Neste dia 4 de outubro, Dia Nacional do Paisagista, é pertinente a seguinte reflexão: Qual a importância do paisagismo? Uma pergunta aparentemente simples, mas com uma resposta que pode surpreender. O paisagismo é a ferramenta com maior potencial de transformação das nossas cidades e, consequentemente, também da forma como a sociedade contemporânea se relaciona com a natureza.
"O paisagismo é a única expressão artística em que participam os cinco sentidos do ser humano", afirma Benedito Abbud em seu livro Criando Paisagens – guia de Trabalho em Arquitetura paisagística. Enquanto a arquitetura lida, sobretudo com os sentidos da visão e tato, o paisagismo envolve também o olfato, a audição, o paladar, "o que proporciona uma rica vivência sensorial, ao somar as mais diversas e completas experiências perceptivas. Quanto mais um jardim consegue aguçar todos os sentidos, melhor cumpre seu papel."
An aerial view of the High Line with Chelsea Market. The park plans to reopen, with certain restrictions, on July 16. Cortesia de Timothy Schenck
A Metropolis Magazine abordou a produção da High Line Network, um consórcio norte-americano de projetos de reuso que tem compartilhado ideias e práticas ao longo da pandemia.
Desde o início da pandemia, a High Line Network — um associação dedicada ao planejamento e execução de projetos de requalificação urbana em toda a América do Norte — tem realizado uma série de encontros virtuais entre seus membros e parceiros, tanto para comunicar informações à respeito dos projetos em andamento quanto para compartilhar experiências de como cada um dos escritórios está lindando com as dificuldades impostas pela recente crise sanitária. Com muitos projetos sobre a prancheta e outros tantos para serem concluídos e inaugurados em breve, a High Line Network acredita que iniciativas como esta passarão a desempenhar um papel ainda mais relevante na vida das pessoas, especialmente à medida que as restrições de circulação começam a ser abrandadas.
Qual a sua ideia de paisagem? Arquitetura da Paisagem – tradução literal do inglês “Landscape Architecture” – é um campo de conhecimento adjacente à arquitetura e ao urbanismo que muitos relutam em traduzir para o português como Paisagismo, mas que não abrange as complexidades da arquitetura da paisagem. Suspeitamos que a razão por trás do desconforto com a tradução pode ser entendida como o resultado de uma tradição arquitetônica comum no Brasil de entender a paisagem como um ente puramente projetado e estático.
Nascida no Rio em 2004 com 77 edições realizadas em 14 capitais, o evento de arquitetura, decoração e design mais descolado e ousado da cidade estará de volta em Outubro de 2020.
O desenho de interiores é uma parte fundamental na ambientação e complementação das virtudes arquitetônicas de um projeto residencial. Pode reiterar ou subverter aspectos das construções, criar narrativas próprias dentro dos ambientes e qualificar os espaços habitáveis de forma definitiva. Seja em reformas ou projetos começados do zero, pensar os interiores passa pela compreensão dos usos e dinâmicas daqueles que ocuparão os espaços e aproxima a abordagem da arquitetura à escala cotidiana em sua forma mais íntima no caso dos programas habitacionais.
Não é de hoje que arquitetos buscam a ideia de integração entre interior e exterior, diluindo os limites físicos e visuais na tentativa de trazer a paisagem para dentro da arquitetura. No entanto, ao visitar o terreno para o desenvolvimento projetual, duas situações distintas podem ocorrer: um terreno urbano, sem vistas ou elementos naturais; ou a presença vegetal pelo espaço, como árvores e maciços, por exemplo. No caso deste segundo, muitos são os projetos que tiram partido da posição de cada uma das árvores in loco para inserção do objeto arquitetônico, respeitando-as e criando novas vistas, através de pátios ou associado ao novo paisagismo. No entanto, é cada vez mais comum que estas, a partir de estudos da espécie e porte, componham o interior, estando parcialmente ou integralmente imersa dentro do espaço.
Imagem do Manual Técnico de Arborização Urbana de Salvador
Em 2017, a prefeitura de Salvador, na Bahia, criou o Plano Diretor de Arborização Urbana e como parte das ações lançou uma cartilha bem completa para quem deseja fazer plantios nos espaços urbanos.
Quais espécies são mais indicadas e como plantar árvores em calçadas são algumas das dúvidas respondidas no documento. Apesar de ser intitulado “Manual Técnico de Arborização Urbana de Salvador”, a cartilha pode ser aproveitada por moradores de qualquer cidade, especialmente os que vivem no bioma Mata Atlântica.
Caminhamos para um cenário onde a tecnologia BIM irá nos ajudar amplamente a maximizar as funções e habilidades dos profissionais da construção civil, abrindo espaço para que possamos planejar, projetar, construir e gerenciar edificações e infraestruturas com muito mais eficiência, integrando todos os sistemas estruturais, mecânicos, elétricos e hidráulicos de maneira responsável, econômica e sustentável.
Assim como os elementos arquitetônicos que compõem e conformam o espaço construído – piso, paredes e teto, os elementos vegetais também são capazes de conformar os espaços livres em áreas de grande, média e pequena escala, de parques a jardins residenciais, atuando como estruturadores espaciais. Segundo Benedito Abbud, “O paisagismo é a única expressão artística em que participam os cinco sentidos do ser humano. Enquanto a arquitetura, a pintura, a escultura e as demais artes plásticas usam e abusam apenas da visão, o paisagismo envolve também o olfato, a audição, o paladar e o tato, o que proporciona uma rica vivência sensorial, ao somar as mais diversas e completas experiências perceptivas. Quanto mais um jardim consegue aguçar todos os sentidos, melhor cumpre seu papel” [1],
Nesta segunda parte de nossa série buscaremos exemplificar de maneira prática a conceituação e utilização dos marcos visuais, eixos, escalas, visadas e sensorialidade em um projeto paisagístico.
Quando se fala de projetos de urbanismo logo se imagina os grandes planos urbanos, planos diretores e as grandes cidades planejadas, como Brasília. No entanto, existe uma escala que contempla o desenho da paisagem urbana ou rural, com dimensões mais acessíveis para as pessoas.
Proposta para o Jardim Marielle Franco em Paris. Imagem: Prefeitura de Paris / Divulgação
A Prefeitura de Paris inaugurou no último sábado, 21 de setembro, Jardim Marielle Franco em homenagem à vereadora brasileira assassinada em 2018 no Rio de Janeiro. Localizado no 10º distrito da cidade, ao lado da Gare de L’Est, uma das principais estações de trem da capital francesa, o projeto foi liderado pela associação Rede Europeia para a Democracia no Brasil (Red-Br) com o apoio dos coletivos Autres Brésils, France Amérique Latine, Amnesty International France, Coletiva Marielles, Ligue des Droits de l’Homme, Inter LGBT, Amis des Sans Terre.
Rosa Grena Kliass, a dama do paisagismo brasileiro, recebeu hoje o Colar de Ouro do IAB em cerimônia realizada como parte da abertura da 12ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. Kliass é a primeira mulher a receber a honraria, que desde 1967 já reconheceu nomes como Vilanova Artigas, Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx.
Inaugurados há cerca de três anos, os jardins verticais que ocupam as empenas de alguns edifícios localizados nas adjacências do Minhocão carecem de manutenção há mais de um ano e se tornaram um transtorno para os moradores. Segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo, as paredes verdes passaram de atração a estorno para os condomínios que optaram por adotar o sistema.
Casa da Rua Santa Cruz, jardim de Mina Klabin. Acervo Gregori Warchavchik
A história de vida da paisagista paulistana Mina Klabin Warchavchik se confunde com a história da arte e arquitetura modernas no Brasil, sobretudo em São Paulo. Seu pai, Maurício Freeman Klabin, imigrante lituano, saíra da Rússia por um decreto que proibia os judeus de serem donos de terra no país. Recém chegado ao Brasil no fim do século XIX, passa a trabalhar em uma oficina que produzia livros em branco para o mercado tipográfico, da qual passa a ser proprietário em poucos anos.