1. ArchDaily
  2. construction site

construction site: O mais recente de arquitetura e notícia

Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil

Áudio disponível

Filippo Brunelleschi e a cúpula de Santa Maria del Fiore, concluída em 1436 na cidade italiana de Florença, representam um capítulo importante na história da arquitetura, frequentemente associado ao crescente distanciamento entre o desenho e a construção. Essa separação, consolidada gradualmente ao longo do tempo, encontra um ponto de inflexão decisivo no Renascimento. O desenho torna-se um instrumento para antecipar e impor autoridade sobre a construção. O canteiro de obras, outrora um espaço de invenção e tomada de decisões, passa a ser compreendido primordialmente como um local de execução.

Nos séculos seguintes, esse distanciamento torna-se cada vez mais acentuado, sobretudo com a construção moderna. A industrialização, la especialização técnica e a organização corporativa fragmentam o processo construtivo em etapas progressivamente distintas. Quem projeta raramente constrói; quem constrói nem sempre participa das decisões; quem financia, gerencia e habita ocupa posições ainda mais distanciadas entre si. A eficiência desse modelo permitiu construir em escala, mas também concentrou o conhecimento e o poder de decisão nas mãos de determinados agentes.

Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Image 17 of 4Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Image 2 of 4Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Image 1 of 4Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Image 4 of 4Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Mais Imagens+ 18

Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura

Áudio disponível

Construir uma cidade do zero não é tarefa fácil. Nunca foi e nunca será. A própria ideia de criar de forma planejada o que de outro modo se desenvolveria e cresceria gradualmente exige recursos, organização e, acima de tudo, mão de obra. Foi o que aconteceu em 1958, quando o Planalto Central do Brasil se transformou em um dos maiores canteiros de obras do século XX para a construção de Brasília. Dezenas de milhares de candangos (migrantes vindos predominantemente do Nordeste, muitos sem formação técnica prévia) chegaram para erguer uma capital inteira em pouco mais de três anos, sob o lema do então presidente Juscelino Kubitschek de realizar "cinquenta anos de progresso em cinco". A arquitetura de Oscar Niemeyer e o plano de Lúcio Costa não teriam sido possíveis sem a premissa de que haveria mão de obra suficiente e disposta a suportar baixos salários e condições extremamente severas para transformar concreto e curvas em um símbolo nacional.

Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Image 1 of 4Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Image 2 of 4Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Image 3 of 4Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Image 4 of 4Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Mais Imagens+ 3