
Toda vez que nos aproximamos do final do ano ouvimos as pessoas dispararem aos quatro ventos: “o mundo já não é mais o mesmo”. Acontece que, no epílogo do ano de 2020, esta profecia parece enfim, soar como algo verdadeiro. Embora tenhamos visto centelhas de esperança ao longo dos últimos meses, a pandemia de coronavírus definitivamente está provocando uma mudança de paradigma na arquitetura.
Na minha opinião, 2020 representará o fim do século XX na arquitetura. Isso porque mudanças radicais na nossa disciplina nunca coincidem com datas exatas e números redondos. O modernismo, como exemplo máximo disso, nasceu em um momento onde as monarquias ocidentais estavam em queda e com a efervescência de um mundo imerso em plena revolução industrial. É importante lembrar que o modernismo na arquitetura é uma decorrência deste contexto e não a sua razão.
Hoje, um século depois, esta estética quase inquestionável na arquitetura pode finalmente estar chegando ao fim. No contexto dos principais escritórios de arquitetura do mundo, sempre houve uma busca quase desesperada por construir edifícios relevantes e originais. O paradoxo da arquitetura como um luxo supérfluo encontrou seu status quo exatamente no século XX, tendo sido considerada uma ferramenta, ou até uma condição, para a transformação sócio-cultural e para a construção de um futuro mais brilhante e “moderno”.
