Buscando valorizar a riqueza e a variedade do patrimônio arquitetônico da cidade de Madri, na Espanha, surge “Fachadas de Madrid”, um projeto de ilustração digital que alia representação artística e divulgação arquitetônica. Representando por meio de desenhos de elevação as fachadas de seus edifícios mais icônicos e emblemáticos, bem como daqueles com especial interesse sob a perspectiva arquitetônica, histórica ou patrimonial, Laura Arribas está à frente da produção desta série de ilustrações que cresce a cada dia, revelando um estilo intencionalmente técnico com um alto nível de detalhamento.
Cuadra San Cristóbal, Los Clubes, Atizapán de Zaragoza, Estado do México, 1966-1968. Esboço em perspectiva do pátio principal de Luis Barragán. Imagem via Fundação Barragan
Há dois anos, por iniciativa da Fundação Barragán, foi anunciado o lançamento do novo site da instituição. Isso representou o esforço em compilar toda a informação disponível até agora no Arquivo Barragán que foca no estudo de sua carreira, abrindo o panorama para entender sua trajetória e evolução a partir de uma cronologia clara de experimentos e colaborações, bem como de projetos não construídos ou demolidos. O site compila essas cinco décadas de trajetória e apresenta uma lista de 170 obras dentro e fora do país, que é atualizada à medida que mais materiais são coletados.
A simples atividade de dar uma caminhada à noite pode facilmente se transformar de um passatempo relaxante em uma empreitada perigosa se retirarmos apenas um elemento da paisagem urbana: a iluminação pública. Embora nem sempre reconhecida como um aspecto fundamental dos ambientes urbanos, a iluminação artificial tem desempenhado um papel essencial nas cidades modernas. O controle do crime, o apelo da vida noturna, o surgimento da vitrine, movimentos revolucionários, utopias e ideais de equidade social são todos conceitos cujo desenvolvimento está estreitamente ligado à história da iluminação pública. Avanços tecnológicos ao longo dos últimos séculos vem moldando a aparência e o simbolismo dos postes de luz. Ainda assim, esse elemento permaneceu ao longo da história.
O artigo de Celso Carvalho, publicado recentemente na revista Carta Capital, traz reflexões importantes sobre o programa Minha Casa, Minha Vida, bem como sobre a necessidade de promover mudanças em sua estratégia. Carvalho cita o custo alto da terra urbana como um entrave para a provisão de Habitação de Interesse Social (HIS) nos bairros mais valorizados das cidades brasileiras, o chamado “nó da terra”. De forma resumida, Carvalho defende que o novo MCMV:
O Art Déco é um estilo artístico e de design que surgiu na Europa no final do século XIX e início do século XX, atingindo seu auge nos anos 1920 e 1930. Embora seja difícil identificar uma única origem para o estilo, acredita-se que ele se desenvolveu como uma reação contra os movimentos Arts and Crafts e Art Nouveau, que enfatizavam o artesanato e a ornamentação naturalista. O estilo espalhou-se rapidamente pelo mundo e teve grande influência na arquitetura, no design de interiores, na moda e nas artes visuais durante a primeira metade do século XX.
Parque no Arroyo Xicoténcatl / Taller Capital. Fotografia: Rafael Gamo. Imagem via "Diseño ecológico: Estrategias para la ciudad vulnerable: Infraestructuras verdes y espacio público en América Latina y el Caribe". BID
A arquitetura vernacular é um conceito complexo, que pode ter diferentes entendimentos a depender de onde estamos situados, e está presente em tipologias arquitetônicas variadas. Ela é profundamente conectada às suas raízes e seu local de origem, elementos que são definidores de muitas de suas características, a partir de aspectos específicos como cultura, clima, topografia, vegetação e da disponibilidade de materiais e recursos em cada região. Suas construções também costumam estar atreladas às técnicas construtivas tradicionais de cada lugar, que foram elaboradas e desenvolvidas pelas populações, num panorama histórico mais amplo, a partir dos recursos que dispunham à mão.
Qual é o papel do paisagismo na habitação contemporânea? De que maneiras a arquitetura e a paisagem podem se integrar em um todo? Conceber a incorporação da paisagem desde o início do projeto arquitetônico tornou-se, para muitos arquitetos e arquitetas, um aspecto definidor e até mesmo um desafio para melhorar a qualidade de vida de seus habitantes, além de contribuir para a proteção e o cuidado com o meio ambiente.
Em repetidas ocasiões e no contexto latino-americano, a natureza se apresenta como protagonista ou princípio fundador do partido arquitetônico proposto, envolvendo razões ligadas ao estímulo da relação com o entorno, à incorporação de espécies nativas do local e ao fortalecimento da conexão entre interior e exterior, entre outras. Embora existam diversas maneiras de planejar, ordenar e organizar a disposição dos ambientes na habitação contemporânea, o diálogo entre a arquitetura e a paisagem pode colaborar com os usos, atividades e circulações determinados em função das necessidades a serem atendidas ou dos/as usuários/as a serem acolhidos/as.
Pesados, imponentes e utilitários, os silos são estruturas duráveis, usadas para o armazenamento de produtos a granel. Eles são importantes elementos físicos da indústria agrícola, armazenando grãos, fermentados e outros alimentos. Os volumes altos e tipicamente cilíndricos continuam sendo objeto de fascínio arquitetônico — de símbolos do progresso tecnológico no modernismo do início do século XX, até os tempos contemporâneos, provocando abordagens criativas para a reutilização adaptativa.
A construção de Brasília é um feito relevante em termos históricos e arquitetônicos. Para o movimento moderno brasileiro, consagrou definitivamente os nomes de Lucio Costa e Oscar Niemeyer como seus maiores representantes, e erigiu a cidade modernista para ser colocada à prova como a nova ordem urbana. Contudo, a cidade não surgiu sozinha, e nem completamente utópica, moderna e modernizante. Veio acompanhada de cidades vizinhas, entre planejadas e orgânicas, construídas simultaneamente à nova capital.
A arquitetura é uma disciplina referencial. Desde os zigurates, máquinas para morar, até os projetos contemporâneos de arranha-céus biofílicos, é impossível saber se as ideias são genuinamente inovadoras ou se já foram conceituadas antes. A inteligência artificial tem acelerado a conversa sobre propriedade intelectual. Conforme milhões de pessoas geram trabalhos gráficos únicos digitando palavras-chave, controvérsias têm surgido, especialmente relacionadas à proteção do trabalho criativo e dos direitos autorais dos arquitetos em suas criações. Portanto, entender o escopo do que é protegido ajuda a determinar se licenças são suficientes, se o longo caminho para o registro de marcas comerciais é válido ou se uma peça gráfica não pode ser protegida e pertence ao domínio público.
Muito se fala sobre os perigos que a humanidade como um todo irá enfrentar com os efeitos da crise climática. Enchentes mais intensas, secas prolongadas, verões mais quentes e invernos congelantes são algumas das consequências imediatas que já podemos sentir.
A causa para tais catástrofes locais é um problema global e histórico: a emissão crescente e sistemática de gases de efeito estufa (GEE) por atividades antrópicas desde a revolução industrial. Estes gases intensificam o efeito estufa de nossa atmosfera, um fenômeno natural que garante a existência de vida no planeta. O efeito estufa acentuado desequilibra ciclos naturais, colocando em risco agora não mais apenas nosso futuro, mas já o nosso presente.
https://www.archdaily.com.br/pt/998493/o-que-e-compensacao-de-carbonoGabriela Ribas e Fernando Paraíso
Na Espanha, a implementação de cozinhas integradas em residências tem se tornado cada vez mais comum na arquitetura contemporânea. Embora existam várias configurações e desenhos que são aplicados de acordo com os costumes e culturas das sociedades, como vimos na Argentina ou no Uruguai, a essência de conceber o espaço da cozinha como um aglutinador de atividades e um lugar de encontro entre seus habitantes e visitantes é uma fator comum. Isso tem levado os arquitetos a buscarem layouts, tecnologias e materiais capazes de proporcionar funcionalidade, amplitude e flexibilidade às residências.
Todos estamos familiarizados com o enredo de um filme que se passa em uma cidade ainda em pé em uma era pós-apocalíptica. As ruas estão vazias, exceto por alguns sobreviventes que perambulam sem rumo, procurando sinais de vida. Os edifícios começam a desmoronar e as estruturas a enferrujar após anos de negligência, trens, ônibus e outros meios de transporte ficam abandonados e as ervas daninhas crescem nas rachaduras das calçadas e ruas. A cena parece assustadora porque não podemos imaginar nosso ambiente físico em estado de deterioração. Parece impossível que nossos ambientes construídos, onde vivemos e trabalhamos, de repente se tornem ruínas. A cidade para de vibrar.
Flexibilidade e espaços abertos são temas que surgem no projeto de casas contemporâneas. Em busca de ambientes facilmente adaptáveis, para atender às necessidades em constante mudança dos proprietários, espaços multifuncionais e soluções de armazenamento criativas são mais do que bem-vindas. Para apresentar novas inspirações, selecionamos dez projetos que apresentam bancadas que integram diferentes programas e podem cumprir mais de uma função na residência.
Acoustic Divider Vario / Création Baumann. Image Courtesy of Création Baumann
Além de seu destaque no mundo da moda, os tecidos também podem ser uma parte essencial das possibilidades criativas de um design de interiores. Ao melhorar o apelo estético de um espaço, esses materiais versáteis - feitos de fibras ou fios que foram entrelaçados, tricotados ou unidos - também fornecem funcionalidades ao espaço. Como parte de uma estratégia arquitetônica holística, esses elementos naturais e sintéticos são essenciais para projetar estofados para móveis, cortinas, divisórias e revestir paredes. As mais recentes inovações de design vêm explorando propriedades que levam o uso de tecidos um passo adiante. Mergulhando no catálogo de tecidos do Architonic, analisamos diferentes produtos com propriedades acústicas, à prova de fogo e repelentes.
Projeto por Form4Arquitetura investigando as oportunidades de interação participativa não solicitada no espaço, como dança de rua, algo que poderia ser replicado no Metaverso se sua qualidade espacial tivesse profundidade semelhante. Imagem Cortesia de Form4 Architecture
Para os arquitetos, um dos aspectos mais cativantes da IA e do Metaverso é o placemaking. Como criamos lugares atraentes que trazem as pessoas para este novo mundo e permitem que elas aproveitem sua experiência nele, fazendo com que retornem assim que a novidade passar? Quanto deste mundo digital precisa se conectar com nossos ambientes físicos do dia a dia para que pareça significativo e como essas cidades, vilas e bairros artificiais ganham vida?
De 2000 a 2007, ensinei teoria do lugar no ciberespaço com Yehuda E. Kalay, Ph.D. na Universidade da Califórnia, Berkeley. Uma parte central deste curso foi transmitir aos alunos o fato de que os ingredientes os quais constituem um lugar não estão apenas nas mãos de arquitetos e designers.
As cidades precisam se preparar para uma onda de declínio dos templos religiosos. Enquanto as instituições de fé, ao menos as cristãs, vêm se perguntando "O que Jesus faria?" (WWJD, na sigla em inglês), as administrações municipais precisam induzi-las a fazer outra pergunta: "O que Jane Jacobs faria?" (WWJJD). Esse questionamento pode abrir caminho para um novo modelo de templos verdadeiramente comunitários.
Projeto de Expansão da Union Station. Cortesia da imagem de Grimshaw
As cidades que dependem do uso de carros particulares enfrentam uma variedade de problemas — longas viagens de ida e volta ao trabalho, engarrafamentos intermináveis e aumento da poluição. Embora pareça que os carros são a opção mais confiável para nos levar de um lugar para outro, os urbanistas frequentemente promovem os benefícios do transporte público e o desenvolvimento de comunidades centradas em suas várias formas. Muitas cidades estão crescendo mais rápido do que o inicialmente planejado. Como resultado, as ruas se expandiram, os terrenos estão sendo transformados em enormes estacionamentos e as conexões entre as comunidades estão diminuindo.
Sabe-se que Barragán não era alguém interessado em teorizar sobre sua obra. Na verdade, ele preferia que outros tentassem interpretar seu fazer arquitetônico. No entanto, dentre os poucos textos que escreveu com o objetivo de expor suas ideias profissionais, há um que se mostra bastante interessante.
Igreja da Luz. Foto de hetgallery, via Visualhunt.com
O uso da luz em construções religiosas, enquanto elemento de associação ao divino, perpassa a história da humanidade. Historicamente, uma série de templos, das mais variadas religiões, se utilizaram deste artifício enquanto tentativa de aproximação visual e perceptível do ser humano à uma dimensão sagrada e intangível. A luz costuma ser dotada de uma conotação espiritual e força simbólica significativa, que é capaz de modificar a relação, percepção e experiência das pessoas com os ambientes. Deste modo, ela é um elemento que foi, e ainda é, utilizado pela arquitetura para criar cenários e efeitos em muitos espaços religiosos, especialmente nas igrejas.
Se projetássemos um material de construção ideal, ele se pareceria com o bambu. Ao menos é isso o que afirma Neil Thomas, diretor do atelier one, escritório de engenharia estrutural de Londres. Sua forma tubular, feixes vasculares, velocidade de crescimento e facilidade de manipulação são características que o tornam ideal para a construção. Hoje, ele ganha ainda mais interesse do mercado por ser uma fonte renovável e possuir baixo impacto ambiental em comparação com outros materiais. Além disso, ele é extremamente versátil e pode ser utilizado de diversas formas numa obra. Aqui, elencamos algumas delas.
Alguns autores afirmam que o termo kitsch tem origem alemã e surgiu no vocabulário artístico por volta de 1860 a partir do verbo kitschen/verkitschen (trapacear, vender alguma coisa em lugar de outra). Outros, como Guimaraens & Cavalcanti (1979), afirmam que há também uma origem do termo na língua inglesa, provinda da palavra sketch, que significa esboço. Na segunda metade do século XIX, quando os turistas americanos queriam comprar uma obra de arte a preço barato eles pediam um sketch.
Quando um país se torna conhecido por sua exportação mais famosa, ambos podem passar a ser sinônimos de qualidade. Combinações como o vinho francês, o mármore italiano e a engenharia alemã são exemplos do selo de excelência proporcionado simplesmente pelo berço geográfico de um produto. Embora as exportações mais famosas e apaixonantes de Portugal pudessem ser igualmente a cortiça, o futebol ou os doces conventuais à base de ovos, há muito mais na cultura e na economia portuguesas do que jogadores vaidosos e pastéis de nata.
Se a relação da cultura portuguesa com a cerâmica é conhecida pelos pratos, tigelas e jarros de padrões característicos que milhões de turistas tentam manter intactos na viagem de volta para casa, poucos pagariam a taxa de bagagem extra por 50 m² de revestimentos cerâmicos. No entanto, o clima agradável do país, aliado a uma tradição artesanal e à resistência natural, durabilidade e pigmentação da argila portuguesa, faz com que as fachadas cerâmicas de alta qualidade sejam uma característica marcante da arquitetura portuguesa. Além disso, o material é exportado para o mundo todo, tanto para superfícies externas quanto internas.