Boston City Hall . Imagem Cortesia de Utile and Reed Hilderbrand
“A demolição é um desperdício em todos os sentidos—um desperdício de energia, de materiais e também da nossa memória coletiva”, disse a arquiteta vencedora do Pritzker Anne Lacaton. Ao longo dos últimos anos, porém, a reciclagem de antigas estruturas e o reuso adaptativo de edifícios obsoletos se tornaram onipresentes no discurso arquitetônico contemporâneo, à medida que os profissionais estão se tornando mais conscientes sobre questões relativas aos resíduos, a exploração de recursos naturais e a pegada de carbono na industria da construção civil. Ainda assim, a prática de renovação e adaptação de estruturas existentes carece de consistência, especialmente quando tratamos de edifícios do pós-guerra. A seguir, procuramos analisar alguns dos muitos desafios e oportunidades dos projetos de renovação e reutilização de edifícios construídos durante a segunda metade do século XX, destacando como algumas destas estratégias podem desempenhar um papel significativo para minimizar o impacto da construção civil no agravamento da crise climática e na busca por construir cidades mais equilibras, ao mesmo tempo em que recupera importantes estruturas e lugares de memória.
Nenhum edifício está isolado. Envolvendo redes ambientais e culturais, a arquitetura é uma arte inerentemente fundamentada. Assim, limites e restrições impulsionam o processo de projeto, gerando soluções que celebram o mundo como o encontramos. Incorporando essa dinâmica, os projetos de renovação e reutilização adaptativa abrangem problemas desafiadores e condições existentes. Isso é especialmente verdadeiro quando se trabalha com edifícios industriais, locais onde maquinários, manufatura e energia são combinados.
Muitas vezes, os edifícios acabam como lixo no final de seu ciclo de vida. Como o ambiente construído pode se mover em direção a uma economia circular e, por sua vez, re-imaginar como os materiais valiosos são rastreados e reciclados? Procurando resolver este problema, os "passaportes de materiais" são uma ideia que envolve repensar como os materiais são recuperados, durante a reforma e demolição, para reutilização. O resultado é que, quando um prédio está pronto para ser demolido, ele se torna um banco de armazenamento de materiais úteis.
Dizem que os shopping centers e as galerias comerciais, outrora tão frequentadas, estão com os dias contados. Embora em grande parte, a forma como costumávamos consumir tenha mudado consideravelmente ao longo dos últimos anos e sobretudo após o início da crise sanitária de Covid-19, com muitas lojas passando a operar apenas no mundo virtual, parece que muitas das mudanças que a pandemia nos trouxe chegaram para ficar. À medida que as nossas cidades continuam a crescer a um ritmo bastante acelerado, e os grandes centros comerciais e shopping centers—por outro lado—permanecem vazios e ociosos, há uma pergunta a se fazer: existe alguma possibilidade de transformarmos estes ambientes de consumo em moradia para aqueles que mais necessitam?
O Museu da Língua Portuguesa será reinaugurado no próximo dia 31 de julho, reconstruído após o incêndio que o atingiu em dezembro de 2015. Um dos primeiros museus totalmente dedicados a um idioma, instalado na cidade com o maior número de falantes de português no mundo, na histórica Estação da Luz, o museu celebra a língua como elemento fundador da nossa cultura. Por meio de experiências interativas, conteúdo audiovisual e ambientes imersivos, o visitante é conduzido a um mergulho na história e na diversidade do idioma falado por 261 milhões de pessoas em todo o mundo. A cerimônia oficial de inauguração, no dia 31, terá transmissão ao vivo pelas redes sociais do Museu.
O escritório paulistano Hiperstudio foi eleito vencedor do concurso nacional de requalificação do Senac de Belo Horizonte, promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil. Com um projeto que aposta na qualidade espacial do térreo, caracterizado pela presença de pilotis, o estúdio convenceu o júri, que buscava propostas que soubessem "dialogar com os contextos histórico e cultural nos quais a unidade está inserida, respeitando a configuração espacial urbana e arquitetônica do hipercentro de Belo Horizonte."
Skidmore, Owings & Merrill (SOM) e TranSystems estão redesenhando uma das redes ferroviárias elevadas mais antigas e movimentadas de Chicago. O novo projeto da Chicago State / Lake Station oferece melhor acessibilidade, segurança e conforto para todos os passageiros e respeita o tecido histórico circundante do centro da cidade. O projeto proposto inclui plataformas mais amplas, uma cobertura de vidro flutuante, uma nova ponte de conexão suspensa, elevadores e melhorias no nível da rua.
Começou a obra do projeto de transformação, assinado por Herzog & de Meuron, de uma antiga usina de energia em um projeto de uso misto em San Fransisco, nos Estados Unidos. Projetado em colaboração com os arquitetos da Adamson Associates, com sede na Califórnia, a reutilização adaptativa da icônica Station A é parte do projeto da Estação Elétrica de Portrero, que consiste na extensão do bairro Dogpatch a partir do desenvolvimento de uma área industrial de 29 acres. O design de Herzog & de Meuron retém e reaproveita várias características do edifício industrial, enquanto adiciona uma estrutura leve com estrutura de aço no topo, dando assim uma nova vida a um dos marcos de São Francisco.
Em teoria, as vagas de estacionamento têm apenas uma função: estacionar um carro com segurança até que ele seja usado novamente e, em termos de projeto, as garagens são flexíveis e simples, exigindo intervenções mínimas. No entanto, os estacionamentos hoje em dia não são mais considerados espaços de função única. Quanto mais vazio o local, mais potencial ele tem para integrar funções adicionais. Arquitetos e urbanistas redefiniram os estacionamentos tradicionais, acrescentando instalações recreativas e comerciais à estrutura. Em vez de uma planta típica com marcações amarelas e brancas no chão, agora estamos vendo estruturas convidativas que incorporam fachadas verdes e playgrounds na cobertura, com lava-carros, cafeterias e áreas de trabalho / estudo.
Yaiza Terré fundou em 2008 seu próprio estúdio de arquitetura em Barcelona, onde atualmente desenvolve sua atividade profissional com foco em projetos de reforma e reinterpretação baseados na reutilização e na reciclagem. Aprop Ciutat Vella é uma de suas obras: um edifício de residências de emergência modular feito a partir de containers reciclados, realizado em conjunto com Straddle3 e Eulia Arkitektura. Recentemente, este foi reconhecido com o primeiro lugar no Prêmio Obra do Ano 2021 na versão em espanhol (o melhor da arquitetura construída na América Latina e Espanha). Por isso, nos aproximados desse projeto para conhecer mais de sua prática arquitetônica.
Na entrevista que apresentamos a seguir com Yaiza Terré, entenderemos a importância deste último prêmio em sua capacidade de abrir o debate sobre a regeneração e a crise habitacional nas cidades. Ao mesmo tempo, o questionamos sobre suas inspirações, interesses e motivações acerca da recuperação e revalorização; entendemos um pouco mais sobre seu processo de trabalho colaborativo e reflexivo; e abordamos seus próximos projetos e projeções para o futuro das cidades espanholas.
À medida que a tecnologia avança, arquitetura e construção também avançam. Arquitetos, designers e projetistas ao redor do mundo agora têm infinitas ferramentas e recursos para projetar e construir as cidades de hoje e do futuro. Por mais promissor que isso possa parecer, as novas construções também estão consumindo os limitados recursos do nosso planeta mais rapidamente do que podemos reabastecê-los.
Essa situação deixa os arquitetos com uma responsabilidade importante: a reabilitação e reutilização do ambiente construído existente. Isto significa utilizar o desenho e o pensamento criativo para preservar e incorporar edifícios antigos ou históricos existentes atualmente no presente e no futuro das nossas cidades, adaptando-os através de métodos criativos e sensitivos.
Projetado pelo Studio Gang, em parceria com os paisagistas do SCAPE, e ainda com o Polk Stanley Wilcox Architects, o Museu de Belas Artes do Arkansas (AMFA), nos Estados Univos, acaba de atingir uma importante meta ao finalizar a construção de sua cobertura, elemento mais emblemático do projeto. Prolongando-se por toda a extensão do projeto, conectando blocos novos e os antigos, a grande laje de concreto será um símbolo desta que é a maior instituição cultural do estado de Arkansas.
O Skene Catling de la Peña, escritório de arquitetura com sede em Londres e Madri, em parceria com a Factum Foundation, está desenvolvendo um projeto de reforma que pretende ressignificar a icônica estrutura de concreto do silo industrial projetado por Alvar Aalto em 1931 na cidade finlandesa de Oulu. Concebido para transformar o edifício industrial em um novíssimo centro de pesquisa em arquitetura e patrimônio histórico, o AALTOSIILO “é um projeto de referência que servirá de modelo para futuros projetos de reutilização de estruturas industrial no norte da Europa e além—uma iniciativa que pretende transformar a relação entre o passado industrial da região e a sua relação com o meio ambiente.”
Vista geral do edifício industrial revitalizado com jardim. Imagem Cortesia de Foster + Partners
O escritório britânico Foster + Partners está liderando uma grande reforma em um edifício histórico de Madri, na Espanha. O projeto consiste na construção de um conjunto corporativo para a Acciona e busca requalificar uma antiga edificação industrial de 1905, criando mais de 10 mil metros quadrados de escritórios.
Remanescentes do período de ocupação soviética, espaços urbanos monumentais e representativos de muitas das cidades do chamado Bloco de Leste Europeu ainda constituem um legado desafiador, tanto para seus cidadãos quanto para os arquitetos que nestes contextos projetam seus edifícios e espaços. Em completo desacordo com ambientes urbanos contemporâneos, regidos por valores democráticos e sociais, estes espaços ainda hoje representam um problema a ser resolvido. Edifícios e espaços públicos ideologicamente carregados estão aos poucos sendo recuperados, reconciliando os cidadãos com sua própria história—um passado que muitas vezes tende a ser esquecido e até apagado. Neste contexto, a (re)introdução da escala humana tem auxiliado arquitetos e urbanistas a restaurar a vitalidade dos espaços públicos destas cidades.
Há poucos episódios tão importantes para a história da arquitetura e do urbanismo quanto foi a Revolução Industrial. Para acomodar a estrutura produtiva que transformou o capitalismo a partir do século XVIII, foi criado todo um sistema de espaços que compreendia, para além das fábricas, centros de processamento de matérias-primas, núcleos de geração e distribuição de energia, armazéns de estocagem e terminais de transporte. No que diz respeito às cidades, tal processo não apenas resultou na destinação de grandes porções do território para acolher as atividades industriais, mas numa transformação multissistêmica que abrangeria as formas de morar, ocupar e deslocar-se no meio urbano.
https://www.archdaily.com.br/pt/926578/arquitetura-des-industrial-8-projetos-que-ressignificam-o-espaco-da-maquinaIsabel Martin
O escritório Skidmore, Owings & Merrill divulgou imagens de seu projeto para os interiores do histórico Cook County Hospital em Chicago, EUA. Desenvolvido para contribuir com a transformação do bairro onde está inserido, a equipe de projeto trabalhou arduamente para preservar e restaurar a estrutura em estilo Beaux-Arts, adaptando o programa às necessidades atuais. A proposta busca requalificar a região do Distrito Médico da cidade e oferecer uma série de novos equipamentos para a população.
Desde o final do século XIX até os dias de hoje, a cidade de Nova Iorque se consolidou como o principal epicentro da construção de edifícios em altura ao redor do todo. Muitas destas estruturas, concebidas e projetadas pelos mais importantes personagens da história recente da arquitetura, rapidamente adquiriram o status de ícone, influenciando para sempre a forma como concebemos nossos edifícios e cidades. Ainda assim, muitos arranha-céus históricos da cidade de Nova Iorque acabaram sendo demolidos, dando lugar a estruturas cada vez mais altas e tecnológicas. Neste contexto, novidade e obsolescência parecem duas faces de uma mesma moeda. As recentes disputas e impasses ao redor de algumas das mais icônicas estruturas em altura já construídas na cidade de Nova Iorque, revela o quão rapidamente as coisas podem mudar de figura.