A cidade de Mérida – capital do estado de Yucatán, no México –, é uma das regiões que tem experimentado um boom importante na arquitetura nos últimos anos, graças ao talento emergente que vem se destacando em prêmios e bienais por todo o país. Devido ao seu clima tropical, a arquitetura local responde a condições geográficas específicas que a tornam um dos destinos mais visitados. Mérida é uma cidade construída sobre os vestígios da cidade maia chamada T'Ho e é composta por uma vasta cultura que conjuga diferentes momentos da história. Por conta disso, a arquitetura contemporânea desta região é composta por elementos tradicionais, como abóbadas, elementos vazados e acabamentos artesanais e sustentáveis, reinterpretados para criar uma nova linguagem que expressa o momento em que foram construídos.
Perspectiva do projeto para o córrego Morro Vermelho, afluente do Lageado. Fonte: desenho da autora
Rios urbanos, nas suas diferentes escalas, podem ser eixos estruturadores de uma urbanização com qualidade ambiental urbana. O objeto deste artigo, que se baseia em conceitos desenvolvidos pelo Grupo Metrópole Fluvial, é a Bacia Hidrográfica do córrego Lageado, situada no extremo leste do município de São Paulo e parte do município de Ferraz de Vasconcelos. O Tietê, rio para onde confluem as águas dessa bacia, o Lageado e seus afluentes estabelecem três escalas de rios e de urbanização, que comportam programas distintos relacionados aos usos da água: da navegação e energia, no âmbito regional, ao parque fluvial do bairro, passando pelo abastecimento, drenagem, energia e irrigação.
O escritório Sauerbruch Hutton venceu o concurso para o Headquarters 2 (HQ2) no bairro de Haidenauplatz, em Munique. Este arranha-céu será o ponto focal do recém-desenvolvido distrito de Haidenauplatz, no leste de Munique. Servindo como a segunda sede central do HypoVereinsbank, o edifício se somará ao icônico arranha-céu do Hypo da década de 1970, no distrito vizinho de Bogenhausen. O projeto de Sauerbruch Hutton e do/a arquiteto/a paisagista MDP Michel Desvigne Paysagiste foi selecionado entre as propostas de outros nove participantes internacionais.
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Le Masurier (documentado em 1769-1775). Escravos negros na Martinica, 1775. Óleo sobre tela – 125 x 106 cm. Paris, Ministério do Ultramar / Archives nationales. Imagem cortesia de Archives nationales
A instituição da escravidão moldou as paisagens de ambos os lados do Oceano Atlântico. Por sua vez, pessoas africanas escravizadas e livres e seus descendentes criaram novas paisagens nos Estados Unidos, no Caribe e na África Subsaariana. As populações africanas tinham relações íntimas próprias com a terra, o que lhes permitiu afirmar sua própria agência e cultura.
O dérive LAB, como parte de uma nova ramificação do laboratório multidisciplinar de origem mexicana, apresenta o projeto "Ruas Compartilhadas". Trata-se de uma iniciativa que busca transformar espacialmente as ruas, migrando do controle por dispositivos de tráfego para a regulação baseada nas relações humanas. O projeto nos convida a refletir sobre como as ruas não são apenas canais de trânsito e transporte, mas também espaços que acolhem diversas outras atividades sociais, econômicas e culturais.
A Sala de Concertos da Filarmônica da China em Pequim, projetada por MAD Architects, sob a liderança de Ma Yansong, está próxima da conclusão. O projeto da sala de concertos começou com uma competição, vencida por MAD em 2014. Ao ser concluído, o edifício de 26 mil metros quadrados se tornará a primeira residência permanente da Orquestra Filarmônica da China, transformando a área em um novo destino para música clássica e intercâmbio cultural. O projeto está previsto para ser concluído em 2024.
Na Bienal de Arquitetura de Veneza deste ano, o Centro Cultural Europeu (ECC) apresentou a sexta edição de sua extensa exposição de arquitetura intitulada Time Space Existence. A edição de 2023 da mostra coletiva chama a atenção para as expressões de sustentabilidade em suas várias formas, abrangendo desde o foco no meio ambiente e paisagem urbana até debates sobre inovação, reuso, comunidade e inclusão. 217 projetos de participantes renomados como Snøhetta ou MADWORKSHOP e profissionais emergentes como Urban Radicals ou ACTA estão atualmente em exibição até 26 de novembro de 2023, nos Palazzos Bembo e Mora, e nos Jardins de Marinaressa em Veneza.
Em resposta às mudanças climáticas, as instalações apresentadas investigam novas tecnologias e métodos de construção que reduzem o consumo de energia por meio de design circular e desenvolvem materiais de construção inovadores, orgânicos e reciclados. Os participantes também abordam a justiça social ao apresentar soluções habitacionais idealizadas para comunidades deslocadas e minorias, enquanto outros examinam as tensões entre o ambiente urbano construído e a natureza que o cerca para identificar oportunidades de coexistência.
O manejo do terreno junto ao mar tornou-se um fenômeno popular no desenvolvimento costeiro. É a solução mais comum para suprir a necessidade de terra em áreas costeiras e foi implementada para vários tipos de uso, incluindo controle de inundação e agricultura. Hoje em dia, tornou-se uma conhecida resposta para o rápido aumento da urbanização costeira, da atividade econômica e para o aumento da população mundial. Países como a China e os Países Baixos lideram a lista em área. No entanto, a maioria dos projetos ocorrem dentro de centros urbanos no sul global. Cidades na África Ocidental, Leste Asiático e Oriente Médio criam essas novas porções de terra para impulsionar a economia industrial ou para gerar espaço para projetos residenciais de luxo.
Mas a relação entre o design do aumento da faixa de terra e a resposta da água em ambientes oceânicos é complexa. Requer uma relação simbiótica com corpos d'água para estabilidade, mas pode provocar forças naturais quando negligenciado no mar. Comportamentos da água do oceano, incluindo acúmulo de maré, aumento do nível do mar, conexão com áreas úmidas e biodiversidade aquática, podem questionar o sucesso ou fracasso dos projetos em diferentes contextos.
Alguns nomes da arquitetura deixaram sua marca na história; um desses casos é Antoni Gaudí. Através de suas concepções inspiradas na natureza, ele se tornou o principal expoente do modernismo catalão. O impacto da obra de Gaudí pode ser visto em várias escalas arquitetônicas, incluindo a Sagrada Família, o Parc Güell, a Colònia Güell, a Casa Milà e a Casa Batlló, sendo esta última um marco icônico da arquitetura de Barcelona.
A Casa Batlló surgiu da reforma de um edifício de 1877, adquirido em 1903 e posteriormente confiado a Gaudí para sua transformação. Inspirada em formas animais, em especial marinhas, a fachada e o interior foram renovados por meio de curvas e de uma combinação de cores vibrantes. Essa intervenção marcou um ponto de virada para a residência, pois alterou significativamente a fachada, redistribuiu o interior e proporcionou uma interação sublime com a luz natural. Dando continuidade ao espírito da reforma iniciada por Gaudí, um novo projeto de interiores para a escadaria e o átrio da Casa Batlló foi desenvolvido em 2021. Essa renovação é o resultado do diálogo entre as correntes de alumínio anodizado desenvolvidas pela Kriskadecor e a abstração do uso engenhoso da luz na Casa Batlló por meio do projeto de Kengo Kuma.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138531/camadas-metalicas-em-dialogo-com-a-luz-uma-intervencao-abstrata-na-casa-batlloEnrique Tovar
Pedrógão Grande, município português localizado a cerca de 55 quilômetros de Coimbra, inaugurou na última semana o Memorial de Homenagem às Vítimas dos Incêndios Florestais de 2017, tragédia que tirou a vida de 66 pessoas e deixou outras 253 feridas. O monumento é de autoria do arquiteto Eduardo Souto de Moura, vencedor do Prêmio Pritzker de 2011.
A obra custou cerca de 1,8 milhão de Euros e foi iniciada há dois anos pela Infraestruturas de Portugal (IP). O monumento conta com “um lago de enquadramento, com cerca de 2.500 metros quadrados de área, alimentado por uma gárgula com 60 metros de extensão, sendo bordejado por uma faixa de plantas constituída por nenúfares brancos, lírios e ranúnculos”, segundo informa a IP. Além disso, o projeto conta com um muro com a inscrição do nome de cada uma das vítimas.
Foram iniciadas as obras nos últimos terrenos vazios do Jiaozi Park Financial and Business District de Chengdu, onde o MVRDV projetou um complexo composto por três torres corporativas de uso misto e um centro de conferências conectados por um embasamento comum. A forma do edifício e sua estrutura são influenciadas pelo contexto, abrigando um centro comercial que faz referência às estruturas tradicionais que antes ocupavam o local.
O mezcal é uma bebida de origem mexicana que adquiriu grande popularidade na última década. Sua história remonta aos tempos pré-hispânicos, onde as culturas consumiam de diferentes formas bebidas que obtinham do agave. Durante o período pré-colombiano, esta planta era utilizada para fins diversos, desde a alimentação até a elaboração de fibras e remédios. No entanto, dentro de tantos diferentes processos, descobriram que podiam fermentar e destilar o suco do agave para obter uma bebida alcoólica, que chamaram de "pulque".
A empresa equatoriana Uribe Schwarzkopf apresentou planos para um projeto de uso misto que se destacará no horizonte da cidade de Guayaquil. No bairro de Puerto Santa Ana, o novo projeto YOO GYE busca oferecer espaços residenciais e comerciais por meio de um design influenciado pelo entorno local. Seus interiores foram projetados pela YOO inspirado em Starck, contando com a direção criativa do próprio Philippe Starck.
A natureza e os ecossistemas prestam serviços valiosos às pessoas, da regulação do clima à promoção da saúde e do bem-estar. Reintegrar esses serviços à paisagem urbana é parte da transformação necessária para que cidades enfrentem desafios complexos, como os impactos das chuvas cada vez mais intensas, o calor extremo e a poluição. Ao mesmo tempo, pode ampliar a resiliência e o acesso das populações mais vulneráveis a infraestruturas essenciais, espaços para o lazer e oportunidades econômicas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1002440/5-mudancas-para-acelerar-a-reintegracao-da-natureza-em-cidades-brasileirasMarco Britto, Magdala Satt Arioli, Laura Azeredo e Lara Caccia
Uma escolha de confiança para arquitetos e designers de interiores, as ferragens e acessórios da Buster + Punch agora fazem parte dos lares e hotéis mais elegantes, restaurantes com estrelas Michelin e salas de concerto. Imagem cortesia de Buster + Punch
Em 2013, a marca de design de interiores Buster + Punch surgiu em uma garagem no leste de Londres, com uma abordagem inovadora para detalhes e ferragens do dia a dia que os elevou ao status de peças de desejo altamente contemporâneas.
O fundador da marca, Massimo Buster Minale, era conhecido por trabalhar como arquiteto durante o dia e construir motocicletas personalizadas à noite — estas últimas vendidas em uma garagem a poucos metros de seu apartamento em Londres. Seus clientes de motocicletas começaram a encomendar peças exclusivas de mobiliário e detalhes sob medida para suas casas. Minale, que sempre tivera dificuldade para encontrar ferragens e acabamentos de alto padrão para seus projetos de arquitetura nos escritórios de Richard Rogers e Foster & Partners, viu ali uma clara lacuna no mercado.
Arquitetura pode ser definida de diversas maneiras, das mais técnicas às mais poéticas, valendo-se de inúmeros aspectos diferentes dentro de seu contexto: espaço, programa, tectônica e gesto. Este último faz referência ao traço, ao desenho, ao projeto. Talvez o croqui rápido que se anuncia à mente ao falar em gesto é aquele do abrigo: um corte ou elevação, com escala humana, de vedações verticais e cobertura.
À medida que a Bienal de Arquitetura de Veneza apresenta sua 18ª edição intitulada O Laboratório do Futuro, ela se concentra na África como um lugar para testar e explorar possíveis soluções para o mundo. De acordo com a curadora Lesley Lokko, a Bienal explora conceitos arraigados como clima, direitos à terra, decolonização e cultura. Isso nos desafia a questionar como a história da África pode ser uma ferramenta radical para a imaginação e nos lembra da declaração de Stephen Covey: "Viva fora da sua imaginação, não apenas da sua história". O título da bienal é provavelmente a questão mais ambiciosa dos últimos anos e nos obriga a revisitar todas as fronteiras das sociedades históricas do continente, explorar a influência das fronteiras coloniais impostas sobre elas e examinar as identidades que surgiram disso. Devemos considerar como essas identidades podem ser instrumentos de criatividade e, mais importante, reconhecer que cada sociedade africana tem um ponto de vista específico. Esse ponto de vista anseia por colaboração intercultural como uma ferramenta poderosa para a imaginação.
Ilustrações do Icon, onde grandes estruturas fornecem um contexto para uma sobreposição de experiências físicas e virtuais. Imagem Cortesia de John Marx/ Form4 Architecture
Este artigo é o quarto de uma série que se concentra na Arquitetura do Metaverso. O ArchDaily, em colaboração com John Marx, designer, fundador e diretor da Form4 Architecture, traz mensalmente artigos que buscam definir o metaverso, transmitir o potencial desse novo domínio e entender suas limitações.
De todas as características que definirão o metaverso, a mais importante é a experiência. À medida que avançamos mais profundamente no Antropoceno, os humanos parecem ter mudado seu foco de coletar coisas para coletar experiências. À medida que a demanda por experiências se torna mais intensa e refinada, a necessidade de conteúdo e o uso inteligente e eficaz desse conteúdo aumenta exponencialmente. Desde uma perspectiva mais detalhada, a gestão e a qualidade dessas experiências determinarão o sucesso inicial do metaverso. É aqui que entra em jogo o ideia de um Concierge Responsivo de IA.
Divulgação: Imagem retirada do Manual de Desenho de Ruas do Recife. Projeto gráfico realizado pelo Bicho Coletivo.
O Manual de Desenho de Ruas do Recife (MDR) surge como um marco significativo no planejamento e nos projetos relacionados à mobilidade urbana da cidade, com foco nos meios ativos ou coletivos de transporte. Elaborado como parte integrante do Plano de Mobilidade do Recife, que foi aprovado no ano de 2021, representa uma abordagem inovadora para a circulação nas vias e estabelece novos parâmetros de desenho que beneficiam a todos os usuários. Com sua proposta de promover um acesso abrangente, seguro, eficiente, sustentável, resiliente e democrático à cidade, o manual propõe transformar a maneira como pensamos e projetamos as ruas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1001880/manual-de-desenho-de-ruas-do-recife-diretrizes-inclusivas-e-sustentaveis-para-todosArchDaily Team
Ao projetar edifícios, a atenção muitas vezes se concentra nas unidades residenciais, priorizando o conforto e a funcionalidade dos apartamentos. No entanto, é igualmente importante considerar as áreas comuns, que desempenham um papel fundamental na qualidade de vida dos moradores e na construção de uma comunidade que compartilha o mesmo espaço. Além dos benefícios sociais, estes espaços de convivência também podem desempenhar um papel importante na promoção da sustentabilidade e no bem-estar de seus usuários. Afinal, a integração de áreas verdes e espaços dedicados ao lazer e esporte ajudam a reduzir o estresse e brinda novas atividades ao morador.
Os edifícios contemporâneos de bambu podem parecer inicialmente avassaladores para o observador inexperiente. No entanto, à medida que você aprende mais sobre a lógica estrutural desses volumes inspiradores, rapidamente perceberá que a maioria emprega um ou uma combinação dos sistemas estruturais que estamos prestes a explorar: o mistério se desfaz, transformando o que antes parecia complexo em uma composição clara de conceitos simples. Este artigo lança luz sobre quatro sistemas estruturais comumente empregados na construção de bambu:
No mundo da arquitetura, há muito mais do que desenho de plantas e construção de edifícios. A faculdade de arquitetura oferece uma formação abrangente, que vai além das habilidades técnicas específicas da profissão. Neste episódio, exploraremos algumas das habilidades valiosas que os estudantes de arquitetura aprendem ao longo de sua jornada acadêmica — apresentadas no artigo 13 Habilidades não relacionadas à arquitetura que se aprendem na faculdade de Arquitetura — e como essas habilidades podem ser aplicadas em diversas áreas da vida.
O The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais do campo criativo em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada de forma franca e bem-humorada: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para outros/as designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, Anthony Laney, fundador/a da Laney LA, junta-se a David e Marina, da FAME Architecture & Design, para discutir o processo de projeto iterativo, liderança e trabalho em equipe, a evolução da Laney LA, o desenvolvimento de diferentes tipologias de edifícios, o refinamento de suas sensibilidades de design e muito mais!
A satisfação em viver mais está associada a oportunidades de seguir uma vida ativa, manter-se atualizado e sentir-se inserido na sociedade. Para isso, cabe aos espaços construídos favorecerem isso a partir de estruturas flexíveis, moldáveis às necessidades de seus usuários, de forma gradual e adaptativa, independente de sua idade.
O setor imobiliário começa a despertar para o imenso potencial que existe na arquitetura voltada à qualidade da saúde e ao aumento da expectativa de vida humana. À medida que olhamos para o futuro dos imóveis, podemos esperar um uso mais inteligente das tecnologias, com inovações e novas métricas para estabelecer uma melhor compreensão do que é bem-estar e qual sua relação com o ambiente natural ou construído. Essa qualificação representará aumento exponencial nas vendas com a viabilidade de tornar um imóvel flexível e adaptável ao longo dos diferentes momentos da vida de seu morador.
https://www.archdaily.com.br/pt/1001648/espacos-para-o-envelhecimento-ativo-estrategias-arquitetonicas-para-o-aging-in-placeCiro Férrer Herbster Albuquerque e Maria Eduarda Alvares Kopper