"Avó da arquitetura", como Denise Scott Brown se apelidou, por se comparar à uma guardiã de uma memória institucional que sabe todas as armadilhas do meio em que vive, torna-se impossível não relacionar tal definição com a importância que ela tem no campo da arquitetura e urbanismo, design e fotografia. Na tentativa de impedir seu apagamento, esse texto busca trazer notoriedade para a produção de Denise, uma arquiteta interdisciplinar, cruzando informações obtidas em entrevistas e artigos.
Julho é o mês em que se comemora dias como o da pizza, do panificador e do chocolate, os quais têm em comum a celebração da culinária como um princípio. A arquitetura e a culinária constroem diferentes relações, a depender da cultura local. Além disso, quando essa combinação resulta em estabelecimentos comerciais, costuma potencializar a experiência de restaurantes, cafés, padarias e bares.
A arquitetura, como profissão, é cíclica por natureza. A oferta de trabalho nessa área de atuação vai e vem conforme as marés das condições econômicas e é notavelmente afetada em tempos de recessão. Todos nós já ouvimos histórias ou passamos por isso. Seja na Grande Crise de 2008 ou, mais recentemente, nos cortes feitos nos escritórios de arquitetura durante a incerteza da pandemia do COVID-19, quando os projetos foram suspensos e as novas oportunidades de negócios diminuíram da noite para o dia. Agora, dois anos depois, as empresas estão acompanhando de perto os problemas da cadeia de suprimentos global e as taxas de inflação crescentes, especialmente com o aumento da pressão para atender às necessidades de uma população urbana crescente. A arquitetura será à prova de recessão quando entrarmos em um mercado em baixa?
Pirâmides alimentares são familiares a todos nós. Elas são guias visuais que mostram as proporções de alimentos que supostamente deveríamos ingerir diariamente para ter uma boa saúde. Composta por uma série de camadas compreendidas por tipos de alimentos - como grãos, farinhas, gorduras, vegetais, e outros -, na base localizam-se os alimentos que devem ser consumidos em maior quantidade, e a área vai reduzindo até o topo, onde a ingestão de determinados alimentos deve ser excepcional. Tal pirâmide varia conforme os países e as culturas e o principal propósito é orientar para uma vida equilibrada.
Se somos aquilo que comemos, será que é possível replicar isso na indústria da construção e nos nossos edifícios? Utilizando-se desta mesma linguagem visual de fácil compreensão, foi desenvolvida, no Centre for Industrialised Architecture (CINARK) da Royal Danish Academy, a Pirâmide dos Materiais de construção. A ideia era evidenciar o impacto ambiental dos materiais de construção mais comuns, concentrando-se na análise das três primeiras fases de vida dos mesmo: Extração da matéria-prima, Transporte e Manufatura.
Mangá é um termo genérico para uma grande variedade de histórias em quadrinhos e novelas gráficas originalmente produzidas e publicadas no Japão, e ao contrário das histórias em quadrinhos ocidentais que podemos estar mais familiarizados em ver impressas em cores, são publicadas principalmente em preto e branco. Manga é a palavra japonesa para quadrinhos publicados no Japão, com a palavra em si composta por dois kanji : man (漫) que significa "extravagante" e ga (画) que significa "imagens".
Diferentemente do anime, o mangá é uma mídia impressa, enquanto o anime se destaca como mídia visual desenhada à mão ou digitalmente, combinando arte gráfica, criação de personagens, cinematografia e outras formas de técnicas criativas. É notável que muitos animes são resultado de uma franquia de sucesso que começou como mangá, mas o que sempre uniu o mangá e o anime foi o uso de diversos estilos de arte em várias narrativas que foram construídas para nós consumidores seguirmos.
Há algumas semanas, a edição deste ano do Serpentine Pavilion foi aberta ao público. Projetada pelo artista Theaster Gates, de Chicago, esta é uma obra evocativa, sua forma cilíndrica faz referência aos fornos americanos e ingleses e as casas de adobe Musgum encontradas em Camarões.
O nome do pavilhão diz muito mais ao espectador sobre suas intenções como experiência espacial. Intitulado Black Chapel, ele abriga uma sala espaçosa com bancos curvos e um óculo acima permitindo que a luz do dia penetre no espaço. É um interior bastante minimalista - projetado como um local para contemplação e reflexão. Essa qualidade do Serpentine Pavilion de Gates levanta questões particularmente interessantes: como artistas e arquitetos optam por uma abordagem “menos é mais” ao projetar espaços meditativos, mas também como esses espaços introspectivos foram igualmente aprimorados pela ornamentação.
The Second Studio (antigamente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast explícito sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelo arquiteto David Lee e pela arquiteta Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais criativos em conversas sem roteiro que abrem espaço para reflexões profundas e discussões pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios são entrevistas, enquanto outros trazem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre a vida cotidiana e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify, e YouTube.
Esta semana, David e Marina conversam com Jonathan Feldman, arquiteto, sócio-fundador e CEO do Feldman Architecture, para discutir sua transição da astronomia e do inglês antes de estudar arquitetura; a captação de novos clientes; o início e a evolução de seu escritório; ideias fundamentais para a implementação de um design sustentável; e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134167/podcast-the-second-studio-entrevista-com-jonathan-feldmanThe Second Studio Podcast
Seul, semelhante a várias grandes cidades em todo o mundo, é caracterizada pela escassez de terras, superpopulação, preços imobiliários impressionantes e segregação urbana. Essas condições de vida forçaram arquitetos e planejadores urbanos a buscar alternativas, (re)introduzindo novos modelos de convivência, habitação de baixo custo em áreas suburbanas e empreendimentos de uso misto. No entanto, a proximidade ao trabalho, educação, comércio, instalações de saúde e transporte público, bem como infraestrutura otimizada e melhor governança sustentaram a vida dentro dos limites da cidade compacta desejável. Escondida nas ruas movimentadas de Gangseo-gu, a "Casa de Cinco Pavimentos" por stpmj é um projeto que explora a relação entre habitação unifamiliar e contextos urbanos densos, além do valor do investimento e das restrições contextuais.
Ao longo dos anos, os projetos de interiores têm evoluído de acordo com as necessidades que vão se apresentando, mas sobretudo experimenta a partir das possibilidades de experiências que pode evocar no usuário. Nos últimos dois anos, testemunhamos uma mudança radical e um interesse especial por este assunto, pois a pandemia nos obrigou a prestar mais atenção à configuração dos espaços que habitamos. Isso consequentemente desencadeou projetos muito mais holísticos que procuram abordar o bem-estar do usuário, combinando cores, experiências sensoriais, tecnologia e elementos naturais que promovem a saúde.
Se pedíssemos a alguém que imaginasse uma igreja católica, a primeira imagem que viria à mente dessa pessoa provavelmente se assemelharia a uma catedral gótica medieval com contrafortes, arcos pontiagudos e um pináculo apontando para o céu. Pensando bem, muitos outros estilos poderiam ser facilmente identificados como arquitetura católica: as estruturas simples e grandiosas do românico ou talvez os estilos ornamentados do barroco e do rococó. Uma imagem mais difícil de associar à arquitetura sacra é a do modernismo. A Igreja Católica Romana é particularmente conservadora. O modernismo, por outro lado, é revolucionário; é racional, funcional e técnico; rejeita ornamentos e abraça a inovação. Surpreendentemente, nos anos que se seguiram ao final da Segunda Guerra Mundial, os locais de culto desafiaram as expectativas. Blocos de concreto, matérias-primas, formas angulares e estruturas expostas foram utilizadas para romper com a tradição e criar igrejas que nada tem a ver com a imagem tradicional de uma igreja. Este artigo explora a arquitetura modernista mid-century da Igreja com imagens de Jamie McGregor Smith.
Ao abordarmos sobre reciclagem de materiais de construção há algumas dificuldades a se enfrentar para um resultado realmente abrangente e efetivo. Primeiramente, uma demolição sem cuidado pode tornar o processo muito complexo, misturando produtos com destinações distintas. Além disso, nem todos os materiais contam com processos realmente eficientes para sua reciclagem ou processamento como um outro produto. Muitos ainda são caros ou complexos demais. Mas a indústria da construção, sendo uma enorme contribuidora para a produção de resíduos e a emissão de gases do efeito estufa, também tem desenvolvido múltiplas novas tecnologias para melhorar suas práticas. É o caso do projeto WOOL2LOOP, que busca resolver um dos maiores desafios na utilização de resíduos de construção e demolição com uma abordagem de circularidade.
Reforma em Sants, Um oásis no coração de Poblenou, Apartamento THE DUKE, Reforma de habitação na rua Calábria. Montagem com fotografias de reformas em Barcelona. Imagem via ArchDaily
Atualmente, a reforma completa de apartamentos em Barcelona é uma das atividades a que mais se dedicam tanto arquitetos/as autônomos/as quanto escritórios de arquitetura locais. Este dado não é surpreendente em se tratando de uma cidade com mais de 4.000 anos de história, onde há muitos edifícios construídos e pouco espaço para novas obras.
Na virada do século XIX, uma editora britânica lançaria um livro escrito por um urbanista inglês – um livro com um título otimista. O título deste livro era To-morrow: A Peaceful Path to Real Reform, mais tarde reimpresso como Garden Cities of To-morrow. O urbanista inglês em questão era Ebenezer Howard – e este livro lançaria as bases para o que mais tarde ficaria conhecido como o Movimento Cidade Jardim. Esse movimento continuaria produzindo subúrbios verdes enaltecidos por seus objetivos nobres, mas também produziria comunidades satélites que atenderiam apenas alguns privilegiados.
O projeto e a funcionalidade dos espaços públicos nas cidades estão sempre sob análise. Seja a acessibilidade aos parques públicos e espaços verdes, a distância que as pessoas vivem do transporte público ou as formas como os espaços podem ser projetados para tornar a vida na cidade mais segura e equitativa. Mas agora uma nova questão em uma escala menor está surgindo — para onde foram todos os assentos públicos?
Projeto DIT: “Construindo um espaço para as crianças”. Imagem via Equipo Proyecto DIT (Gian Franco Pedreschi Rubio, Sergio Iván Puch Olivos, Jhordano Jesús Alfredo Zabanick Uriol)
No Peru, as ollas comunes (cozinhas comunitárias) são iniciativas comunitárias autogestionárias localizadas em áreas vulneráveis. Diante do cenário de insegurança alimentar e educativa provocado pela pandemia, elas assumiram um papel de vital importância no desenvolvimento das crianças, transformando o espaço em escolas comunitárias de bairro. Nesse contexto, surge "DIT: Construyendo un espacio para los niños", projeto selecionado na XII Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo. Por meio dele, a equipe de arquitetura composta por Gian Franco Pedreschi, Sergio Iván Puch e Jhordano Zabanick, juntamente com a comunidade do Assentamento Humano (A.H.) Horacio Zevallos, intervém no espaço público anexo a uma cozinha comunitária no distrito de Rímac, melhorando a qualidade de vida dos moradores locais.
Com as cidades cada vez mais verticalizadas, os edifícios têm encontrado formas de aproveitar as vantagens que as coberturas podem trazer em meio à vida urbana. Por meio de salões para festas, restaurantes, piscinas, e outros programas, a arquitetura contemporânea têm conseguido acesso à luz do sol, à ventilação natural e também à um horizonte a partir da ocupação das coberturas, tornando-as um atrativo comercial para empreendimentos residenciais e comerciais. Mas, o interesse em apreciar a cidade desse ponto de vista não é fruto apenas da verticalização, tampouco uma alternativa meramente técnica.
“Viajar nem sempre é bonito. Nem sempre é confortável. Às vezes dói, chega a partir o coração. Mas tudo bem. A jornada transforma você; ela deve transformar. Deixa marcas na memória, na consciência, no coração e no corpo. Você leva algo consigo. E, com sorte, deixa algo bom para trás.” – Anthony Bourdain
A frase do saudoso Anthony Bourdain se aplica perfeitamente ao desenvolvimento de projetos de arquitetura no exterior. A curva de aprendizado é íngreme, repleta de riscos e recompensas. Como se preparar? Uma excelente referência está na atualização recente do documento de contrato da AIA (American Institute of Architects), o B161 - Agreement Between Client and Consultant for design consulting services where the Project is located outside the United States, publicado originalmente em 2002. A seguir, apresentamos uma breve introdução a esta nova versão do documento, disponível em aiacontracts.org.
Domino Park em Williamsburg, Brooklyn - Um exemplo de sucesso de espaço público que é utilizado por muitas comunidades. Imagem cortesia de Two Trees Management
A urgência para reduzir as emissões de gases de efeito estufa nunca foi tão grande, e alcançá-la exigirá medidas ousadas para edifícios, infraestrutura e comunidades. Reduções incrementais não são suficientes; precisamos focar na descarbonização total, o que significa eliminar as emissões de carbono causadas pelo nosso ambiente construído.
Essas grandes mudanças na forma como a energia é gerada e consumida trarão questões importantes sobre quem se beneficia e quem arca com os custos. Programas de incentivo focados em tecnologia podem acabar deixando nossas comunidades mais vulneráveis para trás, exacerbando um legado de subinvestimento e disparidades de saúde, além de falharem em atingir as metas essenciais de uma transição energética completa. Em vez disso, precisamos de soluções holísticas que priorizem as comunidades desfavorecidas e promovam a transição de edifícios que, de outra forma, seriam deixados de fora, gerando uma transformação de mercado de baixo para cima que beneficie a todas as pessoas.
A história da fotografia mexicana contribuiu para a construção da presença do México no mundo. Fotógrafos e fotógrafas como Elsa Medina, Lola Álvarez Bravo, Graciela Iturbide, Maya Goded e Juan Rulfo retrataram magistralmente a vida dos edifícios, casas e ruas de um México do século XIX que se construía rapidamente. Como resultado, a cena contemporânea da fotografia mexicana tornou-se uma ferramenta fundamental para a arquitetura, contribuindo para uma melhor compreensão visual das obras que são erguidas dia após dia.
As experiências oferecem a um projeto de arquitetura a oportunidade de se elevar além das entidades bidimensionais, permitindo articular personalidade e emoção de diferentes maneiras – uma estratégia bastante útil principalmente em projetos comerciais e de serviços. Por meio das experiências, as marcas podem levar seus visitantes a uma experiência imersiva que reflete seus valores, missão, história e assim por diante.
O acesso à moradia adequada é um direito humano. Contudo, diante do aumento drástico dos preços, de rendimentos que não crescem proporcionalmente e de políticas públicas ineficazes, a falta de lares seguros e acessíveis alimenta uma constante crise habitacional global. Na realidade, constatou-se que 90% de 200 cidades pesquisadas foram consideradas inacessíveis para se viver, com o impacto da COVID-19 apenas agravando a situação e forçando grande parte da população mundial a se submeter a condições de vida precárias. Espera-se que esse cenário se agrave ainda mais em um futuro próximo; até 2025, o Banco Mundial estima que 1,6 bilhão de pessoas serão afetadas pela escassez de moradias.
“Criar uma cidade equitativa implica em que cada cidadão tenha suas necessidades atendidas”, diz a arquiteta Wanda Dalla Costa em um momento em que as metrópoles passam por muitas mudanças. Arquitetos e o público começaram a reconhecer o design de espaços públicos orientado para o gênero. Em todo o mundo, historicamente, as áreas urbanas têm sido um local de discriminação e perigo para a comunidade LGBTQ+. Por outro lado, a questão de gênero pode ser evidenciada em zonas públicas que promovam a visibilidade e interação entre as pessoas. Um árduo desafio recai sobre arquitetos e planejadores: projetar ambientes justos e espaços equitativos.
O hotel de luxo, como tipologia arquitetônica, é singular. Com efeito, trata-se de uma comunidade autossuficiente, um edifício que submerge o/a visitante abastado/a em seu contexto local. Ainda que possam ser comunidades fechadas em si mesmas, esses hotéis também são receptáculos do caráter socioeconômico mais amplo de um lugar, onde a vida de luxo frequentemente convive lado a lado com assentamentos informais, nos exemplos mais extremos de desigualdade social.
Os fungos estão em quase todos os lugares — no ar que respiramos, no solo em que pisamos, na nossa alimentação e, sim, eles também vivem dentro de nós.