PAUL LINDER. ARQUITETO Modernidade universal / Sincretismo local Mostra de gráfica arquitetônica
O Centro Cultural, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, o Sistema de Bibliotecas e o Arquivo de Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica do Peru apresentam esta mostra composta por plantas, desenhos, fotografias, objetos e material documental do arquiteto Paul Linder (1897-1968). Esta exposição tem como objetivo valorizar a arquitetura como um componente cultural, no qual é indispensável conhecer sua atualidade e sua história. A mostra coincide com a celebração mundial do centenário da escola Bauhaus.
Em Lima, há uma forte tradição de casas-pátio, por isso sempre nos sentimos familiarizados e fascinados por essa tipologia. Identificamos esses pátios como bem contidos e distanciados uns dos outros, onde cada um tem seu próprio momento-espaço na residência.
Quanto mais oculto e distante, mais magia; quanto mais se vislumbra terra, céu e água, mais mistério. Conhecer seus vilarejos é adentrar o Peru profundo, que possui costa, serra e selva. Além do imenso mar, há o deserto costeiro, as elevadas montanhas definidas pela Cordilheira dos Andes, que atravessa o país de norte a sul, e a vasta selva que abriga a nascente do rio Amazonas. E sobre essa paisagem assentam-se construções e populações de culturas milenares. Sendo assim, imaginem quantas atmosferas ainda restam por descobrir nos encontros mais recônditos desta biodiversidade. A variedade de climas é proporcional aos diferentes tipos de vilarejos: povoados de bruxos, fantasmas, perdidos, flutuantes, de línguas antigas ou esquecidas, de músicos, de pedra, de barro, coloridos...
Na noite em que vi estes desenhos, sonhei... e muito.
Na manhã seguinte, despertei reflexiva-exausta de tantos lugares pelos quais havia percorrido, por isso decidi que era preciso escrever sobre essas paisagens que assaltaram meus sonhos. O que elas tinham de especial? O que me prendeu — e me enredou — nelas? Cores vibrantes, labirintos, caminhos sem fim ou que se cruzam, limiares, ramificações, organicidade... Há quanto tempo não desenhamos (ou falamos sobre) o que sonhamos?
Plaza Paz Soldán - tres finalistas. Image Cortesía de Municipalidad de San Isidro
Integração de arte e arquitetura para construir um espaço público crucial na rotatória Paz Soldán, um dos pontos mais icônicos e movimentados do distrito de San Isidro, em Lima. Este foi um dos grandes desafios propostos pela Municipalidad de San Isidro e pelo Grupo Centenario ao convocar o Concurso Nacional Plaza Paz Soldán, que faz parte da iniciativa 2021: Proyectos del Bicentenario, coordenada por Gary Leggett.
Entre seus principais objetivos, o concurso busca a transformação da rotatória, hoje intrinsecamente veicular, em uma praça de livre acesso para pedestres. Além disso, propõe a integração espacial da nova praça Paz Soldán com a zona monumental do bosque El Olivar, conseguindo não apenas consolidar este novo espaço como um novo portal de entrada para o parque, mas também constituí-lo como uma referência para outras áreas da cidade. Por sua vez, a proposta de arte pública esperada é uma reflexão sobre o papel da arte no espaço público. Cabe destacar a ampla visão da rotatória como conjunto urbanístico, para além da área específica da intervenção.
Já foram anunciados os três projetos finalistas e duas menções honrosas. Foram 160 equipes inscritas, das quais 60 enviaram propostas. O júri foi composto pelos arquitetos e arquitetas Óscar Borasino, Sharif Kahatt e Michelle Llona; e pelos especialistas em arte Max Hernández Calvo e Natalia Majluf. O processo contou com a assessoria de especialistas como Juan Carlos Dextre, em temas de mobilidade e impacto viário, e Patricia Dias, em patrimônio. Por fim, para selecionar a proposta vencedora, será incluído o voto, com valor duplo, das Associações de Moradores de San Isidro.
Corte Fugado. Image Cortesía de LLATAS_Municipalidad de Miraflores
Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Se as pessoas idosas não vão à prefeitura – para evitar os desgastes evidentes de trâmites burocráticos –, a prefeitura vai até elas. Em uma cidade não muito planejada como Lima, onde menos ainda se pensou em desenho urbano para a população idosa ou para pessoas com deficiência, locomover-se ou realizar certas atividades sociais exige o dobro de esforço. Assim, elas preferem ficar em casa, sem complicações.
É uma excelente ideia a ser colocada em prática que a forma de alcançar essa aproximação, para além da arquitetura estática, seja por meio da arquitetura móvel. Dessa forma, a Prefeitura de Miraflores colocaria em circulação, em um ônibus, diferentes funções valiosas para um bairro, mas, acima de tudo, muito valorizadas por um público que necessita de maior mobilidade. A arquitetura em ação é capaz de adaptar um ônibus "comum" para esse fim "múltiplo". Mais uma vez, a profissão demonstra seu poder de conectar, acolher, aproximar...
Não é comum falar amplamente sobre essas ideias na arquitetura, embora tenhamos recorrido a elas mais de uma vez. Diagnóstico, felicidade, reabilitação, vazio, tristeza, medo, saúde, paciente, salvar... palavras que se repetem seguidamente, integrando-se de forma cada vez mais coerente à medida que avançamos na leitura, transformando-se em um discurso que nos convence dessas utopias arquitetônicas. Não se trata de quem está por trás desta proposta, mas sim do que alcançam para a arquitetura e para a sociedade por meio desta união multidisciplinar alcançada a partir de suas diferentes abordagens — seja da filosofia, da escultura ou da ilustração —, todas elas remédios para a alma. No fundo, trata-se de uma crítica com o melhor estado de espírito dos anos 50.
Nesses projetos convergem diálogos de espaço e tempo: a possibilidade de o edifício mudar de lugar, de sua atmosfera evocar outra época. Uma filosofia baseada em curar as cidades por meio do desapego e da felicidade. Nenhum edifício pertence totalmente a um território, nenhum espírito é inerente a uma época em si. Como seus projetos escultóricos, um nasce em Nova York, outro fica no Peru e outro termina no Brasil. Com a feliz estética dos anos 50 que pretendem trazer de volta e viralizar na expressão de suas ilustrações contemporâneas, apresentamos aqui o discurso do DAD e três projetos que põem em prática seus princípios.
Sem mais delongas, pois felizmente eles nos contam tudo em detalhes.
O ano está chegando ao fim e olhamos em retrospectiva… o que mais nos cativou? Depois de apresentar o melhor da arquitetura do ano, agora focamos em identificar projetos representativos. Entre a ampla gama de obras peruanas que publicamos neste ano de 2018, as que mais influenciaram nossa plataforma abrangem diversas escalas e tipologias; assim, apresentamos a seguir desde uma residência unifamiliar até uma biblioteca pública, de profissionais consolidados a nomes emergentes, reflexos de uma arquitetura para todas as pessoas.
A cidade de Lima e o rio Rímac parecem em conflito, embora este a atravesse (e nutra) de leste a oeste. Por isso, destacamos o uso do termo “amizade” como um valor agregado para abordar este tema. Uma forma de compreender essa relação com a solidez e a integralidade que ela deveria ter. É o que propõe o projeto que apresentamos aqui, o qual resgatamos de nossos arquivos para trazer a público. Com o início do verão, a proximidade do fenômeno El Niño e o consequente aumento na vazão do rio Rímac, torna-se inevitável recordar os desastres causados pelos huaycos (deslizamentos de terra) há um ano. Pouco ou nada foi feito diante dessa ausência de relação da cidade com o rio; portanto, vale a pena refrescar a memória.
Novos ares, novas cores: Uma intervenção FUCSIA na faculdade de CCSS (Ciências Sociais) da PUCP. No impressionante jardim desta faculdade, os/as estudantes sempre costumavam se sentar e deitar no gramado para debater suas ideias; no entanto, com o aumento de atividades “sociais”, havia a necessidade de mais assentos, equipamentos e sombra. Com uma cobertura têxtil vazada que flutua entre as árvores e pneus empilhados que se adaptam organicamente ao jardim, este projeto cria um ponto de cor e um espaço de encontro ideal que INTEGRA em vários sentidos: os/as estudantes deste curso e suas ideias, toda a comunidade estudantil do campus entre si e os diversos materiais reciclados que dão forma ao FUCCSSIA-INNTEGRA.
O surgimento de um projeto como este em pleno "tontódromo" — rua movimentada onde os/as universitários/as da la cato costumam passar o tempo — ganha grande relevância, tanto pela mensagem do projeto em si quanto pela visibilidade e acessibilidade de sua localização. O “Ocupa Tu Calle”, uma iniciativa cidadã que costuma realizar intervenções urbanas nas ruas de Lima, desta vez intervém na rua principal de uma universidade, convocando, em parceria com a Faculdade de Ciências Sociais, a participação de estudantes para contribuir com o desenho e a melhoria de seu próprio campus por meio de um concurso de ideias. Além disso, propõe uma reflexão sobre a apropriação de um espaço privado com noções de espaço público. A proposta vencedora reinterpreta a ágora grega em um espaço flexível e lúdico que permite aos/às estudantes debater e simplesmente estar. A seguir, conheça os detalhes, desde o processo de projeto até a construção.
Há pouco tempo, líamos em um dos textos vencedores do Concurso Nacional de Crítica: “Em Chimbote, a cidade que cresceu dando as costas para sua baía, formada pela busca de uma vida economicamente produtiva, não há muito o que fazer, não há muito com o que se divertir. E isso não se deve apenas à escassa oferta de locais para atividades culturais ou de lazer, mas porque na própria rua, no espaço público, não há muito com o que se deparar. Parece difícil que essa situação mude na hora de construir a cidade (…) em uma cidade que se tornou entediante, útil apenas para uma precária produção econômica, na qual a rua é apenas um espaço de trânsito, de ir e vir sem maior emoção (…). Tomara que o tédio não nos tire a capacidade de imaginar novas formas de crescimento para a nossa cidade”. Uma severa e desafiadora crítica ao devir.
Agora, este projeto surge como uma resposta, mostrando outras formas de ver, viver e crescer para esta calorosa cidade do litoral norte do Peru. É uma forma de redescobrir uma emocionante Chimbote colorida, e é o que temos o prazer de apresentar e destacar nesta publicação: o outro lado, as ações de reação diante das críticas ou, justamente, o que um pensamento crítico é capaz de realizar. Além de ser — um respiro — um exemplo replicável de pequenas grandes ações a serem implementadas em cidades de outras partes do país, além de Lima.
Não é nada pessoal com a cor amarela, mas sejamos sinceros: estávamos saturados da monotonia.
Amamos o amarelo, mas não quando ele é usado sem gosto e sob a sombra da corrupção. Gostamos do amarelo tão natural em Lima quanto o da imagem que abre este texto; aquele em tom de terra, o de cada entardecer, o que brilha como o sol. Nos últimos anos, nossa cidade foi forçadamente invadida por essa cor: escadarias amarelas, pontes amarelas, muros amarelos, grades amarelas... talvez demais. E se certas obras não eram amarelas em si, as intenções por trás delas vinham carregadas com um ranço dessa tonalidade.
Há alguns meses teve início esta rede de concursos que construirá 15 projetos de Infraestrutura Social para o Bicentenário do Peru. O Plano de Projetos de Infraestrutura Social Externos (PLAN PISE) é um empreendimento social criado para apoiar comunidades em processo de desenvolvimento no planejamento e na construção de projetos que permitam melhorar suas condições de habitabilidade. Os resultados acabam de ser divulgados e o plano segue em andamento com o próximo concurso no final de fevereiro. Aos poucos, somam-se esforços para a transformação da realidade social e educacional.
A importância de um pátio como espaço educativo dotado das qualidades necessárias para estimular a convivência e a diversidade é um tema sobre o qual esta edição do concurso nos faz refletir e propor soluções coletivas desenvolvidas por estudantes ou recém-formados/as em arquitetura, sendo uma forma direta de materializar sonhos acadêmicos. O local de intervenção para as crianças será o Colégio Villa de Jesús IE 7216, localizado em Villa El Salvador, ao sul de Lima.
Antes de mencionar como e quem destaca internacionalmente este projeto, é importante reconhecer sua relevância no território nacional. Este edifício de salas de aula construído para a Universidade de Piura é um sólido projeto educacional localizado no meio do deserto do norte do país. Diante do ocorrido em 2017 em diferentes partes do Peru em decorrência do devastador fenômeno El Niño – em que o norte foi uma das regiões mais afetadas, com a perda de diversos edifícios mal implantados ou construídos com materiais inadequados –, este edifício permanece de pé, exemplificando como intervir com delicadeza, coerência e respeito neste clima e paisagem, servindo de modelo para a reconstrução nacional. Além disso, representa uma grande contribuição para melhorar a qualidade – e o investimento – nos espaços educativos fora da capital, em prol da descentralização e oferecendo melhor educação e oportunidades para os/as estudantes.
Feito esse panorama interno, podemos passar aos reconhecimentos externos:
O espaço onde será criada esta nova praça é atualmente subutilizado como uma zona de estacionamento público, desperdiçando as favoráveis condições urbanas para pedestres neste ponto cercado por habitações e comércio, localizado estrategicamente na interseção da Calle 3 Sur com a Av. Del Parque Sur. Assim nasce o Concurso Nacional de Ideias: Desenho da Plaza 3 - San Isidro, organizado pelo Colegio de Arquitectos del Perú junto à Municipalidad de San Isidro, com o objetivo de promover o desenvolvimento de um novo espaço público recuperado em benefício da comunidade do distrito, por meio da criação de um espaço de encontro em um ambiente acolhedor para as pessoas. Ao mesmo tempo, espera-se que a proposta de desenho urbano se torne uma referência para futuros concursos semelhantes.
Entre maquetes e mãos, um contato que nunca deve ser perdido. Essa experiência nos provoca silêncio. Parar no tempo para pensar no cuidado ao fazer uma maquete de concreto. Não é preciso dizer muito, pois tudo é dito através dessas expressivas maquetes acompanhadas de um texto pessoal, que transmite com beleza e simplicidade a importância deste processo manual para a prática da arquitetura.
Embora sejam fotografias contemporâneas amadoras, não fiquemos apenas na superfície, olhemos além. Esses “falsos morros” escondem huacas que – tenham sido centros cerimoniais, complexos administrativos ou depósitos de alimentos – nos deixam como mensagem essa revelação de camada após camada, onde se descobrem diferentes etapas da história e dos modos de vida de nossos ancestrais pré-hispânicos, proporcionando uma forma de nos surpreendermos ao ver sob as superposições do tempo. As huacas nos ensinam a ver com maior amplitude e perspectiva.
Comecemos pelo final. No último sábado, 8 de setembro de 2018, foi realizada a cerimônia de premiação daXVIII Bienal Nacional de Arquitetura e Reconciliação “Repensando o Território”, evento coorganizado pelo Colegio de Arquitectos del Perú - Región La Libertad e pelo Colegio de Arquitectos del Perú. O evento marcou o encerramento de uma série de atividades realizadas ao longo de três dias, com o objetivo de promover um espaço de reflexão e exposição sobre a produção da arquitetura peruana nos últimos dois anos. Estivemos presentes na bienal, sediada na cidade de Trujillo, cuja descentralização, o resgate de valores esquecidos e o repensar do território nos convidam a refletir sobre diversos aspectos que retomaremos adiante; no momento, nosso foco será apresentar os resultados da premiação.