A pesquisa é um processo estruturado e ativo de analisar, testar, interpretar e resolver, culminando em um conhecimento que pode ser considerado disruptivo. O processo criativo por trás da pesquisa é um convite à imaginação: buscar respostas, soluções e alternativas para a realidade que conhecemos. Para ir além da teoria, a prática se afasta dos livros e computadores para ocupar espaços projetados especificamente para fomentar a experimentação. Nesses seis projetos não construídos, laboratórios, oficinas, observatórios, jardins, auditórios e espaços expositivos articulam-se como terrenos férteis para a imaginação. São espaços que devem apoiar o trabalho colaborativo e a criatividade, permitindo que mentes curiosas e céticas encontrem caminhos em direção a futuros alternativos.
O design orienta o uso ou o uso orienta o design? Estudantes lutam para manter o foco, profissionais se esquivam sob iluminação artificial agressiva e ocupantes se afastam de espaços rígidos, muitas vezes em resposta a condições ambientais que só se tornam visíveis quando o espaço passa a ser habitado. A luz que atravessa um ambiente, a reverberação do som, a textura das superfícies ou o ritmo da circulação podem favorecer a concentração, trazer calma ou inspirar a criatividade, mas cada um desses elementos também pode, inadvertidamente, intensificar o estresse e a distração. Arquitetos/as e designers estão investigando e questionando: como as decisões de projeto são fundamentadas e de quem é o conhecimento considerado essencial na hora de moldar o espaço?
De sistemas de revestimento acústico e térmico a blocos de alvenaria e tecidos produzidos a partir de resíduos agrícolas, a experimentação com materiais de base biológica continua a impulsionar soluções sustentáveis para a indústria da construção civil. Diante da necessidade urgente de repensar como concebemos e interagimos com os materiais que moldam o ambiente construído, profissionais, pesquisadores/as e educadores/as vêm abordando diferentes escalas de projeto e fases de planejamento, reconhecendo a importância de reduzir as emissões de carbono e o impacto ambiental do setor. Em parceria com o Projeto Bagaceira, o protótipo de painel acústico e térmico Sugarcrete®, desenvolvido pela University of East London (UEL), demonstra como o design de baixo carbono pode transformar resíduos agrícolas em materiais de construção de alto desempenho.
Com 48 leitos psicogeriatras e 68 apartamentos acessíveis para cadeirantes, acomodações para cuidadores/as informais e espaço para cuidados domiciliares, o edifício De Keyzer foi inaugurado em Amsterdã em 2011. Seu programa havia sido concebido inteiramente para pessoas idosas que necessitam de assistência, mas, logo após a conclusão da obra, o edifício foi vendido a um fundo de investimento e os apartamentos começaram a ser alugados para famílias jovens com crianças.
Para os/as arquitetos/as do projeto, Tom Frantzen e Karel van Eijken, o episódio poderia ter sido interpretado como uma falha de previsão. Em vez disso, tornou-se uma confirmação. "Isso mostrou, com muita clareza, que os edifícios podem acabar sendo usados de maneiras completamente diferentes das originalmente planejadas", lembra Frantzen. A transformação só foi possível porque os apartamentos eram generosos e porque a estrutura permitia usos mais diversos do que os previstos no programa original. Caso o edifício tivesse sido projetado exclusivamente para sua função inicial, a mudança de uso provavelmente exigiria uma reforma destrutiva ou, em caso extremo, a demolição.
Cores podem definir atmosferas, orientar a percepção do espaço e traduzir modos de ser, memórias e afetos coletivos. Por isso, compreendê-las tornou-se parte essencial dos processos criativos e construtivos contemporâneos. Por trás de cada tom há um campo de pesquisa que articula sociologia, psicologia, estética e tecnologia, conectando a cor a transformações culturais mais amplas e revelando como ela pode se tornar uma ferramenta de leitura e expressão do tempo presente.
A prototipagem é um elemento essencial em setores como o design automotivo e a tecnologia, onde o desenvolvimento iterativo possibilita testar, refinar e inovar. Trata-se de criar versões preliminares ou modelos iniciais para validar ideias e ajustar soluções antes da produção final de uma peça, sendo uma etapa crucial para identificar falhas, otimizar designs e reduzir riscos, economizando tempo e recursos na implementação definitiva. Na arquitetura, entretanto, a prototipagem segue como uma prática subutilizada. Embora a disciplina envolva projetos marcados por particularidades únicas — sejam programáticas, climáticas ou relacionadas à implantação —, sua aplicação poderia ser transformadora. A prototipagem permite que arquitetos experimentem materiais inovadores, validem técnicas construtivas e testem configurações espaciais de forma prática e mensurável. Com isso, não apenas reduz incertezas no processo criativo, mas também impulsiona soluções ousadas e eficientes, promovendo um equilíbrio mais robusto entre estética, funcionalidade e viabilidade.
A Casa da Arquitectura abriu concurso para a atribuição de 10 bolsas de investigação para doutoramento, financiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), ao abrigo do protocolo de Cooperação para Financiamento do Plano Plurianual de Bolsas de Investigação para estudantes de doutoramento celebrado entre as duas entidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1014842/casa-da-arquitectura-abre-concurso-para-10-bolsas-de-doutorado-em-portugalArchDaily Team
Opt Oog Column / Blast Studio. Imagem cortesia de Blast Studio
No projeto arquitetônico, nossas interações com organismos não humanos foram predominantemente marcadas pela criação de barreiras para excluí-los da esfera humana. Mas se adotássemos uma abordagem diferente? O design interespécies é um movimento que coloca organismos não humanos — fungos, insetos e diversos animais — em pé de igualdade com os humanos. Essa filosofia de design propõe estruturas que promovem relações não hierárquicas com outras espécies. Ao fazê-lo, cultivamos empatia por outras formas de vida e transformamos nossa perspectiva sobre o mundo que nos cerca. Esta abordagem visa não apenas alcançar uma pegada ecológica zero, mas também busca a colaboração com organismos não humanos para desenvolver ambientes benéficos para todos. Abaixo, conheça algumas tecnologias de materiais emergentes projetadas para beneficiar tanto os humanos quanto outras formas de vida.
A cidade de Barcelona se tornará um laboratório de pesquisa durante o Congresso Mundial de Arquitetura da União Internacional de Arquitetos (UIA), que será realizado de 28 de junho a 2 de julho de 2026. Seu objetivo é garantir que o Congresso seja de máxima relevância e interesse para a comunidade global de arquitetos, além de gerar conhecimentos e práticas com impacto real no cotidiano das pessoas e no futuro do planeta.
A biblioteca de projetos da ArchDaily é gerenciada por nossos curadores, que buscam constantemente enriquecer nossa seleção com as obras mais interessantes, evidenciando enfoques e critérios distintos e inclusivos. Este ano, começamos a destacar as escolhas de nossa equipe de curadoria na conta do ArchDaily no Instagram, onde nossos curadores lançam luz sobre alguns projetos que abordam temas interessantes e características únicas.
A madeira, um dos materiais de construção mais antigos, foi continuamente reinventada ao longo da história. À medida que a arquitetura contemporânea se preocupa cada vez mais com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental, a popularidade do material também aumentou. Como as árvores absorvem dióxido de carbono durante seu crescimento, a madeira armazena esse carbono, mantendo-o fora da atmosfera. Os materiais derivados da madeira estão, portanto, associados a menores emissões de gases de efeito estufa, desde que as árvores sejam colhidas em florestas manejadas de forma sustentável. Mas, para aproveitar todo o potencial deste material, uma infinidade de técnicas e modificações evoluíram com o objetivo de adaptar e personalizar as características da madeira às demandas do projeto e da construção moderna. Da modificação térmica à madeira engenheirada ou aos versáteis painéis, esses métodos não apenas melhoram a adequação da madeira aos rigores da arquitetura contemporânea, mas também expandem a usabilidade deste material sustentável para uma escala sem precedentes.
Agrivoltaic Pavilion prototype & designs in 'Sustainable Architecture & Aesthetics.' Transforming BIPVs with custom 3D-printed filters and panels for site-specific solar collection. Courtesy Sabin Design Lab at Cornell College of Architecture, Art, and Planning and the DEfECT Lab at Arizona State University. Image Courtesy of Jenny E. Sabin
Por que pesquisar e inovar em arquitetura? Em uma conversa com a arquiteta Jenny E. Sabin, mergulhamos na ligação crítica entre pesquisa e prática em arquitetura. Buscando o desenvolvimento de um novo modelo, sua equipe incorpora uma abordagem interdisciplinar que introduz conexões entre essas áreas, fomentando a colaboração tanto com cientistas quanto com engenheiros.
Observando o comportamento da natureza, o método proposto integra descobertas biológicas e matemáticas ao processo de design. Após passar por um processo de teste sistemático, essas percepções são aplicadas na fase de design generativo do projeto para criar soluções adaptativas e responsivas de materiais. Analisando suas estratégias de pesquisa e design, mostramos como ela traduz a pesquisa em prática arquitetônica.
Sede de Copenhague – Fotografía de Hampus Berndtson . Image Cortesía de SPACE10
Há 10 anos nascia a SPACE10, uma plataforma pioneira em sua abordagem de inovação corporativa, consolidando-se por sua capacidade de ser aberta, democrática, impulsionada por um propósito lúdico e orientada para a comunidade. Composta por uma pequena equipe central de cerca de 23 pessoas com base em Copenhague, seus esforços se concentraram em combinar o poder da criatividade, ciência e tecnologia para encontrar soluções que abordassem a acelerada crise climática e as injustiças sociais.
O laboratório de pesquisa e design da IKEA, SPACE10, publicou o relatório The Healthy Home, a segunda edição da série Future Home. O relatório explora três temas principais relacionados aos ambientes domésticos: como nossas casas nos protegem de danos, restauram nossos corpos e mentes, e nos permitem evoluir ao longo das etapas da vida. A pesquisa tem como objetivo avaliar as formas pelas quais as casas podem contribuir positivamente e apoiar os ritmos e fluxos de vida das pessoas.
Willow Technologies é uma empresa voltada para pesquisa de materiais e tecnologias de construção que foi selecionada como parte das Melhores Novas Práticas de 2023 do ArchDaily. Fundada pela arquiteta e cientista ganense-filipina Mae-Ling Lokko, opera na lacuna entre pesquisa, desenvolvimento e difusão de materiais construtivos feitos a partir de biomassa. Trabalhar com resíduos agrícolas e materiais de base biológica levanta questões técnicas relacionadas à escalabilidade, produção industrial, padronização, resistência ao fogo e resistência mecânica. Explorar esses dados é um dos focos da Willow Technologies, que o faz de forma peculiar através da perspectiva de regiões em desenvolvimento na África Ocidental. Por meio de trabalhos abrangentes com coqueiros, moringas, arroz e outras espécies, a prática de Lokko tem sido capaz de investigar e catalogar as características materiais de várias culturas, seus possíveis subprodutos, técnicas locais de transformação e as perspectivas e desafios da escalabilidade como materiais de construção.
Programação do Seminário Internacional HABIS 30 ANOS. Créditos: Everton Gavino.
Nos dias 07 e 08 de agosto de 2023 acontecerá, no Auditório Paulo de Camargo e Almeida, o Seminário Internacional HABIS 30 ANOS: Trajetória de ensino, pesquisa, extensão e atuação nos territórios rurais e na área tecnológica da arquitetura e construção
Jingru (Cyan) Cheng . Imagem Cortesia de Wheelwright Prize
A Escola de Pós-Graduação em Design da Universidade Harvard (GSD) anunciou Jingru (Cyan) Cheng como a ganhadora do Prêmio Wheelwright 2023, uma bolsa de estudos criada para apoiar pesquisas e abordagens investigativas de arquitetura contemporânea com perspectiva global. O projeto de pesquisa vencedor, intitulado "Rastreando a Areia: Territórios Fantasma, Corpos à Deriva", explora os impactos multifacetados da mineração e recuperação de areia, compreendidos a partir de perspectivas culturais, econômicas e ecológicas. Esse material discreto tornou-se um elemento indispensável para o nosso ambiente construído e comunidades, servindo como componente vital na produção de vidro, concreto, estradas asfaltadas e aterros. No entanto, o processo de dragagem de sistemas subaquáticos e mineração de areia leva à perturbação de ecossistemas em um processo que simultaneamente cria um habitat enquanto destrói outro.