Apesar da quebra de ritmo testemunhada pela indústria da construção civil ao longo dos últimos dois anos, os projetos de megacidades na África continuaram avançando a toque de caixa, e são inúmeros os novos empreendimentos que estão surgindo nas principais cidades de todo o continente. Embora o desenvolvimento das principais cidades africanas possa ser um motivo para celebrar, não devemos fechar os olhos para o descompasso entre a visão dos investidores e das autoridades e a realidade econômica e o contexto cultural das pessoas que ali vivem. Muitos são aqueles que questionam se essas novas cidades poderiam ser construídas de outra maneira, ou se a população de baixa renda também será beneficiada por estes investimentos ou se continuarão a viver às margens, em cidades que preservam muitas das características colonialistas de outrora e em grande parte, permanecem sendo impostas a ela.
Quando pensamos em fenômenos migratórios, pensamos em movimento. Pensamos no fluxo de pessoas que se deslocam sobre a superfície da Terra em busca de pastagens mais verdes—de uma vida melhor para suas famílias. Mas a migração também nos faz pensar em conflitos e ameaças, na fome e no desespero em busca por sobrevivência. Historicamente, a guerra tem sido um dos principais motivos pelos quais as pessoas migram, a razão pela qual existem refugiados. A instabilidade, a falta de segurança e perspectiva em países como a Síria, o Iraque e a República da África-Central fizeram que ao longo dos últimos anos milhões de pessoas tivessem que abandonar suas casas, lançando-se em uma desesperada busca por refúgio além das fronteiras de sua terra natal. Somado-se a isso, existe também aqueles que são forçados a migrar para outros países por conta das consequências das mudanças climáticas na Terra—a esse fenômeno nos referimos como “a migração climática”.
Quando chegam os dias mais quentes do verão na cidade de Djenné, no coração do Mali, é momento de celebrar a La Fête de Crépissage, ou a “Festa do Reboco”. Acontece que, todos os anos é preciso reparar e reforçar as imensas paredes de barro da Grande Mesquita de Djenné, Patrimônio Mundial da UNESCO e um dos mais impressionantes marcos arquitetônicos de todo o continente africano.
Construções em taipa não são novidade, muito pelo contrário: partes da Grande Muralha da China foram feitas utilizando essa técnica. Ofuscadas e ultrapassadas por métodos mais modernos de construção, as paredes de barro vêm ressurgindo como uma solução econômica, sustentável e de baixo impacto. Inclusive, uma jovem empreendedora aposta que podem ser a resposta para o déficit de moradias na África. A taipa de pilão é um sistema rudimentar de construção em que a terra é comprimida em caixas de madeira, chamadas de taipas. O barro é disposto horizontalmente em camadas de cerca de 15 cm de altura e socado - com piladores manuais ou socadores pneumáticos - até atingir a densidade ideal, criando uma estrutura resistente e durável.
O continente africano desempenhou ao longo da história da humanidade um papel fundamental na evolução dos processos migratórios. Neste vastíssimo e exuberante território, diferentes povos e culturas conviveram e se miscigenaram por séculos e séculos, resultando em um dos continentes mais humanamente diversos do nosso planeta—e o mesmo pode ser dito de sua arquitetura. Neste sentido, a heterogeineidade característica da arquitetura africana é resultado direto de um longo e intenso processo de apropriação e trocas entre distintos povos, culturas e modos de fazer. Em meio a essa fecunda paisagem construída, podemos encontrar desde tipologias ancestrais construídas pelos povos nativos até estruturas híbridas, nascidas do convívio—ora orgânico ora imposto—entre diferentes culturas e formas de ver o mundo.
Arquiteturas do Sul Global é o título do curso ministrado pelos arquitetos Marco Artigas e Pedro Vada, por meio da Associação Escola da Cidade, que tinha como objetivo ampliar o repertório sobre a produção arquitetônica contemporânea levando em consideração a urgente necessidade de novos olhares, fundamentalmente contra-hegemônicos. Partindo do conceito de Sul Global em consonância com uma visão de união entre os países que passaram por processos de colonização, o curso, ministrado entre setembro e dezembro de 2020, estabeleceu constantes diálogos com arquitetas e arquitetos que mantém sua atuação ou residência nos países deste chamado sul.
A ideia desses encontros foi discutir o que e como estão construindo nesses países, com base em uma conversa mais direta sobre as questões colocadas pelos diversos territórios, sociedades e culturas, explorando com maiores detalhes o processo e as decisões tomadas em cada projeto, com documentação mais rica que as utilizadas em publicações, abordando reflexões estruturais e temas urgentes.
https://www.archdaily.com.br/pt/965183/arquiteturas-do-sul-global-conversa-com-adengo-architecture-taller-de-arquitectura-e-dna-design-and-architectureMarco Artigas e Pedro Vada
Amancio d'Alpoim Miranda Guedes, mais conhecido como Pancho Guedes, foi um arquiteto, pintor, escultor e educador referenciado como um dos primeiros arquitetos pós-modernistas de todo o continente africano. Ao longo de sua carreira, o arquiteto nascido em Lisboa desenvolveu cerca de 500 diferentes projetos, frequentemente referidos como edifícios ecléticos, de influência africana lusófona e de um estilo artístico peculiarmente surrealista e experimental. Talvez pelo fato de que Pancho Guedes tenha escolhido trabalhar e viver em países da África como Moçambique, Angola e África do Sul, longe dos grandes centros de gravidade da arquitetura, sua obra nunca recebeu a devida atenção que fato merece. Ainda assim, Pancho Guedes foi — e ainda está para ser descoberto por muitos de nós — um dos mais importantes personagens da história da arquitetura moderna africana.
Arquiteturas do Sul Global é o título do curso ministrado pelos arquitetos Marco Artigas e Pedro Vada, por meio da Associação Escola da Cidade, que tinha como objetivo ampliar o repertório sobre a produção arquitetônica contemporânea levando em consideração a urgente necessidade de novos olhares, fundamentalmente contra-hegemônicos. Partindo do conceito de Sul Global em consonância com uma visão de união entre os países que passaram por processos de colonização, o curso, ministrado entre setembro e dezembro de 2020, estabeleceu constantes diálogos com arquitetas e arquitetos que mantém sua atuação ou residência nos países deste chamado sul.
A ideia desses encontros foi discutir o que e como estão construindo nesses países, com base em uma conversa mais direta sobre as questões colocadas pelos diversos territórios, sociedades e culturas, explorando com maiores detalhes o processo e as decisões tomadas em cada projeto, com documentação mais rica que as utilizadas em publicações, abordando reflexões estruturais e temas urgentes.
https://www.archdaily.com.br/pt/964699/arquiteturas-do-sul-global-conversa-com-remigio-chilaule-o-norte-nil-oficina-de-criacao-matri-archi-tecture-e-el-sindicato-de-arquitecturaMarco Artigas e Pedro Vada
O escritório Adjaye Associates divulgou seu projeto para o Instituto Africano, o primeiro centro dedicado ao estudo e pesquisa avançados da África e da diáspora africana. O campus de 32 mil metros quadrados será construído no centro de Sharjah, Emirados Árabes Unidos, e "introduzirá um tipo inteiramente novo de pensamento e missão na esfera acadêmica global".
Promover o envolvimento e emancipação da comunidade das mulheres no Senegal era o tema do concurso de projeto Casa das Mulheres na África, encabeçado pela Kaira Looro International, uma instituição sem fins lucrativos que organiza concursos abertos a estudantes e jovens arquitetos com o objetivo de fomentar projetos humanitários em países em desenvolvimento e lançar luz sobre novos talentos da arquitetura.
O concurso, que desafiava os participantes a desenvolverem uma “casa das mulheres” através de uma arquitetura simbólica, ecológica e inspirada das tradições locais, premiou com menção especial a equipe brasileira composta pelos estudantes Clara Teodoro, Daniel Teixeira, Maria Isabela Neves e Mateus Silva, da Universidade Federal de Pernambuco. Conheça a proposta destacada, acompanhada de seu memorial descritivo, a seguir.
O movimento moderno ainda hoje é um assunto que desperta as mais diversas e controversas reações. O mesmo acontece quando falamos do legado da arquitetura moderna. Acontece que não existe apenas um único legado, mas uma série de legados que varia de acordo com a localização geográfica, com o clima, o contexto político, social e econômico de cada país ou região. Embora a gênese do modernismo na arquitetura tenha se dado na Europa e nos Estados Unidos—onde encontram-se alguns dos seus mais representativos exemplares—, para além do mundo ocidental a chamada “arquitetura moderna” foi sendo moldada por arquitetos e arquitetas de acordo com as necessidades de cada contexto específico. No Sri Lanka, por exemplo, o arquiteto Geoffrey Bawa ajudou a cunhar o termo “Modernismo Tropical”, desenvolvendo uma arquitetura sensível e profundamente enraizadas na paisagem. Também podemos encontrar outros surpreendentes edifícios modernistas na Tanzânia, frutos da vasta e consistente obra construída de dois de seus mais importantes arquitetos: Anthony Almeida e Beda Amuli.
Benin's National Assembly in Porto-Novo Proposal. Image Courtesy of Kéré Architecture
O arquiteto e fundador do escritório com sede em Berlim Kéré Architecture, Francis Kéré, acaba de ser galardoado com a Medalha de Arquitetura da Fundação Thomas Jefferson de 2021. Organizado em parceria pela Universidade da Virginia e pela Fundação Thomas Jefferson em Monticello, a Medalha de Arquitetura da Fundação Thomas Jefferson é uma das quatro honrarias concedidas pela Fundação anualmente. Levando o nome do terceiro presidente dos Estados Unidos, as quatro medalhas buscam reconhecer importantes contribuições no campo da arquitetura, cidadania, inovação e direito.
Lançada pelo Goethe Institut,Habiter Dakar (Habitar em Dakar) é uma exposição virtual que aborda a habitação na capital senegalesa. O estudo foi liderado por Nzinga Mboup e Caroline Geffriaud, ambas arquitetas baseadas em Dakar. Elas observaram que a atual oferta habitacional da cidade está particularmente distante das necessidades de seus habitantes, seja a nível cultural, social ou ambiental.
As arquitetas analisaram a progressão que havia ocorrido no desenvolvimento da paisagem urbana e nas moradias da capital senegalesa, desde o tradicional estilo de vida até os atuais modelos internacionais de moradias que parecem desconectados da realidade cotidiana da maioria dos habitantes da cidade. O estudo centra-se na Habitação, que é uma parte essencial da formação e evolução de Dakar e sugere importantes reflexões teóricas e concretas para o futuro desenvolvimento da metrópole africana.
A Kéré Architecture acaba de revelar as primeiras imagens de seu projeto para a Assembléia Nacional do Benin. Implantada na cidade de Porto Novo, na República Popular do Benin, a nova Casa do Parlamento foi encomendada em 2018 ao escritório de Francis Kéré pelo Ministério do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável. Representando os principais valores da democracia e da identidade cultural da República Popular do Benin, o projeto da nova assembléia começará a ser construído já no início de março de 2021.
O objetivo do concurso consiste na realização de uma “Casa das mulheres” através de uma arquitetura simbólica, ecológica e inspirada das tradições locais. Um espaço onde as associações e os diferentes elementos da sociedade poderão encontrar-se e dialogar sobre os demais assuntos em termo de igualdade e direitos humano, outorgando assim o envolvimento e a emancipação da comunidade das mulheres, a favor do desenvolvimento social, econômico e politico do território. A paridade de fato não é representada somente para um direito humano fundamental, mas sim para uma condição necessária para um mundo próspero.
A arquitetura moderna do Marrocos, a qual tem se desenvolvido rapidamente ao longo das últimas décadas devido ao recente desenvolvimento econômico do país, encontra-se profundamente enraizada nas tradições construtivas locais. Tendo o vernacular como principal fonte de inspiração, a arquitetura moderna marroquina assume a origem de seu próprio nome árabe al-maġhrib, ou seja “lugar onde o sol se põe; o oeste”. O Marrocos é um estado soberano com uma rica cultura arquitetônica e uma vasta história, contando com inúmeros e excepcionais exemplos de arquitetura tradicional islâmica.
A Adjaye Associates acaba de divulgar o seu projeto para a Biblioteca Presidencial Thabo Mbeki em Joanesburgo, África do Sul. Nomeada em homenagem e memória do antigo presidente sul-africano, o projeto é uma oportunidade de concretizar um dos maiores sonhos de Thabo Mbeki, segundo palavras do arquiteto recipiente da RIBA Royal Gold Medal de 2021, Sir David Adjaye.