Teatros, salas de concerto e casas de ópera são muito mais do que simples locais de apresentação — constituem ambientes meticulosamente orquestrados onde arquitetura, tecnologia e emoção humana convergem. Ao contrário de edifícios convencionais, esses espaços precisam acomodar uma interação dinâmica entre acústica, linhas de visão, engenharia de palco e engajamento do público, mantendo ao mesmo tempo uma identidade arquitetônica capaz de ressoar tanto com os artistas quanto com o público. Seja no acolhimento imersivo de uma sala de concerto em estilo "vinhedo" (vineyard) ou na imponência de um palco italiano, cada decisão de projeto molda a maneira como as apresentações são vivenciadas e lembradas.
A publicação recente SET PIECES: Architecture for the Performing Arts in Fifteen Fragments , do escritório Diamond Schmitt Architects, explora essas complexidades por meio de estudos de caso e reflexões. Inspirado nessas perspectivas, este artigo examina considerações fundamentais de projeto para espaços de apresentação, desde a engenharia acústica até o papel em evolução dos teatros na vida urbana.
Buildner, em parceria com a Collective Action for Culture (C.A.C), a Prefeitura de Peja e o Ministério da Cultura do Kosovo, divulgou os resultados do concurso Peja Culture Pavilion – um concurso internacional de arquitetura que convidou arquitetos/as e designers a reimaginar um local de grande relevância histórica no coração de Peja, no Kosovo.
O concurso buscou propostas de projeto inovadoras e respeitosas que revitalizassem uma praça urbana negligenciada, que tem como ponto central uma fonte de água do século XV. Solicitou-se aos/às participantes que integrassem esse elemento do patrimônio cultural a um pavilhão multifuncional que pudesse servir de espaço para apresentações, reflexão, encontros e celebrações.
As soluções modulares da BoConcept transformam o espaço em uma experiência positiva e diversa, aprimorando o ambiente de trabalho
Qual é o sentido do espaço arquitetônico se ele não for usado e vivenciado? Essa reflexão ampla toca no propósito essencial e na sustentabilidade da própria arquitetura. Trata-se de uma questão que talvez seja ainda mais relevante hoje para escritórios que correm o risco de ficarem vazios em uma era de trabalho remoto e híbrido. Diante disso, um desafio fundamental para o design contemporâneo é aprimorar o ambiente de trabalho de modo a incentivar a presença física das pessoas.
Como o primeiro instituto de pós-graduação em ensino de arquitetura nascido de conexões com algumas das figuras mais influentes do design contemporâneo, a Yacademy oferece a quem passa por suas portas a chance de crescer — tanto profissional quanto pessoalmente. Aqui, jovens profissionais da arquitetura vivenciam uma jornada abrangente projetada para aprimorar suas habilidades, aguçar sua sensibilidade e cultivar relações significativas. Um pilar dessa jornada é o workshop de construção.
Adesivo de distanciamento em universidade no Canadá. Fonte: Ana Laura Pavin, 2025
Vivemos hoje em um mundo pós-pandêmico, onde as conexões humanas e a atenção à fragilidade da existência foram sutilmente redesenhadas. Mais do que hábitos, foi o próprio espaço urbano e arquitetônico que aprendeu a respirar de outro modo, tentando acolher um tempo incerto. Hoje, caminhamos na serenidade do 'quase normal', mas as cicatrizes daquele tempo ainda sussurram pelas ruas, pelas formas, pelos silêncios — sobreviventes delicados de um passado recente que insiste em permanecer.
https://www.archdaily.com.br/pt/1029484/as-cicatrizes-da-covid-19-nos-espacos-coletivosEduardo Baptista Lopes e Maria Clara Stefanovicz do Prado
O trabalho sempre evoluiu, adaptando-se às ferramentas, tecnologias e estruturas sociais de sua época. Nas primeiras sociedades humanas, a sobrevivência básica era a força motriz do trabalho, com caçadores-coletores dividindo tarefas essenciais para atender às necessidades mais elementares. A Revolução Agrícola marcou um ponto de inflexão, introduzindo assentamentos permanentes e a especialização, o que levou ao surgimento da divisão do trabalho nas civilizações antigas. Com o passar do tempo, a Idade Média viu o surgimento do sistema feudal, enquanto o comércio e as corporações de ofício lançaram as bases para uma mudança monumental: a Revolução Industrial. Essa era transformou o trabalho de uma produção artesanal e doméstica em sistemas de manufatura centralizados e em grande escala.
Antes da industrialização, muitas pessoas prestavam serviços a partir de suas próprias casas. No entanto, à medida que as fábricas cresceram, a força de trabalho centralizou-se, transformando a relação entre profissionais e o local de trabalho. A ascensão do setor de serviços e das corporações modernas deu origem a espaços de escritório que eram frequentemente rígidos e compartimentados, como as icônicas baias do século XX. Hoje, à medida que o trabalho se torna cada vez mais digital e descentralizado, os escritórios se transformam novamente. Layouts abertos, zonas especializadas e cabines modulares (pods) estão substituindo configurações estáticas, promovendo flexibilidade, foco, colaboração e bem-estar. Mas de que forma as inovações nos ambientes de trabalho modernos respondem às demandas de profissionais de hoje?
Por ocasião da Design Week 2025, a Gessi transforma a Casa Gessi Milano em uma experiência de Haute Culture, colocando o bem-estar pessoal no centro das atenções. Com uma presença consolidada no cenário internacional do design, a Gessi continua a incorporar uma visão de inovação, bem-estar e sensibilidade estética refinada. Desde sua inauguração em 2012, este espaço icônico na Via Manzoni tornou-se um ponto de encontro singular onde criatividade, elegância e experimentação dialogam.
Por meio de seus projetos não construídos, obras executadas e pesquisas, as ideias de Amancio Williams surgem como resultado de uma profunda compreensão das tendências mais avançadas de seu tempo, refletindo sobre o projeto de arquitetura, o urbanismo e o planejamento urbano. Ao explorar diversos temas, conceitos e até mesmo materiais, ele busca criar um universo pessoal que interpreta o presente com um olhar voltado para o futuro, ao mesmo tempo internacional e marcadamente argentino. Sua proposta "La ciudad que necesita la humanidad" apresenta edifícios lineares e em camadas suspensos a 30 metros do solo, incorporando desde espaços de escritórios até vias e trens magnéticos em diferentes níveis de uma única estrutura. O arquivo de Amancio Williams no Canadian Centre for Architecture (CCA), em Montreal, documenta sua carreira como arquiteto e designer desde a década de 1940 até o final dos anos 1980. O acervo registra sua produção em mais de 80 projetos de arquitetura, urbanismo e design, bem como a administração de seu escritório de arquitetura e suas atividades profissionais. Composto por desenhos e esboços, maquetes de apresentação, registros fotográficos — incluindo fotos de maquetes, obras concluídas, imagens de referência, reproduções fotográficas de plantas e fotos de canteiros de obras —, o arquivo está disponível para consulta, oferecendo mais detalhes.
Riga Bosques, um projeto multifamiliar para locação (build-to-rent) no distrito de Santa Fe, na Cidade do México, conta com 110 apartamentos residenciais projetados pelo arquiteto Enrique Macotela
Quando as sementes que floresceriam na BoConcept foram plantadas pelos marceneiros Tage Mølholm e Jens Ærthøj na pequena cidade dinamarquesa de Herning, em 1947, seus fundadores dificilmente poderiam prever que a recém-criada empresa de mobiliário se tornaria, com o tempo, uma líder global em design escandinavo contemporâneo.
E, de fato, foi o que aconteceu. Atualmente, a BoConcept opera 300 lojas exclusivas em mais de 65 países, e muitas de suas peças – da minimalista, orgânica e ergonômica cadeira Adelaide, desenhada por Henrik Pedersen, à mesa de jantar Santiago com tampo de cerâmica e traços clássicos, de Morten Georgsen – tornaram-se referências tanto para profissionais de design de interiores quanto para consumidores atentos à estética. Seu alcance global é respaldado por franqueados dedicados, como Carlos Salamonovitz, que recentemente trouxe a visão da BoConcept para um novo projeto residencial na Cidade do México.
Fundado em Guangzhou em 2007 por He Jianxiang e Jiang Ying, o escritório O-office Architects (源计划建筑师事务所) busca, por meio de uma prática projetual baseada em pesquisa, construir um novo discurso espacial que conecte o crescimento acelerado e a cultura regional. Mantendo o rigor e a contenção profissional, o escritório persegue a essência do espaço interior e da vida urbana, amplamente perdidos na atualidade. O O-office compreende o projeto de arquitetura como uma construção e uma jornada dentro de uma urbanização difusa, buscando estabelecer um conjunto de estratégias integradas que transitam por diferentes escalas e disciplinas. A preservação da história e da memória urbana no Delta do Rio das Pérolas, aliada à investigação sobre novas formas de habitação urbana, constituem o foco recente de projeto e pesquisa do escritório. A prática regional singular do O-office tem atraído ampla atenção da mídia especializada nacional e internacional, com obras e ensaios publicados em periódicos acadêmicos de prestígio como The Architecture Review (Reino Unido), Architectural Record (EUA), L'Architecture d'Aujourd'hui (França), CASABELLA (Itália) e Architectural Journal (China), além de diversas publicações internacionais dedicadas ao estudo e a estudos de caso da arquitetura contemporânea chinesa.
Os projetos do O-office receberam inúmeros prêmios nacionais e internacionais de arquitetura e design, destacando-se a indicação do Museu de Fotografia de Lianzhou como um dos três finalistas do Prêmio Internacional RIBA (RIBA International Prize) de 2024, concedido pelo Royal Institute of British Architects. Além disso, o portfólio de reconhecimentos do escritório inclui a Medalha de Ouro da ARCASIA (Associação de Arquitetos da Ásia) em 2020 e 2022, o Prêmio Internacional de Excelência do RIBA em 2021 (RIBA International Award for Excellence), o Prêmio de Arquitetura de Cidade Humanista Sanlian em 2020, uma menção honrosa (Highly Recommended) no prêmio New into Old de 2017 da revista The Architecture Review, e a indicação ao Prêmio Suíço de Arquitetura BSI em 2016. Em 2015, o escritório foi nomeado pela revista norte-americana Architectural Record como uma das dez principais firmas de arquitetura de vanguarda do mundo (Design Vanguard) e, em 2020, foi eleito pela prestigiosa revista domus como um dos 50 melhores escritórios de arquitetura do mundo.
Entre as obras concluídas do O-office, destacam-se o Centro de Artes e Esportes da Escola Secundária Hongling em Shenzhen, a Escola Experimental Hongling, a Plantação de Chá de Duichuan em Gaoming (Foshan), a Comunidade Artística iD Town em Shenzhen, o Colégio Mingde em Shenzhen, o Museu de Fotografia de Lianzhou, além de uma série de projetos de pesquisa e prática em habitação coletiva desenvolvidos em parceria com a Vanke (como o complexo residencial Songshan Lake, os apartamentos Base Bo Yu em Guangzhou e a Comunidade Criativa de Tianhe). Destacam-se também os centros culturais desenvolvidos em colaboração com a Fundação Cultural e Artística EMGdotART em Guangzhou, Pequim e Xangai, bem como o Pavilhão Palazzo Zen em Veneza, Itália, concluído em 2014. Atualmente, os projetos em andamento incluem o complexo integrado do corpo de bombeiros e terminal de ônibus de Dongjiao em Liwan (Guangzhou), centros de arte rural em Linhai (Zhejiang) e Kaiping (Guangdong), e a renovação da Escola Primária de Langtou em Huadu (Guangzhou).
https://www.archdaily.com.br/pt/1143094/vagas-em-guangzhou-o-office-architects-arquiteto-a-de-projeto-arquiteto-a-arquiteto-a-assistente-especialista-em-midia-e-pesquisa-estagiario-a韩爽 - HAN Shuang
O legado arquitetônico do Porto é moldado há muito pelo peso da história e pela clareza da forma. Da obra de Álvaro Siza à densa rede de escritórios que emergem das escolas da cidade, o Porto oferece uma mistura única de continuidade e reinvenção. Aqui, a arquitetura não é apenas uma questão de projeto, mas muitas vezes de resistência — de trabalhar sob restrições, desenhar com precisão e navegar por um ambiente construído marcado pela permanência e pela aversão ao espetáculo.
No entanto, diante desse contexto persistente, uma nova geração de profissionais da arquitetura vem redefinindo o campo com discreta determinação. Frequentemente atuando em espaços compartilhados, esses escritórios equilibram autonomia com colaboração, além de um detalhamento meticuloso com preocupações urbanas mais amplas. Seus estúdios costumam refletir esse ethos: modestos em escala, definidos pelo reuso adaptativo e enraizados na realidade material da cidade. Nesses espaços de trabalho, a arquitetura se desdobra como um processo — às vezes especulativo, às vezes pragmático —, mas sempre reflexivo de uma prática profundamente local e cada vez mais global.
Durante séculos, o coração da Península Arábica foi uma terra de vastos desertos e assentamentos moldados pelo seu entorno. Essa relação com a paisagem, a materialidade e o conhecimento do lugar não apenas perdurou, mas hoje se traduz em um cenário que ganha reconhecimento na cena criativa global. Desde projetos que surgem com uma profunda sensibilidade ao contexto até exposições globaise prêmios que impulsionam sua evolução, a região consolida sua linguagem arquitetônica — enraizada em sua história e, ao mesmo tempo, voltada para novas explorações. Longe de estagnar, esse impulso continua a traçar o caminho para o seu desenvolvimento, estabelecendo a região como uma plataforma de destaque no discurso arquitetônico contemporâneo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143190/insights-da-comissao-de-arquitetura-e-design-da-arabia-saudita-e-da-iniciativa-designathonEnrique Tovar
A Buildner divulgou os resultados do seu Denver Single Stair Housing Challenge, um concurso internacional de projeto que convidou profissionais de arquitetura, design e planejamento urbano a explorar soluções inovadoras para a habitação multifamiliar de alta densidade. Os/as participantes tiveram como tarefa reimaginar a tipologia comum de blocos com acesso por ponto único (point access block) — frequentemente caracterizada por circulação vertical concentrada em um núcleo compacto — e transformá-la em um ambiente residencial mais sustentável, voltado para a comunidade e adaptável. Embora o concurso tenha focado em terrenos em Denver, Colorado, suas discussões são relevantes para contextos urbanos em todos os Estados Unidos e ao redor do mundo.
A Índia vive um momento divisor de águas em sua evolução urbana. Com as Nações Unidas projetando que a urbanização atingirá 68% até 2050, as regiões metropolitanas do país precisam se adaptar ao aumento populacional, mantendo a equidade e a qualidade de vida. Espera-se que a população urbana da Índia ultrapasse os 600 milhões até 2030, direcionando as atenções tanto para a densidade quanto para a dispersão urbana. Como um protagonista emergente no campo do desenvolvimento de edifícios altos, a Índia está reestruturando a forma como lida com o crescimento urbano ao migrar da dispersão horizontal para a expansão vertical.
A tecnologia de renderização em tempo real está evoluindo a um ritmo sem precedentes, e o D5 Render 2.10 estabelece um novo patamar com a introdução do path tracing em tempo real. Além desse avanço de última geração, a atualização traz melhorias significativas no pós-processamento orientado por inteligência artificial, na geração procedural de cidades, nos efeitos climáticos, nos controles de animação e nos recursos de colaboração em equipe, elevando tanto a qualidade da renderização quanto a eficiência do fluxo de trabalho.
A BoConcept combina herança, simplicidade, artesanato, funcionalidade e qualidade no cerne de sua filosofia de design
As origens modestas da BoConcept – empresa de mobiliário fundada em 1947 pelos jovens marceneiros Jens Ærthøj e Tage Mølholm na pacata cidade de Herning, na Jutlândia – contrastam fortemente com sua posição como um ícone do design dinamarquês. Ao resgatar e refinar os pilares da tradição, simplicidade, marcenaria artesanal, funcionalidade e qualidade ao longo de 70 anos, a marca tornou-se o nome de mobiliário dinamarquês mais reconhecido globalmente. Esse sucesso se materializa em peças atemporais como a poltrona Imola, de estilo mid-century (inspirada na forma de uma bola de tênis desconstruída), e no minimalismo acolhedor de seu sofá Bellagio – sem mencionar a presença de mais de 300 lojas em mais de 65 países.
O posto de combustível é uma tipologia arquitetônica que passou por transformações significativas desde a sua criação. Inicialmente, essas estruturas eram simples pontos de reabastecimento na beira da estrada, projetados com foco na funcionalidade e não na estética. À medida que a cultura do automóvel se expandiu, os postos de combustível evoluíram para acomodar novas tecnologias, transformações nas paisagens urbanas e mudanças nos comportamentos de consumo. Com o tempo, deixaram de ser apenas paradas utilitárias para se tornarem núcleos de serviços, integrando restaurantes, motéis e espaços de lazer, em resposta às crescentes demandas do transporte contemporâneo.
No final do século XX, no entanto, a padronização generalizada dos postos de combustível fez com que passassem a ser percebidos como "não-lugares", conceito cunhado pelo antropólogo Marc Augé para descrever espaços de transição que carecem de significado social ou cultural. Com projetos uniformes e foco na eficiência, os postos de combustível tornaram-se intercambiáveis, reforçando seu papel como infraestrutura puramente funcional, em vez de intervenções arquitetônicas significativas. Essa padronização também marcou o distanciamento de uma era em que os postos serviam como marcos visuais reconhecíveis, contribuindo para uma paisagem homogeneizada e desprovida de identidade local.
"Divers" de David Martin no Complexo da Cascata de Yerevan. Imagem por Besides the Obvious via Shutterstock.
Situada entre os picos majestosos do Cáucaso e as paisagens fascinantes do Oriente Próximo, a Armênia é uma nação pequena, mas intensamente orgulhosa, moldada por montanhas escarpadas e vulcões antigos. Sendo um dos países mais antigos do mundo, suas raízes remontam ao século VI a.C., situando-se no cruzamento de impérios—persa, romano, bizantino e otomano. No entanto, ao longo de séculos de transformações, a Armênia preservou sua identidade singular, esculpida em seu idioma, em sua arquitetura e em suas ricas tradições culturais—o que lhe rendeu o título evocativo de "a terra das pedras".
A funcionalidade é indispensável ao projetar, mas criar a atmosfera certa é crucial — especialmente em banheirose cozinhas, onde alguns acabamentos, tonalidades e metais bem escolhidos podem transformar completamente o ambiente e favorecer a composição de um espaço coeso. Conceitos como beleza, qualidade e variedade orientam grande parte do processo de design dessas áreas, estimulando o que se poderia chamar de busca pela perfeição em todas as dimensões. A interação desses fatores aprimora tanto a composição visual quanto a experiência de uso, moldando um cenário equilibrado e atraente que se adapta à constante evolução das linguagens da arquitetura e do design.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142821/criando-uma-aura-de-perfeicao-com-acabamentos-metalicos-intensos-em-interiores-modernosEnrique Tovar
Às vezes, as soluções mais simples são as mais revolucionárias e impactantes. Durante a crise energética no Brasil, em 2002, o mecânico Alfredo Moser desenvolveu uma maneira acessível e eficaz de iluminar ambientes internos durante o dia. Usando apenas uma garrafa PET instalada no telhado, preenchida com água e alvejante, ele aproveitou a refração da luz solar para levar claridade a espaços antes imersos na escuridão. Em moradias autoconstruídas, onde sucessivos anexos muitas vezes comprometem a entrada de luz natural e ventilação, essa solução faz toda a diferença. Batizada de "lâmpada de Moser", a invenção gera iluminação equivalente a uma lâmpada de 60W e se espalhou pelo mundo, através de diversas reportagens. Desde então, o projeto continuou a evoluir e se adaptar às necessidades das comunidades atuais, transformando vidas por meio de uma solução que é tão simples quanto altamente inteligente.
Terraço jardim entre as duas fases. Imagem cortesia de NEUF architect(e)s
Com a medicina moderna, pode ser difícil para muitos hoje imaginar a devastação causada pela tuberculose (TB) há cerca de 100 anos. Associada inicialmente a condições insalubres e de superlotação, apenas no Canadá a doença causava a morte de aproximadamente 8.000 pessoas anualmente no final do século XIX. Nessa época, antes da descoberta de tratamentos mais avançados, as prescrições médicas envolviam luz solar, ar puro e repouso. Como resposta, sanatórios foram criados. Eram locais onde os pacientes podiam ser isolados da comunidade para tratar a enfermidade. Um testemunho desse legado ergue-se no coração de Montreal: o antigo Royal Edward Laurentian Institute, mais tarde conhecido como Montreal Chest Institute. Nascido de uma crise, o local tornou-se desde então um símbolo de resiliência, transformação e inovação, deixando de ser um espaço de isolamento para se transformar em um polo próspero de pesquisa e empreendedorismo nas ciências da vida.
É com prazer que anunciamos os projetos finalistas do Prêmio ArchDaily Brasil Obra do Ano 2025. Após duas semanas de indicações, foram selecionadas as obras mais votadas entre centenas de projetos construídos em países de língua portuguesa. Nosso júri, formado por milhares de leitoras e leitores, desempenhou mais uma vez um papel fundamental na curadoria desta seleção, resultando em uma lista de 15 projetos notáveis.
A partir de hoje até 9 de abril às 23h59 (GMT-3), é possível votar uma vez por dia nos finalistas — os melhores exemplos da arquitetura lusófona contemporânea. O resultado será divulgado no dia 10 de abril.
"Sentir-se em casa" é uma expressão que representa as sensações de acolhimento e conforto as quais transformam um espaço em um verdadeiro refúgio. Para alcançar essa experiência, diversos elementos — como cores, texturas, iluminação e materiais — desempenham um papel essencial, construindo um ambiente que promove relaxamento e bem-estar. Apoiado por estudos no campo da psicologia ambiental e neurociência, esse vínculo entre o ambiente físico e o comportamento humano evidencia como a arquitetura influencia diretamente a criação de atmosferas podendo, inclusive, transformar o caos em tranquilidade.
A forma como os espaços são percebidos e vivenciados vai muito além da estética—eles influenciam diretamente as emoções, pensamentos e até mesmo a criatividade. Na prática é fácil perceber como ambientes amplos e com pé-direito alto geralmente transmitem uma sensação de liberdade e inspiração, enquanto espaços menores e fechados tendem a induzir foco e introspecção. Esse fenômeno não é apenas uma impressão subjetiva, mas algo cientificamente estudado. O antropólogo Edward T. Hall, na década de 1960, cunhou o termo Efeito Catedral para descrever como a altura dos pés-direitos impacta a cognição e o comportamento. Pesquisas mais recentes aprofundam essa ideia, demonstrando como a arquitetura molda nossas decisões e estados emocionais em diferentes âmbitos.