Em 2014, quando o repórter do jornal britânico The Guardian – Ben Quinn – abriu os olhos de cidadãos de todo o mundo para práticas hostis de desenho urbano, cunhando o que viria a ser conhecido como fenômeno da “arquitetura hostil”, não se esperava uma repercussão tão grande. Vieram à tona inúmeras estratégias de desenho urbano que coíbem a participação do cidadão e segregam sua apropriação da cidade, elementos que restringem certos comportamentos e dificultam o acesso e a presença de determinadas camadas da sociedade. Códigos de conduta ditados pelo desenho urbano que vão contra tudo o que se estuda sobre urbanismo de cidades democráticas e hospitaleiras, tal qual Jan Gehl e Jane Jacobs.
A 60ª edição do Salone del Mobile Milão 2022, que vai acontecer entre os dias 7 e 12 de junho de 2022 na Fiera Milano Rho, vai refletir a atual transição ecológica do mundo do design, com uma missão de "demonstrar que é possível e crucial começar a incorporar a sustentabilidade e a consciência ambiental na produção de móveis". Mais de 2 mil expositores, incluindo 600 jovens designers com menos de 35 anos de idade irão expressar suas próprias identidades e liberdade criativa, utilizando o espaço de exposições tanto como um elemento arquitetônico e de comunicação, com a sustentabilidade e a ecologia como os critérios principais.
Enquanto a emergência climática se apresenta como uma ameaça existencial grave, é crucial que o caminho para zerar as emissões de carbono seja retomado em larga escala, tanto no sentido arquitetônico, quanto no comercial. Ao redor do mundo, iniciativas foram renovadas em uma tentativa de combater o que é quase inconcebível. De acordo com o relatório de status global de 2019 para edifícios e construções, o setor de construção representou 36% do uso final de energia e das emissões de carbono relacionadas ao processo em 2018. Embora as emissões de carbono tenham sido temporariamente reduzidas durante o pico da pandemia, elas devem retornar rapidamente aos números anteriores.
O Bjarke Ingels Group revelou o design de um novo Centro de Neurociências que vai unir psiquiatria e neurociências sob o mesmo teto, combinando pesquisa e tratamento de doenças mentais cerebrais, medulares, e nervosas. A instalação de 20 mil metros quadrados, que será parte do Hospital da Universidade Aarhus, na Dinamarca, traduz a "girificação do cérebro humano" em uma estrutura espacialmente eficiente que cria sinergias entre diferentes disciplinas dentro do hospital.
Metaverso é o nome usado para denominar um ambiente virtual imersivo, coletivo e hiper-realista, onde as pessoas poderão conviver usando avatares customizados em 3D.
Ele foi cunhado pelo escritor Neal Stephenson em seu livro de ficção científica “Snow Crash”, publicado em 1992. A obra conta a história de “Hiro Protagonist”, personagem que na vida real é um entregador de pizza, mas no mundo virtual – chamado na história de metaverso – é um samurai.
Zaha Hadid Architects - ZHA revelou uma "micronação libertária" virtual no metaverso intitulada The Liberland Metaverse, onde os moradores podem comprar lotes vazios centrados em um núcleo urbano e acessá-los como avatares. A comunidade apresenta distritos hiper-realistas que incentivam o autogoverno e zonas onde a ausência de planejamento urbano "permite uma ordem espontânea por meio de um processo de descoberta livre".
A Favela Marte, localizada em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, será a primeira comunidade da América Latina totalmente abastecida com placas solares. O local servirá de modelo para um amplo projeto que promete gerar renda e desenvolvimento social aos moradores.
Conhecida como Vila Itália, a comunidade começou a surgir em 2014. Por diversos anos, a população foi alvo de ações judiciais, que visavam desapropriar a área privada. Um novo revés veio quando a área foi escolhida para servir como modelo para o projeto “Favela 3D”, referindo-se à criação de ambientes dignos, digitais e desenvolvidos.
À primeira vista, o projeto de Dorte Mandrup para o Wadden Sea Centre parece se mimetizar à paisagem. Sua altura baixa, suas linhas horizontais e, principalmente, sua materialidade torna-o um edifício moderno em perfeita harmonia com a natureza local. Mas sua conexão também abrange o patrimônio construído da região, mais especificamente por conta de seu revestimento com palha, colhida e seca próximo ao terreno. Trata-se de uma técnica construtiva extremamente tradicional e histórica, mas que é pouco atribuída a edificações contemporâneas. Neste artigo resgataremos um pouco da história deste material natural, suas características construtivas e alguns exemplos de uso.
Um ofício que vem do berço, a criatividade, o ato de transformar ideias em matérias, são algumas das palavras para introduzir o Nitsche Arquitetos, que em sua prática se mantém numa constante reinvenção a partir das questões que são colocadas sobre o espaço e a vida. Filhos dos artistas Marcello Nitsche e Carmela Gross, os irmãos Lua Nitsche, Pedro Nitsche e João Nitsche fundaram o escritório que se movimenta em duas frentes: projetos de arquitetura – encabeçados por Lua e Pedro, arquitetos formados na FAUUSP em 1996 e 2000, respectivamente – e trabalhos de arte e comunicação visual – comandados por João, artista plástico formado na FAAP em 2002.
Para muitas pessoas a cama e o quarto deixaram de ser apenas um espaço de descanso. Beatriz Colomina já apresentou distintos estudos sobre como trabalho e lazer passaram a ocupar esse ambiente, e, hoje, isso se torna cada vez mais presente no nosso cotidiano. Se a forma como ocupamos o espaço muda constantemente, como aproveitar melhor a área deles para abrigar todas as funções necessárias?
Em 2021, o motorista médio de Londres passou 148 horas nos engarrafamentos — o dobro da média nacional, de acordo com um novo relatório da Inrix, uma empresa que analisa o tráfego rodoviário. Essas descobertas levaram a uma reportagem da BBC que atribuiu o novo suposto status de cidade mais congestionada do mundo a um aumento nas ciclovias, implementadas em toda Londres para garantir o distanciamento social nas viagens durante a pandemia. Essa análise parece ignorar o fato de que o congestionamento em 2021 foi praticamente o mesmo que em 2019.
Para entender o que está acontecendo, precisamos lembrar que a quantidade de tempo disponível para cada um de nós restringe o quanto podemos viajar. Há muitas coisas que precisamos encaixar em 24 horas e, em média, passamos apenas uma hora nos deslocando. Isso limita o acúmulo de congestionamento nas cidades.
Ruas são espaços públicos estruturantes das cidades e locais de convergência por excelência. Do encontro das ruas temos os largos, as praças, os parques. Pelas ruas, tudo passa, e da qualidade das ruas dependem as pessoas para acessar oportunidades de emprego, educação, saúde e lazer. Mas basta olhar para as grandes cidades brasileiras para perceber a priorização que se dá aos veículos motorizados em detrimento dos outros modos. Em São Paulo, por exemplo, 41% das calçadas não têm a largura mínima exigida por lei.
https://www.archdaily.com.br/pt/978914/ruas-completas-na-universidade-ajudam-a-pensar-e-projetar-a-cidade-na-escala-humanaAndressa Ribeiro, Adriana Sansão, Bruno Batista, Carolina Stolf, Fernando César Manosso, Rodrigo Rinaldi
Tubos, cabos e condutos de diferentes materialidades nas paredes e tetos fazem parte de todos os espaços que transitamos e habitamos. Eles representam o conjunto de redes e equipamentos necessários ao desenvolvimento da vida nos nossos edifícios, trazendo serviços como água, luz, gás, entre muitos outros. De acordo com as normas vigentes em cada país e o uso definido em cada espaço, as instalações podem ser deixadas aparentes, conferindo aos espaços interiores um certo caráter e estética.
Metrocable em Medellín. Foto: EMBARQ Brasil | WRI Brasil Cidades Sustentáveis, via Visualhunt
UX Design, ou o design centrado na experiência do usuário, não é, como muito se pensa, um campo voltado exclusivamente ao mundo digital, telas e interfaces visuais. Trata das "complexas redes de relacionamento que cada usuário tem entre si e dentro do próprio sistema", seja ele um projeto virtual, gráfico, arquitetônico ou urbano. É o que diz Cuca Righini, arquiteta formada pela FAUUSP e especialista em UX design, design thinking e pedagogia da cooperação.
Heritage Buildings of Beirut, Lebanon. Image via World Monuments Fund
O World Monuments Fund divulgou sua lista World Monuments Watch 2022, uma seleção de 25 sítios em todo o mundo que possuem grande importância cultural e patrimonial, mas estão enfrentando ameaças econômicas, políticas ou naturais. A seleção deste ano destaca questões globais como mudanças climáticas, turismo desenfreado, sub-representatividade e recuperação após crises, exigindo planos de preservação imediatos.
Imagem: Jessely Cardoso/Prefeitura de São Paulo. Image Cortesia de Caos Planejado
Um dos temas econômicos mais importantes em pauta em diversos países até o início da pandemia de coronavírus, no começo de 2020, as legislações que impõem restrições à oferta de novos imóveis nos municípios trazem impactos negativos tanto para o crescimento das localidades como para a população, que tem suas opções de habitação, de acesso a empregos e de locomoção afetadas. Adotadas pela maioria das cidades brasileiras, as normas de zoneamento — que determinam critérios para a ocupação dos terrenos, o tamanho dos empreendimentos que podem ser construídos em pontos específicos e as áreas de preservação ambiental — também refletem no aumento dos preços das propriedades, uma vez que a disponibilidade de unidades não consegue acompanhar a demanda existente por elas.
https://www.archdaily.com.br/pt/977879/restricoes-de-zoneamento-empurram-populacao-para-areas-perifericasSomos Cidade