Após reger um concerto na sala de espetáculos Gasteig, em Munique, Leonard Bernstein proferiu um veredito mordaz sobre o edifício: “queimem-no”.
A estrutura gigantesca de tijolos e vidro espelhado do Gasteig nunca cumpriu o decreto de Bernstein. Em vez disso, permaneceu de pé por décadas, atraindo críticas severas daqueles que rejeitam sua estética pós-moderna. Em um concurso de projeto promovido pelo próprio Gasteig, dezessete escritórios de arquitetura tentaram mudar a percepção pública da sala de concertos e centro cultural com variadas propostas de reforma.
O processo para se tornar arquiteto/a pode ser tão complexo quanto extenso. Neste artigo, vamos desmistificar um componente crucial dessa trajetória rumo à carreira na arquitetura: qual diploma obter. Especificamente, apresentaremos a diferença entre dois títulos comuns e comparáveis: o B.Arch e o M.Arch.
Desde que a cidade de St. Louis aprovou um imposto sobre vendas para financiar vias verdes públicas em 2000, cidadãos/ãs e planejadores/as urbanos/as idealizavam uma ciclovia e rota de pedestres ao longo do principal corredor leste-oeste da cidade. Na semana passada, essa visão começou a se concretizar com a seleção do escritório Stoss Landscape Urbanism para projetar a Chouteau Greenway. A faixa proposta de áreas verdes e caminhos de pedestres se estenderá desde o icônico Gateway Arch, na extremidade leste da cidade, até o centro, seguindo de lá até o Foster Park, localizado ao lado da Washington University em St. Louis, no limite oeste do município.
Ao analisar detalhadamente a produção audiovisual contemporânea, não é exagero dizer que os vídeos de renderização digital de superarranha-céus emergiram como um novo gênero cinematográfico. Profissionais da arquitetura sabem muito bem que essas produções costumam ser lançadas muito antes da conclusão física dos edifícios. Como colegas de profissão, também é fácil notar um padrão recorrente: a estrutura narrativa desses vídeos digitais segue quase sempre um formato “padrão”. Ao som de uma trilha sonora imponente, o horizonte da cidade desliza pela tela, guiando o olhar do espectador até o topo de um arranha-céu. Lá em cima, os vídeos revelam invariavelmente a mesma cena: um homem de negócios em silêncio, contemplativo, observando a paisagem urbana através da janela. Esse arquétipo do “executivo de elite” é quase sempre representado por um homem branco, elegantemente vestido e imerso em seus pensamentos. A seguir, apresentamos alguns exemplos emblemáticos desse fenômeno:
Ao tocar em uma geolocalização do Instagram, as nove publicações mais populares daquele local aparecem no topo. Às vezes, há uma semelhança impressionante entre esses posts: imagens quase idênticas de tigelas de açaí e smoothies, pisos de ladrilho decorados ou letreiros de neon. Em parte, a popularidade de um lugar no Instagram é um efeito dominó — uma pessoa posta a foto de um mural (Wynwood Walls, quem nunca viu?), e logo todo mundo faz o mesmo. No entanto, um novo Guia de Design para o Instagram do escritório Valé Architects sugere que algumas características de projeto podem ser inerentemente mais "instagramáveis" que outras. O guia da Valé é interessante por sua análise quase científica da estética do Instagram, mas também traz implicações reais para o mundo da arquitetura: a popularidade de um edifício nas redes sociais (neste caso, seu potencial instagramável) pode influenciar a forma como ele é percebido no mundo físico. A seguir, apresentamos algumas das características que, segundo a Valé, tornam um espaço bem-sucedido no Instagram:
Em 1906, o arquiteto norte-americano Stanford White foi assassinado na cobertura de um edifício que ele próprio havia projetado dezesseis anos antes. A história, hoje bastante conhecida, transcorreu da seguinte forma:
White, sócio-fundador do célebre escritório McKim, Mead & White, conheceu a aclamada modelo e atriz Evelyn Nesbit quando ele tinha quarenta e sete anos e ela, dezesseis. Na primeira vez em que Nesbit visitou o edifício residencial de White, hoje demolido, na rua 24, em Manhattan, ele lhe serviu um almoço do Delmonico's antes de conduzi-la a um quarto que abrigava o que Nesbit descreveu como um "lindo balanço com cordas de veludo vermelho adornadas com folhagens verdes pendendo do teto alto". Dali, ele a levou para seu quarto, cujas paredes eram cobertas de espelhos, e a dopou. Nesbit relembrou: "Quando acordei, todas as minhas roupas haviam sido tiradas". Anos mais tarde, o marido de Nesbit, Harry Kendall Thaw, atirou em White durante uma apresentação na cobertura do Madison Square Garden. Como noticiou o New York Times na manhã seguinte, testemunhas ouviram Thaw dizer sobre White: "ele arruinou minha esposa".
Como parte do Pavilhão Austríaco na Bienal de Veneza de 2018, a instalação “Layers of Atmosphere”, de Henke Schreieck, cria dois espaços opostos, mas interconectados: um deles apresenta uma estrutura simples de madeira, enquanto o outro oferece um átrio luminoso simples cujas paredes são cobertas por finas camadas de papel. Conectados por uma passarela, os espaços provocam reflexões sobre a arquitetura como espaço e a arquitetura que cria espaço.
Um novo gênero cinematográfico está surgindo: o vídeo promocional de arranha-céus de luxo. Geralmente lançadas antes mesmo de a construção do edifício ser concluída, essas renderizações fílmicas seguem um formato estranhamente padronizado: uma trilha sonora emocionante invariavelmente acompanha o *time-lapse* do horizonte de uma cidade; o espectador sobe por um edifício renderizado até alcançar o último andar. Ali, deparamo-nos com alguma variação da cena mais comum nesses vídeos: um homem de negócios que observa, em silêncio, a imensidão da cidade abaixo. A figura costuma ser pensativa, bem-vestida, branca e masculina. Continue lendo para conhecer três exemplos marcantes dessa tendência peculiar.
Os jardins aquáticos ingleses do século XVIII costumavam ser projetados com uma intenção lúdica. Visitantes que faziam piqueniques eram surpreendidos por fontes que jorravam sem aviso e ficavam perplexos ao se depararem com estruturas misteriosamente evocativas, como gazebos e salões de banquetes. Em Fountains Abbey and Studley Royal Park, em Yorkshire, lar de um dos jardins aquáticos mais bem preservados do mundo, essas históricas follies botânicas e arquitetônicas—ou seja, estruturas lúdicas e sem fins práticos—já foram abundantes. Hoje, elas estão sendo reinterpretadas por meio de instalações de arte contemporânea igualmente lúdicas.
Em 2 de julho, o National Council of Architectural Registration Boards (NCARB) lançou um novo conjunto de normas éticas modelo que devem ser adotadas por seus conselhos de licenciamento regionais, estabelecendo, por sua vez, um precedente para os padrões éticos em toda a profissão de arquitetura nos Estados Unidos. Embora no passado as normas éticas do NCARB tenham abordado amplamente questões profissionais, como o papel do/a arquiteto/a em garantir a segurança pública e sua transparência ao interagir com clientes, o documento atualizado foca em preocupações pessoais que muitas vezes se sobrepõem ao ambiente de trabalho.
Reuso adaptativo, o processo de readequar uma estrutura obsoleta para uma nova função, tornou-se onipresente hoje em dia — tanto que ouvir termos como “galpão convertido” ou “fábrica reaproveitada” mal chama a atenção. No entanto, um novo projeto desenvolvido por um grupo de escritórios de arquitetura holandeses destaca o caráter inovador dessa prática com uma proposta que reimagina navios de carga desativados como moradias. Com seus cascos externos totalmente intactos, as embarcações remetem moradores/as e visitantes ao seu passado industrial e marítimo.
O que é mais masculino: um estádio ou uma enfermaria? Hannah Rozenberg, arquiteta recém graduada no Royal College of Art (Londres), afirma ser o primeiro e apresenta um algoritmo para comprovar sua opinião.
Como seria um tradicional parque parisiense para você? Para muitos, só existe uma imagem capaz retratar com exatidão a essência deste espaço: ASunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte, de Georges Seurat. A famosa pintura retrata a burguesia desfrutando de um oásis natural, uma ilha verde em meio a uma cidade industrializada.
Um novo curso on-line oferecido pela Universidade de Hong Kong (UHK) através da plataforma de compartilhamento de conhecimento edX examinará a relação entre a cultura asiática e a arquitetura vernacular daquele continente. Livre e aberto a qualquer pessoa, o curso introdutório intitulado “Interpretando a arquitetura vernacular na Ásia” tem um objetivo inclusivo: tornar o mundo da arte e da história da arquitetura, muitas vezes alienante, acessível ao público em geral.
De que forma as pessoas vivem ao redor do mundo? Parece evidente que a maioria das arquiteturas residenciais não é tão focada na estética quanto as casas minimalistas que cobrem as páginas de revistas de projeto (e, reconhecidamente, sites como este). Por mais divertido que seja olhar para esses projetos, elas não são representativas de como as casas se parecem geralmente. A maioria das pessoas vive em estruturas construídas no estilo vernacular de sua região, ou seja, o estilo tradicional que evoluiu de acordo com o clima ou a cultura da região. Embora definições estritas de arquitetura vernacular residencial frequentemente excluam edifícios construídos por arquitetos profissionais, para muitas pessoas o termo chegou a abranger qualquer tipo de casa que seja considerada média, típica ou característica de uma região ou cidade. Confira nossa lista abaixo para ampliar seu léxico de arquiteturas residenciais:
Nos canteiros de obras, drones estão sendo usados para fazer o que humanos não podem. Já publicamos matérias sobre drones usados para assentar tijolos, seus impactos (para melhor e pior) no ambiente urbano e como essa tecnologia pode ajudar a melhorar a precisão das visualizações digitais. No entanto, a CNBC recentemente publicou um artigo sobre o uso de drones para fotografias aéreas de canteiros de obras, permitindo alcançar ângulos e posições difíceis para fotógrafos humanos - um uso inovador que fez aumentar visivelmente a venda de drones. Segundo o artigo, "o uso de drones na construção tem aumentado na taxa de 239% ano após ano."
Kasteel van Horst, um castelo do século XVII na zona rural da Bélgica, e o festival de música que ele abriga todos os anos fazem uma combinação improvável. Mas nos últimos quatro anos, o Horst Music and Art Festival que acontece no castelo nos arredores de Leuven tem reunido artistas, músicos, arquitetos e designers internacionais para um fim de semana de celebração criativa. Para a quinta edição do festival deste ano, o Atelier Bow-Wow, de Tóquio, se unirá aos demais participantes.
Situado ao longo de Bruxelas, a arquitetura de Victor Horta varia do inócuo ao vanguardista. Enquanto muitos de seus edifícios foram concluídos no estilo tradicional do Beaux Arts, são os trabalhos Art Nouveau de Horta - a maioria deles construídos como residências para a elite belga - que são os mais destacados. Emergindo da tradição das artes decorativas e, de certa forma, antecipando a próxima investida do modernismo, os edifícios Art Nouveau de Horta foram erguidos durante uma década fugaz: aproximadamente de 1893 a 1903.