Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias. Imagem: Divulgação
A Prefeitura de São Paulo lançou, em dezembro do ano passado, a plataforma digital do Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias, um documento que reúne normas para projetos urbanos alinhados aos princípios de acessibilidade, equidade social, segurança no trânsito e sustentabilidade ambiental. O manual, organizado por Elisabete França, José Renato S. Malhem e Maria Teresa Diniz, visa nortear a elaboração de projetos no espaço viário que atendam às necessidades de bem-estar dos cidadãos.
O MAD acaba de revelar seu mais novo projeto, ao qual eles se referiram como “uma estação de trens em meio à floresta”. Já em processo de construção e com conclusão prevista para o próximo dia 1º de julho, o projeto encontra-se localizado em pleno centro da cidade de Jiaxing, nos arredores de Xangai, sudeste da China. Cobrindo uma área total de mais de 35 hectares, o projeto inclui a completa reformulação da antiga estação de trens de Jiaxing e a criação de um novo terminal anexo subterrâneo. Além disso, a proposta desenvolvida pela MAD contempla ainda a criação de duas novas praças, uma ao norte e outra ao sul, além da revitalização do adjacente Parque do Povo.
A pandemia proporcionou uma circunstância única para experimentos em escala urbana com relação à mobilidade, enquanto as respostas imediatas mostraram o poder transformador do urbanismo tático. Em muitas cidades, as medidas destinadas a garantir o distanciamento social devem ser mantidas após a pandemia, abrindo caminho para a recuperação com menos trânsito e mais atividades ao ar livre. Como a pressão de repensar ruas, funções e sistemas de transporte transformou o espaço público em 2020?
O Hyperloop acaba de fazer história. O Pegasus XP-2, projetado em parceira pelo BIG e pela Kilo Design, acaba de passar com sucesso pelos primeiros testes com passageiros humanos, transportando-os com segurança pela linha experimental do Virgin Hyperloop no deserto de Nevada, Estados Unidos. Concebido para transformar o transporte de massa no Planeta Terra, o Hyperloop pode chegar a uma velocidade de aproximadamente 1.000 km por hora.
As autoestradas construídas nas cidades são muitas vezes pensadas como uma solução para congestionamento de veículos. Entretanto, a teoria da demanda induzida tem demonstrado que quando os motoristas contam com mais vias, optam por seguir usando este meio ao invés de utilizar o transporte público ou a bicicleta e, como resultado, o congestionamento não diminui.
Por isso, existem cidades que têm optado por acabar com o espaço dos automóveis e, onde havia autoestradas, hoje há parques urbanos e ruas menos congestionadas.
A seguir mostramos seis casos deste tipo. Alguns já estão concluídos, enquanto que alguns ainda estão em fase de construção. Para a surpresa de alguns, a maioria dos projetos estão nos EUA, o que reflete que os projetistas deste país estão estudando as políticas de transporte européias, tal como lhes contamos sobre as 9 razões do porquê os EUA são mais dependentes do automóvel do que a Europa.
O tema da mobilidade é inescapável quando se discute política urbana — ainda mais em ano eleitoral. Transporte coletivo, pedágio urbano, metrô, faixas exclusivas para ônibus e até o que fazer com os patinetes elétricos tomam conta do debate. Poucos prestam atenção, no entanto, para uma das políticas municipais mais relevantes para mobilidade urbana: o estacionamento público.
Combinando diagnóstico analítico com recomendações propositivas, o estudo “A Cidade Estacionada” direcionou sua lupa sobre a gestão do meio-fio na cidade de São Paulo. Ao analisar as discrepâncias entre os preços de estacionamentos públicos e privados, bem como ao comparar os valores com a evolução das tarifas de transportes coletivos, “A Cidade Estacionada” trouxe à luz as externalidades negativas — sociais e ambientais — de políticas públicas que privilegiam o transporte motorizado individual.
https://www.archdaily.com.br/pt/949437/desestacionando-a-cidade-precisamos-rever-os-estacionamentos-publicosJoão Melhado e Paulo Speroni
O UNStudio revelou imagens das primeiras estações concluídas na nova rede de metrô de Doha, um dos sistemas autônomos mais avançados e rápidos do mundo. A primeira fase do Projeto Ferroviário Integrado do Catar (QIRP) envolveu a construção de três linhas de metrô (Vermelha, Verde e Dourada), com 37 estações concluídas.
Uma cidade é um espaço compartilhado onde cada indivíduo busca a realização de seus desejos e objetivos. As ruas, calçadas e espaços públicos permitem o encontro e o contato entre os diversos, fortalecendo o senso de comunidade. A mobilidade urbana tem papel fundamental no desenvolvimento social e econômico das cidades, especialmente na qualidade de vida dos cidadãos. Não se trata apenas de transporte, mas da forma pela qual as pessoas se deslocam na cidade, interferindo no tempo e energia utilizados pelos cidadãos e, também, na migração, na comunicação, na formação das redes sociais pessoais, nos fluxos de tráfego, na habitação, na saúde e na distribuição espacial dos mais diversos locais de interesse. Segundo Ole B. Jensen, “cidades e lugares contemporâneos são definidos pela mobilidade e por seus fluxos.”
Ciclistas em rua de metrópole. Foto de Adrian Williams, via Unsplash
O urbanismo do século XXI será marcado pelo aumento da quantidade e escala das megacidades globais - aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de habitantes, segundo a ONU - além de um deslocamento geográfico. Até 2100, há previsões de metrópoles africanas com mais de 80 milhões de habitantes, como Lagos (Nigéria) e Kinshasa (República Democrática do Congo). O advento dessas novas e maiores metrópoles, sobretudo na África e na Ásia, somado à necessidade de enfrentamento da grave crise climática em curso, demandam mudanças urgentes no debate da mobilidade urbana.
O sistema de transporte coletivo nas grandes cidades brasileiras já estava em crise anterior à pandemia do coronavírus. Operadores de transporte viram a demanda de passageiros cair gradualmente ao longo das últimas décadas, em um cenário envolvendo múltiplos fatores como: políticas urbanas incentivando o uso do transporte individual; espraiamento urbano, perdendo ganhos de escala no atendimento de periferias; congestionamentos crescentes; rotas cada vez mais defasadas em relação aos padrões de deslocamento das cidades; a exigência crescente de transferências/baldeações nas rotas realizadas pelos passageiros; a depreciação das frotas e da qualidade de serviço; o aumento da renda da população, com a adoção de alternativas como o automóvel individual, a motocicleta e, ainda, serviços de transporte individual por aplicativo; e, acima de tudo, tarifas de transporte coletivo cada vez mais altas.
https://www.archdaily.com.br/pt/945182/como-evitar-o-colapso-do-transporte-coletivo-pos-pandemiaAnthony Ling, Marcos Paulo Schlickmann e Gabriel Lohmann
Desde o início da pandemia no Brasil muito tem se debatido acerca dos impactos nos diferentes territórios e segmentos sociais. Algo fundamental tanto para encontrar os melhores meios de prevenir a difusão da doença como de proteger aqueles que estão mais vulneráveis. Entretanto, a forma como as informações e os dados têm sido divulgados não auxilia na análise dos impactos territoriais e da difusão espacial da pandemia, dificultando também o seu devido enfrentamento.
Na cidade de São Paulo, a escala de análise da pandemia ainda são os distritos, que correspondem a porções enormes do território e com população maior do que muitas cidades de porte médio. Essa visão simplificadora ignora as heterogeneidades e desigualdades territoriais existentes na cidade. Conforme apontamos anteriormente, infelizmente a dimensão territorial não é considerada de forma adequada, prevalecendo uma leitura simplificada e, até mesmo, estigmatizada, como por exemplo quando se afirma “onde tem favela tem pandemia”.
Após 13 anos de esforço coletivo a Ronald Lu & Partners anunciou a conclusão da primeira fase do Tianhui TODTOWN: o primeiro empreendimento orientado pelos conceitos do TOD na China. O projeto que promove a sustentabilidade, o transporte de massa e o senso de comunidade em Xangai leva o conceito de Desenvolvimento Orientado ao Transporte Público (TOD), importante no desenvolvimento das áreas urbanas da China, para o próximo nível.
Nas aulas de matemática do ensino médio aprendemos que a velocidade média pode ser calculada a partir da razão entre a distância percorrida e o tempo gasto. Durante muitas décadas, o pensamento que impulsionou as políticas de transporte esteve ancorado nesta equação: acreditava-se que objetivo das ações era aumentar a eficiência dos sistemas e que, para isso, bastava diminuir os tempos de viagem através do aumento da velocidade média. Desta forma, a variável distância era considerada menos importante, já que a construção de sistemas de transporte livres de interferências como linhas de metrô, corredores de BRT ou avenidas expressas seriam capazes de manter ou reduzir o tempo de viagem em percursos cada vez maiores.
https://www.archdaily.com.br/pt/942854/o-que-e-acessibilidade-na-mobilidade-e-nos-transportes-urbanosITDP Brasil
Ciclista e pedestres na Ponte de Londres com o Rio Tamisa e a Tower Bridge ao fundo. Imagem via Shutterstock / Por Alena Veasey
Depois de Milão e Paris, Londres anunciou seus planos de transformar grandes áreas da cidade, convertendo ruas em zonas livres de carros, à medida que a quarentena diminui. Retomando a cidade para as pessoas, Londres pretende evoluir com a pandemia, apoiando uma recuperação sustentável e com baixa emissão de carbono. Os trabalhos já começaram e devem ser concluídos em seis semanas.
À medida que alguns países estão pouco a pouco retomando as suas atividades, abrandando as medidas de contenção e isolamento que nos foram impostas ao longo dos últimos meses, arquitetos do mundo todo estão procurando entender melhor como será a sua vida na chamada ‘nova normalidade’. Como uma ruptura drástica e repentina em nossos modos de vida, o surto de coronavírus nos apresentou uma nova forma de encarar o mundo, redefinindo o próprio conceito de “normalidade”, provocando uma mudança na maneira como nos relacionamos com o mundo a nossa volta. Impulsionados por uma série de questões latentes, estamos lidando com um fenômeno ainda muito recente, antecipando um futuro relativamente desconhecido.
Durante um bate papo informal, dois dos nossos editores tiveram a ideia de escrever um artigo colaborativo onde procuram investigar as principais tendências do atual momento, debatendo questões relacionas às incertezas do futuro e oferecendo a sua visão sobre como a atual situação poderá afetar a disciplina da arquitetura daqui para frente. Abordando uma possível mudança de paradigma, no cenário profissional e principalmente no ensino da arquitetura, este artigo escrito à quatro mãos por Christele Harrouk e Eric Baldwin visa lançar uma luz sobre este nebuloso momento que estamos atravessando.
PARIS, FRANCE March 22th 2020 : The Cyclist with medical mask on Champs Elysées empty during the period of containment measures due to the Covid-19 Coronavirus. Image via Shutterstock/ By Frederic Legrand - COMEO
Seguindo a tendência atual e a proposta pioneira apresentada pela prefeitura da cidade de Milão na semana passada, a cidade de Paris também está planejando manter as suas ruas livres de veículos após o encerramento – ou abrandamento – das políticas de distanciamento social tomadas durante a luta contra o surto de coronavírus no país. A prefeita Anne Hidalgo anunciou recentemente que a capital francesa está considerando manter algumas das medidas que restringem o uso de veículos automotores na cidade de Paris, as quais foram introduzidas durante o período de quarentena, transformando-as em novas ferramentas de combate a poluição e os congestionamentos na capital.
Vislumbrando a instauração da “nova” normalidade, a prefeitura da cidade de Milão acaba de apresentar o projeto Strade Aperte ou “Ruas Abertas”, uma inciativa que procura favorecer os pedestres e ciclistas em detrimento dos veículos motorizados no centro da capital lombarda. Buscando desincentivar o uso do carro, a região da Lombardia irá transformar mais de 35 quilômetros de vias urbanas na cidade durante todo o verão, incentivando a retomada após meses de lockdown provocado por conta da luta contra o surto de coronavírus, incentivando a sociabilidade e caminhabilidade do espaço urbano.