Desde que as restrições de quarentena da COVID-19 foram impostas, as redes sociais foram inundadas por imagens de profissionais trabalhando em casa, estudantes migrando para o ensino remoto e amigos/as e familiares socializando por chamadas de Skype e reuniões no Zoom. Diante da enxurrada de conselhos sobre como trabalhar em casa e manter uma rotina organizada neste período atípico, surge um questionamento recorrente: como estruturar um planejamento de longo prazo para o ensino online de ateliê de projeto?
Este artigo busca oferecer algumas diretrizes práticas para escolas e estudantes em todo o mundo, com base em nossa experiência com o ensino online de ateliê de projeto no programa de Mestrado da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Tsinghua, desde fevereiro.
https://www.archdaily.com.br/pt/1127081/dicas-para-o-ensino-em-atelies-de-projeto-na-era-da-covid-19Martijn de Geus
E se contratar um/a arquiteto/a internacional — com excelentes habilidades, qualificações e uma perspectiva única — fosse tão simples quanto recrutar alguém do norte do estado de Nova York ou de Indiana? Profissionais de arquitetura de todo o mundo sonham em ingressar no competitivo mercado americano, e, hoje, estudar ou trabalhar no exterior tornou-se um caminho natural para jovens designers. Ao mesmo tempo, muitos dos principais escritórios dos EUA buscam talentos novos e diversos, mas os custos, a papelada e os entraves burocráticos envolvidos na contratação internacional costumam inviabilizar esse processo. A Architect-US foi criada justamente para preencher essa lacuna.
Ao refletir sobre reciclagem, sustentabilidade, medidas a serem tomadas e soluções tecnológicas inovadoras, é inevitável pensar que existem também abordagens já conhecidas que devem ser levadas em consideração. De fato, ao examinar o impacto do ambiente construído no clima, nota-se que, em muitos países, 80% dos edifícios que existirão em 2050 já foram construídos. A forma mais eficaz de sustentabilidade pode ser, portanto, a economia de energia por meio da eliminação ou minimização de novas construções e da prevenção da demolição de estruturas existentes.
É exatamente isso que o reúso adaptativo propõe: atribuir um novo propósito a um “edifício remanescente” existente. Hoje em dia, o processo de requalificação está se tornando essencial devido a inúmeras questões relacionadas à emergência climática, aos custos de terrenos e de construção, à saturação do solo e à mudança nas tendências de moradia.
“Não é sua responsabilidade concluir a obra [de aperfeiçoar o mundo], mas você também não é livre para desistir dela.” —Rabino Tarfon
Em um voo recente, um senhor sentado ao meu lado notou, em voz alta, que eu estava lendo um livro sobre arquitetura. Atrevendo-me a engajar em uma conversa com mais de duas horas de voo pela frente, confessei que não apenas lia sobre o assunto, mas também praticava a arquitetura. Sua pergunta seguinte, com o tom sincero de um recém-estreante avô, foi se os/as arquitetos/as estavam “resolvendo a crise habitacional”.
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Designwall 2000/4000 / Instalação Vertical. Imagem cortesia de Kingspan
A envoltória de um edifício é a primeira coisa que se nota — sua característica definidora, antes mesmo de se entrar nele. Embora seja indiscutivelmente importante, o desenvolvimento de um projeto de fachada vai muito além da estética. Há aspectos e qualidades invisíveis que tornam o interior da edificação seguro e confortável, elementos que os/as arquitetos/as buscam constantemente equilibrar com a aparência visual do exterior.
As envoltórias protegem contra as intempéries, contribuem para o conforto térmico e acústico, influenciam a segurança contra incêndios e a escolha de um sistema em detrimento de outro traz implicações econômicas, de sustentabilidade, de construtibilidade e de longevidade que devem ser consideradas. Soma-se a isso o fato de que a envoltória precisa responder a múltiplos fatores estéticos: contexto, cor, textura, conforto visual e a intenção geral do projeto, para citar apenas alguns.
O arquiteto italiano Vittorio Gregotti em 1975. Imagem via Wikipedia Commons
Ninguém morre tarde demais, mas Vittorio Gregotti faleceu cedo demais para que algumas de suas ideias radicais pudessem se materializar em forma, e cedo demais para que a 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza de 2020 — adiada pela mesma pandemia que o levou na semana passada — pudesse lhe agradecer.
Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) tem gerado muitos debates na indústria da arquitetura. No entanto, poucos parecem compreender o que ela realmente é e por que desperta sentimentos tão complexos. Embora existam muitos especialistas que dominam esse campo melhor do que eu, acumulei uma década de experiência prática na aplicação de IA e algoritmos em diversos projetos. Um dos desafios que o nosso setor enfrenta atualmente é: como fazer com que essas novas ferramentas gerem valor prático?
Imagens retiradas de Nicola Tartaglia, Nova scientia, segundo livro, Distantia del transito, 1558
O que acontece quando a cidade repleta de sensores adquire a capacidade de ver – quase como se tivesse olhos? Antes da Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen (UABB) de 2019, intitulada "Interações Urbanas" (Urban Interactions), o ArchDaily está colaborando com a curadoria da seção "Olhos da Cidade" (Eyes of the City) na Bienal o objetivo de estimular o debate sobre como as novas tecnologias – e a Inteligência Artificial em particular – podem impactar a arquitetura e a vida urbana. Aquivocê pode ler o texto curatorial de “Olhos da Cidade”, escrito por Carlo Ratti, Politecnico di Torino e SCUT.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126587/como-o-projeto-de-arquitetura-muda-quando-a-cidade-e-equipada-com-os-mais-recentes-avancos-em-inteligencia-artificial-alessandro-armando-giovanni-durbiano-para-a-bienal-de-shenzhen-uabb-2019Alessandro Armando and Giovanni Durbiano
Space Saloon e Designers on Holiday anunciaram o DeSaturated, um festival de design interdisciplinar em regime de residência comunitária, com duração de uma semana, no Vale de Cuyama, na Califórnia. Após o sucesso das duas primeiras edições, LANDING e FIELDWORKS, a equipe retorna à Califórnia mais uma vez. O programa de residência comunitária reunirá designers, artistas e pesquisadores/as para abordar a problemática da escassez de água.
“Architects, not Architecture” decidiu disponibilizar ao público o seu acervo para nos ajudar a enfrentar a situação global de confinamento e servir de fonte de inspiração e entretenimento para a comunidade da arquitetura: uma seleção das melhores palestras apresentadas nos 35 eventos já realizados e que eram inéditas até então – incluindo Tatiana Bilbao, Peter Cook, Richard Rogers, Massimiliano Fuksas, Kim Herforth Nielsen, Ben van Berkel, Anupama Kundoo, Sadie Morgan, Dan Stubbergaard, Manuelle Gautrand e Kjetil Thorsen.
A cada semana, o ArchDaily compartilhará na íntegra uma das palestras que o “Architects, not Architecture” está publicando diariamente em seu site como parte de seu "novo evento": Home Edition 2020 (www.architectsnotarchitecture.com).
De forma exclusiva, o ArchDaily Brasil disponibiliza uma das palestras em espanhol. A seguir, apresentamos a fala da arquiteta Benedetta Tagliabue.
Em junho de 1954, um artigo publicado na revista House & Home dizia: “Os japoneses tiveram algumas de nossas melhores ideias — há 300 anos”. A matéria destacava três atributos principais da Vila Imperial de Katsura, em Kyoto, construída na década de 1620: a planta aberta estruturada em pilares e vigas, o uso de varandas para controle climático e sua modularidade baseada em esteiras de tatame e painéis shoji.
A Escola Hessenwald em Weiterstadt, Alemanha, é um exemplo de arquitetura contemporânea e energeticamente eficiente que propõe um novo modelo pedagógico e de ensino. No centro do edifício e desse modelo conceitual, encontra-se um átrio de três andares, muito bem iluminado e ventilado.
O texto a seguir foi elaborado em resposta ao primeiro tema da série “Potenciais Pós-Pandemia” da AN. Duas reflexões anteriores, de Mario Carpo e Phil Bernstein, abordaram a transição quase sem sobressaltos do ensino de arquitetura do ambiente físico para o virtual. Leia mais sobre a série aqui.
O famoso relato de Michel Foucault sobre a peste descreveu o particionamento da cidade medieval, o confinamento de seus cidadãos e o controle e a distribuição de recursos. Essas ações fundacionais, segundo sua tese, levaram ao disciplinamento das pessoas e dos corpos institucionais no espaço e no tempo. De maneira análoga, o campo da medicina, consolidado pelo Relatório Flexner de 1910 (e seguido logo após pela fundação da Association of Collegiate Schools of Architecture, ou ACSA, em 1912), formalizou-se ainda mais após o surto de influenza de 1918, que expôs a necessidade de maior vigilância e diagnósticos exigidos pela epidemiologia.
Quando visitamos um destino urbano — ou quem sabe também no meio rural —, podemos realmente afirmar que o conhecemos? Talvez um breve período de férias em um destino turístico nos dê uma impressão do que "é" determinado lugar. No entanto, isso está muito distante da realidade, pois o turismo sempre manipulou a impressão transmitida a quem o visita diante da realidade vivida no local.
“Interiores: Conversaciones en línea” é o título do ciclo de encontros a distância organizado pela Faculdade de Arquitetura, Arte e Design da Universidade Diego Portales (UDP). O professor Alberto Sato apresenta nesta primeira temporada reuniões entre grandes nomes da arquitetura, como Álvaro Farrú junto a Enrique Walker, Alejandra Celedón com Cecilia Puga; Mardones com Pezo Von Ellrichshausen; Solano Benítez com Mathias Klotz; Smiljan Radic com Alberto Sato; e Fernando Perez com Francisco Liernur.
Você pode conferir o resultado dessas conversas a seguir.
Este artigo faz parte de uma colaboração com o site coolhuntermx, foi originalmente publicado em 2 de fevereiro de 2020 com o título "Un parque moderno para Guadalajara" e escrito por David Lozano Díaz.
Em 1971, o arquiteto Fernando González Gortázar, aos 29 anos, recebeu a encomenda de construir o Parque González Gallo. O projeto tinha dois objetivos: homenagear o falecido ex-governador José de Jesús González Gallo e oferecer um novo espaço público de grande escala para os novos bairros do leste de Guadalajara.
Existe um debate em torno da Casa Orozco sobre quem é o verdadeiro autor desta obra: Luis Barragán ou José Clemente Orozco. Embora saibamos que apenas um deles se dedicou formalmente à arquitetura, a resposta não é tão óbvia. Orozco retornou ao México em 1934, a convite do Governo da Cidade do México, após viver por sete anos em Nova York. A encomenda consistia em pintar um mural no interior do Palácio de Belas Artes. Em seguida, o Governo de Jalisco aderiu à iniciativa e solicitou ao artista o mesmo trabalho, mas para três edifícios públicos da cidade de Guadalajara.
Com o objetivo de conceber um espaço de imersão sensorial para interiores, a equipe de design do Aqua Creations desenvolveu a luminária Manta Ray. Trata-se de uma instalação de iluminação equipada com tecnologia LED RGB responsiva que, ao misturar tons de vermelho, verde e azul, é capaz de gerar mais de 16 milhões de cores distintas. A equipe predefiniu seu espectro cromático, permitindo ajustar a intensidade do brilho de 0,1% a 100%. O sistema possibilita, inclusive, o download de imagens e vídeos em sua memória interna, permitindo que os/as usuários/as adicionem cor e dinamismo a esse espaço expressivo, ou criem uma atmosfera calorosa e intimista para ambientes privados.
Imagens realistas e passeios virtuais tornaram-se parte integrante das apresentações de projetos. Designers utilizam softwares de ponta e constroem modelos 3D precisos para apresentar seus trabalhos com o máximo de fidelidade possível. Já no universo dos videogames, a questão vai além da qualidade ou precisão gráfica; trata-se da experiência imersiva do design visual e de como os/as jogadores/as interagem com o ambiente construído virtualmente.
Em entrevista exclusiva ao ArchDaily, Philip Klevestav, artista principal da Blizzard Entertainment — desenvolvedora de jogos consagrada por títulos como Warcraft, Overwatch e Diablo —, compartilha suas perspectivas sobre o design de videogames e a influência da arquitetura no processo de criação.
Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge como "The Genius, Heart and Humility of Indian Architect B.V. Doshi"
Estou em uma movimentada cafeteria de subúrbio conversando com o pacato arquiteto indiano Jitendra Vaidya, com seu jeito sereno de avô. Quando comecei minha trajetória como estagiário/a de arquitetura no final dos anos 90, Jitendra era um dos projetistas técnicos mais experientes que eu conhecia. Sentindo-se igualmente à vontade para avaliar os méritos relativos de diferentes detalhes de rufos ou para discutir conceitos abstratos de projeto, Jitendra é um arquiteto universal, da velha guarda. Após mais de meio século em uma profissão famosa por prazos massacrantes, ele ainda mantém um brilho alegre no olhar ao falar sobre arquitetura. Assim, não surpreende que Jitendra esteja visivelmente animado hoje ao me falar sobre seu mestre, o homem que acaba de ser reconhecido como um dos maiores arquitetos vivos do mundo, B.V. Doshi.
Como manifestação física de uma construção ideológica, a paisagem urbana herdada dos regimes socialistas europeus foi sendo gradualmente excluída das visões contemporâneas de vida urbana, desencadeando uma série de processos de reapropriação territorial na paisagem pós-soviética. Produzido pela Minimal Movie, o curta-metragem Landscape Architecture: Rethinking the Future from a Totalitarian Past propõe um debate sobre planejamento urbano, identidade cultural e construção comunitária, tendo como pano de fundo as cidades e a arquitetura do período socialista na Ucrânia.
Como parte do programa cultural da galeria de arte localizada na Cidade do México, a MASA apresenta a exposição Recover / Uncover, um espaço composto por peças únicas e de edição limitada criadas por designers e artistas cujos trabalhos buscam desafiar rótulos. Dessa forma, a MASA celebra a contradição como um reflexo do processo contínuo que busca se definir e se conformar com o tempo, apresentando objetos como ferramentas para a vida e para a contemplação.
Cada cidade possui edifícios singulares que definem sua identidade. Paris tem o Centro Pompidou, Londres tem o Lloyd's, Nova York tem o Museu Guggenheim. Obviamente, Chicago, a capital mundial da arquitetura, não é exceção, abrigando o James R. Thompson Center. O edifício foi nomeado em homenagem ao governador republicano de Illinois, que exerceu quatro mandatos consecutivos entre 1977 e 1991, cuja visão audaciosa viabilizou a inauguração da obra em 1985. Sede de escritórios do governo do estado de Illinois, a estrutura se diferenciava drasticamente de tudo o que havia sido construído até então.
A arquitetura de emergência na América Latina é um conceito atribuído àqueles espaços que funcionam como um refúgio temporário diante de circunstâncias adversas, tais como terremotos, inundações, processos migratórios, etc. Diferentes países como México, Chile, Colômbia, Equador, Uruguai e Panamá sofreram acontecimentos que exigiram a redefinição das habitações de emergência de acordo com as necessidades específicas de cada país.