Há sentido em projetar parques verdes em cidades desérticas como Casablanca, Dubai ou Lima? A princípio sim, por que eles fornecem frescor e vegetação a seus cidadãos, no entanto, é necessário considerar o descarte dos ecossistemas característicos das regiões, além dos altos custos de manutenção e da constante luta pela disponibilidade hídrica.
Iñaki Alday é o atual diretor da Escola de Arquitetura de Tulane (Nova Orleans). Fundador do escritório de arquitetura Alday Jover Arquitectura y Paisaje, Iñaki Alday também é um dos arquitetos consultores das Nações Unidas, especialista em projetos urbanos de rios e deltas. Como tal, Alday se destaca por sua participação como co-fundador do ‘Projeto Yamuna River’, uma das primeiras iniciativas internacionais entre universidades de apoio à projetos de pesquisa dedicados à recuperação do Rio Yamuna na cidade de Nova Delhi - um dos rios mais contaminados do mundo.
Entrevistamos Iñaki Alday para saber mais à respeito de como as cidades estão se preparando para enfrentar a emergência climática. Fizemos perguntas que abordam a urgência por pesquisas e pesquisadores dedicados ao assunto e como as universidades deveriam estar preparando as novas gerações de arquitetos para enfrentar este urgente desafio.
Ainda que este novo ano esteja apenas começando, assim como uma nova década, a mudança climática, que ao longo dos últimos dez anos passou a ser chamada de "emergência climática", deverá persistir até que toda a humanidade incorpore uma maior consciência - individual e coletivamente - para combater os mais urgentes desafios que se desenham para o futuro do nosso planeta. Embora não exista uma "única solução" para todos os desafios climáticos que a terra vem enfrentando, existe um ônus para cada cidadão, tanto em suas vidas pessoais quanto profissionais, que requer uma ação imediata de todos nós, aplicando nossos conhecimentos e habilidades para enfrentar os principais desafios de nosso tempo.
Para todos nós - arquitetos, urbanistas e também cidadãos - que estamos envolvidos com a construção de edifícios e cidades, deve prevalecer um profundo sentimento de responsabilidade, de estar ciente dos impactos que nossos projetos possam causar em relação ao agravamento das mudanças climáticas, não apenas em sua construção mas principalmente na manutenção de tais edifícios. Considerando que 36% de toda a energia global é utilizada para a construção e manutenção de edifícios e que 8% do total de emissões de gases do efeito estufa resultem dos processos de produção do cimento, a comunidade global de arquitetos deve sentir-se profundamente responsável uma vez que seus atos podem contribuir ou minimizar tais mudanças.
https://www.archdaily.com.br/pt/931426/fatos-sobre-arquitetura-e-a-crise-climaticaNiall Patrick Walsh
Nossa imaginação pode ir muito longe com o cinema, e talvez seja por isso que a arquitetura há muito tempo vem estreitando laços com a arte da imagem em movimento. Nossa mente pode ser levada a mundos utópicos onde passamos a viver realidades outras com os olhos e com a pele; filmes podem nos carregar para lugares novos, distantes, onde somos confrontados com realidades que nos são estranhas.
Mas além de nos transportar para localidades longínquas, filmes podem assumir o papel de veículos de crítica social - em suas mais amplas implicações. Não é novidade, vem sendo feito há quase tanto tempo quanto o próprio cinema existe, mas segue relevente. O que muda é o tipo de crítica, que evoliu com o tempo e com os modos de vida da sociedade. Nesse sentido, uma das problemáticas mais emergentes da atualidade é a mudança climática - ou, mais correto seria dizer crise climática -, que pela abrangência e peso é tópico de interesse em qualquer linguagem, da arquitetura às artes e, evidentemente, o cinema.
Estação Antártica Comandante Ferraz. Image Cortesia de Estúdio 41
Após quase oito anos desde o início do projeto, a Estação Comandante Ferraz, base brasileira de pesquisa na Antártica, projetada pelo escritório curitibano Estúdio 41, será inaugurada. Com a estrutura concluída desde março do ano passado, a abertura está prevista para este mês de janeiro.
Não é de hoje que cientistas e ambientalistas tem alertado a população acerca do superaquecimento do planeta Terra, resultado de um conjunto de ações humanas que aos poucos tem produzido uma série de catástrofes ambientais rumo ao abismo. Posto isso, nas últimas cinco décadas o termo Aquecimento Global passou a ser utilizado em massa em um conjunto de artigos e discursos, não apenas científicos, mas sobretudo, políticos, dados os números alarmantes. Além disso, uma série de acordos foram firmados com a finalidade de adotar um conjunto de ações em prol da saúde do planeta.
A crise climática global é um assunto que implica discussão em diversas esferas da vida cotidiana e do planejamento para a contenção e prevenção de suas consequências. Um dos fatores centrais deste debate diz respeito às formas de produção de energia, que historicamente foram responsáveis por grandes danos ao meio ambiente pela falta de preocupação em buscar fontes renováveis e sustentáveis para gerar eletricidade. Em geral, quando vinculada aos meios tradicionais, a energia elétrica é obtida por caminhos que produzem resíduos, poluentes para a atmosfera e a água, além de, em alguns casos, se valerem de recursos naturais não renováveis.
O Goldman Sachs divulgou um relatório sobre os efeitos das mudanças climáticas em cidades de todo o mundo. O estudo explorou as principais mudanças que transformarão o planeta e destacou várias metrópoles que correm o risco de sofrer inundações.
Mall of Qatar at the Rawdat Rashed Interchange, Al Rayyan, Qatar. Postcard image, Log 47: Overcoming Carbon Form. Photo: Maxar Technologies
Até agora, a maioria dos discursos ambientais na arquitetura se concentrava no carbono como subproduto da construção civil, fazendo parecer que, de maneira ecológica, a preocupação mais premente é a eficiência energética. Essa postura compartimenta a disciplina e desloca a origem da crise climática das organizações políticas, econômicas e espaciais dominantes que são sua causa. Em resposta a esse deslocamento, Log: 47 Overcoming Carbon Form reconsidera a ligação entre arquitetura e clima, explorando a reciprocidade entre energia e forma construída. Para isso, a energia deve ser entendida além de sua capacidade técnica, vista como uma força política e cultural com repercussões espaciais inevitáveis.
A Young Architects Competitions (YAC) em conjunto com o Cantiere delle Marche, acaba de lançar “Kiribati Floating Houses”, um concurso de ideias que pretende incentivar o desenvolvimento de novas soluções arquitetônicas para enfrentar os desafios impostos as nossas cidades em decorrência do aumento dos níveis das marés. Os vencedores dividirão um prêmio total em dinheiro de quinze mil euros. Além disso, algumas das propostas serão apresentadas em uma exposição a ser realizada na paróquia de Santa Maria della Vita no centro da cidade de Bolonha enquanto que outras serão convidadas para participar de uma mostra organizada pela National Geographic no Palazzo Blu, em Pisa. Os projetos participantes serão avaliados por um seleto e renomado júri de arquitetura, contando com a participação de Kengo Kuma, Moon Hoon, Rocco Yim, Cristiana Favretto (Studiomobile), Simon Frommenwiler (HHF Architects), Fabio Roversi Monaco (Genus Bononiae) e Giuseppe Zampieri (David Chipperfield Architects).
O arquiteto chinês Mingfei Sun projetou um hub urbano de orientação ambiental para a cidade de Masdar, em Abu Dhabi. Intitulado SURGE, o projeto explora a imagética do poder da natureza, tornando-se um oásis de grande valor ecológico.
https://www.archdaily.com.br/pt/922044/surge-um-hub-urbano-que-combina-tecnologia-sustentabilidade-e-tradicaoLilly Cao
Mapa: Crowther Lab, Fuente: Bastin et al. 2019 Plos One, Creado con Datawrapper
Em 2050, o clima em Madri será muito semelhante ao atual clima de Marrakech no Marrocos. Estocolmo será mais parecida com Budapeste, Londres a Barcelona, Moscou com Sofia, o clima em Seattle será como em San Francisco enquanto que Tóquio, apresentará condições climáticas como aquelas da cidade de Changsha, na China.
A resiliência parece ser um tópico de muita discussão nos círculos do urbanismo hoje em dia. No entanto, há um pequeno problema: não podemos chegar a um acordo sobre o significado de resiliência.
Duas definições parecem existir. A primeira, enraizada na ciência dos materiais. A segunda, na ecologia.
O Chile é um paísacostumado tanto com desastres naturais quanto com processos de reconstrução. No entanto, a frequência desses ciclos tem aumentado ao longo dos anos. De acordo com o Ministério do Interior, 43% de todos os desastres naturais registrados no Chile desde 1960 ocorreram entre 2014 e 2017.Inclusive o governo já está envolvido em vários processos de reconstrução em todo o país.
“Atelier Stad Breda”, 2015. In the image a series of design strategies touching upon energy, ecology and economy come together.
Segundo estimativas levantadas pela C40, uma rede de megacidades comprometidas em combater as causas das mudanças climáticas no planeta, cidades consomem mais de dois terços de toda energia produzida no mundo e são responsáveis por mais de 70% das emissões globais de CO2: um número que certamente tende a aumentar à medida que a população urbana mundial continua a crescer. Pensando nisso, o escritório holandês de arquitetura FABRICations decidiu desenvolver uma pesquisa em busca de alternativas para o atual modelo de cidade, explorando caminhos que poderiam resultar na diminuição das emissões de gases do efeito estufa na Holanda.
https://www.archdaily.com.br/pt/919048/6-passos-para-projetar-cidades-mais-saudaveisNiall Patrick Walsh
A Frank Lloyd Wright Foundation aproveitou o Dia da Terra, 22 de abril, para lançar uma iniciativa voltada a educar o público sobre como práticas sustentáveis são usadas na conservação de locais históricos nacionais, incluindo os famosos projetos Taliesin (Wisconsin) e Taliesin. West (Arizona) de Wright. Programada para ocorrer ao longo do ano, a iniciativa tem como objetivo mostrar como essas práticas podem servir de exemplo para outras áreas da sociedade.
https://www.archdaily.com.br/pt/915671/frank-lloyd-wright-foundation-usa-o-projeto-taliesin-west-para-educar-sobre-como-viver-na-naturezaNiall Patrick Walsh