Nos últimos 60 anos, arquitetos e engenheiros se renderam a soluções industriais de construção, com edifícios criados para serem construídos cada vez mais rápidos e com um custo muito baixo.
À medida que surgia uma abordagem internacional de construção mais padronizada ao longo do século XX e (a curto prazo) mais barata, muitos profissionais abandonaram as tradições vernáculas de suas culturas ancestrais, que foram desenvolvidas ao longo de milhares de anos, para combater os extremos climáticos de diferentes regiões.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado hoje, 5 de junho, a plataforma de conhecimento Força Meninas lança uma iniciativa que coloca meninas como agentes de transformação no combate à crise climática sob a perspectiva dos marcadores de gênero.
Agora que os efeitos das mudanças climáticas já são visíveis e indiscutíveis, os consumidores estão mais conscientes do que nunca. De fato, como sugere um estudo das Nações Unidas 2021, 85% revelam que a sustentabilidade desempenha um papel fundamental ao tomar suas decisões de compra, motivando empresas e fabricantes a responderem de acordo. Isso explica a crescente demanda por veículos elétricos e produtos feitos de materiais renováveis ou recicláveis. No entanto, a arquitetura - e especialmente a moradia tradicional - parece estar vários passos atrás em comparação com outras indústrias. Embora existam inúmeros esforços para avançar em direção a um ambiente mais verde, a maneira como a maioria dos edifícios é feita hoje continua desatualizada, criando enormes quantidades de desperdício e contribuindo significativamente para a pegada global de carbono.
Desde o surgimento da profissão de designer, impulsionada na Revolução Industrial com o a produção crescente de objetos e o desejo de uma classe média ávida por consumir; designers, decoradores e arquitetos são conhecidos como profissionais que criam espaços e produtos para embelezar o mundo.
Danos causados a construções pelo furação Irma em Nanny Cay, na Ilha Virgem Britânica de Tortola. A ilha caribenha sofreu com danos e destruição generalizados decorrentes da passagem do Irma em 2017. Foto: Russell Watkins/DFID
O planeta já está 1,1°C mais quente devido a alterações climáticas induzidas pelos humanos, e milhões de pessoas já enfrentam consequências reais do aumento das temperaturas, da elevação do nível dos oceanos, de tempestades mais severas e de chuvas que escapam às previsões meteorológicas. Uma redução rápida das emissões é essencial para conter o aumento da temperatura e garantir um futuro mais seguro para todos. Também são essenciais investimentos capazes de proteger as comunidades dos impactos cada vez mais severos que continuarão piorando com o tempo.
https://www.archdaily.com.br/pt/980598/o-que-sao-as-perdas-e-danos-das-mudancas-climaticasPreety Bhandari, Nathaniel Warszawski, Deirdre Cogan e Rhys Gerholdt
A crise climática reformulou a arquitetura contemporânea. A sustentabilidade se tornou uma força orientadora importante no projeto e, por sua vez, os arquitetos estão repensando como devem construir. Para o escritório CO Adaptive Architecture, abordar a crise climática começa com uma prática orientada a processos. Juntos, Ruth Mandl e Bobby Johnston criaram uma empresa que incorpora como uma abordagem baseada em valores pode abordar as questões mais urgentes de nosso tempo. O resultado é uma arquitetura elegante e impactante trazida à vida com equilíbrio e finesse.
As cidades litorâneas sempre foram um ponto de atração para moradores, turistas e empresas. Além das características estéticas, a proximidade com o mar tornou estas cidades um foco de transporte marítimo com a construção de portos, bem como polos de atividades recreativas e aquícolas. No entanto, nas últimas décadas, essas regiões têm sido ameaçadas pelo aumento dos níveis de água, inundações e ciclones recorrentes, juntamente com outros desastres naturais que puseram em perigo suas comunidades, colocando sua população, ecossistema e ambiente construído em risco.
À medida que a crise climática continua a se apresentar como uma ameaça significativa ao futuro do ecossistema e do ambiente construído, o relatório do IPCC deste ano, intitulado Mudanças climáticas 2022: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, descobriu que, embora os esforços de adaptação estejam sendo observados em todos os setores, o progresso que está sendo implementado até agora é muito desigual, pois há lacunas entre as ações realizadas e o que é necessário. No Dia da Terra deste ano, celebrado este mês de abril, exploramos o progresso feito por governos e arquitetos para alcançar operações neutras em carbono nas próximas décadas.
A cada fração de grau no aquecimento global, os impactos das mudanças climáticas se tornam mais intensos. No Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), 278 cientistas de 65 países mostram que, para que tenhamos a chance de manter ao alcance o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris, o mundo deve atingir o pico de emissões de gases do efeito estufa (GEE) dentro dos próximos três anos.
https://www.archdaily.com.br/pt/980021/6-conclusoes-do-relatorio-do-ipcc-de-2022-sobre-mitigacao-das-mudancas-climaticasClea Schumer, Sophie Boehm, Taryn Fransen, Karl Hausker e Carrie Dellesky
Um edifício neutro em carbono é alcançado quando a quantidade de emissões de CO2 é equilibrada por iniciativas positivas para o clima, de modo que a pegada líquida de carbono ao longo do tempo seja zero. Considerando sua capacidade inigualável de absorver CO2, plantar árvores é muitas vezes visto como a melhor solução de compensação de carbono. Mas à medida que as cidades se tornam mais densas e a quantidade de espaço horizontal disponível para áreas verdes reduz drasticamente, os arquitetos têm sido forçados a explorar outras abordagens. Para enfrentar esses desafios climáticos e conectar as pessoas à natureza, as paredes verdes externas tornaram-se uma tendência crescente em cidades cada vez mais verticais. Embora haja pesquisas para afirmar que estes podem impactar positivamente o meio ambiente, muitos questionam se eles podem realmente contribuir para uma arquitetura neutra em carbono. A resposta pode ser bastante complexa, mas parece apontar para: até certo ponto através de um bom projeto.
Estamos muito longe da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e evitar os piores riscos das mudanças climáticas. Mas essa meta ainda é possível, de acordo com o mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC) – e essa esperança deve orientar as decisões político-econômicas desta década, segundo o WWF-Brasil.
San Juan de Lurigancho, Lima, Perú. Imagen de MarcoRosales. Image vía Shutterstock
O IPCC divulgou seu último relatório sobre a crise ambiental, "Mudança Climática 2022: impactos, adaptação e vulnerabilidade". As novas observações advertem que medidas prioritárias urgentes devem ser tomadas sobre a adaptabilidade do ambiente construído, indicando que globalmente o crescimento mais rápido da vulnerabilidade urbana tem sido em assentamentos informais e não planejados, e em centros urbanos de pequeno e médio porte em países onde a capacidade adaptativa é limitada devido a sua renda - uma situação recorrente na América Latina.
A pegada de carbono e emissões de CO2 são assuntos importantes em nossas conversas sobre como criar um futuro mais sustentável. Ao longo do tempo, diferentes empresas, organizações e indivíduos prometeram alterara seus estilos de vida e hábitos para realizar mudanças que mostrem que eles são dedicados a combater as mudanças climáticas. Especialmente no setor de design, no qual edifícios geram quase 40% das emissões anuais de CO2 entre operações diárias e construção/demolição, os arquitetos há muito tempo sentem a pressão de explorar novas maneiras e provar que estão fazendo sua parte.
Quando examinamos diferentes escalas de emissões, uma pergunta normalmente vem à tona: como podemos medir diferentes níveis de impacto? É nossa responsabilidade individual reciclar e nunca mais usar canudos de plástico? Será que isso tem um grande impacto? Será que mais fabricantes de carros precisam encontrar alternativas para automóveis abastecidos por gasolina? Será que os arquitetos precisam apenas encontrar materiais sustentáveis? Quais são medidas factíveis que provocam um impacto verdadeiro?
O novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) traça um cenário preocupante: as mudanças climáticas já afetam todas as partes do mundo, e impactos muito mais severos podem estar nos esperando se não reduzirmos as emissões de gases do efeito estufa pela metade ainda nesta década e não começarmos imediatamente a ampliar as medidas de adaptação.
https://www.archdaily.com.br/pt/978091/impacto-das-mudancas-climaticas-6-descobertas-do-relatorio-do-ipcc-de-2022-sobre-adaptacaoKelly Levin, Sophie Boehm e Rebecca Carter
Entre as muitas dificuldades que a indústria da construção enfrenta atualmente, o confrontar a emergência climática continua sendo um dos principais desafios. De fato, considerando que o setor é responsável por cerca de 40% das emissões globais de gases de efeito estufa, a busca por uma arquitetura net-zero deveria ser a principal prioridade. Embora haja um longo caminho a percorrer para a maioria dos edifícios anular a quantidade de dióxido de carbono que produzem, o conceito está ganhando força rapidamente e certamente se tornará a nova norma à medida que olhamos para um futuro não muito distante. E como arquitetos, designers e outros atores envolvidos na indústria podem contribuir para o design sustentável e a arquitetura net-zero?
Por mais revolucionário que o setor da construção civil possa parecer hoje em dia, ele é atualmente responsável por quase 40% das emissões mundiais de dióxido de carbono, 11% das quais são resultado da fabricação de materiais de construção, como aço, cimento e vidro. Alguns anos depois, após uma pandemia global que acarretou mudanças de rotina e provas incontestáveis da mudança climática, as emissões de CO₂ ainda estão em ascensão, atingindo um máximo histórico em 2020, de acordo com o Relatório da Situação Global de Edifícios e Construção de 2020. Embora muito progresso tenha sido feito por avanços tecnológicos, estratégias e conceitos de projeto e processos de construção, ainda há um longo caminho a percorrer para reduzirmos as emissões de carbono a um mínimo ou quase zero no desenvolvimento de ambientes construídos.
Inundações após furacão de categoria 4 na Nicarágua. O aumento da intensidade das tempestades está ligado às mudanças climáticas. Foto: European Union, 2020/D. Membreño
No alto da Cordilheira dos Andes, as geleiras recuaram e diminuíram sob os efeitos das mudanças climáticas. Em torno de quatro milhões de pessoas dependem das geleiras para obter água, mas elas perderam quase um metro de espessura nos últimos 20 anos.
https://www.archdaily.com.br/pt/979035/compromissos-ambicao-e-frustracao-o-progresso-da-america-latina-nas-questoes-climaticasAlex Simpkins, Caroline M. Rocha Frasson, Héctor Donado e Carolina Genin
Enquanto a emergência climática se apresenta como uma ameaça existencial grave, é crucial que o caminho para zerar as emissões de carbono seja retomado em larga escala, tanto no sentido arquitetônico, quanto no comercial. Ao redor do mundo, iniciativas foram renovadas em uma tentativa de combater o que é quase inconcebível. De acordo com o relatório de status global de 2019 para edifícios e construções, o setor de construção representou 36% do uso final de energia e das emissões de carbono relacionadas ao processo em 2018. Embora as emissões de carbono tenham sido temporariamente reduzidas durante o pico da pandemia, elas devem retornar rapidamente aos números anteriores.