A Comissão Europeia adotou em dezembro uma série de propostas para colocar o setor de Transportes a caminho de uma redução de 90% em emissões de carbono, tomando mais um passo na direção da implementação do Pacto Ecológico Europeu. As iniciativas buscam aumentar o transporte ferroviário, incentivando viagens longas e internacionais por trem, apoiando a disponibilização de pontos de carga para veículos elétricos e a o desenvolvimento de infra-estrutura para abastecimento alternativo, além do desenvolvimento posterior de outros modais.
Seguindo as regulamentações sanitárias da Covid-19 do Estado da Califórnia no início de 2020, a Metro, agência de transportes públicos de Los Angeles, parou de cobrar tarifas em seus ônibus como uma medida de precaução e segurança. No entanto, a decisão da companhia se converteu no maior experimento de passe livre dos Estados Unidos, com o uso do sistema de transportes públicos nunca caindo abaixo dos 50 por cento, mesmo com as ordens para ficar em casa decretadas pelo governo. Após 22 meses da decisão e de cerca de 281 milhões de jornadas gratuitas, a companhia decidiu retomar a cobrança de tarifas, mas planeja utilizar a informação adquirida durante esses dois anos para implementar melhorias futuras e introduzir outros programas gratuitos ou de tarifas reduzidas na cidade.
São José dos Campos. Foto por wtrilhas - Flickr, via Wikipedia. Licença CC BY-SA 2.0
O presente artigo parte da premissa de que cidades não são espaços neutros. Os territórios, assim como a arquitetura, o urbanismo, a literatura, a cultura e a política, são elementos condicionados por valores de uma determinada sociedade em um dado período de tempo. Assim sendo, a configuração desses espaços é concebida a partir de valores de uma sociedade; sociedade esta patriarcal, racista e capitalista. Por conseguinte, a ausência de neutralidade para a produção do espaço urbano implica em diferentes usos por parte dos usuários das cidades. Essas singularidades de vivências permeiam, ao seu turno, questões relacionadas à classe social, raça e gênero.
Quando pensamos em escritório de arquitetura, nos vem à cabeça a elaboração e desenvolvimento de projetos de variada complexidade e escala, mas tradicionalmente associados ao espaço vivenciado. Seja este espaço para atividades habitacionais, comerciais, institucionais, dentre tantas outras que caracterizam nosso modo de vida urbano. Portanto, é natural o estranhamento ao nos depararmos com um portfólio contendo, ao mesmo tempo, residências, equipamentos náuticos, sistema de transporte público e eletro portáteis, tais como ventiladores de teto, purificadores de ar e espremedor de fruta.
Como parte da política de incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte, o Conselho Metropolitano de Milão aprovou seu projeto Biciplan “Cambio”, um novo sistema que introduz corredores chamados “superciclo” por toda a cidade. Assim, o projeto tem como objetivo valorizar o ciclismo, a preservação ambiental e a segurança e o bem-estar da população. O plano complementará as ciclovias já existentes com a adição de 750 quilômetros de novas vias que ligarão as 133 comunas da cidade à região metropolitana, aumentando a cobertura interna do sistema de vias em 10% e 20% em uma escala maior.
A cidade de Budapeste, por meio da Agência de Desenvolvimento de Budapeste (BFK), lançou um concurso internacional de projeto no final do ano passado para a ampla reforma da Estação Ferroviária de Nyugati e de seus arredores. A iniciativa busca expandir a capacidade da estação para atingir as metas de transporte ferroviário da capital húngara de dobrar o n´¨mero de trens das redes suburbana e metropolitana. Após uma fase inicial que atraiu 36 participantes, 12 escritórios foram escolhidos para a segunda rodada da competição, dentre os quais estão Benthem Crouwel Architects, Grimshaw Architects, a Zaha Hadid Architects, Foster + Partners, Kengo Kuma & Associates e Sweco.
Estacionamento na cidade do Rio de Janeiro. Imagem: ITDP
A evolução da mobilidade nas cidades ao longo das décadas vem impactando diretamente não só na qualidade dos deslocamentos mas também na qualidade de vida de todos que vivem em áreas urbanas — em especial das pessoas mais vulneráveis em termos socioeconômicos. Na busca por alternativas que possam tornar a circulação mais confortável, segura e ágil, o controle dos automóveis associado a melhores condições de acesso ao transporte público, a pé e por bicicleta é fundamental. Mas como a oferta de vagas de estacionamento para automóveis pode influenciar de forma negativa na mobilidade?
https://www.archdaily.com.br/pt/974864/como-os-estacionamentos-afetam-a-mobilidade-urbanaITDP Brasil
Metrópoles de países em desenvolvimento compartilham os mesmos problemas de mobilidade com baixos níveis de serviço do transporte público, desigualdade de acessibilidade, altos índices de acidentes de trânsito, congestionamento e poluição ambiental. Há iniquidade geral de acessibilidade, segurança e conforto nas condições de transporte que reproduz e perpetua a desigualdade socioespacial (VASCONCELLOS, 2000) fruto do processo histórico de urbanização da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) que constituiu um território caracterizado pela setorização habitacional por renda, concentração de oferta de empregos e distribuição heterogênea da infraestrutura de transportes (VILLAÇA, 1998). Políticas que retomam a década de 1950 em níveis federal, estadual e municipal foram favoráveis ao uso do automóvel, logo refletindo na baixa qualidade e eficiência do transporte coletivo sobre pneus, e na lenta expansão do sistema de alta capacidade sobre trilhos.
https://www.archdaily.com.br/pt/974568/transicoes-de-modos-bicicletarios-em-estacoes-na-regiao-metropolitana-de-sao-pauloDeiny Façanha Costa
Sendo um dos principais modos de transporte da história, o transporte ferroviário auxilia no deslocamento de pessoas, matéria prima e produtos desde a revolução industrial. Largamente utilizado pelo mundo, as estradas de ferro tiveram sua primeira experiência no Brasil na década de 1850 no Rio de Janeiro, avançaram pelo território até que foram sendo subtraídas ao longo da história. Hoje enfrentamos um grande desafio em manter sua memória viva.
A governadora do estado de Nova Iorque, Kathy Hochul, anunciou na semana passada que boa parte dos Terminais 1, 2 e 3 do antigo Aeroporto Internacional John F. Kennedy no Queens serão completamente remodelados conforme um projeto que prevê um orçamento inicial de aproximadamente 9,5 bilhões de dólares. Com o início das obras planejado para o ano que vem, o primeiro dos 23 portões de embarque do novo Aeroporto Internacional de Nova Iorque deverá entrar em operação já em 2026. Chamado de Terminal One, o primeiro e maior terminal do novo JFK cobrirá uma área total aproximada de 220 mil metros quadrados e, de acordo com um comunicado à imprensa do Gabinete da Governadora, “este será um dos melhores e mais modernos terminais aeroportuários do mundo.”
Desde o começo da pandemia de Covid-19, a bicicleta se tornou uma alternativa ainda mais popular, resiliente e confiável para os deslocamentos cotidianos, e ciclovias temporárias (ou pop-up) são cada vez mais comuns em grandes cidades ao redor do mundo. Entre março e julho de 2020, 394 cidades, estados e paísesrealocaram espaços das ruas para que as pessoas pudessem caminhar e pedalar com mais facilidade, eficiência e segurança.
https://www.archdaily.com.br/pt/972848/4-maneiras-de-desenhar-ruas-seguras-para-bicicletasNikita Luke e David Pérez-Barbosa
Antes de ser um motorista ou ciclista, todos somos pedestres. Pensar modos mais seguros do trânsito a pé, mas que também tragam alternativas de lazer e contemplação para os transeuntes, é conceber uma cidade mais justa e que brinda uma maior qualidade de vida - que respeita a todos seus cidadãos e preza pela saúde destes. Sendo assim, reunimos aqui alguns parques, travessias e passarelas que foram pensadas exclusivamente para o uso não motorizado.
Líderes do poder público, privado e representantes da sociedade civil de todo o mundo se reuniram na COP26, realizada em Glasgow entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro, para debater e deliberar sobre uma das questões mais importantes do século 21, o processo de mudanças climáticas. O encontro girou em torno de quatro diretrizes principais, sendo elas:
https://www.archdaily.com.br/pt/972912/engarrafamentos-eletricos-nao-sao-a-solucaoAndrey Barbosa e Gabriel Varella
Ao longo dos últimos anos, testemunhamos um crescimento exponencial da frota de patinetes elétricos circulando no centro das grandes cidades, os quais muito rapidamente passaram a fazer parte do nosso dia-a-dia. Ao facilitar os deslocamentos urbanos de forma um tanto divertida, os patinetes elétricos caíram nas graças das novas gerações, conquistando uma infinidade de novos adeptos e orgulhando-se de seu caráter sustentável. Primeiramente implementados na costa oeste dos Estados Unidos, os patinetes rapidamente migraram para o leste do país, eventualmente tornando-se muito populares nas principais cidades da Europa e Ásia. Embora sejam rápidos e convenientes para quase todo tipo de deslocamento urbano, precisamos nos perguntar: as nossas cidades estão prontas para este aumento exponencial na frota de patinetes elétricos e outras formas de micromobilidade?
As vias expressas são estradas de acesso limitado em áreas populosas, desenhadas para permitir o tráfego motorizado em alta velocidade por longas distâncias. Algumas passam pelos centros das cidades, enquanto outras circundam o centro urbano.
A iniciativa já foi o auge do design de transporte na década de 1950, mas hoje são tão obsoletas quanto disquetes. A caminhada, a bicicleta e o transporte público são mais sustentáveis, seguros, saudáveis, eficientes e produtivos. Para contribuir com o tema, o Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento (IPTD) produziu o material Vias Expressas vs. Ruas Completas, com o objetivo de comparar ambas em termos de saúde, eficiência, habitação e qualidade ambiental e de vida.
https://www.archdaily.com.br/pt/970842/deixando-as-vias-expressas-para-trasITDP Brasil
Barcelona, Espanha. Foto: Pere Jurado, via Unsplash
A busca por meios de transporte mais eficientes e sustentáveis nos centros urbanos vem ganhando espaço em várias cidades do mundo. Com a pandemia, os benefícios da bicicleta se comprovaram e muitos municípios tem investido em ciclovias e incentivos para que as pessoas continuem pedalando, mesmo com o fim das restrições impostas pela COVID-19.
O uso do transporte público, outra alternativa mais sustentável do que veículos individuais, se torna mais seguro à medida que a vacinação avança. Em Barcelona, para estimular cada vez mais as pessoas a abandonarem seus carros, em especial os antigos, a prefeitura oferece um passe de transporte gratuito válido por três anos para os cidadãos que vendem o veículo antigo.
As Universidades de Concordia e Montreal, ambas no Canadá, organizaram um concurso internacional para estudantes que desafiava os participantes a reimaginar a experiência do transporte público em uma metrópole pós-pandemia. O certame tinha como objetivo estimular o debate sobre novas experiências proporcionadas pelo transporte público visando melhorar a resiliência urbana.
Entre as mais de oitenta propostas recebidas, os organizadores buscaram identificar aquelas que melhor abordavam a temática a partir das novas narrativas associadas ao transporte público no contexto de (pós)pandemia; propostas de desenho que promovam o uso do transporte público; e princípios de design que fomentem novas experiências dos sistemas públicos de transporte.
Planejar mobilidade urbana vai além de projetos pontuais, de ciclovias ou reestruturação de vias, (que são extremamente importantes, mas não suficientes). Uma cidade com um bom padrão de mobilidade deve viabilizar que a população realize os deslocamentos necessários para desenvolver suas atividades de forma eficiente, segura e agradável. Mas o planejamento de mobilidade precisa atender às necessidades de toda a diversidade de usuários da cidade.
Ampliar os deslocamentos a pé e por bicicleta é altamente desejável por vários motivos, por questões de saúde (uma população que pratica exercício é mais saudável); por questões econômicas individuais (são mais baratos); mas principalmente por questões ambientais e pela eficiência sob o ponto de vista de uso do espaço. Modos ativos de deslocamento contribuem para a qualidade do espaço urbano (uma região com pedestres e ciclistas é mais viva, mais agradável).