Na arquitetura, para a concepção dos espaços físicos e tangíveis, os aspectos efêmeros e intangíveis são considerações essenciais a serem analisadas no processo projetual. Um dos elementos mais importantes neste sentido é a iluminação natural, responsável por proporcionar conforto, qualidade de vida e saúde àqueles que habitam ou habitarão o espaço.
Os arquitetos de hoje enfrentam uma tarefa comum que desafia a intuição - como equilibrar o desempenho da construção e metas estritas de carbono e custos. A sustentabilidade nas edificações é certamente uma meta digna e necessária, mas a quantidade de opções pode ser avassaladora e os custos proibitivos, especialmente aos olhos dos proprietários. Como os projetistas podem convencer melhor seus clientes a integrar sustentabilidade em um projeto? Manter os custos baixos e fazer decisões com análise baseada em fatos são os primeiros passos sólidos.
Seja por meio de claraboias tradicionais, superiores, aberturas lineares, aberturas tipo lanternas ou coberturas tipo shed, a manipulação e incorporação de luz natural nos projetos arquitetônicos pode significar uma mudança radical na percepção dos espaços internos e atmosferas dos projetos. A cozinha, como espaço de trabalho, é considerada em muitos projetos residenciais, como uma área central os residentes passam uma grande quantidade de tempo em suas vidas diárias. Fornecer uma boa qualidade de luz permitirá incrementar o conforto visual e proporcionar um melhor bem-estar àqueles que realizem tarefas nesses espaços.
Talvez a abertura zenital mais célebre já construída seja o Panteão de Roma, encomendado por Marco Vipsânio Agripa durante o reinado do imperador Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.) e reconstruído por Adriano (r. 117–138) por volta de 126. No ponto mais alto da sua cúpula (neste caso, o óculo) brilha a luz do sol, lançando seus feixes sobre as várias estátuas de divindades planetárias que ocupam os nichos nas paredes. A luz que adentra o espaço simbolizava uma dimensão cósmica, sagrada. A luz natural continua cumprindo esse papel cênico, quando bem utilizada, sobretudo em projetos religiosos.
Caracteriza-se iluminação zenital como a que vem de cima, do céu (zênite). Muito útil para espaços grandes que não possam ser adequadamente iluminadas por janelas, as claraboias são um artifício amplamente usado e que proporcionam uma luz difusa agradável ao espaço. Geralmente toma-se o cuidado que não permitam a entrada do sol, para não aquecer demasiadamente o local e devem ser bem projetadas e construídas para que não sejam pontos de infiltração de água. Veja, abaixo, uma coletânea de projetos que utilizam essa solução:
Os habitantes do planeta Terra passam quase 90% do tempo em espaços internos; aproximadamente 20 horas por dia em salas fechadas e 9 horas por dia em nossos próprios quartos. As configurações arquitetônicas desses espaços não são aleatórias, ou seja, foram projetadas ou pensadas por alguém, ou pelo menos um pouco "guiadas" pelas condições de seus habitantes e seus entornos. Alguns, com sorte, habitam espaços especialmente criados de acordo com suas necessidades e gostos, enquanto outros adaptam e se apropriam do design projetado para outra pessoa, talvez desenvolvido décadas antes de nascerem. Em ambos os casos, a qualidade de vida pode ser melhor ou pior, dependendo das decisões tomadas.
Entender a importância de projetar cuidadosamente nossos interiores, priorizando o acesso e o aproveitamento da luz natural, foi o objetivo do 8º Simpósio VELUX Daylight, realizado entre 9 e 10 de outubro de 2019 em Paris. Desta vez, mais de 600 pesquisadores e profissionais reafirmaram sua importância, apresentando uma série de ferramentas concretas que podem nos ajudar a quantificar e qualificar a luz, projetando sua entrada, gerenciamento e controle com maior profundidade e responsabilidade.
Poética da luz natural para projetos de arquitetura - Casa Barragán
A Escola Coletiva de Projetos foi idealizada pelo desejo do aprofundamento da reflexão, do debate e da (re)formulação de um pensamento mais crítico em relação à arquitetura, urbanismo e construção, especialmente relacionados ao Nordeste brasileiro, seu clima, seus costumes, seus modos de vida e suas cidades.
Quando perguntaram a Tadao Ando, arquiteto japonês vencedor do Prêmio Pritzker de 1995, qual seria o elemento mais consistente em sua obra, ele respondeu sem pestanejar: a luz. Através de sua arquitetura, Tadao Ando se apropria da luz e da sombra de uma forma quase coreográfica. Em determinados momentos, a sombra projetada em uma parede de concreto mais parece uma impressionante obra de arte. Em outros projetos são os reflexos na superfície d'água que transformam por completo a nossa compreensão do espaço. Sua abordagem arquitetônica enraizada na tradicional arquitetura japonesa e potencializada por um vasto vocabulário arquitetônico moderno, provocou profundas transformações em nossa disciplina durante a segunda metade do século XX colocando-o como uma das mais importantes figuras do regionalismo crítico. Cada um de seus projetos apresenta soluções individuais e profundamente conectadas à seus contextos específicos - como a Igreja da Luz, a Casa Koshino ou o Templo da Água-, aproximando a arquitetura tradicional japonesa à universalidade da arquitetura moderna. Ele foi capaz de reproduzir a luz difusa do interior das casas japonesas, filtrada pelas paredes de papel, através do uso criativo dos materiais e da simples configuração dos espaços.
O espaço privado é geralmente associado a esconder o que acontece dentro, permitindo que as pessoas tenham certos momentos de intimidade. Habitualmente, banheiros foram concebidos para este fim, reduzindo as aberturas a um mínimo ou - por vezes - eliminando-as completamente.
No entanto, sendo um espaço tão importante dentro de um edifício, os banheiros se tornaram um objeto de nova exploração para os arquitetos. Desfocando os limites da privacidade - sem perder completamente - esses espaços estão abertos para o exterior, permitindo a entrada da brisa. Como esta nova experiência é percebida? Confira 30 banheiros abertos que brincam com o sentimento de exibicionismo, sem revelar completamente o que está acontecendo dentro.
Enquanto muitos arquitetos pensam em janelas para iluminar os espaços internos, Norman Foster fica intrigado com a luz natural vinda de cima. O famoso arquiteto britânico sempre admirou a obra de Louis Kahn e Alvar Aalto pela forma como lidavam com a luz natural - especialmente no que diz respeito à cobertura. Em particular, grandes edifícios públicos beneficiam-se desta estratégia para criar espaços agradáveis. Portanto, Foster considera a luz natural indispensável quando desenvolve megaestruturas para aeroportos ou arranha-céus corporativos. Mas a luz natural que vem de cima é muito mais do que uma dimensão estética, observa Foster: "Além das qualidades humanísticas e poéticas da luz natural, há também implicações energéticas".
A cada ano o prêmio internacional VELUX desafia estudantes de arquitetura de todo o mundo a pensar o futuro da luz natural, inspirando-se nas explorações e investigações criativas.
Na sua versão de 2018, o júri formado por Carme Pigém Barceló, Rick Joy, Li Hu, Saša Begovic e Martin Pors Jepsen anunciou os vencedores mundiais: os projetos selecionados, entre os 9 vencedores regionais, foram Light Forms Juggler, de Anastasia Maslova, e Road to Light, de Yuhan Luo, Di Lan, Yuan Liu e Yusong Liu.
Você sabia que 64 milhões de crianças europeias passam mais tempo na escola do que em qualquer outro lugar que não a sua casa? As crianças europeias passam aproximadamente 200 dias por ano nas suas escolas primárias. Com essas informações, como podemos criar salas de aula mais saudáveis para ambientes de aprendizagem produtivos? Esta questão é talvez mais importante do que nunca, já que esta será a primeira vez desde a década de 1970 que a Europa e o Reino Unido assistirão a um boom na construção e renovação de escolas. Trata-se de uma tremenda oportunidade para os arquitetos e educadores a repensarem o que deve ser uma instalação educacional e como o ambiente físico pode ser projetado para ter um impacto positivo na aprendizagem.
Recorrentemente, vemos que arquitetos optam por fachadas translúcidas para resolver as envoltórias de seus edifícios, promovendo a entrada de uma grande quantidade de luz natural controlada durante o dia. Ao mesmo tempo, quando acendem as luzes durante a noite, muitos desses projetos são notados no meio da escuridão, aparecendo como lanternas ou faróis para seus bairros e comunidades. Estando expostos a mudanças de condições - dia ou noite - é necessário estudar detalhadamente a orientação e a localização do edifício, as pré-existências do contexto e a configuração dos espaços interiores, o que nos leva a escolher necessariamente o material adequado.
Apresentamos um sistema autoportante de painéis de vidro que permite construir este tipo de fachadas sem interrupções - do chão ao teto -, com quadros mínimos e cores, texturas e performances térmicas e acústicas diferentes.
A luz é uma importante, embora complexa, ferramenta na arquitetura. Não apenas proporciona atmosfera, textura e vitalidade, mas é cada vez mais essencial em uma época onde a tecnologia nos afasta da natureza. Neste trecho do novo livro de Mary Guzowski, The Art of Architectural Daylighting, a autora introduz a ciência e a arte da iluminação natural - e detalha seis maneiras pelas quais os mestres abordam o desafio.
Realizado a cada dois anos, o Prêmio Internacional VELUX desafia alunos a criarem projetos que aproveitam a luz do dia, com o objetivo de desenvolver uma compreensão mais profunda dessa fonte de energia.
Um júri de renomados arquitetos escolheu 9 vencedores regionais que agora competirão pelo prêmio no Festival Mundial de Arquitetura em novembro de 2018. Os vencedores foram escolhidos de projetos apresentados por estudantes de 250 escolas de arquitetura diferentes em 58 países.
A abordagem de Hiroshi Sambuichi a um terreno envolve estudos e reflexões de longo prazo sobre as qualidades e forças incorporadas da natureza. Seu entendimento é “mais profundo e com um grão mais fino”, explica o arquiteto americano e membro do júri The Daylight Award James Carpenter como uma das várias razões pelas quais Sambuichi foi anunciado recentemente como o mais recente vencedor do Daylight Award em 2018. Nas mãos de Sambuichi, “a luz se torna atemporal, fluida e rica”.
A IV Semana Luz no Ambiente Tropical ocorrerá entre os dias 6 a 10 de novembro de 2017, com cerimônia de abertura e minicursos na UFAL nos dias 6 a 8 e palestras no Senai nos dias 9 e 10, em Maceió-AL. Organizado pelo Grupo de Pesquisa em Iluminação (Grilu), do Laboratório de Simulação em Conforto Ambiental e Eficiência Energética - LABSICA, situado no Centro de Tecnologia (CTEC) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). A IV SLAT representa a parceria entre pesquisadores e profissionais de diversas instituições e áreas que atuam em linhas de pesquisa complementares, tendo a luz natural e artificial como núcleo de um campo multidisciplinar. A programação conta com abertura, minicursos, exposição dos softwares do grupo, exposição de trabalhos acadêmicos e palestras
Sob o tema "Healthy & Climate Friendly Architecture - From Knowledge to Practice", o 7° VELUX Daylight Symposium, realizado em Berlim entre os dia 3 e 4 de maio deste ano, teve a participação de 39 palestrantes voltados à pesquisa e prática de arquitetura.
Os participantes puderam confrontar informações de pesquisadores e arquitetos praticantes da Europa, Canadá e EUA, gerando discussões interessantes sobre a necessidade de aprofundar a compreensão da luz natural e projetar de forma mais eficaz.
Steven Holl foi premiado com o Prêmio Daylight de Arquitetura 2016, que homenageia arquitetos "que se distinguiram pela realização da arquitetura ou criação de ambientes urbanos que mostram um uso exclusivo da luz natural, em benefício da qualidade de vida global, seu impacto na saúde humana, bem-estar e desempenho, e seu valor para a sociedade."