Um consórcio formado pelas empresas Progress, Cushman & Wakefield e Miralles Tagliabue EMBT recentemente chegou à fase final de um concurso de projeto para criar um centro turístico na Rússia em parte do aterro em homenagem ao almirante Serebryakov na cidade de Novorossiysk. A proposta oferece os espaços de hospitalidade exigidos, mas também conta com instalações exclusivas, como um museu do vinho, um mercado de peixe e uma "ilha artificial", todos servindo como novos centros de atração para os moradores e visitantes da cidade. A base conceitual do projeto baseia-se em três componentes: "a ideia de uma cidade natural, a unificação das três forças da natureza e a aparência característica de Novorossiysk como uma cidade portuária".
via Wikimedia. ImageDom Luis Bridge / Porto, Portugal
Um fato infeliz da indústria AEC (arquitetura, engenharia e construção) é que, dentre todos os estágios do processo - do planejamento e projeto à construção e operações - dados críticos acabam sendo perdidos.
A realidade é que, quando você move dados entre fases, digamos, do ciclo de vida útil de uma ponte, você acaba levando esses dados entre sistemas de software que reconhecem apenas seus próprios conjuntos de dados. No minuto em que você traduz esses dados, você reduz sua riqueza e valor. Quando uma parte interessada do projeto precisa de dados de uma fase anterior do processo, arquitetos, planejadores e engenheiros geralmente precisam recriar manualmente essas informações, resultando em retrabalho desnecessário.
O Parque Tecnológico de Vitória é um desejo de grande parte da comunidade empreendedora e uma necessidade para que a capital possa mudar sua matriz econômica e passe a gerar produtos e serviços com alto valor agregado por meio da inovação. Mas para que um empreendimento de tamanha magnitude saia do papel, é fundamental a cooperação de todos os envolvidos – proprietários dos terrenos, poder público, academia, planejadores urbanos, setor produtivo, comunidades do entorno, ecossistema de inovação e, toda a população que será impactada.
Vital para que o planejamento de qualquer cidade gere prosperidade e qualidade de vida à sua população, a participação social precisa estar inserida nas tomadas de decisão. Cada cidadão precisa ter seu espaço para contribuir com novas ideias, eleger prioridades e também acompanhar o andamento dos projetos de seu município. Para facilitar essa troca, o Consul, uma plataforma desenvolvida pela cidade de Madri, está sendo disponibilizada gratuitamente para qualquer cidade ao redor do mundo. No Brasil, uma oficina promovida pelo WRI Brasil apresentou a ferramenta a cidades brasileiras interessadas e que já trabalham na sua implantação.
Uma semana após seu criador ter sido premiado com o Leão de Prata na Bienal de Veneza de 2016, a Escola Flutuante de Makoko entrou em colapso e naufragou depois que fortes chuvas assolaram a cidade de Lagos, na Nigéria. Projetada pelo arquiteto nigeriano Kunlé Adeyemi, da NLÉ Architects, a escola estava localizada em plena baía da maior cidade do país. Quase dois anos depois, a escritora Allyn Gaestel, natural de Lagos, publicou uma investigação sobre a vulnerável comunidade costeira e sobre o arquiteto por trás do projeto naufragado, uma narrativa cativante intitulada "Things Fall Apart".
Apesar da habitação ser mais acessível na periferia, os custos com o transporte se sobressaem a essa economia. Foto: Kasper Christensen/Flickr. Licença CC BY-SA 2.0
Muitas famílias que trabalham por longas horas gastam mais do que podem pagar em habitação e transporte, ficando com poucos recursos disponíveis para outros bens essenciais, como alimentação e cuidados com a saúde. Isso é um problema sério. Consequência, em parte, de políticas públicas que favorecem opções caras de habitação e transporte em relação a alternativas mais acessíveis.
Skyline de Mumbai. Imagem via Pixabay usuário PDPics (domínio público)
A Missão Cidade Inteligente do governo indiano, lançada em 2015, prevê o desenvolvimento de cem "cidades inteligentes" até 2020 para apresentar soluções para a rápida urbanização do país;trinta cidades foram adicionadas à lista oficial na semana passada, levando o número total atual de iniciativas planejadas para noventa. A missão de US$ 7,5 bilhões abrange o desenvolvimento geral de infraestrutura básica — abastecimento de água, eletricidade, mobilidade urbana, habitação a preços acessíveis, saneamento, saúde e segurança — ao mesmo tempo que incluem "soluções inteligentes" baseadas em tecnologia para impulsionar o crescimento econômico e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos nas cidades.
Em um país imerso em corrupção, a missão foi elogiada pelo uso transparente e inovador de um nacional "Desafio Municipal" para dar financiamento às melhores propostas dos órgãos municipais locais. Seu manifesto utópico e implementação, no entanto, são motivos de grande preocupação entre os planejadores urbanos e tomadores de decisão hoje, que questionam se a própria ideia de cidade inteligente indiana é inerentemente falha.
Da pedra cinza de Montreal ao calcário de Jerusalém, cada cidade tem sua própria identidade. Ao escanear a arquitetura da cidade alemã de Nördlingen, que completou 1.120 anos, as casas de madeira, os telhados inclinados vermelhos e as ruas sinuosas parecem idênticas em quase todos os aspectos a muitas comunidades medievais pitorescas que povoam o território europeu.
Embora da aparição da cidade no clássico de 1971, Willy Wonka e a Fábrica de Chocolate, possa parecer seu feito mais notável, há algo inteiramente original sobre a arquitetura desse local do sul da Alemanha. Nördlingen foi literalmente feita de diamantes - milhões de diamantes microscópicos para ser exato - com a própria cidade construída dentro de uma antiga cratera de meteoro.
Há quase dois anos, a América do Sul foi atingida por uma crise na saúde pública que afetou centenas de milhares de mulheres. No Brasil, mais de 2.600 crianças nasceram com microcefalia – uma malformação que torna o crânio menor do que o normal – e outras complicações resultantes da infecção pelo vírus Zika. Os brasileiros se acostumaram com o nome pouco familiar da doença, que se rapidamente se espalhou pelo nordeste do país e cruzou as fronteiras com Colômbia e Venezuela. Porém, à medida que a doença se tornou uma preocupação internacional, ficou claro também que se tratava de um problema muito maior para alguns grupos do que para outros.
Descrito como um "espaço de crescimento" que permitirá que a empresa expanda sua presença na Europa, a nova sede abrangeria quatro edifícios em King's Cross Central - a mesma região da cidade onde a Google está construindo seu campus de 11 andares, projetado pelos estúdios BIG e Heatherwick.
Foram anunciados 20 finalistas para o Open International Competition for Standard Housing, na Rússia. Com o plano de fornecer 30 milhões de residentes russos com novas residências até 2025, o concurso visa descobrir novas soluções inovadoras para melhorar o planejamento e os projetos residenciais nos novos empreendimentos. O concurso foi organizado pelo Governo da Federação da Rússia, pelo Instituto Nacional para a Fundação do Desenvolvimento da Habitação e pelo Ministério da Construção da Rússia trabalhando em conjunto para criar um novo padrão para habitação a preços acessíveis.
Você já ouviu falar do termo Arquitetura hostil? Cunhado em junho de 2014 pelo repórter Ben Quinn no jornal britânico The Guardian, a matéria originalmente intitulada Anti-homeless spikes are part of a wider phenomenon of 'hostile Architecture(As pontas de ferro anti-desabrigados são parte de um fenômeno mais amplo conhecido como "arquitetura hostil") [1] surpreendeu cidadãos de todo o mundo que passaram a notar em seus contextos as práticas listadas por Quinn. Ali ele discorreu sobre como o desenho urbano têm influenciado o comportamento e o convívio, criticando como a abordagem ao mesmo tem buscado excluir moradores em situação de rua dos centros urbanos.
https://www.archdaily.com.br/pt/888722/arquitetura-hostil-a-cidade-e-para-todosEduardo Souza e Matheus Pereira
Cidades ativas são aquelas em que a população pode fazer escolhas mais saudáveis e sustentáveis. Para que isso seja possível, as cidades devem proporcionar acesso a espaços públicos e serviços de qualidade a todas as pessoas, garantindo que possam passear, descansar, brincar e se exercitar em praças, parques e equipamentos. Cidades ativas são também compactas, nas quais a proximidade entre a moradia e o trabalho, escola, serviços, lazer faz com que as redes de mobilidade a pé, cicloviária e de transporte público sejam mais eficientes e melhores distribuídas no território. Assim, a escolha pelo modal a pé ou bicicleta nos deslocamentos diários se torna viável. Por isso, cidades ativas são, necessariamente, mais caminháveis.
"...Brasília é a execução, em alta modernidade, da ideia nutrida pelo Ocidente do que fora a plenitude grega" (Paulo Emilio Salles).
Sempre que, no eixo monumental, cruzo a linha imaginária que liga o Congresso Nacional ao Palácio do Itamaraty e vislumbro a Praça dos Três Poderes do alto da rampa que nela desemboca, me vem uma emoção genuína, que não se desgasta pela sua repetição. A visão privilegiada do conjunto da Praça, ladeada pelos seus três edifícios principais e adornada com a perspectiva do Itamaraty, à direita, é uma imagem que só se compara com a dos grandes espaços urbanos icônicos da humanidade.
Quando a questão sobre mortes e lesões no trânsito é colocada em pauta, rapidamente a associamos aos limites de velocidade. Especialistas do mundo todo concordam que essa é uma das principais e mais eficientes medidas que asseguram a segurança viária: quanto maior a velocidade do veículo, menor a chance de sobrevivência em um impacto. Por exemplo, ser atingido por um veículo a 80km/h é o mesmo que cair de uma altura de 9 andares (cerca de 30 metros de altura). Mas, se as velocidades são indicadas por placas de trânsito, qual é então o papel do desenho urbano na segurança e proteção das pessoas?
Nos últimos anos, o governo federal aprovou a destinação de altos volumes de recursos para a construção de corredores de transporte de média e alta capacidade (TMA). Além do grande volume de recursos investido, a construção desses corredores é determinante para a consolidação de novos eixos de desenvolvimento urbano e pode ser decisiva para a melhoria da qualidade de vida da população.
https://www.archdaily.com.br/pt/885116/metodologia-para-avaliacao-de-corredores-de-transporte-de-media-e-alta-capacidadeITDP Brasil
O planejamento urbano tem impacto nas escolhas que fazemos no dia a dia (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil). Image Cortesia de TheCityFix Brasil
Os Planos Diretores (PDs) são instrumento básico da política de desenvolvimento de uma cidade. É a legislação que define as diretrizes para a gestão territorial e a expansão dos municípios. Ao longo das últimas décadas, as cidades brasileiras passaram por um rápido processo de urbanização, que não foi acompanhado por um bom processo de planejamento. Cidades que se desenvolvem à revelia de um bom planejamento tornam-se áreas urbanas dispersas, distantes e desconectadas.
Mas o que realmente está em jogo quando falamos em planejamento urbano e Planos Diretores? De que forma as diretrizes estabelecidas na legislação impactam o dia a dia nas cidades?
Ambos têm parte da razão, ao que no final é o mesmo que dizer que os dois estão parcialmente errados.
O Estado aponta na direção correta quando promove políticas de densificações habitacionais. Uma cidade mais compacta reduz custos de provisão e manutenção de infraestrutura e serviços, ao mesmo tempo em que diminui os tempos de deslocamentos, favorecendo a caminhada, o uso de bicicleta e transporte público. Tudo isso também ajuda a reduzir as emissões de gases poluentes e efeito estufa. Um bairro de média e alta densidade permite que mais pessoas desfrutem diretamente de seus equipamentos e áreas verdes, constituindo o ambiente propício à instalação do comércio local, que por sua vez atrai maior número de pessoas às ruas, e, por esse motivo, tornam-se ambientes mais atraentes e seguros. O Estado também está tomando boas medidas ao criar regras especiais que fornecem facilidades à construção de habitação de interesse social em áreas consolidadas. Ao permitir maiores densidades, é possível repartir o valor do solo entre mais unidades, o que pelo menos em teoria, torna a construção de moradias em uma cidade com custo mais acessível.