A cidade de Nova York representa a expressão máxima da fusão entre os bairros vibrantes e de escala granular que Jane Jacobs outrora idealizou e as transformadoras inovações urbanas de Robert Moses. No entanto, sua população diversa enfrentou graves adversidades nos últimos vinte anos, o que forçou a cidade a mergulhar em uma onda contínua de autorreflexão para reavaliar as estratégias urbanas, as tendências de design e os sistemas de transporte global aos quais havia se acostumado. Após as tragédias do 11 de setembro e do furacão Sandy, o equilíbrio delicado entre promover uma identidade cultural individual e a força da união — marca registrada dos nova-iorquinos — foi o motor essencial de sua revitalização. A cidade de Nova York tem lidado constantemente com a adversidade, sempre repensando, redesenhando e reconstruindo o ambiente urbano para um futuro melhor.
O artigo a seguir é fruto de uma pesquisa de trabalho de conclusão de curso do arquiteto colombiano Sebastián Rojas (Pontificia Universidad Javeriana), na qual explora as materialidades e técnicas de construção vernáculas de 23 protótipos de regiões como o Eixo Cafeteiro, a Amazônia colombiana, o Altiplano Cundiboyacense e a costa norte.
A escala molda drasticamente a forma como vivenciamos a arquitetura e o ambiente construído. Seja analisando os edifícios por volume, área construída ou altura, quanto maior o projeto, mais profunda é a mudança em nossa percepção. Projetos monumentais contam histórias impressionantes sobre experiência espacial, programa e design. Erguendo-se imponentes ao nosso redor, essas obras em grande escala tornam-se marcos em contextos urbanos e rurais.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos foca em arquiteturas de grande escala localizadas ao redor do mundo. Desenvolvidas por diversos escritórios em diferentes contextos locais, as propostas foram enviadas por nossos leitores e leitoras. Elas demonstram uma ampla gama de abordagens para o projeto em escalas cada vez maiores, desde uma arena expansiva em Viena e um memorial exuberante em Singapura até a torre mais alta do mundo, concebida para chamar a atenção para a pobreza em Toronto.
Construção de um hospital de 1.000 leitos em Wuhan, China. Via Shutterstock
O coronavírus nos diz respeito? Sim. Para além da busca urgente por tratamentos de saúde, observa-se que as cidades reagem utilizando tanto a arquitetura quanto o planejamento estratégico urbano como ferramentas para a contenção do vírus, desestruturando nossas noções de cidade e de planejamento de resiliência.
the city of Homs in Syria. Image 由 Shutterstock/ By Fly_and_Dive
Em um mundo assolado pela guerra e pela destruição, surgem novas perspectivas para a reconstrução das cidades do futuro. As novas tecnologias oferecem oportunidades para projetar ambientes construídos mais qualificados e melhores experiências urbanas. Embora o mundo já tenha testemunhado tentativas fracassadas de reconstrução pós-guerra, o conceito de regeneração urbana no século XXI está intrinsecamente ligado à cultura, à integração e ao desenvolvimento sustentável.
Como se sabe, a tecnologia é um divisor de águas neste século. Ela já transformou a maneira como projetamos e construímos e, com o avanço da inteligência artificial, esse impacto é ainda maior. Se a inteligência artificial é capaz de transformar nosso ambiente de vida atual, ela também pode recuperar o ambiente que perdemos.
A Fundação Charles Correa lançou recentemente alguns trechos de ‘You & Your Neighbourhood’, dissertação de mestrado de Charles Correa no MIT em 1955 — um filme de animação do qual o arquiteto foi roteirista, animador, fotógrafo e diretor. O trabalho apresentava a ideia de um processo participativo para a melhoria dos bairros, com forte ênfase na criação de uma estrutura para aprimorar as condições urbanas por meio de uma abordagem de baixo para cima (bottom-up).
Desde 2015, Ragusa, na Sicília, sedia o FestiWall, um festival internacional de arte dedicado a valorizar o espaço público e a melhorar o engajamento dos cidadãos com a parte moderna de uma cidade antiga. A imagem acima mostra duas vistas de uma torre residencial antes e depois do FestiWall. Qual delas chama mais a sua atenção?
Apostamos que você se sentiu atraído pela imagem com a obra de arte, à direita. Analisar essa imagem com um software biométrico indica que você focará imediatamente no homem do mural.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126548/empatia-no-design-medindo-como-rostos-criam-lugaresAnn Sussman & Janice M. Ward
O Banco Mundial acredita que a urbanização será “a transformação mais importante que o continente africano enfrentará neste século”, com a expectativa de que mais da metade da população viva em cidades até 2040. Isso se traduzirá em 40.000 pessoas migrando para as áreas urbanas todos os dias nos próximos 20 anos. Embora grande parte do debate arquitetônico sobre o futuro da África se concentre nas cidades, as áreas rurais costumam ser ignoradas. Essa, no entanto, tem sido a preocupação do arquiteto italiano Valentino Gareri, fundador do Valentino Gareri Architectural Atelier e designer sênior no Bjarke Ingels Group.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126535/na-africa-um-prototipo-de-escola-modular-combina-o-pratico-e-o-utopicoNiall Patrick Walsh
La Parleta é um projeto do coletivo equatoriano de arquitetura e construção EseColectivo, que reúne "reflexões, anedotas e experiências de muitíssimo valor em torno do ofício". A seguir, compartilhamos algumas de suas palavras e o seu quarto episódio, "Arquitetura Pós-Apocalíptica".
A automação robótica tem sido amplamente adotada pela indústria manufatureira há décadas. A maioria dos veículos automotores, eletrodomésticos e até mesmo robôs domésticos é fabricada e montada por "exércitos" de robôs com supervisão humana mínima. Essa tecnologia proporciona maior eficiência de produção, um ambiente de trabalho mais seguro, custos reduzidos e qualidade superior. Após anos de desenvolvimento e implementação, o processo exige hoje uma intervenção humana mínima.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126556/uma-industria-da-construcao-totalmente-automatizada-ainda-ha-um-longo-caminho-a-percorrerDarwin Lau
Para ter a oportunidade de apresentar seu trabalho a um público global, esta é a hora de inscrever seu projeto no A’ Design Award. O prêmio internacional nasceu do "desejo de destacar os melhores projetos e produtos de excelência" desenvolvidos por designers, profissionais de arquitetura e mentes inovadoras de todas as áreas do design. Em comparação a outras premiações e concursos de design, o A' Design Award se destaca por sua escala excepcional, contando com mais de 100 categorias de design.
Quase sessenta anos atrás, Flora Manteola, Javier Sánchez Gómez, Justo Solsona, Carlos Libedinsky e Antonio Diaz imaginavam um edifício com capacidade para 3.000.000 de livros e 500.000 de revistas e jornais para o concurso de anteprojetos da Biblioteca Nacional da Argentina. O projeto de uma "grande tenda metálica" ficaria em segundo lugar, diante do atual gliptodonte de concreto de Clorindo Testa, Bullrich e Cazzaniga.
A proposta, desde a sua concepção, "alertava a sensibilidade para novos caminhos formais e estruturais", apontava a crítica do júri. Em 2015, esse projeto fez parte da exposição Latin America in Construction e, hoje, sua maquete e desenhos originais estão no catálogo oficial do MoMA (Museum of Modern Art) de Nova York.
A seguir, relembrando o projeto, acompanhamos o relato de Justo Solsona:
Para a Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen (UABB) de 2019, intitulada "Urban Interactions" (21 de dezembro de 2019 a 8 de março de 2020), o ArchDaily colaborou com a curadoria da seção "Eyes of the City" para estimular um debate sobre como as novas tecnologias podem impactar a arquitetura e a vida urbana. A contribuição a seguir faz parte de uma série de artigos acadêmicos selecionados por meio da chamada de trabalhos "Eyes of the City", lançada em preparação para as exposições: pesquisadores/as internacionais foram convidados/as a enviar suas reflexões em resposta ao manifesto elaborado pela equipe de curadoria do Carlo Ratti Associati, Politecnico di Torino e SCUT, que você pode ler aqui.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126303/que-futuros-para-as-bienais-de-arquitetura-licoes-aprendidas-com-a-bienal-de-shenzhen-2019-2020Eyes of the City Curatorial Team
Reunindo os melhores projetos de arquitetura não construídos enviados por nossos/as leitores/as, esta seleção curada apresenta programas convencionais, originais e inovadores. Com projetos de todas as partes do mundo, esta compilação propõe uma descoberta conceitual de diferentes abordagens arquitetônicas.
A arte ganha destaque no artigo desta semana com um museu diferente para o Burning Man, um centro de arte futurista na Eslováquia, um museu dedicado à escrita e o Museu Chinimachin, inspirado na malha urbana da cidade de Bayburt, na Turquia. Além disso, a seleção apresenta residências integradas, a requalificação de uma quadra urbana em Londres e projetos de uso misto na Ucrânia e na Polônia. Entre as novas funções em destaque estão um farol de concreto na Grécia, um complexo de aposentadoria nas montanhas rochosas do Líbano e um hotel termal e spa na Capadócia.
Em 2018, na Alameda Central da Cidade do México, foi erguido um espaço flexível e efêmero que demonstrou a luminosidade e a flexibilidade plástica de unir 2.500 garrafões para formar um oásis cônico azul. Atualmente, este pavilhão se encontra no Huerto Urbano Roma Verde, onde tem abrigado diversos eventos e atividades na busca por superar a fugacidade e a impermanência que determinaram sua essência primária.
O que acontece quando a cidade repleta de sensores adquire a capacidade de ver – quase como se tivesse olhos? Antes da Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen (UABB) de 2019, intitulada "Urban Interactions", o ArchDaily está trabalhando com a curadoria da seção "Eyes of the City" na Bienal para estimular o debate sobre como as novas tecnologias – e a Inteligência Artificial em particular – podem impactar a arquitetura e a vida urbana. Aquivocê pode ler o manifesto curatorial da seção “Eyes of the City” por Carlo Ratti, o Politecnico di Torino e a SCUT.
As tecnologias do ambiente virtual apresentam uma oportunidade para repensar a experiência do espaço, da sociedade e da cultura. Elas nos dão a possibilidade de dialogar com a cidade do futuro, moldando o ambiente construído do século XXI.
Uma das grandes dificuldades encontradas nas metodologias "clássicas" de representação gráfica em planta são as projeções de rampas e escadas. Sempre foi complexo evitar o cálculo da inclinação da rampa, bem como a definição das dimensões do piso e do espelho da escada de circulação entre dois pavimentos de um edifício. Será que atendem às normas vigentes do país? Adaptam-se aos padrões do projeto? Serão calculados com precisão?
Graças aos grandes avanços na modelagem de projetos por meio da metodologia BIM e do software Revit, esses cálculos podem ser realizados com muito mais facilidade. No entanto, esses elementos provavelmente continuarão sendo um dos aspectos da modelagem que mais trará dificuldades durante a fase de projeto.
Desenho de Clara He. Hospital de Campanha. Wuhan, China.
O trabalho apresentado neste artigo é o resultado de desenhos realizados por estudantes da Graduate School of Design da Universidade de Harvard em seu ateliê do segundo semestre, conduzido por Alfredo Thiermann (ThiermannCruz). O trabalho foi produzido ao longo de um período de seis semanas de ensino à distância, após o fechamento da faculdade no início de março.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que, mesmo que vacinas sejam encontradas, a COVID-19 pode nunca desaparecer. Os mecanismos de recuperação “pós-vírus” de repente parecem deslocados e obsoletos. Se esperarmos a crise do coronavírus passar para enfrentar as mudanças climáticas, muitos de nós poderemos nos ver em águas profundas. São necessárias, agora, ações coordenadas e imediatas, somadas a uma cooperação em escala planetária, para enfrentar ambas as crises em paralelo. Para as cidades, isso significa adotar mecanismos que viabilizem tanto a recuperação econômica quanto as transições sustentáveis.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126353/um-chamado-a-cooperacao-global-por-transicoes-urbanas-sustentaveisZaheer Allam, Gaetan Siew and Felix Fokoua
Como base de qualquer projeto de arquitetura, os esboços e desenhos são há muito reconhecidos por sua capacidade de permitir que o/a arquiteto/a interaja com seu projeto de forma eficiente e expresse conceitos de maneira intuitiva. Embora a importância do desenho à mão seja amplamente compreendida nas faculdades de arquitetura, o que acontece com quem não tem essa habilidade? Muitos/as estudantes acham extremamente difícil lidar com a intensidade dos exercícios de desenho à mão durante o primeiro ano de formação. Entre esse público, há quem opte por abandonar a arquitetura simplesmente por não desenhar bem, enquanto outros/as decidem focar no aprendizado de técnicas de desenho digitalizado por computador.
Videos
"Ya no estoy aquí" dirigida por Fernando Frías. Image Cortesía de Netflix
Dirigido pelo mexicano Fernando Frías e vencedor do Prêmio Internacional de Cinema de Morelia, “Ya no estoy aquí” é um longa-metragem amplamente debatido sob diferentes perspectivas, uma vez que evidencia valores e problemáticas específicas de um território que, no entanto, transcendem fronteiras ao revelar o lado mais humano e global do mundo em que vivemos.
Esta entrevista faz parte de uma colaboração com a revista digital Hysteria.mx. Foi originalmente publicada em 24 de janeiro de 2020 com o título "Historias de la frontera entre México y Estados Unidos" como parte da edição nº 31, intitulada "Cuerpos y Territorios", e conduzida por Tadeo Cervantes.
Alejandra Aragón é uma artista visual, fotógrafa, documentarista e ativista oriunda de Ciudad Juárez, Chihuahua, cidade localizada na fronteira norte do México, tristemente famosa pelos casos de feminicídio registrados desde o início dos anos 90 até hoje. É a partir desse lugar que Alejandra narra diferentes aspectos que atravessam a vida cotidiana das mulheres em um território marcado por violências, conflitos e complexidades.
A Europa dos anos 1960 funcionou como uma incubadora para radicais emergentes e provocativos da arquitetura, que desafiavam o dogma tradicional em prol de uma contracultura que transcendia o tempo e o espaço. O Coop Himmelb(l)au, uma facção desse movimento sediada em Viena, questionava as linhas limpas, a rigidez e o caráter literal dos/as arquitetos/as modernistas da época. Embora o escritório seja conhecido por seu espírito rebelde e suas formas agressivas geradas por softwares e tecnologias 3D de última geração, é fundamental reconhecer o trabalho realizado pelo grupo logo após sua fundação, em 1968, e como sua produção inicial ainda desafia incansavelmente o status quo da prática contemporânea e do discurso acadêmico.