaíli até a Península Arábica, as portas são indicativos de sua localização, representativas do comércio e da migração.
Os espaços públicos não refletem apenas as aspirações de uma sociedade. Também configuram os cenários nos quais podem surgir novas ideias de convivência e do coletivo a partir de suas qualidades. Pensar as ruas, praças, parques e até mesmo a natureza, é um modo de lidar com ideais comuns e garantir a dinâmica social presente na relação entre os corpos e o ambiente.
Para além de Pelé e Maradona, em novembro comemora-se o dia da amizade entre Brasil e Argentina. A data (30 de novembro) foi instituída em 2018 com o objetivo de dar visibilidade às relações comerciais e diplomáticas entre os dois países. Juntos, Brasil e Argentina somam 63% da área total da América do Sul, 60% de sua população e 61% de seu PIB, sendo importantes parceiros comerciais.
Durante todo o ano de 2022 trouxemos diferentes ideias para casas. De métodos que você pode fazer sem qualquer experiência prévia e com materiais acessíveis até projetos mais elaborados que exigem uma reforma completa do espaço. Sabemos que ao chegar no final do ano, muitas pessoas desejam trazer uma nova atmosfera para o próprio lar. Por isso, hoje reunimos algumas dicas que possuem as execuções mais simples e outras que ajudam a elaborar a transformação necessária para os ambientes da sua residência.
Foi no início da década de 1960 que os jovens arquitetos Plínio Croce e Roberto Aflalo se uniram a Gian Carlo Gasperini para participar do maior concurso internacional da época, organizado pela UIA (Associação Internacional de Arquitetos). O desafio era projetar a mais alta torre de escritórios da América Latina que abrigaria a sede da Peugeot, em Buenos Aires. A vitória no concurso, com o edifício de 55 andares, foi o incentivo que faltava para criarem o aflalo/gasperini arquitetos apostando em projetos contemporâneos, focados em aspectos tecnológicos e, como eles mesmo definem, apresentando uma linguagem clara e honesta, sempre visando a satisfação dos clientes.
Calcáreo é um projeto de pesquisa e desenvolvimento que busca a transferência de conhecimento sobre a criação com biomateriais à base de resíduos de moluscos, abundantes na indústria da mitilicultura no Chile. O projeto é liderado por Carolina Pacheco, designer integral graduada pela UC (Pontifícia Universidade Católica do Chile). A partir da experimentação com receitas de código aberto de um biocompósito feito de conchas moídas e aglutinado com uma solução de alginato (polissacarídeo derivado de algas pardas), ela conseguiu desenvolver um biomaterial que possui textura, aparência e propriedades semelhantes às de um material cerâmico. Seu uso ainda é experimental e os protótipos seguem as diretrizes da economia circular, desfazendo-se em contato com a água para se reincorporarem ao ecossistema.
Há algumas semanas, o Grupo Firme se apresentou no Zócalo da Cidade do México. De acordo com o governo da capital mexicana, o grupo bateu um recorde de público, com presença de mais de 280 mil pessoas, e de acordo com meus dados – sem provas mas também sem dúvida –, outro recorde também foi alcançado: o maior número de comentários racistas e aporofóbicos para os participantes de um evento.
Criado pelo arquiteto estadunidense Ron Mace na década de 1980, o conceito de Desenho Universal trata da percepção frente aos projetos e ambientes que desenhamos e frequentamos, considerando a possibilidade de serem utilizados por diferentes perfis de usuários: de crianças a idosos, passando por quem tem deficiência ou limitações temporárias e também pelos limites dos idiomas e linguagens.