O conceito de sustentabilidade surgiu na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (UNCHE), realizada em Estocolmo em 1972, e foi cunhado pela norueguesa Gro Brundtland no Relatório “Nosso Futuro Comum” (1987). De acordo com essa definição, o uso sustentável dos recursos naturais deveria “suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas”. Entretanto, apesar da urgência do conceito e da constante evolução que ele tem sofrido ao longo do tempo, sua aplicação ainda se limita muitas vezes ao uso controlado dos recursos naturais e à preservação da vida selvagem. Ou seja, está baseada em relações e ações que abordam a situação sob a perspectiva do “homem versus natureza”, como um entendimento dicotômico em detrimento de uma visão holística.
Estive na China pela primeira vez em 2002, um ano após o Comitê Olímpico Internacional conceder os Jogos de Verão de 2008 a Pequim. Aquela viagem inicial teve como foco explorar a natureza, a culinária, templos antigos, sítios arqueológicos e, de modo geral, vivenciar o estilo de vida no país, principalmente fora das grandes metrópoles. Minha motivação era a pura curiosidade de quem, como turista ocidental, viajava a um país oriental em busca do velho mundo, do exótico, na esperança de vislumbrar uma rica cultura tradicional às vésperas de sua inevitável e radical transformação. Naquela época, não se podia falar em uma arquitetura moderna — ou melhor, contemporânea — na China. Havia apenas os primeiros indícios promissores do desenvolvimento de uma linguagem arquitetônica potencialmente nova, elaborada por um punhado de arquitetos/as independentes que atuavam quase inteiramente fora do radar.
“Parece que os meninos importam mais”, diz Molly (10 anos), durante uma entrevista para o podcast Mulheres Visíveis (Visible Women), no qual Caroline Criado Perez expões como a falta de dados e de design em torno das formas como mulheres e meninas utilizam o espaço público resulta em espaços urbanos projetados apenas para o gênero padrão: o masculino.
A arquitetura é capaz de reconciliar o sentido de pertencimento e dignidade espacial. Além de projetar equipamentos habitacionais ou de cultura, abordar o espaço público em comunidades que habitam espaços vulneráveis também é urgente e necessário para brindar uma infraestrutura digna que traga qualidade de vida à população. Por isso, reunimos sete intervenções em territórios marginalizados que demonstram o potencial de transformação que pode surgir a partir do espaço.
Bisman Ediciones é um escritório fundado em 1997 que se dedica à edição e ao desenvolvimento integral de diversos formatos para comunicar a arquitetura.
"Somos editores (ou talvez cartógrafos) de um tempo líquido e sem certezas, no qual a informação tende a desmaterializar-se; tradutores de uma realidade construída ou por construir; somos intérpretes de arquitetos e arquitetas que opinam sobre essa realidade e, por sua vez, a traduzem em cidades. Queremos comunicar o potencial cultural da arquitetura para um grande número de pessoas".
Sua sede fica no bairro de San Telmo, em Buenos Aires, e Hernán Bisman (fundador e diretor), junto a Pablo Engelman (Editor Geral Associado), nos recebem de braços abertos. Em suas prateleiras, exibe-se sua grande trajetória: publicaram material especializado para importantes instituições, empresas, arquitetos e arquitetas e coletivos profissionais na Argentina, além de terem organizado exposições temáticas em eventos culturais de várias cidades, como Veneza, Tóquio, Londres, Montevidéu, São Paulo e Havana.
“Qual é o melhor lugar para se viver em São Paulo? ”, perguntou um amigo que vai se mudar para a capital paulista e que, apesar de economista (como eu), não aceitou “depende” como resposta.
É claro que não existe uma resposta objetiva para a questão, já que a avaliação depende (sim, depende…) não só de inúmeras variáveis, muitas não disponíveis para análise, como também das próprias preferências do morador.
https://www.archdaily.com.br/pt/1000025/qual-e-o-melhor-lugar-para-se-viver-em-sao-pauloVitor Meira França
Seja para estabelecer uma maior fluidez entre os ambientes, para integrar elementos distintos de um projeto arquitetônico ou para criar uma atmosfera mais lúdica, o uso de estruturas suspensas em habitações é capaz de produzir e proporcionar uma série de experiências variadas nos espaços.
Os espaços desocupados dentro da cidade normalmente são encarados como situações entre o problema e o potencial. Cabe em parte à arquitetura e ao urbanismo mobilizar esses espaços de maneira qualificada no contexto citadino. Com essas questões em mente, o escritório Vazio S/A propõe a ativação de espaços tidos como residuais na paisagem urbana ou em contextos particulares, apoiando-se na potência que espaços vagos oferecem.
Espera-se que as cidades africanas tenham um aumento significativo da população nos próximos 30 anos. De acordo com as projeções das Nações Unidas, essas cidades receberão mais 900 milhões de habitantes até 2050. Essa mudança demográfica criará oportunidades e desafios que remodelarão a natureza e a estrutura dessas cidades. Esses desafios incluem a necessidade de crescimento econômico, aumento da demanda por habitação e infraestrutura e o desenvolvimento de sistemas de transporte complementares. Até agora, a maioria das cidades africanas respondeu a esse rápido crescimento populacional com padrões de crescimento horizontal que expandem as periferias da cidade, aumentam a fragmentação social e, por fim, levam a uma maior dependência do carro.
Como as casas contemporâneas têm empurrado os limites da inovação para o futuro? Atualmente, estes espaços tendem a ter linhas limpas, cores neutras e espaços flexíveis, com a integração de recursos tecnológicos e automatização. Mas mesmo havendo certas características atemporais que definem os interiores contemporâneos neutros, podemos começar a identificar tendências futuras analisando projetos arquitetônicos que diferem do tradicional, reconhecendo materiais e acabamentos disruptivos para interiores guiados pelos avanços tecnológicos que estão a moldar casas complexas e em constante mudança do futuro. A seleção destes materiais inovadores transmite um processo de decisão meticuloso na construção da estrutura e identidade de um espaço. Dependendo do contexto e tipologia, há uma crescente consciência de como os materiais afetam um ambiente, e como novas tecnologias estão a criar soluções inteligentes que podem mitigar os seus efeitos nos interiores.
A inteligência artificial (IA) vem desempenhando um papel fundamental na visualização dos interiores das casas do futuro, e juntamente com a exploração de materiais biofílicos, inteligentes e impressos em 3D, tem estimulado novas formas de abordar como vamos viver no interior no futuro.
Uma olhada dentro do Plethora Project's Common'hood, um jogo multiplayer imersivo focado na construção de uma nova comunidade dentro de uma fábrica abandonada após um colapso econômico. Imagem via Projeto Pletora
Este artigo é o terceiro de uma série que se concentra na Arquitetura do Metaverso. O ArchDaily, em colaboração com John Marx, designer, fundador e diretor da Form4 Architecture, traz mensalmente artigos que buscam definir o Metaverso, transmitir o potencial desse novo domínio e entender suas limitações.
“Almocei na lua, nadei em um lago sombrio em Marte, joguei croquet com as nuvens e persegui o arco-íris debaixo do mar, tudo em uma tarde gloriosa.” Como e onde você interage com um metaverso próximo de você influenciará o quão real e significativa essas experiências podem parecer. Ao passo que, fundalmentalmente, o metaverso pode ser visto como uma série de intenções econômicas sobrepostas, há uma oportunidade única e importante para arquitetos e designers de espaços e lugares influenciarem o resultado desses esforços e criarem um futuro mais humanista e vibrante.
Fazer arquitetura envolve mobilizar aspectos diversos em relação ao meio onde se insere o edifício: contexto sócio-cultural, político, econômico; estética, legislação, funcionalidade, e, dentro desta última, eficiência de uso, ocupação e conforto. As obras de Laurent Troost têm mostrado a articulação entre esses diversos fatores, com particular atenção ao último: o conforto, especialmente o térmico. Em geral, seus projetos priorizam a ventilação natural em detrimento do uso de climatização artificial, quase que obrigatória nas construções dentro do modelo de cidade atual.
A mudança de um país de quatro estações demarcadas para um com clima tropical em 1973 representou uma nova experiência de vida e, na prática da arquitetura, implicou uma adaptação à nova realidade. O contato com os costumes e hábitos da nova vida que se impunha, assim como a arquitetura tradicional que encontramos, indicou que nossa metodologia de projeto e construção deveria mudar para incorporar este novo mundo com seu clima e suas experiências.
A convite da Prefeitura de Puebla, no México, por meio da Gerência do Centro Histórico e Patrimônio Cultural, "Patio Efímero, o festival de arte contemporânea, arquitetura e patrimônio", mais conhecido como "Patio Efímero", representará Puebla na Semana de Design de Berlim 2023. Este ano, o evento terá como tema principal a resiliência. Diante disso, o coletivo de Puebla responsável por sua organização abordará o terremoto de 19 de setembro de 2017 e a pandemia de COVID-19, acontecimentos que marcaram as três edições de seu projeto.
As calotas polares estão recuando rapidamente; um dos dois partidos políticos norte-americanos enfraquece ativamente a autoridade federal; apesar de novos materiais e da manufatura aditiva, a maioria das casas construídas hoje é erguida da mesma forma que há várias gerações; a patológica suburbanização do país continua inabalável. Diante de tudo isso, parece que "o centro não consegue se sustentar". Essas foram algumas das questões que levaram Keith Krumwiede, então prestes a se tornar bolsista na Academia Americana em Roma (AAR), a argumentar, em 2017, que, se uma casa unifamiliar isolada para cada família constitui o cerne do "Sonho Americano", então precisamos de um novo sonho.
Durante o mês de agosto de 2022, a Prefeitura de Puebla, por meio da Gerência do Centro Histórico e Patrimônio Cultural (GCHPC), em colaboração com a Direção de Patrimônio Mundial do Instituto Nacional de Antropologia e História, o Colégio de Arquitetos de Puebla A.C. (CAPAC) e o Museu Amparo, convocaram profissionais e estudantes de graduação das áreas de design, arquitetura, urbanismo e cursos afins a participar do “Rehabilita y habita, Primeiro concurso de ideias. Novas perspectivas para o Centro Histórico de Puebla”, que se concentra em repensar as formas de fazer arquitetura, de habitar o Centro Histórico, de se apropriar do espaço público e de conservar o Patrimônio Cultural, integrando os cidadãos de forma ativa.
Moradias podem ser entendidas como a forma mais significativa e primária de arquitetura, já que a casa está intimamente relacionada à ideia de abrigo, uma das necessidades básicas da humanidade. Nas palavras do arquiteto Mario Botta, “Enquanto houver um homem que precisa de uma casa, a arquitetura ainda existirá.” No entanto, apesar de sua ubiquidade, ou talvez por causa dela, é difícil encontrar uma definição exata de uma casa. Ao longo da história, diferentes funções e espaços foram adicionados e subtraídos desta unidade, refletindo diretamente o caráter da sociedade que a produziu.
A lista de expectativas que uma casa deve cumprir é longa e está sempre em evolução: fornecer espaços íntimos e seguros onde se possa recarregar energia, mas, ao mesmo tempo, permitir interação, acolhendo amigos e familiares; é o local de lazer e relaxamento, mas também o local da maioria dos trabalhos de cuidado, além de fornecer um pequeno escritório para o início de empreendimentos. Essa tendência de exigir que uma unidade residencial cumpra múltiplos papéis foi aumentada a níveis sem precedentes durante a pandemia. Preocupações com a saúde levaram ao fechamento da maioria dos espaços de trabalho, o segundo lugar onde as pessoas passam a maior parte do tempo, e de cafés, restaurantes, cinemas e shopping centers, os “terceiros lugares”. De repente, a casa teve que se tornar um espaço multiuso.
Praias paradisíacas podem se tornar um lugar ruim para turistas quando são invadidas por sargaço, algas castanhas do gênero Sargassum C. Agardh com distribuição tropical e subtropical em todos os oceanos. Na Riviera Maya, no México, elas eram consideradas um grave problema, mas Omar de Jesús Vazquez Sánchez viu nestas algas a matéria prima para construir casas – ele transformou o sargaço em tijolos sustentáveis.
O Chulah paquistanês de Yasmeen Lari — um fogão ao ar livre usado por mulheres no sul da Ásia — é uma intervenção poderosa que destaca o compromisso da arquiteta com o ativismo feminista e ambiental. O projeto aborda simultaneamente questões de desmatamento, poluição e riscos à saúde enfrentados por mulheres em áreas rurais. Seu design é sistêmico, localmente específico e consciente das necessidades dos mais vulneráveis na sociedade: mulheres e natureza. Seu vasto corpo de trabalho humanitário elaborado em Yasmeen Lari: Architecture for the Future, abre diálogo para ver a arquitetura através da lente ecofeminista.
Imagen creada mediante inteligencia artificial usando prompt: "Ciudad sostenible con un horizonte de arquitectura icónica". Image Cortesía de Paula Cano via Midjourney
La generación de imágenes y modelos BIM mediante Inteligencia Artificial (IA), es hoy una realidad en el ámbito académico de la arquitectura y el diseño.
A pele absorve a matéria, o mundo é contemplado, tocado, ouvido e medido por meio da nossa existência corporal. Juhani Pallasmaa, arquiteto finlandês conhecido por propagar a ideia da arquitetura dos sentidos, além da frase acima defende que, ao contrário da visão, o toque é o sentido da proximidade tornando-se assim um eixo principal ao recobrir todo o corpo. É fato que, quando se fala em toque, a primeira imagem que vem à mente geralmente é o contato com as mãos, entretanto, existem outras maneiras de se sentir a arquitetura que podem ser pensadas e desenvolvidas nos projetos, como o toque dos pés descalços sobre uma determinada superfície.
Floresta Cidade é um programa de extensão, pesquisa e ensino da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, iniciado em 2020 e coordenado pela professora Iazana Guizzo. Ao versar sobre a vida urbana carioca através das questões do antropoceno e do deslocamento da perspectiva antropocêntrica, objetiva-se a troca de saberes em torno do habitar na metrópole. A transdisciplinaridade com diversos campos do conhecimento e com sensibilidades conectadas à floresta, historicamente silenciadas, formam o caminho para deslocar o modo habitual de pensar.
Pensar o modo como habitamos é pensar a arquitetura. Se foi na necessidade primordial de um abrigo que surgiu a disciplina, hoje a habitação ainda segue como uma das maiores inquietações dos arquitetos. Trazer conforto, buscar por materiais inovadores, respeitar a memória, transformar a cultura. São diversas as camadas que atravessam o projeto de uma residência. Por isso, imaginar o que seria a síntese da casa contemporânea é um grande desafio. Em busca de novos olhares, fizemos uma colaboração com o Ulises Design Studio para entender como a Inteligência Artificial (IA) olha para a casa contemporânea no contexto de 15 diferentes países. Entre dados que esbarram fatos da realidade e da ficção, as imagens que surgem podem trazer não só inspirações, mas também importantes reflexões sobre a prática espacial.
As reformas não são apenas uma forma popular de atualizar e modernizar residências, escritórios e outras estruturas, mas também um componente crítico para reduzir as emissões de carbono e alcançar as metas do Acordo de Paris. O parque imobiliário existente é responsável por uma parcela significativa das emissões globais de carbono, sendo os edifícios de baixa eficiência energética um dos principais fatores contribuintes.
De acordo com um relatório do Financial Times, há um grande déficit de eficiência energética no parque habitacional do Reino Unido, com muitos edifícios aquém do seu potencial de desempenho energético. Como era de se esperar, os edifícios antigos no Reino Unido são apontados como um dos principais fatores que contribuem para essa lacuna de eficiência energética.