Em Paris, no décimo terceiro arrondissement, o escritório de arquitetura Moreau Kusunoki concluiu o Le Berlier, uma torre de madeira de 50 metros de altura que inclui unidades residenciais e uma série de outros serviços. Localizado na confluência de diversos fluxos urbanos, redes e escalas, o projeto busca equilibrar inovação, monumentalidade e conforto doméstico. O novo complexo residencial conta com uma fachada em grelha feita de madeira carbonizada e pré-temperada.
Um bairro nobre em Dar es Salaam, Tanzânia. Imagem: Scott Beyer
No hipertecnológico século XXI, a América do Norte urbana é, em grande parte, uma economia de serviços. A cidade de Nova York, por exemplo, atualmente é dominada por uma combinação de serviços financeiros de alto nível, tecnologia e outras profissões especializadas, enquanto as profissões de baixa escolaridade se concentram no turismo, na entrega de alimentos e em outros empregos no setor de serviços. Empregos de chão de fábrica, onde existem, ocorrem por um legado de zoneamento exclusivamente industrial. Os usos da terra agrária, como a “agricultura urbana”, são quase inexistentes, um hobby esotérico dos gourmets.
Há mais de meio século, a planta livre permanece na vanguarda da arquitetura de interiores, sendo a escolha frequente tanto em construções novas quanto em reformas de clientes que optam por integrar ambientes e suas funções para trazer mais harmonia e conectividade aos seus lares. Assim, mesmo com rotinas cada vez mais atribuladas, as famílias podiam cozinhar, conversar, estudar e relaxar juntas, tudo ao mesmo tempo.
No entanto, por obrigar os/as usuários/as a compartilharem o mesmo espaço com ruídos, odores e atmosferas conflitantes, muitas pessoas vêm se afastando da planta livre tradicional, abrindo espaço para novos conceitos que vêm ganhando força, como o broken plan (ou planta compartimentada). Por outro lado, um caminho evolutivo alternativo para a planta livre é a expansão vertical. Combinada a espaços de convivência com pé-direito duplo, triplo ou até mesmo mais altos, a planta livre ganha o respiro de que precisa, mantendo-se conectada ao restante da casa.
A água é um recurso fundamental que sustenta a vida, serve de base para a agricultura e impulsiona a indústria em todo o mundo. No entanto, a escassez hídrica vem se tornando uma questão cada vez mais urgente em escala global. Fatores como as mudanças climáticas, a rápida urbanização e a expansão industrial agravam esse cenário. Entre esses fatores agravantes, os vazamentos continuam sendo um aspecto frequentemente subestimado e negligenciado do desperdício de água.
Nesta entrevista do Louisiana Channel com Yasmeen Lari, a renomada arquiteta paquistanesa fala sobre o papel dos arquitetos e as mudanças de perspectiva necessárias na indústria hoje em dia. Premiada com a RIBA Royal Gold Medal 2023 por seus esforços humanitários, Lari enfatiza a necessidade de repensar a indústria da arquitetura para lidar com as disparidades sociais e deficiências de recursos. Na entrevista, Lari reflete sobre sua educação, formação arquitetônica e sua prática atual.
Entre 20 e 22 de outubro de 2023, aconteceu a segunda edição do festival internacional de arquitetura Open House em Sevilha. Com o objetivo de fomentar o conhecimento da cidade e valorizar o espaço urbano, a arquitetura e o design, o evento abriu as portas gratuitamente de mais de 50 espaços, incluindo edifícios e escritórios de arquitetura.
Entre os edifícios mais destacados desta edição estavam a Torre Sevilla de César Pelli, o Palácio de San Telmo e o Palácio de las Dueñas. Além das visitas guiadas oferecidas pela cidade, a programação também contou com demonstrações de trabalhos de olaria da oficina Barrería San Mateo e de técnicas de aplicação de argamassa de cal.
Em outubro deste ano, foi realizada a quarta edição do Prêmio Peña Ganchegui de Jovem Arquitetura Basca, criado em 2017 pelo Arquivo Peña Ganchegui em parceria com o Departamento de Habitação do Governo Basco.O objetivo deste reconhecimento é dar visibilidade a profissionais da arquitetura — graduados/as na Comunidade Autônoma Basca ou que atuem na região — que tenham menos de 10 anos de experiência e que promovam, desenvolvam e consolidem uma cultura arquitetônica de qualidade.
A cerimônia de premiação ocorreu noInstituto de Arquitetura de Euskadi, localizado na Parte Vieja de San Sebastián, com o prêmio entregue por Pablo García Astrain, diretor de Habitação, Solo e Arquitetura do Governo Basco. O júri, composto por María Langarita, Fernando Márquez Cecilia e António Cruz, destacou no trabalho do escritório Ortega Diago o exercício de síntese espacial, a singularidade de suas soluções programáticas, a delicadeza no tratamento dos materiais, a ênfase nas transparências e a preocupação com a fluidez das circulações. Esses atributos ficaram evidentes tanto nos projetos de interiores — que vão de reformas residenciais a adequações de espaços comerciais e de trabalho — quanto em propostas não construídas.
Diz-se que o que se vê é o que se leva. As técnicas de preparo simplificadas e os equipamentos utilizados em redes de fast-food, por exemplo, ficam totalmente visíveis para os clientes na fila de espera. Contudo, esse conceito de projetar ambientes de hospitalidade abertos e transparentes ao menos oferece honestidade ao público, pois, embora os ingredientes mais frescos e as técnicas de alta gastronomia não estejam presentes, a gordura e a sujeira antes associadas a esse tipo de estabelecimento também não estão.
Ao comparar essa realidade com a de estabelecimentos mais sofisticados, que mantêm a cacofonia de uma cozinha comercial oculta aos olhos do público durante o serviço, passa-se a questionar o que mais poderia estar escondido. Ao adotar o mesmo conceito de cozinha aberta, cozinhas profissionais que contam com chefs talentosos/as e ingredientes de alta qualidade conseguem provar seu valor.
No lugar certo, na hora certa: assim se poderia descrever a origem de Future > Factory > Furniture >, um evento especial na Dutch Design Week 2023, que retorna ao icônico Klokgebouw – junto a mais de cem outros locais na cidade de Eindhoven – de 21 a 29 de outubro. Foi no antigo edifício da fábrica da Philips que, no início deste ano, ocorreu outro encontro do setor. O Destination Design reuniu mais de 40 marcas internacionais e holandesas pelo segundo ano consecutivo, em um esforço para lançar luz sobre novos produtos e ideias inovadoras.
A Trienal de Bruges 2024 anunciou o seu tema, "Espaço de Possibilidade", assim como a lista de artistas e arquitetos participantes. De 13 de abril a 1º de setembro de 2024, o evento ocupará as ruas e o centro histórico de Bruges, na Bélgica, com exposições de arte contemporânea e arquitetura. Os curadores desta edição, Shendy Gardin e Sevie Tsampalla, escolheram 12 artistas e arquitetos que irão desafiar os espaços dos bairros da cidade, em resposta ao tema, que os convida a explorar o potencial oculto da cidade.
O escritório de arquitetura Parabase foi selecionado para desenvolver uma série de lotes da Areal Walkeweg, na Basileia, visando criar um edifício de habitação social integrado a um centro migração. A solução arquitetônica, intitulada "Elementa", reutiliza componentes de projetos desconstruídos, transformando as antigas colunas e lajes de piso em paredes e elementos de fachada. O projeto foi escolhido a partir de um concurso aberta, em que o júri elegeu a solução da Parabase pela sua forte estética aliada ao reuso criativo de elementos pré-fabricados de concreto.
No universo em constante evolução da visualização arquitetônica, o Chaos Vantage desponta como uma ferramenta valiosa para profissionais de arquitetura, design e criação que buscam uma perspectiva nova e fotorrealista de seus projetos de V-Ray em tempo real. Diante disso, por que se deve considerar explorar o Chaos Vantage, além das ferramentas já existentes? Este artigo analisa suas vantagens, com foco especial no fotorrealismo e na renderização ultrarrápida em tempo real.
Cortesia de 180 Degrees Design Studio | The Fabric
À medida que o panorama da arquitetura e do desenvolvimento urbano se adapta ao clima contemporâneo, a noção tradicional de construção tem sido significativamente modificada e ajustada. Em especial, princípios de reutilização, reciclagem, reuso adaptativo e o potencial de transformar estruturas existentes em algo mais significativo e sustentável têm ganhado bastante força. Ao observar esta seleção de projetos não construídos, torna-se possível explorar uma nova maneira de encarar os edifícios e o patrimônio, de forma consideravelmente mais sensível ao ambiente construído.
Dos austeros edifícios de escritórios no Reino Unido à proposta de reativação de um arranha-céu em Ostrava, esses diversos contextos narram histórias de resiliência, inovação e um profundo compromisso com o patrimônio construído existente. Ao propor um novo olhar sobre as preexistências, as propostas defendem conceitos de reuso adaptativo e ativação espacial.
Nos Jogos Asiáticos recentemente encerrados, o escritório UAD participou do projeto de diversas arenas esportivas. Entre elas, o Centro de Cultura Esportiva de Beisebol e Softbol dos Jogos Asiáticos de Hangzhou se destaca como a maior instalação recém-construída desta edição, além de ser, atualmente, o maior complexo de beisebol e softbol da China, com os mais altos padrões e instalações mais avançadas. Nesta edição do Spotlight, entrevistamos Qian Xidong, do UAD, que compartilha suas reflexões de design acumuladas ao longo de anos de prática profissional.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138165/mais-do-que-arquitetura-um-estilo-de-vida-entrevista-com-qian-xidong-do-uad韩爽 - HAN Shuang
Cada estilo arquitetônico está intrinsecamente relacionado a um contexto, período ou lugar específico. Um exemplo ilustrativo é o território dos Estados Unidos, fortemente influenciado pelo período da colonização britânica nas Américas (séculos XVII e XVIII). Nesse cenário, surgiram habitações que adotaram uma linguagem arquitetônica singular. Além disso, as grandes distâncias entre as principais cidades em diversas regiões do país impactaram significativamente a configuração da arquitetura residencial, resultando na incorporação de celeiros e outras estruturas que desempenhavam funções variadas para além da moradia. Esse estilo caracteriza-se por sua planta retangular, volumes de dois pavimentos, telhados de duas águas e revestimento de madeira na fachada — elementos que constituem parte integrante da expressão vernácula das casas daquela época.
Os telhados de duas águas, especificamente, constituem o recurso mais associado à estética tradicional das habitações construídas entre os séculos XVII e XIX, bem como de suas sucessoras. Um exemplo contemporâneo é a Beachside House, projeto documentado na Swisspearl Architecture Magazine. Implantada na costa de Long Island Sound — canal que separa o estado de Connecticut de Long Island, em Nova York —, a residência é composta por quatro volumes com telhados de duas águas revestidos por painéis de fibrocimento em tons claros, configurando uma abstração da arquitetura vernácula da Nova Inglaterra.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138232/casa-a-beira-mar-um-estudo-de-caso-de-arquitetura-de-inspiracao-vernacular-utilizando-materiais-modernosEnrique Tovar
A imaginação e a formulação de políticas são inseparáveis. Um futuro desejável primeiro deve ser imaginado para depois ser possível conceber políticas que possam concretizá-lo. Na arquitetura, em particular, estamos constantemente imaginando o futuro, uma atividade intrínseca ao verbo projetar, e essa familiaridade com o ato nos faz responsáveis por ditar rumos e regras que poderão contribuir ou não com curso do planeta.
Neste momento de mudanças climáticas, decorrente do acúmulo de práticas irresponsáveis ao longo de séculos, a ideia do futuro passou a ser invadida por um medo, um alerta que determinaria a sobrevivência da nossa existência. A arquitetura, juntamente com outras disciplinas, passou a canalizar esforços para reexaminar, reconceitualizar e reformular suas práticas rumo ao futuro que precisamos alcançar. Para além das estatísticas e projeções, a abordagem da arquitetura em relação à ação climática traz à tona inúmeros conceitos, entre eles, a necessidade de uma revisão histórica para a criação desse futuro.
Na encruzilhada, três mulheres com suas histórias e ancestralidades buscam vencer a demanda com um padê necessário: a construção de uma narrativa que tenta expurgar dos escombros epistêmicos algumas perguntas que nasceram da observação de como algumas pessoas reagiram ao fato de que um ‘favelado chique’ recebeu um prêmio internacional. O ca(u)so é o prêmio na categoria “Casas” da premiação internacional de arquiteturaBuilding of the Year 2023 do ArchDaily, que fora concedido ao “Barraco do Kdu”, uma casa que expressa planejamento, design, concreto exposto, tijolo à vista, boniteza, poesia, mas… Desde sua concepção, trata-se de uma casa “fora do lugar” – e isso gerou incômodos. Neste texto, abordamos os (in)cômodos e as materialidades; as disputas de narrativas; o que está “fora do lugar” e quem classifica; território; design; estética; gingas; desautorização do discurso sobre si e outros atravessamentos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1007765/in-comodos-reflexoes-sobre-uma-casa-de-favela-premiadaAmália Cristovão dos Santos, Ana Carolina C. dos Anjos e Amanda Resende Castilho
A Sagrada Família, uma das obras mais famosas e inacabadas de Antonio Gaudí, está avançando em direção à conclusão. No final de setembro, cinco das seis torres centrais foram finalizadas. Desde janeiro, quando as torres dos Evangelistas Lucas e Marcos foram concluídas, duas torres adicionais, dedicadas aos Evangelistas Mateus e João, foram coroadas com estátuas do escultor Xavier Medina-Campen, marcando sua conclusão. A Junta Constructora del Temple Expiatori de la Sagrada Família, fundação responsável pela construção, anunciou uma missa especial no dia 12 de novembro para marcar a inauguração, iniciando a iluminação das quatro torres ao longo de toda a temporada de Natal.
Em um mundo lidando com desafios ambientais, arquitetos e engenheiros visionários estão cada vez mais inclinados a soluções mais sustentáveis. Enquanto o aço e o concreto dominaram por muito tempo a indústria da construção, o bambu está agora entrando em destaque como uma alternativa convincente. Graças à sua combinação potente de resistência, flexibilidade e sustentabilidade, tem se tornando rapidamente o material escolhido por aqueles interessados em empurrar os limites da arquitetura sustentável.
Conectado a este momento transformador no design sustentável está a chegada oportuna da série de eBooks 'Estruturas de Bambu', na qual este artigo se baseia. Atuando como um ponto de referência no campo, o primeiro volume se concentra no processo de design estrutural por trás do Templo Luum - uma aula magistral em engenharia de bambu. O guia serve como mais do que apenas um texto teórico; é um manual abrangente repleto de insights do mundo real, pesquisa de ponta e expertise prática."
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Usina do Gasômetro. Foto: Ana Paula Hirama, via VisualHunt.com
Está em andamento a atualização do Plano Diretor de Porto Alegre. Muito tem se falado do futuro da cidade, mas o que podemos aprender com o passado para promover mais dinamicidade, caminhabilidade e gerar maior qualidade de vida para os cidadãos? Afinal, uma cidade mais agradável retem e atrai talentos, gerando inovação e riqueza. Neste artigo, faço uma retrospectiva dos momentos mais marcantes da evolução urbana de Porto Alegre, dividindo-os em quatro grandes períodos.
O The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais das áreas criativas em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma grande variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina, da FAME Architecture & Design, recebem os/as arquitetos/as Lyndon Neri e Rossana Hu, dupla fundadora do Neri&Hu Design and Research Office, para conversar sobre suas trajetórias pessoais e a mudança para os Estados Unidos na juventude; como se conheceram em Berkeley; a experiência de estudar e lecionar arquitetura; a mudança para a China; a fundação do escritório em conjunto; a gestão de uma prática multidisciplinar; sua filosofia de trabalho e muito mais.
No sul de Burkina Faso, compartilhando fronteiras com a região norte de Gana, está Tiébélé; uma pequena vila que exibe padrões fractais de volumes circulares e retangulares, abrigando um dos mais antigos grupos étnicos da África Ocidental: a tribo Kassena. Com casas vernaculares que remontam ao século XV, a vila possui um caráter distintivo através de suas paredes pintadas com símbolos. É uma arquitetura de decoração de paredes onde a comunidade utiliza seu envoltório como uma tela para formas geométricas e símbolos do folclore local, expressando a história e a herança cultural. Essa arquitetura é o produto de uma colaboração comunitária única, onde todos os homens e mulheres da comunidade são responsáveis pela construção e acabamento de qualquer nova casa. Essa prática serve como um ponto de transmissão da cultura Kassena entre as gerações.
Com base em Teerã, e Nova York, a ASA North surge como exemplo de uma prática arquitetônica focada na maleabilidade e adaptabilidade. Selecionada na iniciativa Novas Práticas ArchDaily 2023, a ASA North está na vanguarda da fusão entre arquitetura e arte. O ArchDaily teve a oportunidade de entrevistar Ahmadreza Schricker, seu fundador, e conversar sobre sua carreira e prática.
Ahmadreza Schricker é um arquiteto cuja jornada foi moldada por seu trabalho com Herzog & de Meuron e seu tempo com o renomado OMA. Seu estúdio ASA North, é conhecido pela premiada reutilização adaptativa do Museu de Arte Contemporânea e Centro Cultural Argo, uma antiga destilaria que foi premiada no ciclo Aga Khan 2020-2022. O projeto é um testemunho do trabalho que a ASA North realiza, aproximando lacunas entre passado e futuro, tradição e contemporaneidade. A entrevista também vai além da ASA North, explorando sua empresa irmã, ASA South. Baseada no mundo virtual, a ASA South desafia limites convencionais e reimagina a prática arquitetônica na era digital.