Eduardo Souza

Editor Sênior de Brands & Materials no ArchDaily. Arquiteto e Mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

Uma embalagem que pode ser incluída na mistura do concreto

Acesso exclusivo | 

Soluções que facilitam a usabilidade e, ao mesmo tempo, são sustentáveis, devem sempre ser destacadas. A Klabin, empresa brasileira de papel e embalagens do Brasil, desenvolveu a primeira embalagem de cimento do mercado que pode ser integrada ao processo no momento da preparação do concreto. A embalagem hidrodispersível é feita com papel 100% dispersível, o que significa que pode ser incorporada no preparo do concreto, agilizando a produção com o uso direto na betoneira de eixo horizontal. Basta colocar a embalagem fechada na betoneira, acrescentar areia, brita, água e misturar até que ela se disperse e se integre ao produto final, mantendo a qualidade do concreto. A nova embalagem tem garantia de alta performance e fácil manuseio.

Entendendo Absorção e Difusão Acústica em projetos de arquitetura

Acesso exclusivo | 
Entendendo Absorção e Difusão Acústica em projetos de arquitetura - Image 6 of 4
Cortesia de Acoustical Surfaces

"Acústica", na arquitetura, significa melhorar o som nos ambientes. Apesar de ser uma ciência complexa, entender o básico - e tomar decisões eficientes - é muito mais fácil do que se imagina. O primeiro passo é entender que existem duas categorias técnicas usadas em acústica: isolamento e tratamento de som. Insonorização significa "menos ruído" e tratamento, "mais qualidade de som".

A ventilação natural não é a solução mais eficiente em todos os casos

A ventilação serve a duas finalidades principais em um espaço: em primeiro lugar, retirar os poluentes presentes e fornecer ar limpo. A segunda é atender às necessidades metabólicas dos ocupantes, proporcionando temperaturas agradáveis aos espaços, se o clima permitir. É sabido que ambientes com ventilação inadequada podem trazer sérios malefícios à saúde dos ocupantes e, principalmente em climas quentes, desconforto térmico. Um estudo da Universidade de Harvard mostrou que em edifícios com boa ventilação e melhor qualidade do ar (com menores taxas de dióxido de carbono), os ocupantes apresentam melhores desempenhos das funções cognitivas, respostas mais rápidas a situações extremas e melhor raciocínio em atividades estratégicas.

Não é difícil perceber que a ventilação desempenha papel vital na garantia de uma boa adequada do ar e no conforto térmico em edifícios. Todos já sentimos isso. Mas quando falamos de ventilação, sempre nos vêm à mente uma brisa leve da janela, balançando o nosso cabelo, com um aroma agradável e uma temperatura que nos traz conforto. Em climas amenos, isso pode até ser uma realidade na maioria dos dias do ano. Em climas severos ou locais poluídos isso é bem diferente.

Translucidez e materiais aparentes: breve análise das soluções de Lacaton & Vassal

Acesso exclusivo | 

Paulo Mendes da Rocha fala, frequentemente, que a função da arquitetura nada mais é do que “amparar a imprevisibilidade da vida”. Assim como uma moldura, que destaca e, principalmente, direciona o olhar do observador ao objeto principal, espaços dão suporte à vida cotidiana, aos encontros, à paisagem. A frase do arquiteto brasileiro combina bem com a forma que o escritório Lacaton & Vassal trabalha. A premiação do casal francês levanta algumas questões sobre como suas escolhas são precisas para o momento atual que vivemos no mundo. Isso abrange a filosofia do seu trabalho, as soluções projetuais adotadas e a paleta de materiais.

Impressão 3d, realidade aumentada e inteligência artificial impactando no design de mobiliários

Dissociar a arquitetura dos mobiliários é algo quase impossível. Como Le Corbusier estacionava carros contemporâneos à obra para fotografar seus projetos, os mobiliários evidenciam a época e o estilo de vida do usuário que habita o espaço. De fato, a partir do momento que a humanidade deixa de ser nômade, há registros de mobiliários rudimentares. Em um sítio escavado, que data entre 3.100 e 2.500 aC, descobriu-se uma variedade de móveis de pedra, de armários e camas a prateleiras e assentos de pedra. Com o tempo, os móveis foram ganhando protagonismo. Além das funções desempenhadas, mobiliários também sempre foram utilizados para exprimir ideias. Sejam os móveis exclusivos e luxuosos do Egito Antigo, para exercer o poder e a riqueza do império, até o design funcional e simplificado da Bauhaus, em um momento de reconstrução e racionalidade no mundo, estudar a evolução do design de móveis é importante para se entender os estilos de arquitetura.

Atualmente, o avanço da tecnologia e a internet faz com que as mudanças sejam cada vez mais rápidas, até difíceis de assimilar e acompanhar. Os mobiliários acompanham essa tendência, seja na maneira de desenhá-los, fabricá-los ou mesmo vendê-los. Abaixo, selecionamos algumas formas que a tecnologia vem impactando neste campo: 

Estufas como espaço de convivência entre a natureza e os seres humanos

Acesso exclusivo | 

Pesquisadores apontam que "proto-estufas" surgiram por conta da vontade do Imperador romano Tibério (42 a.C. a 37 dC) de comer pepinos todos os dias do ano. Como no inverno era impossível cultivar o vegetal na Ilha de Capri, seus jardineiros desenvolveram camas montadas sobre rodas que se moviam para o sol e nos dias de inverno eram postas sob uma cobertura translúcida feita de Selenita (uma variedade de gipsita bem cristalizada e com aparência vítrea). Mas a produção de estufas em grande escala tornou-se mesmo possível após a Revolução Industrial e com a disponibilidade de folhas de vidro produzidas em massa. Desde então, elas têm sido utilizadas para cultivar alimentos e flores, conformando um microclima adequado às espécies vegetais mesmo em locais com climas severos. Mas em alguns casos, essas condições internas também podem ser interessantes para os espaços de vida. A recente premiação de Lacaton & Vassal reacendeu esse assunto. Como é possível criar estufas que possam ser boas para humanos e plantas?

Materiais a 0 km e a ideia de preservar o meio ambiente e as culturas locais

Juntamente com as preocupações com as questões relacionadas nosso ambiente, surgem movimentos, novas palavras, conceitos e termos relacionados ao seu enfrentamento, que nos obrigam a ficarmos sempre atualizados. A própria palavra sustentabilidade enfrentou alguma resistência até ser incorporada no vocabulário e utilizada largamente nos mais diversos contextos. Atualmente se fala muito sobre Economia Circular, Resiliência, 4 Rs, mineração urbana, entre outros. Além disso, há movimentos que são incorporados de outros meios, evidenciando a transversalidade de tais questões. Um deles é o dos Materiais a 0 km, que têm figurado em manifestos e alguns projetos, ainda que timidamente, nos últimos tempos.

É possível reciclar e reaproveitar concreto?

Usado desde a era romana massivamente em construções das mais diversas escalas, é quase impossível pensar em uma edificação que não tenha ao menos um elemento em concreto. De fato, trata-se do material de construção mais utilizado no mundo, por sua versatilidade, resistência, facilidade de manuseio, valor acessível, estética, entre outros fatores. Ao mesmo tempo, sua manufatura também é um dos principais poluidores na atmosfera, sobretudo pelo fato de a indústria de cimento emitir por volta de 8% de todas as emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2).

Mas além da sua produção intensiva, tratando-se de um material tão rígido, pesado e composto por cimento, água, pedra e areia, seria possível dar um uso sustentável ao concreto após a demolição, sem destinar os resíduos como entulhos a locais indevidos, ou sobrecarregando os aterros sanitários? 

Quanto mais você entender como os materiais se encaixam e funcionam, melhor será sua arquitetura

Uma luz incrível, acabamentos brilhando, árvores adultas, saudáveis e figuras humanas devidamente posicionadas parecem ser o kit perfeito para uma boa e tradicional imagem de arquitetura, que nem sempre são tão fidedignas à realidade ou ao contexto. Convencionamos a pensar em renderizações como visões do edifício futuro, pronto e ocupado, que servem para vender ou convencer os clientes sobre um projeto. Mas e se as imagens renderizadas também nos ajudassem a entender a construção, os sistemas e o funcionamento de algumas partes da edificação? Conversamos com dois profissionais que têm desenvolvido imagens que ao mesmo tempo podem ser explicativas e belas. 

BIM e design digital: Como a madeira engenheirada sai da fábrica ao canteiro de obras?

Acesso exclusivo | 

O fascínio de Le Corbusier pelo automóvel é evidente nos vários registros fotográficos do arquiteto posando orgulhosamente ao lado de um carro na frente de uma obra. Segundo o arquiteto franco-suíço, para além de permitir uma construção mais eficiente e econômica, a industrialização da arquitetura pode constituir uma base de melhores resultados estéticos, da mesma forma que um chassi de automóvel apoia o design moderno e criativo da respectiva carroceria. Mas, embora os veículos tenham passado por mudanças impressionantes desde a década de 1930, pode-se dizer que a arquitetura demorou muito a adotar os avanços de outras indústrias.

Mas isso está mudando aos poucos. Impulsionada por preocupações em torno da sustentabilidade, o uso de recursos fósseis não renováveis e eficiência, juntamente com a demanda acelerada para construir novos edifícios e infraestruturas mais acessíveis, a indústria da construção tem incorporado inúmeras novas tecnologias, incluindo aquelas adotadas de outras indústrias. Além disso, a madeira têm sido identificada como um material de construção ideal - especialmente ao incorporar produtos inovadores de madeira em massa, como CLT e glulam, métodos e processos de design como BIM e DfMA, ferramentas para visualização como VDC e tecnologias de fabricação como o CNC. Sim, são muitas siglas, mas tentaremos esclarecê-las ao longo deste artigo.

Lina Bo Bardi e sua escada helicoidal de madeira: tradição e modernidade

Acesso exclusivo | 

O conjunto do Unhão, cuja construção data do século XVII, constituía-se de um engenho de açúcar com casa-grande, capela e senzala, tombado no ano de 1943. Salvador era a principal cidade brasileira na época da construção, em que o Brasil era uma colônia portuguesa, com a mão-de-obra sobretudo de escravizados, e do seu porto saía grande parte da produção de açúcar para exportação. O conjunto chamou a atenção da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi desde sua primeira visita em 1958, na época que ela passou alguns anos trabalhando e dando aulas na capital baiana. Com participação decisiva de Lina na definição do programa e da própria implantação, as edificações foram restauradas para receberem o Museu de Arte Popular e a Universidade Popular. Mas em todo o conjunto, o elemento que chama a atenção por sua plasticidade, funcionalidade e simbolismo, é a escada helicoidal de madeira.

Antes e Depois das reformas: mudanças nas plantas arquitetônicas

Acesso exclusivo | 

Um dos principais gestos projetuais de Paulo Mendes da Rocha no projeto de reforma da Pinacoteca foi criar um novo eixo de circulação longitudinal na edificação existente, alterando o seu acesso principal. Passarelas metálicas, que atravessam pátios internos cobertos por claraboias, possibilitam novas dinâmicas e integração entre as salas, adequando um edifício neoclássico a um museu com um programa totalmente contemporâneo.

A habilidade de renovar um espaço completamente, às vezes demolindo partes ou fazendo adições pontuais, alterando sua funcionalidade e melhorando sua ambiência, é dos ofícios mais admirados dos arquitetos. Em habitações isso fica ainda mais evidente, uma vez que adequar uma habitação às demandas contemporâneas, através de uma planta bem pensada, pode melhorar a qualidade de vida dos ocupantes. 

Do vermelho ao verde: a estética contraditória das fachadas oxidadas

Acesso exclusivo | 

Para uma criança pequena, entender o conceito do tempo e a passagem dele é algo muito difícil. Isso justifica a impaciência por esperar algo ou a confusão para lembrar algo que ocorreu no passado. Elas vivem apenas o presente e essa noção do tempo é aprendida aos poucos. Mas aceitar a passagem do tempo e o envelhecer é algo que nos atormenta mesmo após adultos. As lucrativas indústrias de produtos cosméticos e cirurgias plásticas comprovam como a humanidade busca controlar ou negar a passagem do tempo, algo que nos corre pelas mãos e é implacável. 

Construindo casas com blocos gigantes: U-Build e o futuro da autoconstrução

É difícil encontrar alguém que nunca brincou de LEGO quando criança. E se pensássemos em edifícios como grandes jogos de montar? U-Build é um sistema de construção modular em madeira desenvolvido pelo Studio Bark para ser fácil de construir, agradável de habitar e simples de desconstruir no final da sua vida útil. O sistema remove muitas das dificuldades associadas à construção tradicional, capacitando indivíduos e comunidades a construir suas próprias casas e edifícios. O sistema usa usinagem CNC de precisão para criar um kit de peças, permitindo que a estrutura do edifício seja montada por pessoas com habilidades e experiência limitadas, usando apenas ferramentas manuais simples.

Como a simulação de materiais durante o projeto garante um bom desempenho da construção

Com a quantidade de informações e tecnologias que dispomos atualmente, seja de pesquisas acadêmicas ou dos próprios fabricantes dos produtos de construção, sobra muito pouco espaço para empirismos e experimentações ao projetarmos nas escalas mais diversas. Ainda mais quando equívocos na especificação de projetos representam enormes custos e dores de cabeça. Isso quer dizer que muito antes da construção e a ocupação do edifício, é possível entender claramente como o edifício funcionará termicamente, qual sua capacidade de geração de energia fotovoltaica e mesmo quanto de energia será necessário para resfriá-lo e/ou aquecê-lo. Há softwares, ferramentas e aplicativos que permitem quantificar todas essas decisões de projeto, para evitar erros, deseconomias, geração de resíduos e garantir a eficiência de todos os materiais aplicados.

Como tirar proveito de tetos altos em renovações

Acesso exclusivo | 

A altura do teto de um espaço influencia muito da nossa percepção sobre o mesmo. Geralmente, códigos construtivos locais definem as dimensões mínimas, que são calculadas para proporcionar uma qualidade de vida adequada no ambiente. Mas a altura exata dos pés-direitos é, muitas vezes, definida pela dimensão dos materiais que constituem a edificação, a altura das lajes ou, até, por conta do arredondamento nas dimensões dos degraus da escada. É comum que, com a densificação das cidades e visando um aumento na lucratividade, os empreendedores optem por criar pés-direitos mínimos em habitações e escritórios, reduzindo os custos de construção. Por outro lado, nas arquiteturas mais antigas, são observados pés-direitos mais generosos, que geralmente possibilitam um maior grau de liberdade projetual. Mas como tirar partido da melhor forma destes espaços?

É hora de começar a pensar em edifícios industriais de madeira?

Acesso exclusivo | 

Possivelmente as edificações industriais sejam as que melhor exemplificam a célebre frase proferida por Louis Sullivan de que “a forma segue a função”. Geralmente, elas se tratam de edificações funcionais, eficientes, de construção rápida e sem ornamentos. É por isso que, ao estudarmos o patrimônio industrial das cidades e países, somos capazes de entender sobre os materiais locais, as tecnologias e tradições construtivas da época, além de relembrar o passado da indústria. As fábricas de tijolos vermelhos da Inglaterra logo vêm à mente, bem como os lanternins nos telhados utilizados para proporcionar iluminação natural às fábricas e muitas outras soluções típicas. Estruturas metálicas e de concreto pré-moldado atualmente são as mais utilizadas por conta da combinação entre eficiência construtiva, custo e possibilidade de vãos expressivos. Muitas vezes, estes galpões industriais também caracterizam-se por serem extremamente frios e impessoais, além de conterem uma pegada de carbono considerável. Mas a experiência do Canadá, nos últimos anos, chama a atenção. Há cada vez mais aceitação de edifícios de madeira para programas industriais.

Carbono incorporado nos materiais de construção: O que é e como calcular

Qualquer atividade humana impacta de alguma forma o meio ambiente. Algumas menos, outras muito mais. Segundo o United Nations Environment Programme (Unep), o setor da construção é responsável por até 30% de todas as emissões de gases que contribuem ao efeito estufa. Atividades como mineração, processamento, transporte, operação de indústria e combinação de produtos químicos resultam na liberação de gases como o CO2, CH4, N2O, O3, halocarbonos e vapor d' água. Estes, quando lançados na atmosfera, absorvem uma parte dos raios do sol e os redistribuem em forma de radiação na atmosfera, aquecendo o planeta. Com uma quantidade desenfreada de gases sendo lançados cotidianamente, essa camada é engrossada, fazendo com que a radiação solar entre e não consiga sair do planeta, acarretando em impactos quase incalculáveis para a humanidade, como desertificação, derretimento das geladeiras, escassez de água, tempestades, furacões, inundações, alterações de ecossistemas, redução da biodiversidade.

Como arquitetos, uma das nossas maiores preocupações deveria ser de que forma é possível diminuir as emissões de carbono incorporados nas construções. Conseguir mensurar, quantificar e qualificar os impactos é um primeiro caminho.