Lo-tech Augmented Reality. Image Courtesy of James Corbett
Os softwares de realidade aumentada (RA) têm marcado presença entre as ferramentas profissionais de projeto há algum tempo. Mas o recente lançamento dos óculos Vision Pro da Apple mostra que o setor de dispositivos vestíveis de realidade mista está ganhando espaço também nos mercados de consumo, à medida que uma das maiores marcas mundiais de design e tecnologia entra nesse ramo.
Uma das principais razões para a imensa expectativa em torno da incursão da Apple no hardware de RA/RV é a decisão de posicioná-lo como "computação espacial". Ao utilizar a complexidade da realidade aumentada para aprimorar um setor familiar ao consumidor - a computação pessoal - a marca sediada em Cupertino simplificou toda a experiência, ampliando sua compreensão e apelo.
Com a ascensão das casas compactas e das cidades densas, fomos forçados a abrir mão de uma quantidade significativa de espaço de armazenamento. Ironicamente, nossos hábitos de consumo não mudaram e, com poucos metros quadrados à disposição, arquitetos/as e designers tiveram que desenvolver soluções de armazenamento eficientes para aproveitar ao máximo o espaço limitado. Por outro lado, para quem tem a sorte de ocupar um espaço amplo e desobstruído com um orçamento generoso, as possibilidades de design são infinitas. Neste artigo, analisamos como profissionais da arquitetura e do design encontraram maneiras criativas de guardar pertences em espaços com diferentes funções, escalas e restrições espaciais, variando de armários completamente invisíveis a peças centrais escultóricas.
Projeto de Redesenvolvimento da Favela de Sanjaynagar - Equipe técnica reunida com membros do Comitê de Favela. Imagem Cortesia da Community Design Agency
O tempo em que o Modulor – homem perfeito de Le Corbusier – era o único que "poderia" ocupar nossas cidades e arquiteturas ficou no passado. Há algumas décadas, constatou-se que os ambientes estavam sendo criados como uma representação ideológica que não refletia a demanda real e toda a sua diversidade de classes sociais, gênero, cores, faixas etárias, orientação sexual, entre outros. Planejamentos e projetos disfarçados de uma concepção “neutra”, mas que na verdade reproduzem o olhar de um homem branco de classe média. Nesse sentido, chegou o momento em que a cidade deveria deixar de ser organizada a partir dessa experiência errônea de uma apropriação universal e materializar em seus espaços as necessidades particulares de cada cidadão.
Os dados do uso global da água não são encorajadores e o mercado da construção tem uma grande participação no seu consumo. Está na hora de pensar em formas de reduzir esse impacto. A necessidade de projetar edifícios a partir dessa perspectiva nos proporciona uma oportunidade única para explorar alternativas inovadoras e sustentáveis que minimizem ou até mesmo eliminem completamente o uso de água na construção.
Teoricamente, a arquitetura é uma disciplina multisensorial que envolve texturas, cores, sombras, sons e aromas. No entanto, na prática, a linguagem visual é frequentemente priorizada para explorá-la, limitando-se principalmente à visão para identificar elementos arquitetônicos e navegar autonomamente em ambientes construídos e contextos urbanos. Portanto, é crucial integrar superfícies de pavimentação tátil na arquitetura.
Cegueira e deficiência visual transcendem ser uma condição ou deficiência; elas representam uma forma alternativa de perceber o ambiente ao nosso redor. Nesse sentido, o toque se torna uma linguagem e um guia fundamental para interagir com a arquitetura. De acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Artigo 9), todas as pessoas têm o direito inerente de acessar o ambiente físico em igualdade de condições com as outras.
https://www.archdaily.com.br/pt/1003749/como-funcionam-as-superficies-tateis-para-cegosEnrique Tovar
Ao longo da história da cidade, as edificações passam por mudanças de uso e de programa. Não teria como ser diferente, já que cada época possui suas questões e necessidades específicas. O tipo de moradia, a densidade demográfica em determinadas regiões e os novos comércios e serviços alteram a configuração da cidade, sem que as construções acompanhem as mudanças na mesma velocidade. Sendo assim, a requalificação – ou reabilitação – das construções não só fazem sentido, como também são necessárias.
Os avanços tecnológicos abriram caminho para uma abordagem revolucionária da arquitetura, que envolve responsividade e movimento. Este conceito chamado de "arquitetura cinética" permite que os edifícios se adaptem dinamicamente ao seu ambiente em constante mudança. Hoje em dia, os princípios cinéticos são aplicados para melhorar a sustentabilidade ambiental dos prédios, especialmente por meio das fachadas. No entanto, a arquitetura cinética também tem o potencial de impactar o ambiente construído em outros aspectos. Nos espaços públicos, a arquitetura cinética tem um grande potencial, apresentando oportunidades para torná-los mais acessíveis, inclusivos e amigáveis ao usuário. A introdução de elementos cinéticos nos espaços públicos desafia as suposições tradicionais sobre a arquitetura como um arranjo passivo, inaugurando uma nova era de ambientes urbanos interativos e envolventes.
Analisar casas que arquitetos projetaram para si mesmos pode abrir perspectivas sobre seu processo de design, prioridades e filosofia. Embora muitas vezes reduzidas em escala, essas residências pessoais oferecem um olhar sobre o processo dos arquitetos e a maneira como eles traduzem suas ideias em espaços habitáveis sem restrições impostas pelo cliente no resultado final. As estruturas também refletem os valores pessoais, estilos de vida e preferências estéticas de seus criadores.
Frequentemente, esses projetos são experimentos e campos de testes para seus próprios princípios de design, ampliando os limites da expressão arquitetônica. Desde Ray e Charles Eames, que acabaram passando suas vidas em uma casa experimental criada para a pré-fabricação, até Frank Gehry, que usou sua casa holandesa colonial em Santa Monica para testar as ideias de desconstrutivismo que mais tarde viriam a definir sua carreira, esses projetos representam uma face diferente do processo de projeto de arquitetos renomados mundialmente.
Conforme exploramos práticas sociais que desafiam o modelo hegemônico na arquitetura, passamos a reconhecer a importância de abordar questões relacionadas à identidade, gênero, raça e orientação sexual no âmbito da prática espacial. Ao considerar essas dimensões, nosso objetivo é destacar como o ambiente construído pode promover novas maneiras de visualizar a sociedade e moldar o relacionamento que tecemos com o mundo ao nosso redor. Em busca de vozes que apresentem novas perspectivas, selecionamos uma bibliografia que demonstra as pesquisas e experiências de indivíduos que desafiam as normas ditadas por uma abordagem universalizante. Uma bibliografia de 20 livros internacionais que oferece diversas narrativas que nos convidam a perceber, imaginar e vivenciar o espaço por meio de uma lente LGBTQIA+.
Evidências científicas cada vez mais robustas e promissoras podem auxiliar arquitetos e demais projetistas que busquem pelo design inclusivo, levando em consideração as mentes diversas, ou seja, elaborar ambientes construídos que dialoguem com a neurodiversidade. A existência da neurodiversidade sempre esteve presente na humanidade. O termo abrange as pessoas com as mais diversas condições neurológicas e foi criado pela socióloga Judy Singer, em 1999.
Intervenção urbana no entorno da escola Anne Frank, em Belo Horizonte. Foto: Rafael Tavares / Octopus Filmes
O urbanismo tático é um tipo de intervenção no espaço urbano que vem ganhando destaque e levantando discussões em diversos locais nos últimos tempos. Ele parte da ideia de que ações civis de baixo custo e de pequena escala podem ter um impacto significativo no ambiente urbano, melhorando suas dinâmicas e o cotidiano das pessoas. No entanto, de uma intervenção pontual, temporária ou de escala reduzida, a partir de sua aceitação e reconhecimento, muitas dessas iniciativas extrapolaram suas pretensões iniciais e se transformaram em disparadoras de processos urbanos mais amplos, desencadeando novas atuações que envolvem outros atores, esferas e até o próprio poder público.
Em busca de rotas escolares com mais acessibilidade e ações que incluem as crianças na mobilidade urbana, o coletivo Cidade Ativa, em parceria com a IDOM, desenhou um plano de ação baseado no diagnóstico de dois casos da cidade de São Paulo. Disponível gratuitamente e online, o material serve como inspiração para outras cidades que pretendem tornar o espaço urbano mais seguro e acessível.
https://www.archdaily.com.br/pt/1003811/rotas-escolares-seguras-e-acessiveis-para-as-criancas-um-plano-de-acaoArchDaily Team
Casas e prédios são um dos primeiros temas que as crianças aprendem a desenhar. A simples disposição de quadrados e retângulos com um triângulo em cima é fácil e eficiente, e rapidamente identificável. No entanto, uma vez que passamos do desenho para a construção, talvez existam maneiras melhores de se erguer uma edificação. Esses cinco exemplos de edifícios, pavilhões e instalações com cúpulas reforçam a ideia de que há uma maneira mais fácil de fazer quando se pensa fora do quadrado.
A obra do arquiteto franco-suíço Charles-Édouard Jeanneret, é, entre muitos outro adjetivos, abrangente. Le Corbusier aventurou-se em escalas desde o desenho de mobiliários a planos urbanos para cidades inteiras, passando pela pintura, projetos diversos e a escrita de livros. Algo que não é tão falado, no entanto, foi a teoria de cores que ele desenvolveu e aplicou a vários de seus projetos arquitetônicos e esforços artísticos. Profundamente enraizada em sua crença de que a cor desempenha papel significativo para evocar emoções e criar ilusões espaciais, a teoria das cores de Le Corbusier foi descrita em seu livro "PolyChromie Architecturtale" (arquitetura policromia), publicado em 1931. Ali, ele introduziu seu conceito e uma gama cuidadosamente curada de cores que pretendiam ser usadas em contextos arquitetônicos específicos.
No dia 10 de dezembro de 2022, o ArchDaily realizou com sucesso o primeiro fórum temático da Building Dynamic, intitulado "Co-criação e Co-pensamento". O evento contou com a presença de sete convidados e convidadas que compartilharam suas experiências com especificações e materiais: Libin Chen, sócio do escritório de Xangai da David Chipperfield Architects; Jing Lin, arquiteta sênior de projetos e diretora associada sênior da SHL; Shuangquan Ni, diretor de marketing da Avarte; Yi Yao, vice-gerente geral do Departamento de Gestão de Design da Região Leste da China da CR Land; Zhou Qing, vice-gerente geral e diretora de design da GOA; Isabel, gerente de projetos residenciais da iGuzzini; e Chunyan Cai, arquiteta-chefe do Atelier Tao+C. Além disso, Shuang Han, nossa editora-chefe na China, apresentou os motivos pelos quais decidimos lançar o mini-programa voltado ao setor de materiais, bem como nossos planos futuros. Expressamos nossos agradecimentos especiais à CR Land pelo apoio com o espaço, aos patrocinadores iGuzzini e Avarte pelo grande suporte, e a todos os presentes.
Até hoje, mais de 90 países estabeleceram metas para emissões líquidas zero, comprometendo-se a contribuir para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Mas permanecem dúvidas quanto à credibilidade de muitos desses compromissos e se essas metas serão de fato cumpridas.
Juntos, os países que estabeleceram metas de zerar emissões líquidas – um grupo de inclui China, Estados Unidos e Índia – são responsáveis por quase 80% das emissões globais de gases do efeito estufa. Além deles, milhares de outras regiões, cidades e empresas também estabeleceram suas metas. Nunca antes tivemos tanta ambição e um momento tão propício para reduções tão profundas nas emissões.
https://www.archdaily.com.br/pt/1004494/cinco-paises-que-estao-no-caminho-para-chegar-a-emissoes-liquidas-zeroClea Schumer, Cynthia Elliott e Rebecca Gasper
Reforma de eficiência energética em parede para economia de energia. Isolamento térmico de parede externa de casa com lã mineral, edifício em construção. Imagem via Shutterstock / brizmaker
Os setores de edifícios e construção são protagonistas na luta contra as mudanças climáticas — juntos, são responsáveis por 30% do consumo global de energia final e por 27% das emissões totais de CO2 do setor energético. Além disso, a demanda de energia de edifícios e da construção civil continua a aumentar, impulsionada pelo maior acesso à energia em países em desenvolvimento, pela crescente necessidade de ar-condicionado, pelo aumento da posse e uso de eletrodomésticos e pelo rápido crescimento da área construída global. Sem ações políticas direcionadas, a energia consumida nos edifícios poderá aumentar em até cerca de 70% até 2050.
Estar presente se tornou a nova moeda de troca, outra maneira de acumular um capital simbólico e uma nova forma de chancelar um status. A princípio, isso começou com o repentino e rápido crescimento do fluxo de pessoas em museus e com a evidente concentração em áreas específicas da Cidade do México. Poderíamos abordar uma problemática que nos assola atualmente: a gentrificação e o deslocamento forçado.
Em Lagos, uma cidade de tecido urbano complexo, com edifícios históricos e diversas interpretações da arquitetura contemporânea, está sediado o PatrickWaheed Design Consulting (PWDC). O escritório, coordenado por Adeyemo Shokunbi, procura contribuir para uma nova linguagem arquitetônica nigeriana por meio do renascimento de materiais locais. Seus estudos focam no solo local, composto por laterita, que serve de base para acabamentos e corantes naturais, além de apresentar boas propriedades térmicas. Em dois de seus projetos recentes em Lagos — a Mad House e a Mesquita Abijo — o escritório faz uso dos acabamentos em laterita e defende uma linguagem arquitetônica nigeriana baseada no uso inventivo de materiais locais.
Grandes cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, têm transformado as áreas centrais em regiões com mais habitações, resgatando assim um passado em que havia mais vitalidade. O Rio de Janeiro foi pioneiro ao lançar seu programa Reviver Centro em 2021. Já São Paulo lançou recentemente o Todos pelo Centro, que também pretende “promover ações de transformação no Centro de São Paulo, que tragam uma nova vida em conjunto com memórias e a história da cidade”
Existem muitos materiais de construção que passaram por poucas mudanças desde sua introdução original no campo da arquitetura. No entanto, isso não significa que estejam obsoletos, mas sim que suas qualidades e simplicidade os tornam altamente versáteis, demonstrando a resiliência e a durabilidade de materiais que resistem ao teste do tempo. Um exemplo disso é o tijolo, um material atemporal que soube se adaptar ao longo dos anos, desempenhando funções como paredes, revestimentos e pavimentos, entre outras. Partindo dessa premissa, Louis Kahn referiu-se às possibilidades expressivas do tijolo, afirmando: "Até um tijolo quer ser algo. Ele tem aspirações."
Graças ao avanço de novas tecnologias aplicadas aos materiais, surgiram propostas disruptivas que convergem em novos sistemas construtivos. Frequentemente, essas novas tecnologias são combinadas com materiais considerados "tradicionais", gerando novos conceitos em que elementos como o tijolo encontram novas aplicações e possibilidades. Um desses novos conceitos é o Flexbrick, um tecido cerâmico com sistema industrializado que combina telas flexíveis para envelopar espaços arquitetônicos. Isso abre novas possibilidades de aplicação na vanguarda da revolução da arquitetura paramétrica, utilizando um material flexível, adaptável e sustentável.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138121/arquitetura-baseada-em-algoritmos-tijolos-flexiveis-para-envolver-espacos-arquitetonicosEnrique Tovar
O concreto pigmentado surge a partir da adição de pigmentos que proporcionam uma cor específica ao concreto tradicional. De toques sutis a cores mais intensas, essa estratégia permite que a arquitetura brinque com superfícies e estruturas em uma ampla gama de tonalidades e acabamentos. Diferentemente dos revestimentos superficiais, o concreto pigmentado integra-se diretamente na composição da mistura, o que evita o desbotamento ou o desgaste ao longo do tempo. Graças às suas múltiplas possibilidades estéticas, o concreto pigmentado é uma alternativa versátil e atraente para agregar cor à arquitetura e ao design.
Como aplicar esse material na arquitetura? Para obter condições ideais e duradouras com o concreto pigmentado da Melón Hormigones, é fundamental seguir corretamente seu processo de aplicação, seja em paredes, pisos internos, pavimentos externos, esculturas ou mobiliário urbano. A seguir, compartilhamos uma série de recomendações fundamentais para o uso correto do concreto pigmentado, desde a seleção do produto até os cuidados pós-aplicação.
Isolar bem as edificações e utilizar os materiais adequados são pilares fundamentais no momento de construir um projeto. Essas estratégias agregam conforto aos interiores e representam uma medida de economia a longo prazo.