Um edifício desponta no calçadão à beira-mar da cidade de Palma. Este edifício, construído por José Ferragut Pou em 1960, foi um projeto de vanguarda influenciado pela arquitetura moderna americana da época. Hoje, ele conta uma história de vazio e solidão, como muitos outros.
Lluís Bort é um arquiteto e fotógrafo espanhol que apresenta "Arquiteturas Vazias", um registro fotográfico de alguns dos edifícios e construções abandonadas em toda a Ilha de Maiorca, Espanha.
Já falamos aqui sobre os materiais km zero: todos aqueles que podem ser adquiridos diretamente no local sem ter passado por diferentes etapas de processamento ou tratamento com produtos tóxicos, e mais do que isso, que no final de sua vida útil possam ser devolvidos ao meio ambiente sem causar grandes danos ou impactos negativos na paisagem natural.
Por exemplo, a madeira que cresce no local, a poucos quilômetros da obra, é um material extremamente sustentável, muito porque, dispensa a necessidade de transporte, reduzindo custos globais e emissões de gases do efeito estufa além de valorizar os recursos e a mão de obra local, permitindo estabelecer processos mais simples, eficientes e sustentáveis—vinculados às pessoas e ao território na qual a obra se insere.
Muitas vezes, os edifícios acabam como lixo no final de seu ciclo de vida. Como o ambiente construído pode se mover em direção a uma economia circular e, por sua vez, re-imaginar como os materiais valiosos são rastreados e reciclados? Procurando resolver este problema, os "passaportes de materiais" são uma ideia que envolve repensar como os materiais são recuperados, durante a reforma e demolição, para reutilização. O resultado é que, quando um prédio está pronto para ser demolido, ele se torna um banco de armazenamento de materiais úteis.
Cortesia de Trent Basin, Nottingham, UK. Blueprint Regeneration, Martine Hamilton Knight
Em seu mais recente relatório, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que o aumento da temperatura média global em 1,5ºC será essencialmente inevitável ao longo das próximas décadas. Embora tenhamos que aceitar e conviver com esta realidade, a questão agora é se seremos capazes de inverter esta tendência para evitar um acréscimo ainda maior—que é para onde estamos apontando hoje segundo o IPCC. O relatório informa ainda que, para limitarmos o aumento da temperatura global em apenas 1,5ºC, não poderemos superar em hipótese alguma, a quota das 420 gigatoneladas em emissões de gases do efeito estufa. Acontece que, de acordo com os cálculos do IPCC, se mantivermos o nosso atual passo em matéria de emissões, atingiremos esta meta com facilidade até o ano de 2030. Isso significa que precisamos eliminar com urgência o uso de combustíveis fósseis e investir amplamente na construção de usinas de energia de fontes renováveis para abastecer nossos veículos, casas e cidades.
As intenções da Cidade de 15 Minutos são louváveis. Há muito tempo acredito que caminhar é o melhor de todos os modos de transporte. Também creio que as cidades devem ser livres das regulamentações comerciais que dificultam o surgimento de pequenas lojas e cafés aconchegantes em bairros residenciais. Um bairro de uso misto vivo e dinâmico pode ser um dos melhores presentes do empreendedorismo urbano.
Nos Estados Unidos, regulamos o empreendedorismo dos pobres muito mais do que o dos ricos. Os ricos inovam no ciberespaço, uma zona, em grande parte, livre de regulamentação. Do outro lado, os pobres inovam na prática, em coisas reais, sob as regras do governo local, que microgerenciam o físico.
A prática da arquitetura cada vez mais se voltará para a reutilização de espaços pré-existentes, confiando ao projeto a chance de remodelar seus ambientes, trazer novos usos ao espaço e, assim, diminuir o dano ao meio ambiente. Neste panorama, reciclar galpões não é uma novidade. Por se tratar de espaços que cobrem grandes vãos e possibilitam infinitas possibilidades de ocupação em seu interior, a prática tem se tornado cada vez mais comum.
As técnicas vernaculares e os materiais locais têm ganhado protagonismo no debate da arquitetura, mas, é possível trazer esses conceitos para os grandes centros urbanos?
O arquiteto amazonense Severiano Porto já apontava em 1984 a necessidade de se pensar em uma arquitetura mais conectada com o lugar onde está implantada. A lógica do uso de materiais e técnicas locais cada dia mais se mostra necessária quando pensamos no impacto que a cadeia produtiva da construção civil têm no planeta. Não à toa, cada dia está mais comum o número de projetos que partem do princípio das técnicas vernaculares e do uso de materiais locais, assim como a produção de Severiano já anunciava desde a década de 1980.
O estudante brasileiro Luan Fontes, da Universidade do Porto, em Portugal, venceu o concurso nacional Casa Saudável, Cidade Saudávelcom um projeto modular composto por contêineres. A competição, organizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, CAU/RS, em parceria com a UN-Habitat e a Minimum, buscava as melhores soluções arquitetônicas e urbanísticas para inovações ou melhorias em diferentes escalas e espaços de vivência em áreas urbanas, com vistas a propiciar qualidade de vida nas cidades a partir da nova realidade que a pandemia impôs à sociedade.
O mais novo episódio do Arquicast aborda um dos assuntos mais marcantes e trágicos da história recente. Um evento que provocou mudanças radicais nas esferas políticas, sociais e culturais a nível global e que teve como protagonista um ícone arquitetônico americano, cuja simbologia ultrapassou o edifício em si, dando origem a um dos concursos de projetos mais conhecidos mundialmente. Estamos falando do 11 de setembro de 2001, o dia em que um atentado terrorista matou aproximadamente três mil pessoas, feriu mais de seis mil e colocou abaixo o complexo comercial e empresarial do World Trade Center, do qual faziam parte as mundialmente famosas Torres Gêmeas, em Nova Iorque.
O monumental museu revestido de granito do Atelier Jean Nouvel, no distrito de Pudong em Xangai, agora está finalizado e aberto aos visitantes. Rotulado como um "domínio" pelo escritório de arquitetura, o Museu de Arte de Pudong ocupa um amplo terreno de quase 40.000 m² nas margens do rio Huangpu, e oferece aos visitantes um espaço voltado para a cultura, cercado pelo rio e por uma paisagem com grandes árvores.
Intitulada "The Available City", a quarta edição da Bienal de Arquitetura de Chicago será aberta ao público no dia 17 de setembro de 2021. Este ano, o evento apresenta um modelo de bienal sem precedentes que experimenta uma série de projetos site specific e programas exibidos em Chicago, "reformulando o que uma bienal pode fazer, ser e explorar em uma cidade". Mais de 80 projetos de 18 países diferentes responderão a uma estrutura de design urbano e trarão ideias para espaços coletivos centrados na comunidade por meio de elementos arquitetônicos, programação envolvente e experiências comunitárias aprimoradas.
Como arquitetas e arquitetos, entendemos a importância da troca de conhecimentos para o nosso setor e, com a Internet, vimos uma oportunidade de encaminhar o tradicional formato de publicações de arquitetura no sentido de sua evolução natural. Um esforço apaixonado e instintivo que acabou encontrando as forças que moldavam nosso novo contexto global à medida que adentrávamos a era das megacidades e a população urbana global crescia exponencialmente. A compreensão desse cenário deu forma à nossa missão: oferecer inspiração, conhecimento e ferramentas para os arquitetos – e todos os envolvidos no processo – enfrentarem os desafios do nosso ambiente construído.
O escritório CRA-Carlo Ratti Associati mescla arquitetura e agricultura urbana na recém-inaugurada Torre Jian Mu em Shenzhen, China. O edifício de 218 metros de altura incorpora uma fazenda hidropônica vertical em grande escala em toda a sua fachada, cultivando vegetais que pode alimentar até 40 mil pessoas por ano. A torre de 51 andares também incluirá escritórios, habitação, um supermercado e uma praça de alimentação com jardins internos para recreação e encontros sociais.
Brainport Smart District Master Plan. Imagem Cortesia de UNSense
Em relatório recentemente publicado e disponibilizado de forma pública e gratuita, o UNStudio procura documentar e esclarecer o processo de construção de comunidades desenvolvidos pelo estúdio neste primeiro momento de retomada pós-pandemia. Por meio de exemplos práticos, o UNStudio busca pôr em evidencia algumas das várias estratégias projetuais utilizadas tanto em projetos de arquitetura quanto de planejamento urbano que procuram favorecer e potencializar a interação humana e os processos de trocas entre as pessoas em uma era de tantos medos e incertezas. Além disso, o relatório enfatiza a importância dos chamados “terceiros lugares” e da incessante busca do estúdio por uma escala mais humana na arquitetura e no planejamento urbano, assim como a influência das novas formas e modalidades de trabalho e socialização que emergiram ao longos dos últimos anos.
Comemorando o 500º aniversário do complexo de habitação social Fuggerei, em Augsburg, Alemanha, a MVRDV colaborou com a Fundação Fugger para iniciar uma conversa sobre os planos arquitetônicos e urbanos de Fuggereien, o mais antigo complexo de habitação social do mundo. Ao longo dos próximos meses, a Fundação Fugger estará promovendo debates interdisciplinares, que destacam os princípios urbanos norteadores da Fuggerei, e discutem os desafios sobre o campo da arquitetura, política, cultura e ciências, trazendo indivíduos notáveis em cada respectivo campo.
Apesar da quebra de ritmo testemunhada pela indústria da construção civil ao longo dos últimos dois anos, os projetos de megacidades na África continuaram avançando a toque de caixa, e são inúmeros os novos empreendimentos que estão surgindo nas principais cidades de todo o continente. Embora o desenvolvimento das principais cidades africanas possa ser um motivo para celebrar, não devemos fechar os olhos para o descompasso entre a visão dos investidores e das autoridades e a realidade econômica e o contexto cultural das pessoas que ali vivem. Muitos são aqueles que questionam se essas novas cidades poderiam ser construídas de outra maneira, ou se a população de baixa renda também será beneficiada por estes investimentos ou se continuarão a viver às margens, em cidades que preservam muitas das características colonialistas de outrora e em grande parte, permanecem sendo impostas a ela.
Antes dos carimbos e das impressões digitalizadas, os papéis de parede eram um artefato de alto luxo e ostentação já que todos os desenhos deveriam ser feitos à mão por artesãos. Como símbolo de riqueza, eles surgiram para substituir as tapeçarias e telas na decoração das casas europeias do século XVI. No Brasil, por exemplo, sua aplicação se tornou economicamente viável apenas em 1930 e sua popularização concretizada somente na década de 60.