A Pirâmide de Tirana foi inaugurada como um museu dedicado a Enver Hoxha em outubro de 1988, três anos após sua morte e três anos antes do colapso do regime. Nas décadas seguintes, o espaço funcionou como estação de rádio, centro de convenções, boate e base da OTAN durante a Guerra do Kosovo. Em 2023, o escritório MVRDV a reabriu como um parque e escola de tecnologia, adicionando degraus às fachadas para que as pessoas pudessem caminhar sobre o edifício. A inauguração coincidiu com a Cúpula dos Balcãs Ocidentais em 16 de outubro, data que, como apontaram alguns críticos, correspondia ao aniversário de Hoxha. Dois projetos de autodefinição nacional, separados por trinta e cinco anos e concebidos sob premissas políticas opostas, utilizaram a mesma estrutura.
Contexto Urbano Europeu. Imagem Cortesia de ReGreeneration
O projeto ReGreeneration, uma iniciativa do programa Horizon Europe liderada pela Inetum e apoiada pelo C40 Cities, pela ARUP, pela Placemaking Europe, entre outros parceiros, atua como uma colaboração ativa entre governos locais, empresas privadas, academia e organizações da sociedade civil na interseção entre regeneração urbana, espaços públicos verdes e desenho em escala de bairro. Sua premissa aborda como as cidades europeias são construídas e mantidas, e de que forma vivenciam as mudanças climáticas, defendendo que os centros urbanos precisam mudar estruturalmente para continuarem habitáveis diante das crescentes pressões climáticas.
"Mapear o Novo Mundo" é o lema do Projeto PLATEAU, liderado pelo Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão (MLIT), para desenvolver e expandir o acesso a modelos 3D que representam a diversidade das cidades de todo o país. O Japão é composto por um total de 744 cidades, incluindo 14 com populações que superam um milhão de habitantes, 190 com população entre 100 mil e um milhão, e 540 com populações entre 10 mil e 100 mil habitantes. Até o momento, modelos 3D de mais de 250 cidades foram disponibilizados como dados abertos por meio do Centro de Informações G-Espaciais público do país, podendo também ser acessados através de um visualizador online no navegador. Segundo as autoridades públicas, o projeto visa fortalecer a resiliência urbana ao fornecer à sociedade novas ferramentas para enfrentar desafios locais. Isso envolve não apenas a modelagem do espaço urbano, mas também a colaboração com governos locais, empresas privadas e comunidades de tecnologia. O projeto inclui ainda uma reconstrução digital do local da recém-encerrada Expo Mundial de Osaka.
O Encontro Latino-americano e Europeu sobre Edificações e Comunidades Sustentáveis - EuroELECS é um evento científico inovador que promove a discussão sobre sustentabilidade no ambiente construído, conectando Brasil, América Latina e Europa. O objetivo é integrar academia e sociedade, teoria e prática, estimulando um diálogo interdisciplinar e internacional.
A busca por reflexões sobre a cidade contemporânea invariavelmente esbarra nas limitações colocadas pelos métodos do Movimento Moderno. As ciências clássicas e seus métodos deterministas, que orientaram — e ainda orientam — o urbanismo desse tempo, descrevem os fenômenos do mundo por meio de relações fortes de causalidade e, consequentemente, os define em leis universais redutoras, que excluem contradições e incertezas. O resultado frequente dessas perspectivas é um mundo idealizado e mecanicista, que nega as complexidades da natureza real de fenômenos, como por exemplo, as cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1025187/a-ilusao-do-controle-na-cidade-contemporaneaPedro H. N. V. Santos
Músicos, publicitários e chefs renomados são apenas alguns dos profissionais que, inicialmente, encontraram inspiração e formação na arquitetura. Muito além de projetar edificações, a arquitetura promove uma visão abrangente do espaço, da estética e da funcionalidade, habilidades valiosas em diversas áreas. Arquitetos são treinados para pensar de maneira criativa e resolver problemas complexos, aplicando essa expertise ao desenvolvimento de projetos de todos os tipos. Com a ajuda da tecnologia e ferramentas de Inteligência Artificial, esse campo pode se expandir ainda mais. O desenvolvimento urbano contemporâneo, em particular, enfrenta desafios complexos que exigem soluções inovadoras. Um exemplo de incursões de arquitetos em áreas distintas do cotidiano no desenho ou canteiro de obras é o Grupo OSPA, sediado em Porto Alegre, que apesar de ter começado como um escritório de arquitetura, ao longo dos anos, evoluiu para incluir três atividades verticais principais, cada uma desempenhando um papel crucial no desenvolvimento urbano: o Responsive Cities Institute, Urbe.me e Place.
As teorias em evolução do design urbano buscam reformular como as cidades são construídas e vivenciadas. Com uma crescente empatia em relação às necessidades de diversos grupos, o design urbano queer representa uma mudança abrangente e holística na compreensão da identidade e da comunidade nos espaços públicos. Essa abordagem desafia os métodos tradicionais - que costumam ser rígidos - de planejamento urbano ao aplicar os princípios da teoria queer, que valoriza a fluidez e a interconexão. Em comemoração ao Mês do Orgulho LGBTQIA+ de 2024, o ArchDaily explora os fundamentos do "design urbano queer" para influenciar práticas mais inclusivas no planejamento das cidades.
ENCONTRO NO IABSP / EVENT AT IABSP – REFLORESTAR SÃO PAULO / REFLOREST SAO PAULO 21.03.2024 – 18h30 Edifício IABsp / IABsp Building Bento Freitas, 306 – 1º andar – Vila Buarque – São Paulo – Brasil
Imagem aérea de Los Angeles. Imagem via trekandshoot / Shutterstock
Várias cidades nos Estados Unidos estão sofrendo com a falta de milhões de unidades habitacionais. Agravada por outros fatores, essa escassez está aumentando radicalmente o custo tanto para alugar quanto para comprar casas. Los Angeles não é exceção; com 74% do seu território destinado exclusivamente à casas unifamiliares, a construção de habitações multifamiliares é limitada a uma área extremamente pequena da cidade, tornando a construção de novas habitações acessíveis muito difícil. Além disso, processos complexos de aprovação, que duram vários anos, muitas vezes tornam esses projetos ainda menos viáveis.
Por isso, em dezembro de 2022, a prefeita Karen Bass tomou uma decisão drástica ao declarar estado de emergência para acelerar a aprovação de projetos de habitação acessível, permitindo aos investidores acelerar projetos que contemplariam um sistema de aluguel estável por meio de permissões rápidas e isenções de regras de zoneamento. A Executive Direction (ED1) gerou um aumento nas solicitações para construção de habitações acessíveis, surpreendentemente, não apenas de investidores que usam dinheiro público, mas também de particulares.
O efeito ilha de calor urbana ocorre quando pavimentos, estradas e edifícios absorvem o calor do sol e o irradiam de volta, causando um aumento na temperatura e impedindo a cidade de se resfriar. Com a crescente dependência de carros nas cidades, o número de vagas de estacionamento também está aumentando. Isso resultou na conversão de grandes áreas de terreno permeável coberto com vegetação em superfícies duras e impermeáveis. O uso de materiais como asfalto, combinado com a falta de sombra, as superfícies de aço reflexivas dos carros estacionados e a perda de vegetação nessas extensas áreas de estacionamento, contribui para a amplificação dos efeitos de alta temperatura e eventos de calor extremo, tornando os espaços urbanos desconfortáveis. Essa transformação está impactando o clima das regiões dependentes de carros e demanda ideias e esforços colaborativos para mitigar os efeitos negativos do aumento do calor.
Desde sua introdução ao público, as tecnologias de inteligência artificial parecem propensas a mudar o cenário de trabalho para profissionais em todos os campos, e a arquitetura e o planejamento urbano não são exceção. Enquanto muitos temem seu impacto negativo, as tecnologias de IA também podem ser vistas como um conjunto diferente de ferramentas no arsenal de arquitetos e designers. Por mais revolucionárias que sejam, há uma infinidade de aplicativos e plataformas sendo desenvolvidos não para substituir, mas para ajudar, descarregar tarefas repetitivas e ajudar a visualizar ideias ou grandes conjuntos de dados, tudo para fornecer uma base para o processo de tomada de decisão do arquiteto.
A mobilidade urbana nos Estados Unidos passou por uma transformação radical com a introdução dos serviços de transporte por aplicativos no final dos anos 2000. A adoção generalizada de serviços como Uber e Lyft alterou a forma como os cidadãos se movimentam pelas cidades, oferecendo conveniência, flexibilidade e acessibilidade como nunca antes. O inovador modelo de negócios que se destaca ao auxiliar os usuários individuais falhou em prever as maiores implicações na escala da cidade - congestionamento, sistemas de transporte público e aquisição de carros. Enquanto cidades europeias como Bruxelas se comprometeram a incentivar o transporte público para reduzir problemas de congestionamento, cidades americanas buscam soluções próprias.
O projeto de implementação de uma quarta linha de metrô na capital grega começou em 2021, com o objetivo de reduzir a necessidade de automóveis na cidade lotada. Como a nova linha de 15 estações é estimada para transportar 340.000 passageiros por dia, até 53.000 carros poderiam ser retirados das ruas diariamente. Embora a abertura da linha possa estar a cinco anos de distância, a obra começou para reformar sete praças urbanas que se tornarão estações. Apesar do apoio público à iniciativa, o projeto também tem gerado controvérsias, com os residentes temendo a gentrificação.
Este artigo foi originalmente publicado em Common Edge.
Quando Brenda Mendoza contou a um repórter da NPR sobre seu trajeto para o trabalho, ela se tornou o rosto da atual crise habitacional em Los Angeles. Mendoza, uma roupeira de um hotel Marriott, morava com sua família em um apartamento em Koreatown, onde cresceu, a apenas 10 minutos de seu trabalho. O proprietário aumentou o aluguel, então ela se mudou para um lugar mais barato em Downey. Quando esse aluguel também ficou inacessível, ela se mudou para Apple Valley e agora levanta às 3h30 da manhã para dirigir 160 quilômetros até o trabalho, deixando o marido e o filho em seus empregos pelo caminho. Ela não se mudou para Apple Valley para investir em uma casa que pudesse amar. Simplesmente encontrou um aluguel igualmente instável, mas ligeiramente mais acessível, a horas de seu local de trabalho.
O Laboratório Urbano UN-Habitat publicou "My Neighborhood", uma publicação que oferece uma lista de princípios de projeto urbano com o objetivo de criar cidades mais sustentáveis e resilientes. Contendo ações aplicáveis à escala do bairro, o guia se dedica a apresentar uma abordagem integrada que responde a setores-chave, como transporte, iniciativas urbanas locais, moradia, espaços públicos, serviços públicos e outros.
Studio Monnik, 'Alles Komt Goed', 2023. ‘Poreuze Stad’, ilustração de Jan Cleijne. Um cenário toekomst para Amsterdã em 2089. Imagem cortesia do Het Nieuwe Instituut
Ainda assim, o país enfrenta desafios tanto esperados quanto inesperados, desde uma grave escassez de habitação até a crescente preocupação em relação às alterações climáticas e à evolução das ideias sobre ecologia. Nas palavras da curadora Suzanne Mulder, o país está "mais uma vez na prancheta", à medida que arquitetos, urbanistas e designers retomam as conversas sobre o futuro, olhando para as lições do passado. Para auxiliá-los nesse processo, o Nieuwe Instituut de Roterdã está organizando a exposição "Projetando os Países Baixos: 100 anos de Futuros Passados e Presentes".
A mudança de uma capital é uma decisão complexa com várias dimensões e consequências tanto para a antiga quanto para a nova capital. Pode ser impulsionada por fatores políticos, econômicos, sociais, e tem implicações urbanas e arquitetônicas para os moradores, como localização, planejamento, projeto de construção, finalidade da antiga capital, condições climáticas e separação dos centros políticos/administrativos das cidades culturais e econômicas.
Diante deste debate, o Egito está construindo uma nova capital para aliviar a pressão populacional e urbana sobre o Cairo. Da mesma forma, a Indonésia está planejando uma nova capital em resposta aos desafios enfrentados por Jacarta, como poluição, congestionamento de tráfego e aumento do nível do mar. É valioso examinar outros países no sul global que realocaram suas capitais, observando as lições arquitetônicas e urbanas aprendidas com suas experiências.