Durante o século passado temos construído as ruas para os automóveis, para assegurar o seu deslocamento. No entanto, a partir de uma mudança de paradigma no uso e fruição da rua e em consonância com os recentes debates internacionais, nossas cidades têm começado a devolver os espaços públicos aos cidadãos. Trata-se, de fato, da aplicação do conceito das "Ruas compartilhadas" que apela ao projeto de espaços nos centros urbanos para melhorar sua qualidade de vida.
https://www.archdaily.com.br/pt/794322/o-papel-das-ruas-compartilhadas-como-recuperar-a-qualidade-de-vida-no-espaco-publico-guillermo-tella-e-jorge-amadoGuillermo Tella e Jorge Amado
A mais recente publicação da Associação Nacional de Funcionários de Transporte de Cidade, NACTO, é o "Guia de Desenho de Trânsito de uma Via", no qual são apresentados conceitos e propostas a respeito de como é possível melhorar os espaços viários através do projeto urbano.
O foco das ideias é priorizar a mobilidade sustentável para que, tanto as cidades membro da organização, quanto as que tenham acesso a este documento, possam melhorar suas práticas em relação aos espaços públicos, à mobilidade e ao transporte.
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Imagem do vídeo “Jeff Speck Design #1: The 3-to-2 Road Diet”
O arquiteto e planejador urbano, Jeff Speck, dedica-se a elaborar propostas que têm um objetivo em comum: fazer das cidades lugares mais sustentáveis.
A partir desse enfoque, a maioria de suas ideias convergem na necessidade de que as cidades devem primar pela mobilidade sustentável, tal como aborda em seu livro “Walkable Cities”, em que, dentre outros temas, apresenta oito técnicas para que as cidades sejam mais transitáveis.
Dessa maneira, busca evitar a expansão urbana e mudar a mentalidade, passando de uma cultura centrada nos automóveis a uma que privilegie as caminhadas e o uso da bicicleta como meio de transporte. Seguindo essa ideia, produziu uma série de quatro vídeos onde mostra como pode-se redesenhar as ruas para dar mais espaço aos ciclistas.
A seguir mostramos cada uma das quatro propostas em vídeos.
Imagem via Manual de Ruas Compartilhadas Dérive Lab
O conceito de espaço compartilhado começa a tomar cada vez mais força em nossas cidades. Uma noção que supõe a mudança do paradigma do modo como vivemos e pensamos as ruas - este espaço público tão fundamental para todas pessoas que vivem nos centros urbanos.
"Devemos esquecer da segregação por velocidade, sinais de trânsito e obstáculos para começar a pensar em espaços e ruas verdadeiramente compartilhadas, onde seja possível negociar o espaço de uma forma pessoal", afirma a organização Dérive Lab na primeira edição em espanhol de seu Manual de Ruas Compartilhadas.
Há mais de 100 anos os daneses desfrutam de uma cultura ciclista que durante as últimas décadas conferiu-lhes o título de líderes no assunto. Por isso, não é estranho que um dos índices mais respeitados sobre a taxa do uso da bicicleta, a qualidade da infraestrutura ciclista e outros temas relacionados seja elaborado por um escritório local, o Copenhagenize Design Company.
Esta empresa se dedica a assessorar os governos, elaborar planos territoriais e a criar soluções de desenho urbano que têm um objetivo comum: promover o uso da bicicleta como meio de transporte.
Em 2011, este escritório desenvolveu o Ranking Copenhagenize, um estudo de uso interno que escolheu quais são as 20 cidades mais amigáveis do mundo segundo 13 categorias. Dois anos depois, fez-se uma nova edição que, foi de fato publicada, e liderada por Amsterdam, cidade destronada na versão 2015, que apresentaremos neste artigo.
Por Daniela Hidalgo, arquiteta, mestre em arquitetura e planejamento rural. Candidata ao doutorado na Universidade de Tsinghua, Pequim. Trabalhou no escritório do arquiteto japonês Kengo Kuma. Atualmente é pesquisadora da Universidade de Tsinghua.
Os padrões idiossincráticos são uma série de variáveis constantes de traços, temperamento, caráter etc., distintivos e próprios de um indivíduo ou coletivo. Antes de iniciar uma proposta, o planejador deveria realizar um estudo de como as pessoas interatuam no espaço para, assim, conhecer os limites da comunidade. Isto é, identificar os locais por onde as pessoas mais circulam, atividades e pontos de interesse. Além disso, buscar padrões de porquê um espaço é bem quisto ou não por seus habitantes. E, finalmente, mapear como as pessoas realizam qualquer tipo de atividade comum no espaço.
O "Better Philadelphial Challenge" é um evento internacional organizado desde 2006 pelo Centro de Arquitetura local, filiado ao AIA, que convida estudantes universitários a propor soluções de desenho urbano a serem implementadas na Filadélfia e, possivelmente, em outras cidades.
Este ano o projeto vencedor foi "Delaware Valley Foodworx”, uma proposta elaborada por uma equipe da Universidade de Cornell que pretende converter a pequena ilha Petty, que é atualmente usada como depósito de containers e tanques de petróleo, e, um "paraíso sustentável".
“A principal razão para intervir em ciclovias e infraestrutura cicloviária é porque a bicicleta é um meio de transporte essencial. Quando alguém vai em uma reunião, às compras, ao trabalho ou à escola, a bicicleta pode ser a forma mais eficiente em termos de custo e tempo."
Esta frase, dita no vídeo por Paul Soglin, prefeito de Madison, Wisconsin, reflete a importância que está sendo atribuída à bicicleta na mobilidade desta cidade.
Este enfoque de planejamento é compartilhado pelos prefeitos de outras cidades norte-americanas, como Filadélfia, Indianápolis, Memphis e Pittsburgh, que no vídeo destacam os benefícios de intervir em infraestrutura cicloviária, já as mudanças positivas não se refletem apenas na experiência do ciclista, mas também no resto da cidade.
Recentemente, foi inaugurada em Sydney a primeira etapa do "The Goods Line", um projeto inspirado no High Line de Nova Iorque que transformou uma antiga linha férrea em um novo espaço público elevado. Quando concluído a cidade australiana contará com um equipamento de 500 metros de extensão entre a Praça de Trenes e o Porto Darling.
A abertura do setor norte do projeto significou que o corredor de trens voltaria a fazer parte da cidade, após permanecer isolado por mais de um século.
Nesta semana, ao buscar por temas no Arquivo do ArchDaily Brasil, optamos pela seleção de dez obras de infraestrutura pública que priorizam o uso pedonal. Equipamentos da cidade que servem de apoio ao trânsito de pedestres, como pontes e passarelas, e que possuem diferentes configurações, formas e materiais.
Como parte da iniciativa "Mobilidade Urbana Sustentável" da EMBARQ, o WRI Ross Center for Sustainable Cities criou um guia de referência global chamado Cities Safer by Design "para ajudar as cidades a salvarem vidas dos acidentes de trânsito através do projeto de ruas melhores e do desenvolvimento urbano inteligente."
Causando mais de 1,24 milhões de fatalidades todos os anos, acidentes de trânsito são a oitava principal causa de mortes no mundo, posição que deve passar para quinta até 2030.
Com esses números alarmantes em mente, o guia Cities Safer by Design discute meios de tornar as cidades menos perigosas, particularmente em sua seção "7 Proven Principles for Designing a Safer City” [7 Princípios Provados para Projetar uma Cidade Mais Segura]. Conheça esses 7 princípios, a seguir.
Abordando algumas questões ligadas ao desenho dos espaços públicos das cidades, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) produziu e disponibilizou um guia prático para a construção de calçadas. Em 25 páginas são tratados temas como acessibilidade, estratégias de desenho, tipos de pavimentação e a criação de calçadas verdes através de textos, cálculos e ilustrações que explicam e exemplificam detalhadamente cada um dos tópicos.
Definindo a calçada ideal como "aquela que garante o caminhar livre, seguro e confortável de todos os cidadãos", o guia inicia com as principais características que uma calçada deve apresentar: ser acessível, ter uma largura adequada, apresentar fluidez e, evidentemente, proporcionar segurança aos pedestres.
Rocco Yim fala na conferência Alternatives for Low Carbon City Architecture and Life Forum. Imagem Cortesia de Shenzhen Design Center
Durante a conferência “Alternatives for Low Carbon City Architecture and Life” dessa semana, em Shenzhen, China, nós nos reunimos com Rocco Yim para lhe perguntar - impulsionados por seu interesse em conectar culturas - como seu trabalho está relacionado com a busca por baixas emissões de carbono ou por um design sustentável. Yim explica os valores fundamentais que motivam a sua abordagem para projetar, revelando suas atitudes em relação a soluções tecnológicas de projeto. Leia mais para saber o que Yim acredita ser a essência dos espaços urbanos bem sucedidos.
Envolver as crianças e jovens no planejamento urbano é uma prática definida como necessária pela legislação alemã, de acordo com Päivi Kataikko, responsável pelos assuntos regionais e internacionais do coletivo Jugend Architektur Stadt (JAS), dedicado a promover a participação cidadã.
Ainda que a descrição dessa tarefa e o que ela implica possam parecer mais complexos do que realmente são, tudo se torna bastante simples para as crianças quando a abordagem é realizada através da brincadeira. Foi essa a estratégia empregada pelo coletivo JAS em várias cidades alemãs e pela plataforma Arkitente no projeto JolasPlaza, na cidade de Portugalete, País Vasco.
Do que se trata e como foi realizado o projeto JolasPlaza?
Se considerarmos que em 2013 o número de automóveis da cidade de São Paulo superou os 5,4 milhões de veículos, e que o excesso de velocidade e a irresponsabilidade dos condutores e pedestres estão entre as principais causas de mortes no trânsito, se faz cada vez mais necessário que as cidades tenham ruas mais seguras.
Para ter uma ideia de como avançar nesse sentido, apresentamos a seguir quatro propostas para o projeto de cruzamentos que podem servir de exemplo para aumentar a segurança dos pedestres, ciclistas e motoristas.
Projeto Novo Recife - Redesenho. Image via Diario de Pernambuco
Após um longo e controverso processo, a Câmara dos Vereadores de Recife aprovou na última segunda-feira o Plano Específico para o Cais Santa Rita, José Estelita e Cabanga, com 23 votos a favor. O projeto foi votado em pauta extra e não estava na ordem do dia, o que levou os opositores ao plano a pedir que a votação fosse adiada para o dia seguinte; pedido negado pelo vereador Vicente André Gome, presidente da Câmara.
O documento aprovado divide a região em dez zonas mapeadas e delimitadas com especificações para cada forma de intervenção. O parque ferroviário, incluindo os trilhos e componentes do Pátio Ferroviário das Cinco Pontas, o vazio urbano restante da ligação ferrovia-porto e a frente d'água, e a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Cabanga deverão ser destinados à implantação de parques públicos com programas de parques infantis e píeres, ciclovias ou ciclofaixas, bicicletários, áreas para corrida, caminhada skate e patins, sanitários públicos, quiosques e edificações de pequeno porte destinadas a atividades de suporte aos parques, à biblioteca pública e, ao menos, uma edificação destinada a atividades culturais.
Segundo os resultados da última Pesquisa Origem Destino elaborada pelo Ministério de Transportes e Telecomunicações do Chile (MTT), dos 18,4 milhões de deslocamentos diários que acontecem na região metropolitana de Santiago, 6,3 milhões correspondem a caminhadas.
Essa cifra faz desse tipo de deslocamento o mais frequente, seguido pelos deslocamentos de automóvel (25,7%) e de ônibus (22,6%).
Segundo a proposta do The City Fix Brasil, blogue independente da organização para mobilidade sustentável WRI Brasil Cidades Sustentáveis. as caminhadas poderiam se tornar ainda mais frequentes nas cidades se as calçadas fossem melhores, algo que pode ser alcançado através dos oito passos mostrados a seguir formulados pela organização.