Quando as pessoas descrevem o movimento modernista em sua totalidade, fazem ampla referência aos arranha-céus de aço e vidro que marcam presença no horizonte de muitas cidades, ou mais especificamente, ao Estilo Internacional que surgiu na Europa após a Primeira Guerra Mundial. O Estilo Internacional representou o progresso tecnológico e industrial e um renascimento das construções sociais que influenciariam para sempre a maneira como pensamos sobre o uso do espaço em todas as escalas. Muitas vezes projetados como edifícios politicamente carregados, procurando fazer uma declaração aos governos totalitários, muitos arquitetos que influenciaram o estilo mudaram-se para os Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, abrindo caminho para alguns dos edifícios e arranha-céus mais icônicos construídos no século XX.
Este artigo de Joshua Domínguez Ruelas foi publicado originalmente na edição nº 17 da revista rita com o título "Ámbito público entre espacio online y offline". Após o *estallido social* chileno e as restrições da Covid-19, o parque San Borja ficou em desuso. Diante disso, uma comunidade reproduziu o parque no Minecraft, criando uma versão própria: BorjaCraft. Assim, coexistem dois parques em um mesmo ambiente, separados, mas fazendo parte de um só lugar. Ao entrar ou sair do espaço, ao ligar ou desligar o digital, a experiência pública ocorre entre o online e o offline. Se as características do espaço online e offline se entrelaçassem, de que maneira o âmbito público de um lugar seria ampliado? Isso põe em xeque a compreensão do público dependendo do espaço ou formato em que se habita.
A madeira é um material natural, renovável e pode apresentar baixas emissões de carbono se manejado adequadamente. No entanto, enquanto material de construção, quando submetida a uma força direcional ao longo de sua fibra, a madeira serrada é estruturalmente instável e considerada inadequada para cargas mais elevadas. Em comparação, a madeira laminada cruzada (CLT) — cuja fabricação envolve simplesmente a colagem de várias camadas de madeira com as fibras arranjadas numa trama perpendicular — atinge um nível muito mais alto de rigidez estrutural ao longo de ambos os eixos. Os componentes de CLT devem ter no mínimo três camadas, mas podem ser reforçados com a adição de outras. Simplificando, devido à complexa física envolvida na laminação perpendicular, a resistência da CLT é semelhante à do concreto armado, com desempenho comprovado sob forças sísmicas.
Então, o que há de novo? A madeira já existe há tempo suficiente, e a usamos como material de construção há séculos. Certamente esta não é a primeira vez que alguém percebe que ela fica mais forte quanto mais você a usa. Bem... como era de se esperar, a mudança de popularidade da madeira laminada cruzada na construção coincide com uma maior compreensão e foco nas causas ambientais, mas a relação nem sempre foi positiva.
Embora não exista um registro exato do momento em que Puerto Escondido começou a se tornar uma referência da arquitetura mexicana contemporânea, a região passou por diversas ondas. Talvez a primeira delas remonte a 2016, quando teve início a construção da Casa Wabi, um projeto de Tadao Ando na qual o escritório mexicano BAAQ' colaborou como associado no desenvolvimento do projeto executivo e na coordenação da construção. No entanto, em 2019, surgiu outra onda, que se intensificou posteriormente com o início da pandemia de COVID-19 e o trabalho remoto, despertando de forma radical o interesse em retornar às províncias e costas onde havia menor densidade populacional e menos aglomerações.
Fórum Internacional de Tóquio, Japão. Imagem de kazuhiro. Imagem via Shutterstock
Abrangendo diferentes escalas, públicos e temáticas, Rafael Viñoly esteve à frente de inúmeros projetos de arquitetura, desde museus e instituições de ensino até aeroportos e arranha-céus. Independentemente das variáveis econômicas, geográficas, tecnológicas, sociais ou culturais com as quais tenha se deparado, o vasto legado de obras que nos deixou é fruto de uma trajetória que propomos percorrer aqui — desde seus primeiros anos na profissão até seus projetos mais recentes e polêmicos.
Casa VM01 / Blue Heron. Imagem cortesia de Western Window Systems
A entrada de uma residência costuma causar a primeira impressão, e profissionais da arquitetura contemporânea têm utilizado panos de vidro em grande escala para criar impactos dramáticos, surpreendentes e singularmente acolhedores. Veja como seis profissionais projetaram entradas exclusivas para residências de diferentes tamanhos e localizações.
Em 2023, celebramos a décima quinta edição do nosso prêmio Obra do Ano: o reconhecimento máximo do mundo da arquitetura em espanhol, no qual as obras vencedoras são escolhidas por votação. A partir de hoje, quinta-feira, 9 de março, você e todos os nossos leitores e leitoras serão responsáveis por determinar quais foram as obras que nos inspiraram durante o ano de 2022 e que hoje representam fielmente a identidade dos nossos contextos locais.
Com a conclusão do projeto do Quzhou Sports Park na China, o complexo tornou-se a maior estrutura integrada à terra já construída no mundo. Em conversa com o ArchDaily, Ma Yansong explicou que o escritório MAD Architects não buscou apenas concretizar a proposta do estádio, mas também criar uma arquitetura que desaparece no entorno. Campos singulares transformam-se em espaços arquitetônicos onde qualquer pessoa pode realizar qualquer atividade a qualquer momento.
"Precisamos de um espaço onde as pessoas possam relaxar, ter um momento para mergulhar em outra dimensão de tempo e espaço. Um lugar onde possam vivenciar seu próprio mundo espiritual. Quero que este espaço seja envolvente e acolhedor, incentivando a interação com o público, e não voltado apenas para competições ou esportes", afirmou Ma Yansong.
A 7ª edição do prêmio ArchDaily Brasil Obra do Ano chegou e novamente precisamos da sua ajuda para selecionar os melhores projetos de arquitetura do ano. Ao votar, você passa a fazer parte de uma rede imparcial de jurados reconhecendo os projetos mais relevantes de 2022.
Nas próximas três semanas, a inteligência coletiva de nossos leitores filtrará centenas de projetos de países lusófonos — Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Timor-Leste, Guiné Equatorial, Macau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe —publicados em 2022, selecionando as melhores obras construídas em território de língua portuguesa.
De um universo de centenas de obras publicadas em 2022, os leitores escolherão seus favoritos, dos quais os 15 mais votados passarão à segunda fase do Prêmio.
O Premio Obra do Ano 2023 é oferecido pela Dornbracht, empresa conhecida internacionalmente por seus produtos para cozinhas e banheiros.
Neighbours, Karin Sander, Philip Ursprung, Swiss Pavilion, 18th International Architecture Exhibition - La Biennale di Venezia, 2023. Image via KS 2023
O projeto da Suíça para seu pavilhão nacional na 18ª Exposição Internacional de Arquitetura-La Biennale di Venezia terá curadoria de Karin Sander e Philip Ursprung para explorar as relações territoriais dentro do Giardini de La Biennale. Com o título Vizinhos, o projeto se concentra na proximidade espacial e estrutural entre o Pavilhão Suíço e seu vizinho venezuelano. Ao transformar a própria arquitetura na exposição, o projeto também destaca a ligação entre os arquitetos das duas estruturas: o suíço Bruno Giacometti (1907 - 2012) e o italiano Carlo Scarpa (1906 - 1978). A exposição ficará aberta de 20 de maio a 26 de novembro de 2023.
A cultura refletida em um material. Os azulejos portugueses narram temas históricos, do religioso ao profano. Conformam a paisagem e os cenários lusitanos ao revestir edifícios, interiores e espaços públicos. E, desta forma, sua expressão segue em constante mudança e adaptação para tecer a ancestralidade mourisca com a contemporaneidade.
O Design X anunciou a lista de artistas participantes que apresentarão instalações na quarta edição das exposições internacionais de arte site-specific. Os/as doze artistas da Europa, América do Norte e Sul da Ásia estão preparando obras imersivas que abrangem escultura, pintura, arquitetura, design, cinema, performance e ativismo ambiental. A exposição fica aberta de 4 de março a 7 de maio de 2023, em locais por todo o Coachella Valley, no Deserto do Colorado, nos Estados Unidos.
Fruto de duas décadas de desenvolvimento, o Grande Museu Egípcio (GEM), no Cairo, é um dos edifícios culturais mais aguardados do mundo, projetado para se tornar uma maravilha arquitetônica e um destacado centro de estudos científicos, históricos e arqueológicos. O vasto megaprojeto bilionário ocupa uma área de cerca de 500.000 metros quadrados, adjacente às Pirâmides de Gizé, sítio declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Em suas galerias, aquele que em breve será o maior museu de arqueologia do mundo exibirá 3.500 anos da história do Antigo Egito, revelada por meio de um acervo de mais de 100 mil artefatos — muitos dos quais serão expostos pela primeira vez.
"Fábrica de afetos" é uma obra em exposição de Antonio Yemail que ficou à mostra na Galeria Policroma, em Medellín, até meados de fevereiro. Ela foi criada a partir de um longo processo envolvendo diferentes estudos de caso sobre a relação entre gatos e pessoas. Há mais de uma década Antonio pesquisa uma arquitetura específica para seres esquivos a partir de vários campos, incluindo pesquisa, academia, prática arquitetônica e artística.
A Bienal de Arquitetura de Veneza 2023 anunciou nesta terça-feira, 21 de fevereiro, que a edição deste ano incluirá 63 pavilhões nacionais. A exposição internacional, com curadoria de Lesley Lokko, contará com 89 participantes, mais da metade dos quais são da África ou da diáspora africana.
Entre os escritórios convidados estão Adjaye Associates, atelier masōmī, Kéré Architecture, MASS Design Group, Sumayya Vally e Moad Musbahi, Theaster Gates Studio, Andrés Jaque / Office for Political Innovation, Liam Young e Neri&Hu Design and Research Office, para citar apenas alguns.
Nos dois casos, área reduzida, materiais simples e orçamento modesto não foram impeditivos para um projeto arquitetônico virtuoso que tirou máximo proveito das qualidades do entorno e da orientação do terreno, provando que limitações podem servir de impulso para projetos de grande qualidade.
O comitê da UNESCO decidiu inscrever o Centro Histórico da Cidade Portuária de Odesa, na Ucrânia, na Lista do Patrimônio Mundial da Humanidade. A decisão simboliza o reconhecimento do valor excepcional do sítio e o compromisso dos 194 Estados da Convenção de não realizar nenhuma ação deliberada que possa prejudicá-lo, mas sim, auxiliar na sua proteção. O local também foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial em perigo, o que lhe dá acesso a assistência financeira ou técnica internacional para garantir sua proteção e, se necessário, contribuir para sua reabilitação.
Soluções construtivas tradicionais tendem a funcionar bem para seus respectivos contextos, por terem resistido a centenas de anos de testes e melhoramentos, e utilizarem técnicas e materiais disponíveis localmente. Ainda que a globalização e a democratização no acesso a tecnologias tenha trazido mais conforto e novas oportunidades à humanidade, no setor da construção civil observou-se uma homogeneização das soluções e a dependência nas cadeias de suprimentos globais para materiais e componentes de construção. Isso também constituiu uma ruptura entre a passagem de conhecimentos entre gerações e um apagamento das tradições.
Em relação a soluções passivas de resfriamento de edificações, atualmente há um esforço para recuperar antigas técnicas utilizadas no curso da história em localidades que sempre tiveram que lidar com o clima quente. Isso é ainda mais latente devido ao alto custo energético que o resfriamento impõe, a um cenário de aquecimento global e, principalmente, pelo fato de que dentre as projeções de incrementos populacionais, boa parte das megalópoles se localizarão na África e Ásia, com climas quentes. Pensando em um cenário futuro, é possível se inspirar no passado e aplicar essas técnicas antigas de resfriamento para edificações contemporâneas?
Por duzentos anos, a cidade de Nova York tem sido a maior metrópole dos Estados Unidos e continua a superar suas concorrentes. A cidade é uma das mais antigas e prósperas do país. Sua região metropolitana produz bens e serviços que equivalem em termos monetários à metade do que o Brasil produz. A sua estrutura urbana, capacidade produtiva e elevada renda per capita evidenciam sua posição privilegiada no mundo, e uma das chaves para entender a sua ascensão está no início da sua história e ao longo do seu processo de desenvolvimento. Em 1624, as terras da ilha de Manhattan foram compradas do povo indígena Lenape pelo holandês Peter Minuit, da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, que fundou a chamada Nova Amsterdã. A ilha é uma extensa área plana de 59 km² situada em meio à foz do Rio Hudson e do Rio do Leste. A baía permitia atracar grandes navios e era também um local mais fácil de se defender.
The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais de áreas criativas para conversas espontâneas, que dão espaço a reflexões profundas e debates pessoais.
Uma grande variedade de temas é abordada com honestidade e bom humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para profissionais do design, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações descontraídas sobre o dia a dia e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify, e YouTube.
Esta semana, David e Marina conversam com o arquiteto Joshua Aidlin, sócio-fundador do escritório Aidlin Darling Design, para discutir sua trajetória nas artes, sua abordagem e filosofia de projeto, a experiência de acampar nos locais das obras, a criação de uma boa cultura de escritório, sua parceria com David Darling e muito mais.
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Paris, França. Foto de Lespinas Xavier, via Unsplash
Até alguns anos atrás, a margem direita do Rio Sena, em Paris, era uma via de trânsito rápido por onde passavam mais de 40 mil veículos todos os dias. Apesar de ter sido nomeada Patrimônio Mundial da Unesco, a via costumava estar totalmente engarrafada nos horários de pico ou funcionar como um corredor para os carros em alta velocidade. Por isso, colaborava para as taxas de poluição atmosférica da cidade, que com frequência costumavam ultrapassar os limites da União Europeia, e para milhares de mortes na capital francesa todos os anos.
https://www.archdaily.com.br/pt/996966/cidade-de-15-minutos-a-visao-de-paris-que-tem-inspirado-um-movimento-globalSalome Gongadze e Anne Maassen
A verdadeira beleza da arquitetura reside em sua capacidade de servir e melhorar a experiência humana, mas esse princípio fundamental nem sempre é respeitado. Muitas vezes, vemos edifícios “públicos” que não se integram ao tecido urbano, são desconectados de seu entorno e não contribuem para a vitalidade e qualidade de vida de uma cidade. Alguns podem até ser muito bonitos, mas se não forem funcionais, confortáveis e acolhedores para as pessoas, seu valor como espaços públicos torna-se bastante questionável. Ícones arquitetônicos como a Ópera de Sydney e o Museu Guggenheim de Bilbao, por exemplo, são celebrados não apenas por suas silhuetas impressionantes ou interiores de tirar o fôlego, mas porque aprimoram a cultura e a vida na cidade, enriquecem a comunidade e oferecem diversas oportunidades de interação e envolvimento do público. É essa abordagem holística de projeto, centrada no ser humano, que permite que esses marcos se tornem partes integrantes da identidade de uma cidade.
Fotografias de Marcel Gautherot presentes no acervo do Instituto Moreira Salles (IMS) editadas pela autora
O Museu de Arte Popular de Recife (MAP), inaugurado em 1955, foi um dos primeiros museus dedicados ao gênero no país. Foi organizado e idealizado pelo advogado e colecionador recifense Abelardo Rodrigues (1908 - 1971) e projetado pelo arquiteto carioca Acácio Gil Borsoi (1924 - 2009). Embora extinto, o projeto do museu foi uma adaptação de uma antiga escola infantil em um espaço com características modernas para a exposição de arte popular, localizado na entrada do Parque Zoobotânico de Dois Irmãos. Os únicos registros deste espaço foram realizados pelo fotógrafo francês Marcel Gautherot (1910 - 1996) no ano de inauguração do museu. Apesar das suas singularidades, estes três personagens estavam especialmente interessados no aspecto popular das narrativas modernas, e por esse motivo, é importante analisar as perspectivas que contribuíram no interesse dos usos dessa noção.
Paulo Mendes da Rocha. Fotografia de Maria Isabel Villac
Paulo Mendes da Rocha será homenageado com duas grandes exposições realizadas este ano pela Casa da Arquitectura, em Matosinhos, norte de Portugal. Geografias Construídas: Paulo Mendes da Rocha, uma Retrospectiva tem curadoria de Jean-Louis Cohen e Vanessa Grossman e projeto expositivo de Eduardo Souto de Moura e Nuno Graça Moura, enquanto que Paulo conta com curadoria de Rui Furtado e Marta Moreira e projeto expositivo de Ricardo Bak Gordon. Ambas inauguram em 26 de maio.
https://www.archdaily.com.br/pt/996690/paulo-mendes-da-rocha-sera-homenageado-com-duas-exposicoes-na-casa-da-arquitectura-em-2023ArchDaily Team