Nas grandes cidades, é cada vez mais comum encontrar edificações que comportam diferentes configurações e distribuições em seus espaços internos. No final dos anos 1960, começaram a surgir as tipologias de duplex em edifícios entre empenas na cidade de Buenos Aires, quando o Código de Edificação permitia que fossem implantados nos recuos obrigatórios dos pavimentos superiores.
Em comemoração à sua décima edição, o Open House abrirá as portas de mais de 160 espaços e edifícios de grande valor arquitetônico, cultural e patrimonial da Cidade Autônoma de Buenos Aires nos dias 1 e 2 de outubro de 2022. Como ocorre todos os anos, este festival de arquitetura e urbanismo proporcionará ao público a oportunidade de redescobrir a arquitetura e o urbanismo da cidade, bem como as suas pessoas, histórias e curiosidades por meio de atividades, visitas, encontros e roteiros de livre acesso.
Alcançar o máximo aproveitamento dos espaços, reduzir a projeção de implantação das edificações e projetar uma distribuição ideal que atenda às necessidades de seus habitantes estão entre as demandas e os desafios enfrentados diariamente por arquitetos e arquitetas em todo o mundo. Por meio da utilização de materiais específicos, da definição da morfologia ou mesmo das condições geográficas e naturais do terreno, é possível adotar diversas estratégias para projetar residências com o conforto de que seus habitantes necessitam, ocupando a menor área possível.
Ao projetar os espaços interiores das residências, profissionais de arquitetura inclinam-se cada vez mais ao desenvolvimento de ambientes onde a flexibilidade e o melhor aproveitamento das superfícies permitam oferecer soluções alinhadas às necessidades programáticas e funcionais demandadas, contribuindo para alcançar o bem-estar e o conforto que transformam uma casa em um verdadeiro lar.
Como protagonista da cena culinária argentina, o churrasco ocupa um papel de destaque. Na arquitetura, para além das dimensões dos espaços onde são instaladas, as churrasqueiras se consolidam como ponto de encontro de visitantes e residentes das moradias, entrando em contato direto com os costumes e a cultura do país.
Independentemente do layout adotado para as cozinhas, há alguns anos e com frequência cada vez maior, muitos arquitetos e arquitetas decidem projetá-las integradas a outros ambientes da casa. Livres de paredes ou divisórias, as cozinhas integradas são implantadas com o objetivo de deixar as atividades cotidianas à vista de todos, estimulando a interação e a comunicação entre os moradores.
Edificio damero / Francisco Cadau Oficina de Arquitectura. Image Cortesía de Francisco Cadau Oficina de Arquitectura
Durante o quarto dia da 18° Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires, ocorreu o anúncio dos Prêmios Bienal, destacando projetos e obras de arquitetura desenvolvidos durante os últimos quatro anos nos âmbitos nacional e internacional. Concedidas pelo Comitê de Direção da Bienal, as categorias estabelecidas abrangeram desde habitação unifamiliar, habitação multifamiliar e design de interiores até paisagismo, espaço urbano, equipamentos públicos e privados.
A arquitetura contemporânea aprendeu a celebrar a matéria viva. Painéis de micélio, sistemas de algas, paredes vivas — a vida agora é bem-vinda nos edifícios, sob a ótica da inovação. No entanto, a mesma disciplina que celebra esses organismos trata o mofo como contaminação. Ambos são biológicos. Ambos respondem à umidade, à temperatura e às condições dos materiais. A diferença não é científica; diz respeito a quais formas de vida a arquitetura está disposta a aceitar e quais prefere eliminar.
O mofo não se limita a edifícios abandonados ou interiores mal conservados. Ele surge em residências, escolas, escritórios, estruturas históricas e novas construções, nos mais diversos climas e contextos. Isso torna difícil ignorá-lo como um problema menor ou isolado. Se o mofo continua voltando, o que ele nos diz sobre os ambientes que os edifícios criam?
Nos últimos anos, o trabalho remoto tornou-se cada vez mais comum, criando a necessidade de espaços domésticos que acomodem tanto a vida profissional quanto a pessoal. Isso se aplica especialmente a artistas, para quem a integração entre moradia e espaços de trabalho é essencial. Muitas vezes, esses locais também precisam funcionar como áreas de exposição para a produção artística, como pinturas, esculturas, cerâmicas e outras criações.
Essa fusão entre ambientes de trabalho e de moradia tem influenciado as tendências de arquitetura e design de interiores, priorizando a flexibilidade, a multifuncionalidade e uma estética que estimule tanto a criatividade quanto o conforto. Plantas livres, móveis modulares e soluções de iluminação adaptáveis tornaram-se elementos fundamentais em projetos que buscam harmonizar o cotidiano pessoal e profissional de forma fluida.
O espaço tornou-se um luxo em muitas das cidades mais densamente povoadas do mundo — uma realidade crescente que é difícil de ignorar. Megacidades como Tóquio, Xangai, Mumbai, Cidade do México e São Paulo já contam com populações que superam os 20 milhões de habitantes, ao passo que outros centros urbanos na Ásia e na África continuam a se expandir rapidamente. Entre eles, Deli se destaca: se as tendências atuais persistirem, a projeção é que se torne a cidade mais populosa do mundo até 2028. À medida que essas metrópoles crescem, a habitação — especialmente os novos empreendimentos — passa a seguir uma lógica inédita: conforme o metro quadrado encolhe, o mobiliário se adapta e a vida cotidiana aprende a se acomodar e a prosperar em ambientes de alta densidade. Essa mudança não diz respeito apenas às dimensões físicas; ela reflete um novo modo de vida. Onde antes predominava a amplitude, hoje impera a densidade. Cada canto ganha valor espacial e comercial, com a cozinha emergindo como um dos maiores desafios do projeto residencial contemporâneo.