Mobilidade urbana como um direito social. Figura produzida pela autora
É perceptível a exclusão do gênero feminino da formação do espaço, refletindo um lugar de insegurança e de vulnerabilidade. Neste contexto, a mobilidade urbana, tal qual conhecemos, reproduz as desigualdades de gênero, raça e classe existentes em nossa sociedade. Seja por meio da caminhabilidade ou do transporte público, o fato é que a forma como os deslocamentos são realizados não se adequa às necessidades das mulheres, especialmente aquelas autodeclaradas pretas e pardas e com menor renda. Buscamos aqui, portanto, dar especial atenção para o modo como as noções de interseccionalidade têm operado nessa mobilidade urbana como um direito social para todas e todos.
A construção de mais rodovias urbanas continua em muitos lugares. Na América Latina, vemos projetos sendo desenvolvidos em Santiago (Américo Vespucio Oriente), Lima (Linha Amarela), Quito (Solución Vial Guayasamín), São Paulo (Rodoanel Mário Covas) e Cidade do México (Segundo Piso a Cuernavaca), apenas para citar alguns.
Na Colômbia, o Governo Nacional anunciou um novo programa para melhorar o acesso às áreas urbanas durante o XVIII Congresso da Câmara Colombiana de Infraestrutura. Nas palavras do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, “nosso objetivo também é transformar o acesso às cidades. Não vale a pena economizar tempo em viagens interurbanas se esse tempo é perdido em áreas urbanas”.
O canal do Youtube Never Too Smalltem 2,25 milhões de inscritos – uma plataforma que apresenta a manipulação imaginativa do espaço em plantas pequenas. Vídeos de microapartamentos, em Paris, Londres e outras cidades alcançam milhões de visualizações. Claramente há uma demanda por conteúdo voltado para a vida em espaços pequenos, já que uma crise imobiliária global acelerou a queda na disponibilidade de residências acessíveis e maiores em áreas urbanas. Para aproveitar ao máximo o espaço limitado dentro dessa realidade restrita, arquitetos têm projetado plantas com menos de 40 metros quadrados visando criar uma experiência espacial não claustrofóbica.
Através da exposição “Search History” (Histórico de busca) no Museu MAXXI em Roma, Lara Lesmes e Fredrik Hellberg, diretores do estúdio de arquitetura e arte Space Popular, se propuseram a explorar a obra de Also Rossi e traduzir suas noções de “fato urbano” e “ cidade análoga” ao mundo virtual. A instalação é uma reflexão sobre a proliferação de plataformas do metaverso e o conceito de urbanismo virtual. A exposição está na quinta edição da Studio Visit, uma parceria entre a Alcantara e o MAXXI Museo nazionale delle arti del XXI secolo, que desafia os designers a propor uma reinterpretação pessoal das obras dos mestres das MAXXI Architecture Collections.
No sábado, 14 de janeiro, foi inaugurada a nova edição da Bienal de Arquitetura e Urbanismo do Chile nos arredores do Palácio de La Moneda, em Santiago. O tema abordado pelas exposições, conferências e encontros é Habitats Vulneráveis, trazendo os problemas contingentes do país em torno do déficit habitacional e acesso à moradia, juntamente com a vulnerabilidade dos espaços públicos, patrimônio e meio ambiente nas cidades e territórios chilenos.
Francisco Cadau recebeu o maior prêmio na recente Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires, em 2022. Um reconhecimento por sua trajetória que, pela técnica e materialidade, conseguiu colocar no mapa de maneira consistente sua região: a cidade de Campana, às margens do rio Paraná, na Argentina. Suas obras na cidade, como a Casa das Peneiras ou o Edificio Damero, são referências quando se trata de pensar em modelos de projeto onde "a construção e a tecnologia constituem as próprias ideias".
Há alguns meses, o mundo se reuniu em Sharm El Sheik, no Egito, para a cúpula anual sobre mudanças climáticas: a COP27. Como o resto da África, a Nigéria é representada por seu séquito de burocratas, defensores do clima e outros grupos interessados. Desde a última reunião na Escócia (COP26), a Nigéria assinou a Lei de Mudanças Climáticas, estabelecendo uma meta de atingir zero emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 2050 e 2070.
Nesse tempo, o país desenvolveu um ambicioso plano de energia que veria a transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis, utilizando a sua vasta reserva de gás natural. O país está na vanguarda da Iniciativa dos Mercados Africanos de Carbono e planeja arrecadar pelo menos US$ 500 milhões com o comércio de créditos de carbono para compensar o carbono emitido.
https://www.archdaily.com.br/pt/995058/a-ambiciosa-agenda-climatica-da-nigeria-e-sua-fixacao-com-a-pegada-de-carbonoMathias Agbo, Jr.
O Museu do Sexo de Nova York anunciou sua expansão para Miami em 2023, com um museu de três mil metros quadrados projetado pelo estúdio Snøhetta. O armazém convertido contará com três extensas galerias de exposições, espaço para comércio e um bar para preservar, apresentar e celebrar o significado cultural da sexualidade humana em uma das comunidades artísticas mais vibrantes e diversificadas dos EUA. O programa inaugural contará com o trabalho de Hajime Sorayama e Super Funland: uma jornada ao carnaval erótico, a principal experiência imersiva do museu.
Nesta entrevista com Paul Tange, presidente e diretor da Tange Associates em Tóquio, discutimos a relação com seu famoso pai Kenzo Tange (1913-2005; o arquiteto mais influente no Japão pós-guerra e vencedor do Prêmio Pritzker 1987), o destino da casa Tange Sênior construída para sua primeira família e a decisão de ingressar no escritório de seu pai logo após se formar em Harvard. Paul fala também de seu primeiro trabalho construído independentemente: a Mode Gakuen Cocoon Tower, em Tóquio, um campus vertical de 50 pavimentos capaz de acomodar dez mil estudantes.
Finalmente chegou a hora de escrever isso. Durante anos - em reuniões, passeios no campus e conversas informais - falei sobre o Wurster Hall da Universidade da Califórnia em Berkeley, agora Bauer Wurster Hall, incentivando as pessoas a ver e apreciar o significado e a beleza deste edifício. Não foi algo fácil de se fazer.
Bauer Wurster Hall abriga o College of Environmental Design (CED). Originalmente, abrigava os departamentos de arquitetura, paisagismo, planejamento urbano e design. O prédio foi projetado e construído especificamente para o CED, a nova faculdade fundada em 1959 que reuniria esses departamentos pela primeira vez. William Wurster, que originalmente deu nome ao prédio, foi o reitor fundador da faculdade e visionário quanto ao prédio.
Vi o Wurster Hall pela primeira vez em 1976, quando cheguei a Berkeley para fazer pós-graduação em arquitetura. O prédio, então com pouco mais de uma década, já era considerado um dos mais feios do campus, causando um especial desconforto por ser a sede do Departamento de Arquitetura. Eu não via dessa forma, mas estava muito ocupada nos ateliês e nas salas de aula para prestar atenção no design do edifício. Pelo que me lembro, embora os arquitetos do corpo docente do prédio ainda estivessem presentes, eles não discutiram o prédio conosco. Certamente estávamos cientes do caráter incomum do edifício.
https://www.archdaily.com.br/pt/994904/ha-mais-de-uma-maneira-de-definir-o-contextoEmily B. Marthinsen
Em 2013, o ArchDaily publicou o artigo “Podemos parar de desenhar árvores no topo dos arranha-céus?” - e o autor ficou frustrado com o greenwashing desenfreado. Se você quiser fazer parecer sustentável, basta colocar uma árvore nele. As plantas sempre foram uma tática de marketing eficaz de apelo aos ambientalmente conscientes, mas assim que são editadas no Photoshop, são descartadas ao primeiro sopro de engenharia de valor. Dada a volumosa enxurrada de comentários e debates vigorosos após essa publicação (2013, 2016, 2016), fica claro que algo persiste. Talvez um instinto amplamente sentido de que, na verdade, nossas “paisagens” urbanas são insustentáveis e muitas vezes inabitáveis. Nossas cidades não apenas aproveitam os serviços ecossistêmicos de florestas distantes e águas subterrâneas para sustentar nossa produção de carbono, poluição do ar e desperdício de água, esgotando terras aráveis para alimentar nossas populações cada vez mais urbanas, mas também criam áreas urbanas desprovidas de vida que aumentam nossa pegadas de carbono e impactam negativamente a saúde e o bem-estar humanos.
https://www.archdaily.com.br/pt/993648/construindo-calorias-entendendo-o-valor-de-viver-com-as-plantasAndreas Theodoridis, Christina Ciardullo & Anna Dyson
As mudanças climáticas têm sido um dos tópicos mais urgentes deste ano, e por um bom motivo. Seus efeitos são visíveis não apenas em habitats naturais, mas também em ambientes urbanos. A indústria da construção civil tem um papel importante nesta dinâmica. Ao longo do ano, eventos como a COP27 enfatizaram a importância dos esforços para zerar as emissões líquidas e os desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento afetados por desastres naturais, cada vez mais devastadores. Possíveis direcionamentos rumo ao desenvolvimento incluem ações em vários estágios e escalas, desde a otimização de espaços verdes para controle de calor urbano até o uso de materiais de construção locais e inovadores para minimizar a pegada de carbono, ou a aprovação de leis que ajudam a criar ambientes urbanos e naturais mais sustentáveis.
Este artigo representa um resumo de artigos publicados no ArchDaily durante o ano de 2022 com temas relacionados às mudanças climáticas e o potencial da arquitetura para fazer a diferença. Ele divide o tópico em quatro questões principais: O que as cidades estão fazendo para mitigar o calor urbano? Como enfrentar o aumento do nível do mar? O que foi a COP27 e por que ela é importante? Os materiais de construção podem ajudar a atingir esses objetivos? A última seção apresenta um panorama das novas legislações aprovadas ao longo de 2022, como forma de entender como os governos estaduais e municipais estão impondo essa necessidade de mudança.
Histórias encenadas sobre comunidade e identidade, a arquitetura temporária mostrou que em 2022 não é preciso ser permanente para ser poderosa. Uma instalação pública direta e pop-up pode passar da preparação para a ação, recuperando e definindo o que torna uma comunidade única. Destacando instalações para reconhecer a diversidade linguística em Nova York, uma mesa gigante para celebrar a culinária em Barcelona e uma grande rede em Dubai para representar a cultura local, entre outros, essas iniciativas buscam entender como as expressões locais e regionais podem ajudar as cidades a ser mais igualitárias e diversas.
A globalização conectou o mundo de maneira sem fronteiras. Embora também tenha tornado a informação mais acessível, levou à homogeneidade e à crise de identidade ao fundir sociedades e expressões culturais únicas. Não há como negar as diferenças culturais com o crescimento da globalização. Assim como a arquitetura produz padrões de vida comuns, ela também pode destacar singularidades. 2022 foi o ano de expressar memórias locais a serem reconhecidas e celebradas, colocando comunidade e identidade como temas centrais na arquitetura temporária em festivais, instalações e pavilhões.
Quando o Airbnb começou, há quase 15 anos, oferecia uma solução inovadora para reservar estadias de curta duração sem complicações. Ao alugar um quarto vago ou um apartamento inteiro, era oferecida uma alternativa aos modos tradicionais de reservar hotéis, muitas vezes superfaturados e lotados. O Airbnb agora enfrenta muitas críticas à medida que cresceu rapidamente, oferecendo centenas de milhares de estadias em todo o mundo. Entretanto, não escapou de passar por experiências negativas. Agora, planejadores e formuladores de políticas estão começando a ver os efeitos da abundância de anúncios do Airbnb e como isso afeta uma crescente crise imobiliária.
Andar pelas ruas de Mumbai, Índia, é uma experiência inigualável. A energia da maior e mais populosa cidade da Índia é sentida através de seu povo, de suas atividades e de seu ambiente construído. A cultura dinâmica da cidade fica expressa de forma evidente através das estruturas que pontuam sua paisagem.
Mumbai combina uma mistura eclética de edifícios de grande e pequena escala, antigos e novos, tradicionais e modernos. A cidade dos contrastes ostenta um legado arquitetônico de mais de 2 mi anos. Localizada no estado de Maharashtra, na costa oeste da Índia, Mumbai abriga uma variedade de estilos arquitetônicos como Vitoriano, Gótico, Art Deco, Indo-Saracênico, Moderno e Pós-moderno. A cidade é caracterizada por seu antigo encanto e vivacidade, um palco diversificado e de oportunidades.
A Escola da Cidade recebeu o jornalista Juca Kfouri para uma conversa sobre a relação entre sociedade, política e futebol. Juca falou da presença do futebol na sociedade e como ele é também um meio de fazer política, ressaltando que ele é um fator cultural, econômico e também de formação. Abordou também temas como os últimos acontecimentos no Pacaembu e a importância do Maracanã.
Teatro Kalita Humphreys restaurado, vista da Katy Trail . Imagem cortesia de Diller Scofidio + Renfro
Diller Scofidio + Renfro, em colaboração com o Dallas Theatre Center, apresentou uma proposta de restauro para o Teatro Kalita Humphreys, uma das obras menos conhecidas de Frank Lloyd Wright. Ao longo dos anos, negligência e obras complementares irresponsáveis comprometeram a integridade da edificação. O projeto visa restaurar o teatro de meados do século XX ao seu estado original a partir de uma abordagem complexa. De acordo com os arquitetos, isso inclui extração de elementos não originais, reconstrução seletiva, preservação e uma reinterpretação fiel da intenção do desenho de Wright. O projeto também visa transformar o espaço público dos arredores em um parque ativo e atraente conectado a Turtle Creek e Katy Trail, alguns dos destinos mais visitados em Dallas.