A madeira está entre os materiais mais antigos e familiares da arquitetura. Contudo, seu uso contemporâneo levanta questões complexas sobre impacto ambiental, disponibilidade de recursos, procedência de materiais e circularidade em relação às economias locais. Ao mesmo tempo, os avanços no design computacional, na usinagem CNC e na fabricação robótica também estão reconfigurando a maneira como a madeira é projetada e montada, abrindo novas possibilidades para a inovação estrutural e a expressão formal, ao mesmo tempo em que redefinem o equilíbrio entre automação, força de trabalho e eficiência.
Soporte oculto para vigas - CBH. Image Cortesía de Simpson Strong Tie
No campo da arquitetura, a madeira foi um dos primeiros materiais utilizados pelos seres humanos na construção, evoluindo e enfrentando diversos desafios ao longo dos anos. Desde a incorporação de novas tecnologias nos processos de produção industrial até técnicas e materiais ancestrais reinterpretados de forma contemporânea, a construção em madeira continua despertando interesse entre profissionais de arquitetura e design. Para além de sua versatilidade, resistência, aparência e sustentabilidade, a madeira laminada cruzada, conhecida como CLT, apresenta um cenário promissor para o futuro da indústria.
O campo — historicamente subestimado — tem emergido como um território fértil de possibilidades. Mais do que um "espaço marginalizado", o rural latino-americano se afirma hoje como um verdadeiro laboratório de experimentação arquitetônica, social e ecológica. De comunidades agroecológicas a tecnologias de baixo impacto, das relações entre humanos, máquinas e outros seres vivos às soluções locais para desafios globais como a crise climática, a segurança alimentar e a migração — o campo está redesenhando, com autonomia e inventividade, seu próprio futuro.
Obra realizada com Mass Timber Urbem. Image Cortesia de Urbem
Em um cenário em que a preocupação com a sustentabilidade e o ESG (Governança ambiental, social e corporativa) é latente, se viu a necessidade de olhar para um setor que gera 38% de todas as emissões de CO2 do planeta e consome 30% dos recursos globais: o setor da construção civil. Em 2022, na COP27, as Nações Unidas anunciaram o Clean Construction Accelerator, um programa com ações pensadas para reduzir em até 50% a produção de gases que geram o efeito estufa até 2030. Um relatório da ARUP e do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável destacou uma descoberta crucial: metade das emissões provenientes de edifícios não provêm apenas da fase de construção, mas também do carbono incorporado nos materiais utilizados, gerado durante sua fabricação e transporte. E é justamente nesse cenário em que vemos a oportunidade para o setor, qual o único material renovável da construção civil que retém o carbono ao invés de emitir? A madeira.
Mas, ao falarmos em madeira, surge um outro questionamento: como a madeira pode ser sustentável se para isso precisamos derrubar árvores? Ana Belizário, a Diretoria Comercial da Urbem, uma indústria nacional de mass timber em larga escala, nos explica ao longo deste artigo o modo como plantar árvores especificamente para o consumo é uma alternativa não somente sustentável, mas uma ótima prática no combate à crise climática e pode regenerar o setor da construção civil.
O Mass Timber é uma alternativa inovadora que vem ganhando cada vez mais destaque e importância mundialmente devido à sua sustentabilidade e tecnologia na construção de edifícios. A inauguração, em 2020, da primeira loja conceito Dengo, localizada em São Paulo, marcou não apenas a estreia da primeira fábrica interativa da marca, mas também a pioneira utilização do CLT (Cross Laminated Timber) em um edifício de altura no Brasil. Desenvolvido pelo escritório de arquitetura Matheus Farah e Manoel Maia, o projeto enfrentou uma série de desafios, justamente por essa ser uma nova tecnologia que estava chegando ao mercado.
A escolha do CLT como principal material de construção no projeto reflete um compromisso com a sustentabilidade e a redução do impacto ambiental, pois ele contribui para a mitigação do carbono na atmosfera. Além disso, sua utilização permite uma obra mais limpa, leve e rápida em comparação com métodos construtivos tradicionais. No entanto, é necessário ter em mente que uma construção em Mass Timber requer cuidados especiais no manuseio, armazenamento e montagem dos materiais para preservar a integridade e beleza ao longo do processo construtivo. Somente as práticas adequadas podem garantir a qualidade final da obra, como por exemplo não deixar a madeira exposta às intempéries ou utilizar calços para evitar o contato da madeira com o solo.
A habitação é uma das principais premissas da arquitetura. Para muitos, o abrigo é um de seus denominadores principais. Dentro das cidades, é pauta premente e complexa. De todo modo, as iniciativas de habitação com interesse social tentam dar conta de abrigar uma parcela considerável da população, para garantir que usufruam dessa premissa-primeira da arquitetura: uma casa.